quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quebrou a linearidade da astúcia dos Kirchner

Alan Caldas

Na vida sempre ocorre o inusitado, o que vem como raio, que chega como ladrão quando menos se espera. E na política, que é hiper dinâmica, serve bem isso. Na política nunca se está totalmente seguro. A morte do ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner, mostra isso.

Néstor foi presidente e, após reeleger-se, colocou a esposa no lugar dele. As políticas econômicas dela se assemelhavam as dele, as práticas de pressão, de briga e pregação de ódio civil dela contra imprensa e setores como agricultura e pecuária, eram no governo Cristina idêntico ao de seu antecessor e esposo, Néstor.

O ex manobrava por trás da cortina a atual, sendo Kirchner presidente de fato e Cristina a presidente de direito. Assim, Néstor preparava-se para assumir “formalmente” (pois “por baixo dos panos” já havia assumido) o cargo de presidente. Seria “certamente” (diziam os mais afoitos) eleito outra vez presidente.

Dentro da Argentina e fora dela, os poucos seres humanos que se preocupam com o andamento do Estado de direito, que a duras penas (de morte, muitas vezes) a América Latina conseguiu conquistar, se preocupavam com dízima periódica política dos Kirchner.

Havia um plano entre marido e mulher para se revezar eternamente no Poder Público, concorrendo (e ganhando) ora um com o apoio do outro, ora o outro com o apoio de um. Isso enterraria a democracia e transformaria a Argentina numa espécie de “Ilha Kirchner”.

A compra de voto em troca de comida e casa, lá como cá vinha sendo uma prática. Os ataques a imprensa livre, lá como cá, vinham sendo uma prática. A implantação de “controle social” dos necessitados com dinheiro público, lá como cá vinha se tornando prática. A corrupção das bancadas políticas, o aliciamento dos setores altos do Judiciário, tudo vinha degringolando.

Cristina chegou a criar um grupo de Bad Boys, jovens racistas, viciados e violentos, que se especializavam em “acalmar” (leia-se: encher de porrada) quem “atacava” (leia-se: criticava) o governo Kirchner. Estava “tudo certo” para mais quatro anos de Kirschnerismo.

Mas o coração de Néstor parou.

Aos 60 anos, novinho em folha para os padrões etários atuais, seu coração estancou. Para sempre. E estancou também a “carreira” da família Kirchner na Argentina.

Sinto a morte de Néstor Kirchner. Mas ficou claro que quando Deus não joga, fiscaliza.

Tudo mais que resta ao cidadão comum é contar com os incompreensíveis fenômenos que quebram a linearidade da astúcia e voltam a dar ao Estado de Direito alguma (mesmo que pequena) esperança.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As quatro leis da espiritualidade

Alan Caldas

Recebi do amigo Nestor Fonseca o texto a seguir . São “as quatro leis da espiritualidade” e vem da cultura indiana. É incrível, e merece ser dividido com as pessoas que (as vezes sem nem mesmo saber porque) me acompanham diariamente nesta coluna. Boa leitura!

A primeira lei diz:

“A pessoa que vem

é a pessoa certa”.

O que significa? Ninguém entra em nossa vida por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor têm algo para nos fazer aprender.

A segunda lei diz:

“Aconteceu a única coisa

que poderia ter acontecido”.

O que significa? Nada do que acontece em nossa vida poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa...” Não! O que aconteceu foi tudo que poderia ter acontecido. E se aconteceu foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas as situações que acontecem em nossa vida são perfeitas.

A terceira lei diz:

“Toda vez que você iniciar

é o momento certo”.

O que significa? Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

A quarta lei diz:

“Quando algo termina,

ele termina”.

O que significa? Simplesmente assim: se algo acabou em nossa vida é para nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é “por acaso” que estamos lendo este texto agora. Se ele veio à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nem um floco de neve cai no lugar errado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É óbvio que o prefeito Miguel disse

Alan Caldas

O prefeito Miguel foi à Alemanha e afirmou a uma repórter deste jornal que não usaria dinheiro da prefeitura.

Isso de pagar “do próprio bolso” é demagogia, pois a viagem dele beneficiaria Dois Irmãos. Mas ele disse. E se disse, está dito.

Entretanto, o prefeito gastou dinheiro da prefeitura. Disse que não gastaria e gastou.

Como resultado, os vereadores bateram no prefeito e a viagem virou uma polêmica.

Na sexta-feira encontrei o prefeito Miguel e perguntei da viagem. Ele disse que daria “uma coletiva”.

- Coletiva é chato, prefeito. Dá uma entrevista ao JDI e outra para o resto.

O prefeito acatou e marcamos para as 11h da manhã a entrevista que está sendo publicada hoje. Após a nossa entrevista com ele, o prefeito deu a tal “coletiva”. E então, já sem a nossa presença na sala, o prefeito Miguel teria dito que a informação de que ele não usaria dinheiro da prefeitura foi “um mal-entendido” da repórter. Disse que a repórter “se confundiu”.

Talvez o prefeito ainda esteja meio tonto devido a grande diferença de fuso horário entre Brasil e Alemanha. Só posso acreditar nisso, pois Miguel sabe que não foi mal-entendido.

Miguel sabe que disse que não usaria di­nheiro da prefeitura “nem para passagem”.

Na sexta-feira, aliás, ele confirmou várias vezes que sim, havia declarado que não usaria dinheiro da prefeitura na viagem.

Hoje, porém, vem a furo e diz que a repórter, “se confundiu”.

O prefeito quer tirar o dele da reta. Mas joga a culpa dele em cima de uma profissional.

Quero dizer aos leitores que neste jornal somos vacinados. Aqui sabemos que político diz uma coisa e faz outra. Aqui sabemos que salvo uma ou outra exceção, político é cínico, falso e maldoso. Por isso, a ordem neste jornal é ter 100% de certeza quando se publica uma decla­ração de político. Na dúvida, não se publica, pois político é como gato, dá o tapa e esconde a mão.

Foi o prefeito Miguel que errou. Não os trabalhadores do Jornal Dois Irmãos. Se alguém tem de lavar a boca, não somos nós.

Essa viagem tinha tudo para ser grandiosa, mas se reduziu porque o prefeito fez demagogia, dizendo “não vou usar dinheiro da prefeitura”.

Este jornal defende que prefeito sempre viaje com dinheiro público.

Este jornal entende ser fraude enrolar a opinião pública se fingindo de bonzinho e mão-segura. Não existe político “econômico”.

Este jornal defende que Dois Irmãos é uma cidade rica e que pode mandar seus representan­tes a qualquer lugar. Inclusive mandá-los a um lugar que estou pensando aqui na minha cabeça...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Felizmente o futuro será brilhante

Alan Caldas

Vieram elogiar a coluna sobre a falta de gra­ti­dão em relação a saúde pública. Mas o que es­crevi sobre a saúde, poderia ter escrito sobre a educação. A atual educação pública municipal, se comparada com o passado, pode ser consi­derada milagrosa. Eis o motivo do milagre:

Primeiro, acabou o jaleco branco. Segundo, aca­bou o regime marcial. Terceiro, dá-se livro ao aluno. Quarto, dão merenda aos alunos. Quin­to, ninguém toca no aluno. Sexto, dão trans­por­te ao aluno. Sétimo, “acolhem” aluno que antigamente seria expulso e hoje é aturado, mesmo que enlouqueça o professor. Oitavo, dão contra-turno ao aluno. Nono, no contra-turno dão refeição e mais livros. Décimo, dão aulas de conteúdo variado, não apenas de conhecimento. Décimo primeiro, dão na escola ensino de como escovar dente, que penso seja DEVER dos pais e não dos professores. Décimo segundo, dão aconselhamentos com pedagogos, não mais puxão de orelha e reguada. Décimo terceiro, dão ouvidos aos alunos bons e educados e aos maus e grosseiros. Décimo quarto, dão ou­vi­dos aos pais, mesmo que os pais, ao contrário da lógica, fiquem a favor de atitudes er­radas do filho. Décimo quinto, dão Bolsa-Esco­la. Déci­mo sexto, dão passeios grátis. En­fim, dão ao aluno tudo, e mais prédios de ga­barito, iluminação perfeita e professores bem graduados.

É uma educação milagrosa. E quem passa por uma escola dessas, provavelmente se torne um ser humano grato a tudo que lhe deram.

Entretanto, pais nunca procuram este jornal para elogiar o que a escola dá aos seus fi­lhos. E o pior é ver pais dando em casa educa­ção fami­liar diferente da que o filho recebe na escola. Na escola toda criança aprende a resol­ver conflitos conversando, aprende que fumo e álcool são ruins e que palavrão é feio. Já em ca­sa muitos pais resolvem problemas a tapa, fu­mam e be­bem na frente dos filhos e usam palavrões.

Que pais são esses? Ingratos.

Todo pai que faz em casa diferente do que o filho aprende na escola, é um sujeito sem grati­dão, sem respeito pelo que a sociedade lhe dá.

Então, não é só no tocante à saúde que as pessoas recebem mais do que pessoalmente poderiam pagar e não valorizam. É em praticamente tudo. E é por isso que acredito que todos deveríamos pagar alguma coisa, pois como a realidade está aí para provar, tudo que se recebe “de graça” acaba não tendo valor. Se os pais tivessem de pagar para ter, privadamente, a educação que seu filho recebe com o dinheiro da sociedade, provavelmente a maioria das crianças estaria fora da sala de aula.

No entanto, não podemos perder a espe­rança, pois as crianças que hoje estão na escola, amanhã nos legarão uma sociedade certamente bem melhor do que a que temos hoje.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Judiciário eleitoral está nos vendo

Alan Caldas

A presença hoje em Dois Irmãos do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Luiz Felipe Silveira Difini, demonstra o bom traba-lho eleitoral que se faz em Dois Irmãos.

Este ano, Dois Irmãos foi a primeira cidade gaúcha a encerrar o escrutínio dos votos na eleição. Entre 497 municípios do Estado, Dois Irmãos foi o primeiro a dizer “encerrou a contagem de votos”.

Além de primeiro no Estado, 1 em 497, fomos o décimo município no Brasil. Ou seja: 10º em 5.100 municípios. É uma colocação e demonstra o preparo de todo o departamento eleitoral do Poder Judiciário em nossa cidade. Mas não é só isso.

Há outro fato a ser ressaltado: esta não foi a primeira vez que Dois Irmãos conquistou o título de primeira cidade a encerrar a eleição. Esta é a quarta vez! E consecutiva!

Nos últimos quatro anos, as eleições em Dois Irmãos não só têm sido pacíficas, como organizadas e ágeis. O trabalho da juíza Eleitoral, doutora Angela Dumerque, com o escrivão Renato Fritz, mais todos oficiais, mesários, escrutinadores e Junta Eleitoral, tem sido exemplo de organização.

O fato da eleição encerrar antes aqui do que no resto do Estado não é acaso. Há neste jornal várias notícias de que quando os demais municípios gaúchos recém começavam a cha­mar os mesários, todos os mesários e escrutinadores de Dois Irmãos já estavam convocados.

O chamamento e treinamento de mesários e escrutinadores, quando começou nos outros municípios, aqui já estava pronto.

Nossa colocação no ranking dos mais ágeis não é um acaso e sim organização. Orga­nização e visão de campo com profundidade. Não foi “sorte”. Sorte nada mais é do que o pre­paro en­contrando a oportunidade. Não foi “uma sorte” Dois Irmãos encerrar a eleição em pri­meiro lu­gar no Estado e em décimo no Bra­sil. Foi pre­paro. Preparo coordenado pela juíza elei­toral, seguido pelo escrivão eleitoral e bem aceito por todos que são fundamentais no pleito, os mesários e escrutinadores. Aliás, um surpreendente número de mesários e escrutinadores em Dois Irmãos são mesários e escrutinadores não porque foram “convocados”, e sim porque se apresentaram voluntariamente para sê-lo.

Esta característica de trabalho voluntário, somado a experiência e planejamento estratégico do Judiciário Eleitoral é que produz o “milagre” do primeiro lugar nos últimos quatro anos e o 10º no Brasil. Num Brasil onde o setor pú-blico arrasta as pernas numa dolorosa lentidão, o departamento eleitoral de Dois Irmãos se tornou corredor de 100 metros rasos. E a presença em Dois Irmãos da autoridade máxima do Tribunal Eleitoral gaúcho certamente é uma prova de que o Judiciário está nos vendo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Talvez não nos falte exatamente “saúde”

Alan Caldas

Com frequência leio reclamações contra o Postão. É gente que ficou “horas”. É pessoa desabafando que “nem olharam” ela. É povo reclamando do remédio. São os que esperam exames. São os que querem cirurgia.

Respeito as opiniões, mas reclamar do Postão é coisa de mal agradecido. É o sujeito que reclama da comida porque nunca teve fome, só teve apetite.

Nasci (em 1957) numa época sem saúde pública. Tinha médico pago, com dinheiro ou "Deus lhe pague" (e depois se mandava galinha, ovelha, ovos ou o que se tinha, mas era pago).

Depois, criaram Posto de Saúde. Se ficava na fila. E o médico só atendia duas vezes por semana: Uma era o povo em geral, na segunda-feira, e na terça-feira era o dia das meretrizes.

Depois veio dentista grátis.

Finalmente, já com vários Postos, o Presidente Sarney, impulsionado por um empurrão nas costas dado pelo doutor Ulysses Guimarães, sancionou a nova Constituição Federal, promulgada pelo Congresso Nacional. E ali se socializou a saúde e se criou o SUS.

Em Dois Irmãos, já em 1992, o prefeito Arnildo Mallmann criou o Postão. E de lá para cá, nunca se investiu tanto dinheiro em saúde. São milhões e milhões de reais da prefeitura to­dos os anos jogados na saúde.

Como resultado, temos incrível número de médicos, odontólogos, enfermagem, prédios, veículos, ambientes e atendimento.

Meu Deus, quanto atendimento! Quase 50 mil atendimentos por ano, numa Dois Irmãos que tem apenas 27 mil habitantes.

Até se dá remédio!

Até se busca gente em casa de ambulância por problemas que, quando nasci, nem me levariam ao médico!

E apesar de se fazer tanto pela saúde dos outros, vê-se desses “outros”pouquíssimo reco­nhecimento em relação ao que se lhes proporciona de facilidades na saúde física e mental.

Tenho vergonha de usar a saúde pública. Sou desses que acreditam estar tirando o lugar de quem necessita mais que ele.

Sou dos que pensam ter de aguentar “no osso do peito”. Uma noite tive crise renal e queriam chamar a ambulância. “Nada feito”, gritei. “De ambulância só me levam morto, pois se sair da­qui vivo e de ambulância ninguém mais vai me res­pei­tar”. E segurei cólica renal tomando aspirina.

Bah... me lembro até hoje! He, he, he...

Dias atrás tive um cisto e fui lá. Depois fiz curativos. E tudo grátis. Um dia voltei com chocolates e dei presente ao médico e sua assistente. “É pelo grande trabalho profissional que recebi aqui”, eu disse. E vi alegria naquelas pessoas que dão tudo de si para diminuir nossa dor.

O que falta ao brasileiro não é saúde. É gratidão!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nada que exclua a felicidade me interessa

Alan Caldas

Preciso ter ligação sensualmente satisfatória com quem me relaciono. Se não for assim, não dá certo.

A pessoa com quem me relaciono não pode colocar em perigo meu senso de dignidade. Deve compreender que coopero com a humanidade e preciso estar livre de discórdias.

Tento superar dificuldades. E quem está próximo, logo descobre que pretendo ocupar posições de controle sobre os acontecimentos.

Sou rigoroso nas exigências emocionais. Escolho meticulosamente cada pessoa com a qual me relaciono de perto. Entretanto, quero independência emocional e raramente mergulho fundo no sentimento.

Desejo estar emocionalmente envolvido, mas sou cauteloso na escolha. Por isso, evito conflitos abertos.

Desejo ser aceito e ter estima e considera­ção dos outros. Porém sou escravo dos meus conceitos e não abro mão de me unir apenas aos que têm padrões tão elevados quanto (julgo sejam) os meus.

Não quero me sentir vulgar. Vai daí que me afasto de qualquer amizade que me leve à vulgaridade, em todos os seus aspectos.

Não abro mão de ser como sou.

Diante de um ponto final, fico reticente. Sei que deveria terminar algo logo, mas vou adiando. A razão de não fechar a porta de vez, é a minha fraqueza: não resisto aos apelos e solu­ços me pedindo para fazer de forma diferente.

Me sinto seguro se concordam com algumas das minhas opiniões. Sempre concordo com algumas opiniões dos outros. Aliás, concordo mesmo sabendo que são muitas vezes opiniões fracas, falhas ou mesmo ridiculamente ridículas.

Sou ineficiente em quase tudo. Mas olhe aqui: quando estou disposto a que algo realmente funcione, coloco em campo toda minha capacidade de convicção coletiva. Normalmente me saio bem, e normalmente surpreendendo para melhor quem entra em campo comigo.

Quero ser amado por mim mesmo, eu descobri. Talvez por isso insista nisso de ter a atenção e estima dos outros.

Me impressiona as pessoas originais, com singular em suas personalidades e que têm uma ou outra característica notável. Dessas pessoas, tento assimilar as qualidades que admiro, e sempre as incentivo a ser cada melhor, porque é dos notáveis que depende o mundo.

- Quem sou eu?

- Sei lá! Sou íntimo e pessoal.

Mas posso dizer sem medo de errar que me defino assim: Nada que exclua a felicida­de me interessa.

Confundindo alhos com bugalhos

Alan Caldas

A política partidária, que é a parte da “política” que visa chegar ao Poder, tem um ódio inato a ela, que já nasce com ela.

A eleição presidencial entre Serra e Dilma tem mostrado isso claramente.

Serra é comedido, é o paulista típico: fino, educado, trabalhador e tem um viés cristão que o faz levar tapa na cara e dar a outra face. Entretanto, quem assiste aos debates vê pauleira do início ao fim e sempre Serra batendo.

Dilma é mineira. Dizem que mineiro trabalha na sombra, que bate e esconde a mão, como gato. É dos mineiros a fama de bebe-quieto. Mas Dilma, como se vê nos debates, solta o verbo, e às vezes fica tão furiosa que dá impressão que vai atacar Serra no braço e não no verbo.

O que se vê nos debates é rancor contido, ódio destilado em quinta essência que também pode ser visto nos programas da tevê.

O programa do Serra na tevê é cara limpa. Os “marqueteiros” (esses infames) não usam tantos recursos de photoshop. Já Dilma na tevê é puro filtro, Dilma nem parece ela, tão virtualmente maquiada que a fazem. Mas fora os recursos de dissimulação, resta a verdade do ódio. Serra bate. Dilma rebate e também bate, e bate pesado. Ódio que vem, ódio que vai, tudo comprovando que a violência é monótona e repetitiva e nada mais que violência é o que ela gera.

Dias atrás, Serra estava numa missa e tiveram de tirar o padre escoltado, pois ele começou a falar bem do PT no sermão e começou uma pauleira física na porta da igreja.

É o fim do poço!

A última série de pancadarias envolve um assessor de Serra. Tiraram a Erenice e entrou um tal de “Preto”.

Quem viu o programa de hoje, viu que Dilma faz de tudo para provar que Serra “também é corrupto”. Se Dilma não tivesse se comparado, dias atrás, a Joana Darc e a Madre Tereza de Calcutá (uáááú!!!!) até se acreditaria. Mas depois de Madre Tereza, vê-se que “vale tudo” MESMO!!!

Já Serra vai tanto à missa, que se deixar, os marqueteiros dele dirão que ele estava na Santa Ceia “e não era Judas” (que os marqueteiros farão de tudo para provar que era a dona Dilma).

O ódio é contaminante. Quando ligam Dilma a Collor, ela vira renúncia e corrupção. Quando ligam Dilma a Sarney, ela vira traição. E se a ligam a José Dirceu, Dilma é mensalão. E o desatento pensa que ela realmente é.

Mas o troco sempre vem. E hoje Dilma quase se rasgou para fazer o eleitor acreditar que Serra é “tão corrupto” quanto os que ele mostra estarem próximos de Dilma.

O desatento de ambos os lados engole, pois confunde alhos com bugalhos. É de chorar!!!

Acabou a Lei Seca

Alan Caldas

A política partidária, que é a parte da “política” que visa chegar ao Poder, tem um ódio inato a ela, que já nasce com ela.

Hoje sou obrigado a dividir com os leitores a mais recente notícia sobre a Lei Seca. É que agora, como a muito se disse aqui nesta coluna, o STJ confirmou que em não tendo como obrigar alguém a fazer o teste de bafômetro ou de sangue para medir o teor de álcool no sangue, cai por terra a Lei Seca. O Superior Tribunal de Justiça afirmou esta semana que a possibilidade da pessoa se recusar a fazer o teste do bafômetro deixa a Lei Seca sem efeito.

O STJ divulgou nesta semana que a ação penal contra um motorista que se recusou a fazer o teste do bafômetro foi trancada devido a um “paradoxo legal” na Lei Seca que deixa sem efeito prático o crime previsto na legislação.

De acordo com o STJ, o motorista não pode ser obrigado a se submeter ao exame. Entretanto, a prova técnica, com a concentração de álcool no sangue, é indispensável para incidência do crime de dirigir embriagado.

Antes da Lei Seca, a lei não previa quantidade específica de álcool no sangue. Com a nova lei, a dosagem passou a integrar a lei e o delito só ocorre com a quantificação da concentração de álcool no sangue. E isso não pode ser presumido ou medida de forma indireta pelo policial.

“A Lei Seca dava a impressão de que a violência no trânsito, decorrente da combinação de bebida e direção, estaria com os dias contados”, disse o ministro Fernandes.

Com a decisão do STJ, a ausência da comprovação por meios técnicos impossibilita precisar a dosagem de álcool no sangue da pessoa. E isso, segundo o Ministro, inviabiliza a adequação típica do fato ao delito. Ou seja: impossibilita punir quem dirige alcoolizado.

Os deputados queriam criar um critério objetivo (bafômetro) para caracterizar a embriaguez, mas inadvertidamente criaram uma situação mais benéfica para aqueles que não se submetessem aos exames de bafômetro ou de sangue.

O indivíduo não é obrigado a produzir prova contra si. E ninguérm pode obrigar a pessoa a se sujeitar ao teste de bafômetro ou exame de sangue.

Como a Lei Seca exige a realização de prova técnica, fica sem efeito prático a existência da lei que diz que é crime dirigir embriagado.

“É tormentoso deparar-se com essa falha legislativa”, disse o relator, ressaltando a impossibilidade de sujeitar a lei ao sentimento pessoal de Justiça do juiz. Tal opção, afirma, levaria ao “arbítrio na aplicação do direito que, fora de controle, colidiria inevitavelmente com princípios fundamentais como o da segurança jurídica”.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vou-me embora pra Pasárgada

Alan Caldas

A criança batizada de Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife, no dia 19 de abril de 1886. No dia 13 de outubro de 1968, às 12 horas e 50 minutos, morria o poeta Manuel Bandeira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo sepultado no Mausoléu da Aca­demia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Em homenagem ao aniversário de morte desse que é um dos maiores poetas brasileiros, publico seu mais cor­tejado poema: “Vou-me embora pra Pasárgada”:

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro bravo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito a beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água.

Pra me contar histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóides à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

Lá sou amigo do rei

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A eleição dos que enganam o eleitor

Alan Caldas

É pena que o debate de ontem, entre José Serra e Dilma Rousseff, visando o segundo turno da eleição Presidencial de 2010, não foi apresentado em horário de ser humano “normal”.

As tevês fazem meio jornalismo, não vão ao eleitor e não se prestam a realmente municiar o cérebro do eleitor médio.

O Brasil está à beira de um abismo. Não devido a Serra ou Dilma, mas a ausência de participação. O que caracteriza a nós, brasileiros, neste momento, é o “deixa assim”. E é por isso que cada eleição cresce mais a praga eleitoral chamada de “marqueteiro”.

Esta é a campanha da dissimulação. O candidato que não presta esconde que não presta e faz de conta que presta. E faz isso ensinado pelos “marqueteiros”.

Você não sabe quem são os “marqueteiros”.

Você ouviu falar deles, mas nunca os viu.

Marqueteiro é o sujeito que ensina o candidato a ser falso, fingido, desonesto e hipócrita. Isso é um “marqueteiro” político: um cara que faz o povo comer cocô pensando que é pudim.

Marqueteiro é o mais desprezível de nós, humanos. Ele é responsável pela técnica que os candidatos usam para esconder do eleitor quem a pessoa que está se candidatando realmente é.

Sabe gato por lebre? É isso!

Marqueteiros são especialistas em nos enganar. São capazes de transformar assassino em vítima e vítima em assassino.

Marqueteiros, entre nós comunicadores são os mais podres: usam a comunicação para enganar o eleitor. Ajudam o candidato a dissimular o que é (se ele não presta) e a simular o que ele não é (uma pessoa amorosa, familiar, que cuida de seus compromissos e que não tem ligação com o crime).

Infelizmente o eleitor mais humilde, que cuida de trabalhar para manter a família, é justo a maior vítima desses marqueteiros. Por ter de trabalhar para sustentar a si e aos seus, o eleitor só vê dos candidatos a mentira, a falsidade, o engano, a trapaça nos programas eleitorais na tevê. Programas, diga-se de passagem, feitos por marqueteiros para disfarçar a verdade, esconder a realidade e empurrar na mente do eleitor desinformado uma pessoa que só é aquilo que está na tela, porque na vida real é totalmente diferente.

Esse é o abismo onde nos atolamos. E cada dia mais aparece a falsidade do candidato que, ajudado pelos marqueteiros, ilude eleitor, mente, falseia, engana descaradamente e transforma a política na lata de lixo que ela vem se tornando.

O debate foi de bom nível, ontem.

Na marcação homem-a-homem não tem tantos marqueteiros.

Infelizmente, o eleitor normal, que não é o eleitor identificado com A ou com B, já tinha ido dormir quando o debate começou.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Para não ser fantoche da Globo

Alan Caldas

A Rede Globo fará debate entre José Serra e Dilma Rousseff no final do segundo turno da eleição presidencial.

O primeiro debate da Rede Globo foi cercado de pompas, mas foi um rotundo fracasso.

A Globo não realiza debates substanciais. Os debates dela não têm importância alguma. São estéreis e não visam conscientizar a massa humana votante. Por que digo isso?

Digo pela simples razão de que a Globo não considera o debate para Presidente importante. Se considerasse o debate importante, colocaria ele no horário do Jornal Nacional, que vai ao às 20 horas. Ou o colocaria no horário da novela após o Jornal Nacional.

A Globo não coloca esses debates num horário em que o povo real, o povo-povo possa assisti-lo. O último debate da Globo, com Serra, Dilma, Marina e aquele senhor octagenário que não lembro o nome, terminou bem depois da meia-noite.

E a meia-noite quem está assistindo ao debate? Só quem já tem candidato certo, só o eleitor definido, que sabe exatamente em quem vai votar. Só o eleitor que já tem MESMO candidato fica assistindo. O povão, como se diz, já foi dormir faz tempo, até porque as “regras” do debate da Globo são uma chatice, são engessantes.

Duvido que algum dos telespectadores que assistiram ao debate da Globo tenham definido (graças ao debate) em quem iria votar.

A Globo faz uma firula enorme sobre esse debate. O apresentador não trabalha dois dias antes. Montam um palco que mais parece um circo, mas dão temas ridículos e frágeis, “travando” o debate real. Primam por uma formalidade que se presta a fazer a Globo aparecer e a diminuir a participação dos candidatos.

O debate da Globo, até onde entendo de comunicação, só serve para a Globo se fazer influente perante quem já está no poder e para vender propaganda (ao triplo do preço) naquele horário.

Produzir uma mudança graças ao que ali se debate, a Globo não consegue produzir.

Os debates mais chatos de qualquer eleição são os da Globo. E são também os mais insignificantes, pois para a Globo a novela Ti-Ti-Ti é mais importante que o debate presidencial, o Jornal Nacional é mais importante que o debate presidencial e a novela Passione é mais importante que o debate presidencial. E é por isso que a Globo empurra o debate para o final da noite, quando todos os gatos são pardos.

Se a Globo julgasse que é importante a população acompanhar um debate, ela o colocaria num horário decente, não nesse horário em que inicia a prostituição ideológica.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ainda sobre a eleição, o PMDB

Alan Caldas

Ainda sobre a eleição recém ocorrida, é preciso analisar o PMDB.
O PMDB nacional coligou com o PT, e Michel Temer é o vice de Dilma Rousseff.
Aqui no Estado, o candidato do PMDB ao governo foi José Fogaça, que mesmo sendo PMDB era a favor de José Serra mas não se de­finia, sendo ora Dilma ora Serra.
O grande líder do PMDB no Estado, Pedro Simon, se tudo que se noticiou é verdadeiro, parece estar meio caduco. Uma hora abre o voto para Dilma, noutra, e em meio a mesma campanha, joga-se nos braços de Marina Silva. E dizem que após ter articulado a candidatura de Fogaça e após o acordo estar consolidado, Simon teria dito a Fogaça que “se fosse ele, não teria saído da prefeitura”.
Em Dois Irmãos a eleição feriu fundo o PMDB. Para concluir isso, basta ver a votação dos candidatos apoiados pelos peemedebistas Tânia da Silva, Renato Dexheimer e Flávio Müller.
Tânia fez campanha para Eliseu Padilha.
Renato fez campanha para Mendes Ribeiro.
Flávio Müller para Luiz Fernando Záchia.
Eliseu Padilha, o candidato de Tânia (que é a vereadora mais votada da cidade) fez 73 votos em Dois Irmãos.
Mendes Ribeiro, candidato de Renato Dexheimer (que foi vereador, vice-prefeito e prefeito por duas vezes) fez 75 votos.
E Luiz Fernando Záchia, o candidato de Flávio Müller (que foi vereador bem votado todas as vezes em que concorreu) fez 71 votos.
Ou seja: os três grandes líderes do PMDB local não conseguiram, juntos, mais que duas centenas de votos para seus politicamente protegidos.
E o pior é que Tânia chegou a dizer na redação do JDI, quando a visitou apresentando o deputado Eliseu Padilha, que o PMDB “não ia ficar com um só candidato, mas com vários”, o que era uma alfinetada direta no prefeito Miguel, que como se sabe estava de braço dado com o petista Henrique Fontana.
Pergunta-se:
- O que se “lê” da votação dos deputados apoiados por três líderes do PMDB na cidade?
Lê-se em manchete bem grande:
O PMDB ESTÁ COM GRAVE
PROBLEMA EM DOIS IRMÃOS.
Mesmo tendo sido o partido que mudou a forma da cidade ser, quando assumiu o governo de Dois Irmãos em 1989 (com Arnildo Mallmann), o PMDB parece estar se exaurindo. É visível a perda de gás e força.
E se o PMDB não recarregar as baterias, a próxima eleição será dramática.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A aula que o PT está dando

Alan Caldas

A grande votação dos candidatos do PT em Dois Irmãos mostra que política é trabalho e foco. Nos últimos 30 anos o PT trabalha para chegar ao que chegou ontem. O Tarso é um exemplo.

Na primeira carreata do Tarso em Dois Irmãos, muitos anos atrás, tinha só três carros: o dele mais o do Rambo e o do Maurício Klein. O carro do Jornal Dois Irmãos ia atrás, porém distante, para fazer a cobertura. E isso era tudo que o Tarso tinha. Ontem, 20 e poucos anos depois, ele se elegeu governador.

Porque o PT cresce? É simples:

Os demais partidos são um clubinho onde a diretoria não reúne os associados. Já o PT se reúne, discute, debate e cobra participação física e financeira dos que o integram.

O PT escuta quem a ele se integra. Acompanho o crescimento do PT desde o final dos anos 70, quando seu Florestan Fernandes, Francisco Wefort, Helio Pelegrini, Lélia Abramo, Sergio Buarque de Holanda e outros desse naipe sonhavam criar um grande partido de massas.

Como todo partido, o PT sempre teve correntes, mas todas respeitam o centralismo democrático. E isso quer dizer que o que o partido decidir está decidido, e todos seguem.

Por exemplo: Nesta eleição o Aécio Neves se fez de morto (porque queria ele ser o candidato a Presidente do PSDB) e por vaidade não ajudou o José Serra.

O Aécio faria isso no PT?

Nunca! E, se fizesse, expulsavam.

A diferença do PT é que a ordem central a ser seguida não vem só dos "iluminados" ou caciques. No PT, a ordem a ser seguida é decidida em debates, reuniões e encontros que levam a decisão de chegar ao Poder.

O PT ainda não chegou ao Poder.

Mas o PT já chegou ao Governo.

Até quem não vota no PT se obriga a admitir que é inteligente e eficiente a forma como os petistas trabalham.

A votação dos candidatos do PT em Dois Irmãos mostra que política é trabalho e foco.

O Luis. Conheço o Luis Lauermann desde 1984, e sempre metido em política. Às vezes ganhando, noutras levando laço, mas sempre no jogo. Virou deputado!

E o Zulke? Fez agora o mesmo que em 1983, quando se elegeu presidente do DCE da Unisinos. Zulke, Luis e Tarso mostram que política é trabalho, é foco, é permanência e é coragem de chamar "outros" do partido (mesmo que com ideias diferentes) para debater, discutir e ir junto.

O PT trabalha em política como se faz em empresa. E é por isso que o PT ganha.

O PT está de parabéns. Deu uma aula de como fazer política.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dom Zeno até parecia o Lula

Alan Caldas

O bispo Dom Zeno encerrou ontem a missa do Kerb de São Miguel dando uma violenta cacetada verbal no prefeito Miguel.
Miguel quer abrir a rua..... Essa rua existe no Plano Diretor mas não está aberta. Porém, se for aberta vai passar bem no meio da propriedade onde a Igreja construiu o Seminário Maria Auxiliadora. Com a abertura da rua, o ginásio do seminário ficará de um lado e a escola, refeitório, alojamento, etc., de outro.
Dom Zeno ouviu a Comunidade Católica, que não quer a divisão, e duas semanas atrás se reuniu com o prefeito. No encontro, pediu para não abrir a rua, pois ela dividiria o Seminário ao meio. Após uma hora de conversa, o bispo diz ter saído de mãos abanando, pois ele pedindo ou não, a prefeitura iria abrir a rua, mesmo que dividisse a propriedade do Seminário.
A missa do Kerb é a mais importante de Dois Irmãos. Dela participam em torno de duas mil pessoas, e é transmitida por rádio para toda a região. O Bispo, sem falar nada para outras pessoas, nem mesmo para o pároco e padres locais, veio rezar a Missa do Kerb. Fez as orações, autorizou os cantos, seguiu os sacramentos todos. E, ao final, antes da bênção final, começou a narrar, em tom contundente, a pretensão do prefeito Miguel de abrir a rua.
Com voz forte e de comando, Dom Zeno contou que o prefeito, mesmo ele tendo pedido em nome da comunidade católica, não cedeu, e iria abrir a rua, passando por cima do Seminá­rio Maria Auxiliadora. Irritado com isso, Dom Zeno disse para os católicos fazer um abaixo-assinado “com 5 mil assinaturas”, dizendo-se contra a destruição do Seminário.
E disse mais: “Só na Alemanha Oriental (comunista) vi tal desatino”.
E disse mais: “se esse prefeito fizer isso, vocês (católicos) nunca mais devem votar no partido (PT) desse homem”.
As palavras do bispo foram fortes. Como fortes têm sido as desmedidas palavras do Presidente Lula, quando ataca violentamente a imprensa por escrever a verdade.
Estamos numa época de palavras fortes. A culpa é do presidente Lula, que destrambelha­damente “diz o que pensa”. E quem diz o que quer, ouve o que não quer, já dizia minha avó.
Se Lula fosse moderado, a Igreja Católica (que no fundo foi quem o criou, através das suas Comunidades Eclesiais de Base) talvez também medisse suas palavras. Mas não. Lula não mede o que diz. A Igreja não mede o que diz. E como o exemplo “vem de cima”, logo a população toda estará dizendo o que pensa. Nem que seja grosseiramente, como Dom Zeno e como Lula. E o exagero vai se tornar a regra das relações sociais.