A população não entende. E nem tem como. O sujeito embriagado sai dirigindo. É madrugada. E sob efeito etílico atropela a pedestre Alexandra Alves, de 19 anos.
São 5 da manhã de sábado para domingo. A pedestre é jogada longe. Se estatela no chão e, vendo o sangue correr, ela grita.
O motorista foge. Abandona a vítima.
Não queria ser pego embriagado? Ficou com medo de ter matado a moça e fugiu?
Não se sabe. E não importa. Atropelou tem de socorrer. Atropelou e fugiu é culpado, não importam as circunstâncias da fuga.
Mas alguém viu o caso. Era um Gol cinza.
A Brigada Militar, sempre atenta às ruas, anda pra cá e pra lá. Alguém vê o Gol no bairro São João. E lá vai a Brigada e pega o atropelador. Ele está sob efeito de álcool tão forte, que no caminho até o quartel “apaga” no carro na polícia. E dorme. E, lá chegando, sequer consegue soprar o etilômetro para fazer o teste de embriaguez.
A Brigada o leva ao Postão 24h, e um médico com formação e gabaritado vê os sinais objetivos presentes no atropelador e atesta, em laudo clínico, a embriaguez.
Diante disso, álcool e atropelamento com fuga, ele vai para a Polícia Civil autuar e recolhê-lo preso por dirigir embriagado, atropelar e fugir do local. Ou, então, para depois de autuado pagar a fiança, se o delegado assim o entender. Tudo perfeito até aqui. Mas aqui começa o que a população não entende.
Primeiro Dois Irmãos não tem Plantão na Delegacia. Já teve. Não tem mais. Então dois brigadianos são deslocados para levar o atropelador até Novo Hamburgo.
Lá chegando, o delegado de plantão Wagner Dalcin conversa com os brigadianos e se retira, deixando para um inspetor “argumentar” a razão pela qual não vai autuar o motorista que alcoolizado atropelou e fugiu do local.
O inspetor, meio constrangido, “explica” aos brigadianos que “o juiz não aceita exame clínico como prova”. Ele não perguntou ao juiz. Ele fez a ilação de que o juiz não aceitaria.
O inspetor apenas registra a ocorrência e o sujeito se livra solto.
É um caso de uma brutal irresponsabilidade policial. E é por fatos assim que a população vai começando a olhar a polícia de lado.
Por isso solicitamos ao Delegado Regional, Wagner Vasconcellos, explicação detalhada dessa tragédia. Dois Irmãos apóia sua polícia, e espera dela muito mais do que essa atitude (até aqui) incompreensível.