Nos últimos 26 anos ocorreram inúmeros acidentes na “curva do peixe”, aquela curva na BR 116, abaixo da Malharias Daiane, quando se vem de Novo Hamburgo. Ela se chama “do peixe” porque ali tombaram, num só mês, dois caminhões carregados de peixes.
A curva forma um zigue-zague fechado, e a Força da Gravidade é fortíssima naquele local.
Tanto indo a Novo Hamburgo quanto vindo a Dois Irmãos, ao entrar nela o veículo é "puxado" violentamente pela força G.
Se houver pneu descalibrado ou o veículo entrar na curva com velocidade (o que é normal, pois está na baixada) logo o carro "se joga" para dentro (ou para fora) da pista.
Até pilotos com décadas de volante já levaram grandes sustos naquela curva.
Jovens, crianças, adultos e idosos perderam a vida ali. O traçado é fechado demais e praticamente induz ao acidente.
Portanto: a curva deve ser eliminada.
Ano a ano se lê notícia de morte e acidentes leves, graves e gravíssimos nessa curva. E mesmo assim ela continua lá, firme e matadora.
O que é que há?
Vemos o sofrimento e nada fazemos.
Estamos cegos?
Perdemos o sentimento?
A vida não tem valor?
Alto lá! Vamos acabar com essa curva.
E é simples: basta fazer a estrada não pelo traçado que tem hoje (o zigue-zague) e sim por cima do barranco.
Se quem vem da Daiane, ao chegar lá embaixo não dobrar à esquerda mas seguir reto, indo por cima do barranco para sair em frente ao Barbom, está resolvido o problema.
Simples, não é?
E que custo tem isso? Mínimo! Primeiro porque vida não tem preço. E segundo porque os duzentos metros de asfalto e o trabalho de base no barranco é uma barbada.
O barranco está embaixo da alta voltagem e a terra é barata.
E com duzentos metros de asfalto se tira a curva, o traçado da BR fica quase reto.
E o que fazer com o asfalto de hoje?
Transforma num ponto turístico. Faz ali um Memorial, um pedido de desculpa aos familiares dos que perderam a vida ali.
É bê-á-bá.
Não sei como não se pensou nisso antes.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Temos de tirar a Curva do Peixe
O desabafo do Rivelino
O que reavivou o Rivelino não foi o fato de ter sido o espetacular jogador da Copa de 1970.
O que o fez vivo outra vez foi a entrevista no lançamento do livro. Ele disse:
- Comprem esse livro, por que estou precisando pagar a pensão alimentícia!
Que coragem tem esse homem!
“Tenho de pagar a pensão”, ele disse. E no meio da entrevista ainda saiu com esta:
- Daqui a pouco vão dizer que sou responsável pela Gripe Suína.
E, ao dizer isso, arrematou:
- Eu NÃO SOU o responsável!
E, continuando na série do que “ele não é”, o Rivelino disse:
- Não sou responsável pelo Senado, não sou responsável pelo aquecimento global, não sou responsável pelos fracassos do mundo, pela AIDS, pelo câncer.
Quase aos gritos, Rivelino disse:
- Não sou nada responsável por nada disso.
E finalizou:
- Só sou responsável por este livro. Comprem este livro. Estou precisando vender para pagar a pensão!
* * *
Sinceramente, até havia pensado que o Rivelino tinha morrido. Dos que jogaram naquela Copa hipnotizante, o único nome que lembro era o dele. Talvez um Jairzinho (teve esse?). E Tostão. Mas acaba aí o rol de notáveis.
Notável mesmo é o Rivelino.
Talvez o leitor não tenha a idade dele, que está nos 60. Ou a minha, 52. Mas nessa idade e tendo vivido mundos e fundos, feito gols e engolido frangos, sorrido e chorado, tomado tantos porres homéricos e curtido longas abstinências, já tendo estendido a mão e retirado a mão, já tendo precisado de auxílio e ter (ou não ter) recebido, já havendo pego quase todos os vírus da gripe, sentido todas as dores de cabeça, enfiado tantas vezes a cara no muro, não é anormal que tal qual Rivelino o sujeito comece a dizer em voz alta, quase gritando, que NÃO É o responsável por tudo que de podre, de pior, de detestável, de inconfesso e vicioso existe na terra.
Não imagino a razão do Riva ter feito esse imenso desabafo de público. À porta fechada, na surdina e no silêncio, se compreenderia. Mas de público, não.
Tem de ter sido duríssimo o golpe que o nosso “pateador” Rivelino sofreu. Pelas costas, certamente. Uma facada, quem sabe. Uma bolada com a força que ele tinha no pé, talvez. Sei lá. Mas certamente foi algo terrível.
E esse desabafo do Rivelino merece amparo. E vou hoje mesmo procurar o livro dele.
Afinal, vai que o homem seja preso por não pagar pensão só por que deixei de comprar o livro dele...
Uma piada esclarecedora
No filme Mosconautas, o vovô MacFly conta esta piada:
A mulher entra na sala e o marido está com um grande mata-moscas. Ela pergunta se ele pegou alguma mosca e ele responde:
- Peguei duas fêmeas e três machos.
- Mas como sabe que duas são fêmeas?
- É que as duas estavam no telefone...
Essa piada parece ingênua, mas ela explica de forma maravilhosa uma parte poderosa do funcionamento do cérebro feminino.
Para a mulher, fazer conexões através de bate-papo é algo que ativa os centros de prazer do seu cérebro.
Para a mulher, compartilhar confidências e segredos, em questões de romance ou sexualidade é algo que lhe acende os centros de prazer existentes no cérebro.
E isso não é um pequeno prazer para a mulher. Conversar com outras mulheres sobre um romance maravilhoso que está tendo ou que pretende ter, para a mulher é um prazer enorme.
Há pesquisadores que dizem que quando a mulher mantém um diálogo sobre romance ou sexualidade, ela tem uma carga tal de hormônios do prazer disparados pelo cérebro na corrente sanguínea que tal conversa é igual (ou vezes até melhor) que um orgasmo.
Homens desde cedo percebem que mulheres parecem estar sempre coladas umas nas outras, sempre contando segredinho, sempre fazendo um cochichinho.
Todo menino descobre bem cedo o que confirmará quando for rapaz, jovem ou adulto: a mulher tem necessidade de intimidade.
A mulher parece ter uma química que a leva à necessidade imediata (e às vezes quase furiosa) de se conectar, de conversar e ter intimidade com alguém em quem ela confia plenamente.
Homem pode passar a vida em silêncio. Uma mulher em tais condições provavelmente morra.
Se a nós homens o silêncio faz maiores, na mulher só a ligação social íntima traz grande sensação de bem-estar e prazer.
Quem de nós, homens, não entender isso, acabará envelhecendo sozinho.
Então. . . te vira!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
E a verdade te libertará...
Tem um filme chamado “Inimigo Meu”, que conta a história de uma guerra interplanetária em que de um lado está a Terra e de outro seres que parecem lagartos, mas que falam e evoluíram tecnologicamente como nós.
Em certa parte da batalha, um piloto humano e outro piloto lagarto abatem a nave de guerra um do outro ao mesmo tempo.
Caem num planeta hostil, pouca água, rara comida e sem habitantes. Nesse planeta eles se encontram e, mesmo se detestando, têm de conviver lado a lado para não morrer.
Duas raças diferentes, repletas de ódio, rancor e preconceitos mútuos, ambos achando que o outro era um lixo, precisam se ajudar para não perecer.
Começa, então, uma análise de nossos rancores, o que pensamos de outros “seres”, nossa aceitação, nosso medo, e a incapacidade de pensar que é possível vida inteligente “fora de nós”, ou seja, no outro.
Os dois pilotos, que começam o filme apenas falando por mímica, aprendem rudimentos da língua um do outro. E, pelas necessidades imediatas de sobreviver, criam ambos um bom vocabulário. Aí começam a perguntar quem é o outro, o que come, qual sua formação acadêmica e militar, como aprendeu isso e aquilo, do que gostava quando criança, quanto tempo levava cada um para se tornar de bebê a homem, como eram os relacionamentos com o sexo oposto (se é que havia), se acreditava em Deus e por aí seguia.
Esses dois, que inicialmente se odiavam, que tentavam matar um ao outro, percebem que não tinham nada um contra o outro.
Nenhum conseguia dizer por que detestava o outro. E quanto mais dificuldades eles tinham para sobreviver naquele planeta perigoso, pelas explosões e pelas chuvas de meteoros, tanto mais iam se dando conta de que ao invés de se destruir para um reinar sobre a raça do outro, o que deveriam fazer era unir-se para poder viver livre e feliz, respeitando cada qual com sua individualidade e sua forma de ser.
* * *
No sábado, 25 de julho, o Jornal Dois Irmãos completou 26 anos. A cidade tem 50 anos. Este jornal tem 26. Mais da metade da vida desta cidade está narrada nas (mais de 60 mil) páginas deste jornal. Em meu nome e no da doutora Janete, agradeço a cada pessoa e colegas que nessas duas décadas e meia nos deu a mão para chegarmos em 2009 com honra. Muito obrigado!
“Conhecerás a verdade.
E a verdade te libertará”.
Tem de ser como Houdini
- Para ser grande é preciso ser pequeno.
Essa é a maior aula da vida.
Não adianta querer “ser grande” sendo grande.
Para ser tornar “o tal”, é preciso “ser ninguém” aos olhos do mundo.
E a razão de precisar ser pequeno para ser grande é esta:
- Não fazer sombra a si mesmo!
Os que hoje reconhecemos como “os tais”, seja na arte, na ciência, na política, nas armas ou em qualquer área que seja, assim se tornaram praticamente sendo ninguém, pisando leve, disfarçando sua grandiosidade.
Em síntese:
- Se fazendo de ninguém!
Não é que nada fossem. Eram tudo que hoje acabamos reconhecendo que eram.
Apenas se faziam “de nada”. Assim fazendo, não despertavam a ira dos que realmente são nada. Então sobreviveram.
Se tivessem se mostrado de pronto, de imediato, contra eles se revoltariam os que nada eram (e por nada ser tudo fariam para que ninguém fosse) e teriam destruído eles antes deles se tornarem “os tais”, os “grandes” tal qual os vemos hoje.
A arte da vida é o disfarce.
Políticos disfarçam.
Cientistas disfarçam!
Artistas disfarçam!
Pais e mães disfarçam!
Para ser grande na vida tem de ser como o mágico Houdini:
- Mestre na arte de “se esconder”.
O que se aprende vivendo, é que nós, humanos, detestamos saber que o outro sabe e pode mais do que nós sabemos e podemos. E só quem se safa da inveja alheia tem a chance de ser ele mesmo.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
E os segredos viraram bobos
Tudo normal, bela notícia, boa recordação.
Ontem caiu a ficha:
Fazem QUARENTA anos!!!
Então percebi porque não gosto de chegar com óculos perto de espelho!
Então entendi de onde vieram os cabelos brancos!
Então compreendi porque fiquei mais calmo com fatos que me irritavam tanto!
Então descobri porque cada dia me interesso menos por fatos que antes pareciam me dizer tanto respeito!
Então admiti que aqueles segredos que eram secretíssimos hoje são bobos e ninguém quer saber.
Então lembrei que a maioria dos que viram aquelas lindas imagens ao meu lado, naquela fria noite de Inverno, lá em Vacaria, hoje não estão mais aqui! Se foi pai, vô, vó, tios, tias, vizinhos e vizinhas.
Então vi bem claro meu tempo, amigos que sumiram, amores que partiram, desejos que já não tenho, vontades que me moviam e já não me dizem respeito! O que me irrita. O que excita. Quanta mudança em mim mesmo.
Quarenta anos! Meu Deus do céu!
Quarenta anos daquela noite fria em que a tevê (que “fechava” às 23 horas) ficou no ar até de madrugada, para vermos a Águia pousar na Lua e o astronauta dizer “um pequeno passo para um homem, um grande passo para a humanidade”.
Tudo que veio depois daquilo, cor na tevê, computador, chip, celular, leite pasteurizado, o barbeador elétrico e o micro-ondas (que foram criados para eles irem à Lua), industrialização de tudo, tratamento de água saúde pública, educação de massas, grandes aviões, o Hubble, o fim do muro de Berlim, a destruição do comunismo.
Nossa! Quarenta anos se passaram. Onde ficou mesmo esse tempo todo que perdemos vivendo?
Viver como as flores
Esta bela mensagem foi enviada pela dois-irmonense Andreia Rocha, que atualmente reside em Gramado:
Viver como as flores
O jovem caminhava ao lado do mestre e perguntou:
- Mestre: como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam... Como faço?
- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. - Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia. Assim, você estará vivendo como as flores!
terça-feira, 21 de julho de 2009
Uma dor inexplicável
A tragédia que se abateu sobre os moradores do Travessão, Marisa e Joel, que perderam a vida no desabamento do edifício em Capão da Canoa, é descomunal.
Fui ao velório e enterro, não porque conhecesse o Joel ou a Marisa, mas por que conhecemos a Rudaia, filha do amor da Marisa com o Flávio Scholles.
Quando o Flávio e a Marisa se separaram, a Rudaia ficou mais próxima do Flávio. Ela estava sempre com ele, “pai faça isso”, “pai faça aquilo”, “pai não fume”, “pai não beba”... e cuidava dele como se fosse a mãe do nosso artista-mor.
Era tanto zelo dela por ele, que brincávamos dizendo que não foi ele quem cuidou dela, e sim ela que cuidou dele.
Nos anos 80 não era raro o Flávio jantar lá em casa, e quase sempre lá estava a Rudaia, com cabelinhos encaracolados de princesa. Era uma princesinha, a Rudaia, e curiosa que era, vivia mexendo nas coisas, subindo em sofás, vivendo sua infância ali por perto de nós.
Depois cresceu e se tornou uma moça linda. Ao casar, deu ao Flávio uma jóia preciosa, a neta Marina, que correndo pelo atelier deu à vida do vovô Flávio outra dimensão e alento. Coincidência ou não, o traço expressionista do Flávio ganhou formas mais suaves e cores mais alegres. Não sei como foi com a Marisa, mas suponho que com a chegada da neta, ela tenha conseguido dizer com mais vigor “eu te amo”, para a filha que sempre a amou.
Hoje pela manhã, no velório da Marisa e do Joel, na Capela Mortuária do Travessão, abraçamos a Rudaia com o mesmo carinho com que a levávamos pela mão, quando menininha. E o soluço de lágrimas do sentimento dela, doeu profundamente em todos nós.
Agora à tarde, ao vê-la levando a mãe ao jazigo, uma dor terrivelmente doída se abateu sobre todos nós que a conhecemos desde tão cedo. O Flávio, com braço de pai e amigo a consolava, mas era em vão. Não há afago que aplaque a dor de uma mãe perdida. E nada que se diga ou faça, ameniza o sofrer. Apenas o tempo, senhor da razão, fará esse milagre.
O tempo e a esperança de que um dia reencontraremos os que partem e nos deixam nessa silenciosa solidão de lágrimas, como a que se abateu hoje sobre a Rudaia e seu irmão William.
Que Deus a abençoe, Rudaia. Você fez tanto bem ao pai, quando a separação dele veio. Agora que você se separou de alguém que tanto ama, certamente a misericórdia do Criador consolará você. Tenha força. Tenha fé. E certeza de que você sempre terá a nós.
A culpa é dos Beatles seu Inácio
O Inácio lembrou que até os anos 60 homem usava cabelo cortado bem rente. Mas dali em diante, disse ele, veio o Roberto Carlos com aquele cabelão e lá se foi parte da clientela.
Muito boa essa do seu Inácio, lembrando Roberto Carlos.
O Rei foi parte dessa mudança. Mas ela iniciou mesmo em Liverpool, na Inglaterra, com quatro rapazes. Eles tocavam uma música tão estranha que o produtor musical ouviu e disse que “nunca venderia”, de tão ruim que era, e mandou os quatro embora.
Os quatro garotos eram The Beatles, e com baladas incríveis revolucionaram o mundo musical e estético. Assim como “Coral”, a 9ª sinfonia de Beethoven, composta em 1824 e que é o marco da música romântica, a música dos Beatles chegou em 1956 e disse: a partir de agora a música nunca mais será a mesma.
Usando cabelo mais comprido e eliminando o chapéu coco, que bem caracterizava a elegância britânica, os meninos de Liverpool iniciaram uma revolução no planeta. As roupas deles em nada se pareciam com o soturno estilo inglês de vestir. Enquanto o frio e discreto caráter britânico imperava nos relacionamentos (dizem que inglês só conversa com uma xícara de chá), os Beatles cantavam aos berros. E para o inglês, contido nas emoções, foi assustador ouvir as músicas dos garotos de Liverpool. Ao contrário do inglês, que não manifesta sentimento, eles diziam “help”, e confessavam amor, coisa que seus compatriotas jamais fariam, dizendo: “Quero segurar a sua mão... I wanna hold your hand”.
Bem e mal andam juntos e os Beatles pregavam paz e amor. Então surgiu, na contramão, outro grupo inglês, os Rolling Stones, que diferente dos Beatles reclamavam não ter satisfação (I can’t get no satisfaction). E estes, como os Beatles, ampliaram o comprimento das melenas, deixando cabelos muito longos porém todo desgrenhado.
Essa onda vinda do Canal da Mancha varreu o mundo musical e estético como um Tsunami cultural. E acendeu em todos os países do globo jovens talentos até então obscurecidos pelos costumes da época. Roberto Carlos foi um desses. O mesmo Roberto Carlos que tirou clientes dos barbeiros de Dois Irmãos e que, tal qual o nosso amigo Inácio Lehnenn, completa este ano 50 anos de profissão.
* * *
Piada do Dia:
Dois sujeitos, com fama de namoradores, batem papo e um diz para o outro. “Olha, eu agora só estou comendo sopa”. E o outro rebate: “Como assim, só sopa?”. E o primeiro conclui: “Só como o que estiver dando sopa por aí...”
Respondendo as perguntas femininas
Elas leram, é claro, e lendo já logo reclamaram, dizendo que eu estou escrevendo sobre mulher e o que elas querem mesmo é ler sobre homem. Pedem, então, que se escreva aqui algo a respeito do “ser homem”, de como homem pensa, do por quê ele faz isso ou aquilo. Elas querem saber nesta coluna quais as causas dos homens serem tão arredios no tocante a romance, a pegar na mão, a fazer jantar a luz de velas. Elas desejam saber por que o homem, que é tão másculo e forte, tão arrojado nas questões da vida, se torna tão dependente delas quando o assunto é sexo, por exemplo, ou partida. Elas querem saber por que homem quer “aquilo” a toda hora e qual a razão de não poderem prolongar por horas os instantes anteriores, nas preliminares. Elas dizem que temos que explicar aqui o motivo pelo qual nenhum homem realmente parte. Por que ao sair deixa sempre uma frestinha na porta. Desejam que se elucide a razão pela qual os homens insistem em querer todas se (dizem elas) é com uma única que se realiza o milagre do lar. Elas perguntam, e insistem para que se responda, por qual razão a “comida da mãe” é sempre “muito mais lembrada” que a delas. Ou porque nós, homens, mesmo as amando profundamente e respeitando, parecemos, em qualquer situação, ficar mais ao lado dessa outra mulher (a mãe) que do delas, quando o assunto esquenta. As mulheres insistem que se responda essas questões, o por quê homem adora ficar em bar com amigos (e não com elas, bem quentinho, em casa). Querem que se explique por qual motivo homem, uma vez por mês, tem de ir nas pescarias e ficar lá, passando frio e dormindo praticamente no chão. E querem (esta é quase impossível de responder) saber exatamente “o que” tem de errado no cérebro masculino que insiste em ver 10, 20, 30 vezes o replay do mesmo gol. Elas querem, também, que esta coluna fale de cerveja long neck, de jogo de carta e do por quê o homem insiste em ser atleta de futebol mesmo quando a cada jogo volta com o pé torcido, o tendão estirado, a canela inchada e tem de ficar lá, de pés no molho, e caminhar rengueando.
Diante de todos esses pedidos, tenho a dizer às amigas leitores o seguinte sobre homens:
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Mulher é som e homem silêncio
Está sorrindo e falando? Então está feliz!
Se pega batom e rímel ou se joga roupa sobre roupa e faz coisas ao mesmo tempo, passa roupa, assiste tevê, fala ao telefone e testa sapatos, então é certo: ela está feliz.
Mas nada define melhor a felicidade feminina do que o som.
Se está feliz, mesmo não tendo com quem falar, ela falará consigo mesma.
A mulher se define pelo som. É com a voz que ela conta o seu dia. Mas preste atenção e verá os olhos dela falando, os braços, a cabeça e as pernas falando. Tudo na mulher é som.
E nada de monotonia. São sons altos e baixos, graves e agudos, oitavas acima e abaixo, numa sinfonia sonora encantadora.
Às vezes fala e fala e fala, noutras sons lentos, mas sempre sons.
Não há como padronizar a mulher pelo silêncio.
Deixe a mulher em silêncio e ela morre.
O som define a mulher. Ela é o som.
Som do riso na alegria e do choro na fraqueza. Se o da reclamação dela é alto, não menos intenso é o silêncio do seu elogio.
No gingar do corpo dela se percebe o som do roçar das articulações.
Se fosse possível escutar o silêncio da mulher, se ouviria o rir e chorar, o gritar e o elogiar dos seus pensamentos.
Tem mulher cujo olhar parece te gritar “socorro”. Ou te chamar de “cachorro”.
Se duas mulheres se abraçam sorrindo e dizem “oooi amiiiiga!”, repare e verá que elas encostam rostos e se chacoalham enquanto batem os pezinhos como que a sapatear de alegria.
E o som da mulher quando ama? Que som!
Há som quando o produto do amor dela coloca mais um bebê neste nada silencioso planeta.
Mulher é som. Nos aeroportos chegam radiantemente sonoras. Se na partida suas lágrimas gritam ausência, na volta emitem um choro sorridente, que é a forma delas gritarem “Presente!”.
Diante da morte, o coração feminino soluça tão triste que os demais corações caem num pranto solidário ao sofrer dela.
No trabalho ela canta com olhos, braços, pernas e pés, enquanto a mente conecta bilhões de neurônios para fazer em gritos silenciosos o serviço sair bem direitinho.
Que lindas são as mulheres e seus sons!
Que lindo é o som que emitem quando fingem não nos ver. Ou quando nos chamam de volta e dizendo com ternura “te amo, seu cachorro!”, nos olham com uma doçura que fala mais do que milhões de palavras que poderíamos dizer a elas.
A mulher se define pelo som.
E nós, homens, pelo silêncio.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Perto desse o Influenza é pinto
Vírus. No século passado o da gripe espanhola. Depois AIDS. A seguir o do frango. E agora gripe suína. Entre esses, hepatite, etc., etc., etc. Todos viróticos. E muitos deles letais.
Mas há outro. É o da descrença. E é no Brasil que o vírus da descrença mais desenvolve, pois encontrou aqui o “hospedeiro ideal”. Esse vírus poderia chamar-se Brasil Beta, numa alusão à última letra do alfabeto grego. É que se ele se expandir no mundo tanto quanto no Brasil, vai decompor a curiosidade humana, nos transformando em seres que não se surpreendem com mais nada. E aí será o nosso final.
Esse vírus da descrença não se sabe quando começou. Talvez nas mentirinhas que pais aplicam aos filhos e que ao serem descobertas geram descrença na paternidade. Talvez nas chantagens que se faz para manter o amor. Ou nas crendices que quando comparadas à luz da ciência criam seres ateus.
O vírus da descrença pode ter surgido nas nossas relações com os poderes executivo, legislativo, judiciário, a lei e ordem que corrompida corrompeu a sociedade, gerando essa sensação de impunidade que nos caracteriza.
Foi (des)graças a esses vírus que deixamos de crer na lei e moral e passamos a acreditar na ausência delas. É a inversão dos valores. Nosso mundo de cabeça para baixo.
O vírus da descrença se propaga quando o criminoso detido é logo solto e passamos a descrer na punição para crer na impunidade.
Ele fica forte quando há denúncias de corrupção na prefeitura, Estado e União, e os ladrões se tornam impunes graças a lei que eles próprios criaram para não serem presos.
O vírus da descrença cresce quando aluno espanca professor e pais dão razão ao filho, nos fazendo descrer na autoridade do professor.
O vírus da descrença se expande quando Ministros do Tribunal dizem uns aos outros para não falar entre si “como falam com seus capangas”. Ou quando você joga lixo para fora do carro ou cospe na calçada. O vírus da descrença se fortalece na tevê pregando prostituição, violência, consumo de droga, impunidade, traição e exploração de criança, e diante disso as autoridades se calam.
O vírus da descrença cresce quando um “pastor” com a Bíblia na mão e o nome do Cristo na boca quase se esborracha para tirar dinheiro dos ingênuos, inoculando neles o temor do inferno que o enriquece. Cresce quando pai abusa de filho e fica ileso, quando o idoso é desrespeitado, quando o marido agride sem razão a mulher e diante de coisas como essas nada se faz. Cresce quando Lula diz que Sarney é “superior” a nós.
Se temos tido cuidado com o Influenza, deveríamos ter muito mais com o “Descrenza”.
Não é gana. É curiosidade
Homens não têm alguns benefícios que a mulher tem.
Por exemplo: mulher menstrua.
E daí? E daí que ao menstruar a menina passa a ser moça, e o simples ovular mensalmente já lhe dá uma noção profunda do que é “ser mulher”.
O menino, ao contrário, não tem essa data, esse divisor de águas, essa referência que lhe diz “ser homem é isso”. E por não ter esses sinais, esses avisos, essa linha demarcatória, o menino passará dias, meses, anos e às vezes décadas inteiras ou a vida toda tentando entender isto:
- Afinal, o que é “ser homem?”
A mulher também tem no cérebro uma vantagem absurda que o Criador colocou para elas e não para nós homens. Está provado que numa criação normal, com pais medianos, o cérebro da menina forma nos primeiros meses muito mais ramificações e "conexões" do lado direito com o esquerdo que o cérebro do menino. Os dois lados do cérebro "conversam" mais rápido na menina que no menino. E isso faz a menina ficar mais esperta na largada que o menino. Isso a faz mais atenta e curiosa, mais analista que o menino. E não é raro que essa diferença do início do jogo seja notada na adolescência. Meninas de 16 anos, se comparadas a meninos de 16 anos parecem ter 26 anos.
Nem toda mulher de 30 anos tem intelectualmente 30. Mas na média elas emparelham mais a idade sua mente com a idade do seu corpo. Já o homem não. Existem senhores de 50 que se comparados a mulheres de 30, parecem não ter 50 e sim 30, como elas. Ou até menos.
Além da menstruação, que lhes mostra o o que é "ser mulher", e além da conexão precoce dos dois lados do cérebro, a menina ainda leva a vantagem sobre nós, homens, de não ter testosterona.
O Criador, em sua sabedoria (não teria sido sacanagem?) lhe deu outros hormônios, mas não a testosterona. E essa testosterona, que nos faz “tão machos”, vez por outra (ou, melhor dizendo, na maioria das vezes) nos transforma em macacões correndo atrás dos cachos das damas, que certamente confundimos com bananas.
Por esses “pequenos”detalhes nós homens temos dificuldade de compreender o “universo feminino”. E por inveja disso e desejo de provar que isso não nos faz menor, nós homens passamos a vida correndo atrás de um rabo de saia. Não é gana, é que o homem que entender “bem”essas diferenças...
segunda-feira, 13 de julho de 2009
É obrigatório ser criança!
Nenhum ser humano deveria passar a vida sem ter a chance de ir ao Nordeste brasileiro. E nenhum ser humano deveria chegar à morte sem ter brincado de plantar bananeira no meio da Praça Vermelha, em Moscou, ao lado da múmia de Lênin ali em frente ao Kremlin.
Não deveria nos ser permitido morrer sem antes soltar um “pupcia” nos corredores do Coliseu romano.
Ou mandar longe uma cuspida (de dentro para fora) no Partenon, em Atenas.
A nenhum homem se deveria autorizar a morte antes de ver Paris de cima da Eiffel. E pessoa alguma poderia se achar no direito de não provar o gosto salgado do Mar Morto.
Quem estivesse com o pé na cova, deveria ser retirado se não tivesse provado caviar de Asturjão com vodka russa.
Todo homem deveria ser obrigado a amar delicadamente uma mulher.
Toda mulher deveria ser obrigada a amar selvagemente um homem.
Mas basicamente, todo homem e mulher deveriam ser obrigados a criar um filho, vê-lo nascer, ouvir seu choro, presenciá-lo balbuciar a primeira palavra, a dar o primeiro passo e a lambuzar-se a cara toda na tentativa vã de comer com a colher pela própria mão.
Nenhum homem e nenhuma mulher deveria passar a vida sem olhar os olhos brilhantes de uma criança que aprende. E todo homem e toda mulher deveriam ser obrigados a voltar a ter aquele brilho infantil no olhar.
Nenhum homem ou mulher poderia envelhecer sem uma ou duas vezes por ano brincar de acreditar nas coisas como uma criança acredita. Acreditar, por exemplo, que é o Batman ou a Batgirl; acreditar que existe dinossauro; acreditar que Papai Noel entra pela janela, e que foi o Coelho e não “a tia Inês e o tio Idi” que deixou aqueles ovos de Páscoa tão doces e carinhosos.
Homens e mulheres deveriam ser obrigados a sonhar, a criar castelos, ser princesa e príncipe, caçador de dragões e mestre samurai, ou nunca conquistariam a graça de morrer.
A maldição da eternidade ilimitada e calma deveria cair sobre nós adultos toda vez que não compreendêssemos que se o Céu existe só se pode nele entrar com a fé infantil, que remove montanhas e nos livra dos pecados da vida.
Cada homem e mulher deveriam ser forçados a compreender como desperta, evolui e se consolida a inteligência de uma criança, para recordar como eles próprios surgiram no tempo. E assim, quem sabe como criança, pudéssemos encontrar o paraíso que nossa adultice perdeu por aqui.
Apenas pontos de interrogação
O maior exemplo é a Bíblia. Quem já leu ela meio que do início ao fim, percebe que aquela nada mais é que a história de um pai desesperado em busca do filho que se perdeu. No fundo, a história de que alguém que fez o bem, dando-nos a vida e mesmo um paraíso, e que em troca recebeu traição, cinismo, rancor e total desobediência ao preceito básico de amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.
Numa família não tão grande como a de Deus, uma família qualquer, bem pequena, como a nossa ou a sua, dá igualmente para ver bem claro esse desamor que o amor gera. Apesar de que "no futuro" tudo se ajeita e mais ou menos volta ao curso normal do bem-querer, os filhos bem demonstram a reação de rejeito que dão aos pais em troca a ação de amor que eles lhes dedicaram na infância. É assim que o mesmo menino que aos 7 anos acredita que o pai é um herói imbatível, aos 12 não quer que o pai o largue na festa, aos 18 não consegue ver no pai nada mais que um bolha, aos 23 tem certeza de que o pai é um mal-informado, aos 32 pensa que o pai está atrasado e caduco. O tempo ensina, e esse mesmo menino aos 42 se dará conta que o pai é sábio e aos 50, quando ele precisar de uma palavra genial que o pai certamente lhe daria, ele vê, angustiado, que o pai já morreu e não está mais ali. E é ele, então, que começa agora a sofrer, do filho, o mesmo amor, desamor e reamor que gestou pelo seu pai.
Numa cidade também se vê essas relações, na vida comunitária. Quantas pessoas que criaram clubes, que fundaram associações, que ergueram partidos, que abriram os vales nos quais ergueria-se a história de uma cidade, acabam, com o tempo, sendo desrespeitados, sendo massacrados pela arrogância de mais jovens que desejam superar o passado e o fazem, sem saber, massacrando o sentimento dos que vieram antes deles e traçaram o caminho e abriram as picadas na quais hoje colocou-se a infra-estrutura e o asfalto pelo qual seus carros modernos passam.
Porque escrevemos isto?
Sei lá!
“São perguntas tão tolas de uma pessoa. Não ligue. Não ouça. São pontos de interrogação”, diria o Gonzaguinha. Só isso. E nada mais.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
O vinho do Sant’Ana e o motel de outro
Um amigo me manda por e-mail um pedaço de crônica do Paulo Sant’Ana. É esta:
O VINHO
Um amigo meu, casado e engenheiro, foi jantar com outra mulher num restaurante fino da cidade. Era uma bela loira a aventura adulterina do meu amigo.
Dois dias depois, a esposa o chamou:
- Adolfo: foste visto jantando anteontem no restaurante tal com uma linda moça. O que tens a me dizer?
Meu amigo empalideceu, mas tentou se recuperar:
- Era uma colega, engenheira de uma firma que tem consórcio conosco e a única ocasião que ela dispunha para tratar da nossa transação imobiliária era aquela noite. Por isso travamos um jantar profissional.
A esposa do meu amigo retrucou rapidamente:
Tudo bem. Mas... e o vinho?
(Nocaute!)
* * *
Respondo o e-mail desse amigo com uma crônica que li anos atrás e que é genial também. É esta:
A mulher e o marido estão em casa. Toca o telefone e ela atende. Ela escuta em silêncio e desliga. Pálida, ela vai ao marido e diz:
- Minha amiga disse que ontem você foi visto saindo do motel com uma mulher.
O marido tranquilamente olha ela e diz:
- Sim. E daí? A mulher era você!
- Eu sei. Mas a minha amiga só viu você.
- E daí? A mulher era você.
- Eu sei que era. Mas ela não me viu.
- Mas qual é o problema criatura?
- Vou ter de me separar de você. As minhas amigas vão achar que você está me traindo.
- Mas que “me traindo”? Era você!
- Elas não sabem, e vão dizer que sou “a corninha”.
Nesse momento toca o telefone again. O marido atende. Vem uma voz. Ele só diz “Ahã! Ahã! Ahã!” e desliga. Vai até a mulher, que está chorando pelo que as amigas vão dizer dela. Olha para ela e com um olhar gelado e os músculos do rosto contraídos, diz em voz rouca:
- Vou ter de me livrar de você
- O quê??? Está louco????
- Você foi vista saindo de um motel ontem. E no meu carro.
- Mas querido, era você que estava na direção!
- É, mas esse amigo não viu. A esta hora já espalhou e os outros devem estar dizendo que eu sou “o corninho” do grupo. Vou ter de tomar uma atitude.
- Qual atitude?
- Vou te matar, é claro, como faz todo homem traído que se preze.
Apenas pontos de interrogação
O maior exemplo é a Bíblia. Quem já leu ela meio que do início ao fim, percebe que aquela nada mais é que a história de um pai desesperado em busca do filho que se perdeu. No fundo, a história de que alguém que fez o bem, dando-nos a vida e mesmo um paraíso, e que em troca recebeu traição, cinismo, rancor e total desobediência ao preceito básico de amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.
Numa família não tão grande como a de Deus, uma família qualquer, bem pequena, como a nossa ou a sua, dá igualmente para ver bem claro esse desamor que o amor gera. Apesar de que "no futuro" tudo se ajeita e mais ou menos volta ao curso normal do bem-querer, os filhos bem demonstram a reação de rejeito que dão aos pais em troca a ação de amor que eles lhes dedicaram na infância. É assim que o mesmo menino que aos 7 anos acredita que o pai é um herói imbatível, aos 12 não quer que o pai o largue na festa, aos 18 não consegue ver no pai nada mais que um bolha, aos 23 tem certeza de que o pai é um mal-informado, aos 32 pensa que o pai está atrasado e caduco. O tempo ensina, e esse mesmo menino aos 42 se dará conta que o pai é sábio e aos 50, quando ele precisar de uma palavra genial que o pai certamente lhe daria, ele vê, angustiado, que o pai já morreu e não está mais ali. E é ele, então, que começa agora a sofrer, do filho, o mesmo amor, desamor e reamor que gestou pelo seu pai.
Numa cidade também se vê essas relações, na vida comunitária. Quantas pessoas que criaram clubes, que fundaram associações, que ergueram partidos, que abriram os vales nos quais ergueria-se a história de uma cidade, acabam, com o tempo, sendo desrespeitados, sendo massacrados pela arrogância de mais jovens que desejam superar o passado e o fazem, sem saber, massacrando o sentimento dos que vieram antes deles e traçaram o caminho e abriram as picadas na quais hoje colocou-se a infra-estrutura e o asfalto pelo qual seus carros modernos passam.
Porque escrevemos isto?
Sei lá!
“São perguntas tão tolas de uma pessoa. Não ligue. Não ouça. São pontos de interrogação”, diria o Gonzaguinha. Só isso. E nada mais.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Memória frias e úmidas de Portugal
Vinte e quatro anos atrás, em 1985, radiante de juventude chegamos em Lisboa, Portugal, a porta de entrada da Europa.
Nas ruas limpas e clima temperado, viam-se restos preservados dos nossos conquistadores. E conviver com portugueses naquele "pós Salazar" foi uma experiência inesquecível.
Cinemas e teatros tinham cortina, lanterninha e baleiro. Soava gongo, avisando que o filme começaria. E quando ia pela metade, a luz acendia para se esticar as pernas, ir ao banheiro e descansar os olhos. No hall vendiam bebidas. E baleiros cruzavam pelas fileiras, oferecendo doces e pipoca, nos 10 minutos do intervalo. E então a película recomeçava.
A televisão praticamente só apresentava programa educativo, e “fechava” às 23 horas. Além disso, 2 dias por semana não transmitia à noite, que era "para a família poder conversar".
Não estava lá a grande população africana que hoje se aglomera no Rocio, o bairro “gótico” (leia “antigo”) de Lisboa. Dinheiro era o Escudo. A democracia fora reconquistado com cravos e não balas, e lá estava o Presidente Mario Soares, a provar que só o amor constrói.
Havia glamour por toda extensão do nosso descobridor.
A comida excelente era repleta de frutos do mar. Bebida era vinho. Típico como o verde ou licoroso como o do Porto, maravilhoso na sobremesa. Bagaceira é a cachaça deles, feita do bagaço da uva, mas é bem rara na maioria das mesas portuguesas.
No vestir há o elegante trajar europeu, não tão arrogante quanto o francês nem tão despojado quanto o inglês.
Na cultura, gigantes saídos do Alentejo para “navegar mares dantes nunca navegados”.
No falar um sotaque bonito, diferente do nosso português com açúcar, como eles dizem.
Mulheres e homens são pequenos em estatura e discretos.
A portuguesa não é tão expansiva quanto a italiana, que fala pelos cotovelos, ou a espanhola, que dispara palavras sibilantes, nem tão calculista quanto a alemã ou inglesa. Recatada e discreta, a portuguesa raramente olhará você dentro dos olhos.
* * *
Friozinho hoje, não é? Hê, hê, hê...
* * *
Várias vezes ele pensou viver em Portugal.
Mas a vida é equação estranha: quanto mais se vive tanto mais perto fica o que estava longe e tanto mais longe fica o que estava perto.
Por razões desconhecidas, há saudade de Portugal em dias frios e úmidos como este. Mas o homem é o seu silêncio. E resta findar citando Bernard Shaw, quando ele diz que:
- Você vê as coisas como elas são e pergunta: por quê? Mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: por quê não?
Coisas que aprendi na vida*
Aos 6 anos aprendi que não dá para esconder brócolis no copo de leite.
Aos 8 anos aprendi que meu pai pode dizer um monte de palavras que eu não posso.
Aos 9 anos descobri que minha professora só me chama quando não sei a resposta.
Aos 11 anos descobri que meus melhores amigos são sempre os que me metem em confusão.
Aos 12 anos aprendi que se tenho problemas na escola, tenho mais ainda em casa.
Aos 13 anos aprendi que justo quando meu quarto fica exatamente do jeito que eu quero é que minha mãe me manda arrumá-lo.
Aos 14 anos aprendi que não se pode descarregar frustrações no irmão menor, porque meu pai tem frustrações ainda maiores. E mão mais pesada.
Aos 25 anos aprendi que nunca devo elogiar a comida da minha mãe quando estou comendo algo que minha mulher preparou.
Aos 29 anos descobri que é possível fazer em 15 minutos coisas que vão me dar dor de cabeça a vida toda.
Aos 35 anos aprendi que quando eu e minha mulher finalmente temos uma noite sem as crianças, passamos a noite toda só falando nelas.
Aos 37 anos aprendi que casais que não têm filhos sabem melhor como educar os seus.
Aos 40 anos aprendi que é mais fácil fazer amigos do que se livrar deles.
Aos 42 anos aprendi que mulheres gostam de ganhar flores, especialmente sem motivo algum.
Aos 43 anos aprendi que não cometo muitos erros com a boca fechada.
Aos 44 anos aprendi que existem duas coisas essenciais para um casamento feliz: contas bancárias e banheiros separados.
Aos 46 anos aprendi que se descobre realmente se a pessoa nos ama quando sobram dois bolinhos no prato e a companheira pega o menor.
Aos 47 anos aprendi que nunca se conhece bem os amigos, até que se tire férias com eles.
Aos 48 anos aprendi que casar por dinheiro é a maneira mais difícil de consegui-lo.
Aos 51 anos aprendi que avós e crianças são aliados naturais.
Aos 52 anos aprendi que o objeto mais importante em meu escritório é a lata de lixo.
Aos 54 anos aprendi que é bacana curtir o sucesso, mas não se deve acreditar muito nele.
Aos 63 anos aprendi que não posso mudar o passado, mas posso deixar ele para lá.
Aos 67 anos aprendi que quem espera se aposentar para começar a viver, esperou tempo demais.
Aos 72 anos aprendi que quando as coisas vão mal eu não tenho de ir com elas.
Aos 88 anos aprendi que amei menos do que deveria.
Aos 90 anos estou aprendendo que tenho muito que aprender.
* * *
(*) Mensagem recebida via internet de alguém que aprendeu muito vivendo. Repasso aos leitores como uma grande lição para todos nós.
Urubu come bolacha
Há poucas verdades tão certas quanto essa: Urubu não come urubu.
Há outra frase também genial, que é esta: “No repartir das bolachas, leva mais quem está mais perto”.
Essas duas frases são épicos da cultura brasileira. E ouvindo o presidente Lula dizer que Sarney é superior a nós, já se entende a primeira frase na cultura brasileira: urubu não come urubu.
Como Lula iria devorar Sarney? Urubu não come urubu.
Então, diante dessa falcatruagem no Senado, entrou o PT reclamando de Sarney e exigindo sua renúncia ao cargo de Presidente do Senado. O Senado, aliás, que em toda história dele nunca foi tão autofágico, tão autocanibal quanto agora. Porém bastou Lula chamar Mercadante e Suplicy, os ícones do PT no Senado, e explicar que "sem Sarney não dá para governar" (afinal o homem é superior a nós) que o PT imediatamente parou de gritar “sai” e passou a gritar “fica”.
Se “sem Sarney não há como governar”, é porque no repartir das bolachas sem Sarney vai perder quem estiver mais perto. No caso: Lula.
E mesmo que a saída de Sarney desse (numa linguagem figurada) mais bolachas a essa abstração quase lunática chamada povo, o fato é que isso daria “menos bolachas” aos que estão mais perto: Lula & Cia.
É assim a síntese do pensar nacional e do “ser” político brasileiro: urubu não come urubu, pois se come quebra a regra do “no repartir das bolachas leva mais quem está mais perto”.
E nesse furdunço, com a bateria de apoio que tem na imprensa comprada, segue o baile.
Afinal, é sabido que urubu não come urubu. Come bolacha. Hê, hê hê...
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Piadas e desgraças de velório
Chegamos lá, o Fernando entrou reto e foi ao caixão. Estavam lá só parentes do falecido e o Fernando entrou ligeiro, chamando a atenção. E na beira do caixão ele olhou o Virgílio e balançou a cabeça, como que discordando de algo. Então disse bem alto, quase nos assustando:
- Escuta aqui, Eliceu: O homem era louco pelo Inter e vocês colocam gravata azul no coitado. Tá louco rapaz?
O Eliceu, pego de surpresa, desanda a rir. E todos no velório esquecem a tristeza e caem numa sonora risada.
* * *
Sábado ocorreu uma tragédia de velório. Alguém mandou rezar missa pelo aniversário de falecimento de José Maria Carrasco Mena. Poucos aqui conheceram o Carrasco, mas foi esse espanhol de quem certa vez o seu Nestor de Paula (da Azaléia) disse:
- Se o sapato brasileiro deve alguma coisa a alguém, esse alguém é José Maria Carrasco.
Foi gigante no estilismo. E contam os que vivenciaram a história que foi ele quem criou a produção de sapato em esteira, iniciando o real processo de industrialização do calçado no Brasil. Mas o Carrasco morreu. E essa missa era para render homenagem. Mas apenas dois amigos foram a Igreja São Luiz, em Novo Hamburgo. E esses dois conviveram próximos do Carrasco e sabiam quais eram seus amigos. Eles olhavam e tentavam encontrar na igreja lotada um amigo a mais do Carrasco. Nenhum mais estava lá.
Assim apaga-se tristemente a memória do homem ao qual “o calçado deve alguma coisa”.
Que a terra nos seja leve...
* * *
O ex-prefeito de Estância, Victor Schuck, ensina que só se deve ir no velório de quem acreditamos que vai no nosso.
* * *
Um bêbado entra no velório e por estar bêbado que dói senta na área reservada aos familiares. Senta e dorme. Vem um curioso, desses que se mete em tudo, e querendo saber do falecido cutuca e acordando o pau d’água pergunta:
- Quem é o morto?
E o bêbado mostra o caixão e diz:
- É aquele ali...(e volta a dormir)
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Xô baixo astral! Xô!
Paulo Sant’Ana disse antes do jogo com o Cruzeiro que “tinha esperança na vitória do Grêmio mas não tinha fé”.
E o Grêmio levou uma surra do Cruzeiro.
Com isso, o Sant’Ana nos deu uma aula. Ensinou que se a fé remove montanha, a ausência da fé pode jogar a montanha em cima de nós.
Mas não é só pouca fé o que ocorreu com o Grêmio. Tem ciência nisso.
Vamos tentar explicar:
O discípulo mais querido de Sigmund Freud era um suíço chamado Carl Gustav Jung.
Jung alertava para “o perigo do contágio mental”. E lembrava aos psicanalistas o efeito devastador que uma personalidade pode exercer sobre outra.
Jung dizia que os delírios e certas características do psicótico são contagiosos, alertando que uma mente pode sem dúvida contagiar outra.
No popular se sabe que se um colega chega azedo no trabalho ele acaba azedando todos ao redor.
Agora voltemos ao Sant’Ana: Todos sabem que as ideias dele são respeitadíssimas pelos gremistas. E se Sant’Ana diz que não tem fé na vitória do Grêmio, o time todo perde a fé na vitória e aceita de antemão uma derrota.
O Sant’Ana contagiou os atletas com uma “programação mental para a derrota”.
Por isso nós, colorados, iremos no caminho inverso desse. Vamos ter esperança e fé na vitória que é certa. E na taça que já é nossa!
Temos melhores jogadores. Jogamos em casa e não fomos auxiliados pelos juízes. Ou seja, chegamos aqui sem padrinho.
No vídeo que Fernando Carvalho mostrou, (e que contaminou os jogadores do Corinthians) tem 8 minutos de escandalosos auxílios dos árbitros para o Corinthians chegar na final.
A ação de um determina a reação de outro, prova a ciência. E se o Sant’Ana dizendo que não tinha fé os jogadores acreditaram não ser possível derrotar o Cruzeiro e perderam, não vamos nós colorados agora repetir esse erro.
Vamos dizer que vamos ganhar do Corinthians. E enterrar o paulista apadrinhado dos juízes.
Vamos dizer que se o juiz roubar aqui este será o último lugar em que manipulará o jogo. É a nossa casa, e só sai daqui quem deixarmos sair. O juiz precisa saber disso.
Não vamos deixar o baixo astral que dominou o Sant’Ana e o Grêmio nos dominar.
Vamos reagir. Ganhar o campeonato.
E fim de conversa!
* * *
I - O Pitter e o Jayme diziam agora pouco que os gremistas farão a festa amanhã e os colorados a farão na quinta. Homens de pouca fé.
II - O Theillor Petry nos brinda com uma garrafa de Bergamotte Bier, a variante melhorada do espetacular spritzbier que ele faz com talento e depuração. Prosit!