terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mensagem de uma escola da Califórnia

Alan Caldas

Recebi por e-mail e não sei se é verdadeiro. Mas a idéia é criativa e merece ser dividida com você. É o seguinte:
Professores de uma escola na Califórnia cobravam responsabilidade dos alunos e seus pais perante as faltas e trabalhos de casa que os alunos não realizavam. E, por cobrar essa responsabilidade do aluno e seus pais, os professores estavam sendo processados por pais que querem que os filhos sejam aprovados mesmo com muitas faltas e sem fazer os trabalhos escolares.
Tratava-se, portanto, de uma negligência paterna. Tratava-se de pais que queriam que todos fossem responsáveis pelos filhos deles, exceto eles próprios. Tratava-se de pais que não estabeleciam limites para seus filhos e que, por isso, estavam criando pequenos monstrinhos que, ao crescer e por não ter limites, se tornariam monstrengos na sociedade.
Diante dessa situação, os professores deixaram uma mensagem gravada na secretária eletrônica da escola, e quem ligava para lá escutava o seguinte:
Olá! Para que possamos ajudá-lo, por favor, ouça todas as opções:
-Para mentir sobre o motivo das faltas do seu filho - tecle 1.
-Para dar uma desculpa por seu filho não ter feito o trabalho de casa - tecle 2.
-Para se queixar sobre o que nós fazemos - tecle 3.
-Para insultar os professores - tecle 4.
-Para saber por que não foi informado sobre o que consta no boletim do seu filho ou em diversos documentos que lhe enviamos - tecle 5.
-Se quiser que criemos o seu filho - tecle 6.
-Se quiser agarrar, esbofetear ou agredir alguém - tecle 7.
-Para pedir um professor novo pela terceira vez este ano - tecle 8.
-Para se queixar do transporte escolar - tecle 9.
-Para se queixar da alimentação fornecida pela escola - tecle 0.
-Mas se você já compreendeu que este é um mundo real e que seu filho deve ser responsabilizado pelo próprio comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelas tarefas de casa, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!

A responsabilidade é toda nossa

Alan Caldas

Essas tempestades são um reflexo de nós.
A humanidade causou isso.
Desmatamento. Gases lançados no ar. As cordilheiras de montanhas de lixo. A sujeira na água. O aquecimento do oceano atlântico, com suas causas variadas, tudo isso fomos nós, seres humanos, que demos causa.
Não eu ou você em especial. Mas todos.
E mesmo que estejamos na época da informação e saibamos tudo de quase tudo, sempre fazemos de conta que não vemos.
Viramos para o lado, como se não fosse conosco. Parecemos criança que faz coisa errada e disfarça na esperança de que nada ocorra.
Fazemos de conta que não jogamos lixo na rua, nos rios, praças, ar e mar. Fazemos de conta que o que fazemos não influencia na nossa vida e na de todos.
E isso não é de hoje. Como imigrantes, que é o que todo brasileiro é, fica essa irresponsabilidade com a geografia local.
Cada um de nós tem a noção (errada) de que “não é daqui”. Quando perguntam “de onde” são os Caldas, logo respondo: “da Espanha”. Temos essa impressão de ser “de fora”. Logo não nos compete cuidar e zelar, por tudo que ocorre aqui. Que burrice!
Essa sensação acomete a todos.
Os países ricos se dão o direito de gerar produções infindáveis com a desculpa de que, se desacelerarem, não venderão, não vendendo não terão dinheiro e assim não poderão mais comprar o que compram de nós. E aí (dizem eles) quem vai pagar a desaceleração seremos nós, os países pobres.
Quem está matando a possibilidade de vida no planeta não é o macaco, a zebra, o lobo, os peixes ou os insetos. É o homem.
Não há tipo de vida mais nocivo ao planeta que a humanidade. Comparando bem e mal, a humanidade faz o mal ao planeta. Polui. Destrói. Queima. Suja. Faz o diabo.
Parecemos ter ódio do planeta. Parecemos ser um câncer jogado sobre a Terra e que se prolifera, cresce e aumenta, e quanto mais prolifera, cresce e aumenta tantos mais desastre causa. Desastres ao solo, a água, ao ar, aos demais seres extintos pela ação humana.
Não gosto das idéias (gerais) de Charles Darwin, pois sou criacionista. Mas reconheço nele a mais pura verdade quando diz que “a natureza seleciona pelo ser e nós, humanos, selecionamos pelo prazer”.
Tudo para nós é prazer. Somos a única raça que defeca onde come. E o único tipo de vida que prolifera sem se preocupar com a sobrevivência do todo.
Mas nada nos chega ao coração. Continuamos massacrando o planeta e cavando nossa própria cova, que será rasa.

Exemplos e “exemplos”

Alan Caldas

O pastor Robson Neu contou que quando em Leipzig, na Alemanha, ele e uma colega estavam pela rua comendo chocolate e a colega jogou um pedaço no chão. Logo ouviram um apito e um guarda chamou ela e disse que tinha cometido uma irregularidade. O guarda falava rápido e solicitou que ela fosse ao local da infração. Ela foi e o policial mostrou o “delito”, o pedaço de chocolate no chão que deveria ter sido jogado no lixo. Juntaram-se populares para ver o que ocorria. E o guarda deu um discurso moral tão contundente na colega do Robson, que até ele, que não tinha nada a ver, ficou vermelho. E, feito isso, o policial mandou uma multa de 35 Marcos que ela teria 10 dias para pagar e, se não pagasse, iria presa, pois a Alemanha tem prisão civil por multa. E essa foi, segundo o Robson, o melhor exemplo de vida que ele trouxe da Alemanha.
* * *
O Jayme, que mora em Novo Hamburgo, nos anos 70 bebia num PUB em Londres e às 23 horas o PUB fechou. O Jayme, bem à brasileira, saiu com um copo embaixo da jaqueta e foi bebendo pela rua. Um policial o parou e explicou que não se bebe na rua. O Jayme se desculpou. O policial, vendo o copo com a marca do PUB, perguntou se ele tinha “comprado”. O Jayme disse não. O policial perguntou “como” ele tinha saído de lá com o copo. O Jayme disse brincando que ele tinha de admitir que havia roubado o copo. O guarda deu voz de prisão e o Jayme, não tendo mil libras para pagar a fiança, ficou um mês preso, até ser deportado e não mais poder entrar na Inglaterra.
* * *
Todos sabem que o Brasil não cumpre rigorosamente as leis. E semana passada, seguindo o que manda a Lei de Extradição assinada entre Brasil e Itália, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 5 votos a favor e 4 contra, que ele não decidiria se o terrorista Cesare Battisti será deportado para ser julgado na Itália, onde é acusado de assassinato. O STF poderia decidir, mas não decidiu. Brasileiramente, apenas cumpriu o rito judicial, e deixou nas mãos do Presidente Lula a decisão de deportar ou não o terrorista. Vai ser a maior decisão do Presidente Lula em seus 7 anos de sucesso popular no governo. Se errar...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Conversando com Tom Wolf

Na segunda-feira estava em Porto Alegre o escritor Tom Wolf, participando do encontro Fronteiras do Pensamento. Tom Wolf é autor de vários livros importantes. Ele escreveu A Fogueira das Vaidades, que narra a vida cotidiana em Nova Iorque e é tão jornalístico que alguns críticos chegaram a dizer que “nem era literatura e sim reportagem”.
Durante o encontro, uma das questões era o por quê jovens não lêem jornal.
Alguns apressados chegaram a dizer que o fato de pessoas abaixo de 30 anos atualmente não lerem jornal significaria que em “alguns anos” o jornal deixaria de existir.
Tom Wolf disse que não é “atualmente” que pessoas abaixo de 30 ou 35 anos não lêem jornal. Segundo ele, “desde os anos 1800 que jovem não lê jornal nos Estados Unidos”.
Segundo ele, a leitura de jornal se dá como divisor de épocas na vida.
Tom Wolf explicou que “quando a pessoa fica adulta” é que ela começa realmente a ler jornal. “Até então ele é audiência de tevê ou rádio”, disse o escritor.
O futuro dos jornais, para ele, está ligado à questão do amadurecimento das pessoas. “O jornal sempre será um status de adulto”, disse Tom Wolf.
“A pessoa que está com um jornal na mão, sabe que já está noutra fase da vida, a fase em que se preocupa com os problemas concretos e encara o mundo como uma parte de si e na qual ela tem responsabilidade”.
O debate foi longo, passando por vários temas, e o jornal foi um desses temas porque cada vez mais a internet se impõe.
Mas a internet, segundo Tom Wolf, “não tem credibilidade para pessoas adultas, porque mais de 90% do que está nela é falso”.
Para ele, o ato de ler jornal tem a ver com o crescimento da pessoa.
“Se você pegar as pessoas mais importantes em qualquer lugar do planeta, verá que estão sempre por dentro das notícias dos jornais, especialmente no local onde elas vivem”, disse Tom Wolf. “E por mais que a tevê ou a internet sejam atraentes, ainda é no jornal impresso que as pessoas balizam a sua vida”.
Analisando os novos métodos de leitura de jornal por computador, Wolf disse que nada substituirá o toque da mão no papel.
“É que isso torna a leitura interativa e dá, ao leitor, uma sensação de posse daquilo que ele está lendo”.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A inteligência da matéria

Parece que existe inteligência na matéria.
Dias atrás, reclamei de um carro que não apresentava problema, e horas depois ele parou.
Várias pessoas ficam dizendo que o computador está fraco e que terão de trocá-lo. E logo o PC estraga de vez.
Se você diz que sua casa está “feia”, repare como ela realmente começa a “enfeiar”.
Já sabemos disso com pessoas. Encha alguém de elogios e destaque seus pontos positivos, e ela cresce e brilha. Mas só a critique e destaque os seus pontos negativos e ela murcha.
Com pessoas é assim.
Mas, e com as “coisas”?
Pois parece que é. Um jardim está cheio de flores, e se você vai lá todos os dias e conversa com as rosas, jasmins, petúnias, dentes de leão e copos de leite, dizendo que estão lindas, coloridas e cheirosas, verá que eles florescem e quase gritam cores quando você entra no jardim. Mas, ao contrário, vá lá e não diga nada, nada fale, nunca elogie as cores e o perfume das flores, da grama e da terra, e tudo ficará meio assim, assim. . . assim sem vida, entende? E, pior ainda, entre no jardim e comece a ver defeito, a dizer que a cor está esmaecida, que a ferrugem está tomando conta e que a terra está “fraca”, e logo verá seu jardim “se enterrar”.
O gado você sabe: só engorda sob o olhar do dono. A roça também só produz bem com “uma conversa” entre o colono e a terra fecundada pelas sementes.
Uri Geller, um famoso “ocultista” dos anos 70, entortava colheres através da tevê. Mas nós podemos fazer misérias com as coisas, mesmo não sendo o Uri Geller, bastando criticá-las.
Veja este jornal, por exemplo, repleto de pequenas e boas notícias, tem anúncios, está bem impresso, bem feito. Mas pegue ele e diga “não tem nada”, e você verá que mesmo tendo todas as notícias, fotos, etc., você passará a vê-lo “sem nada”. Faça isso com a Zero Hora e verá que o efeito é o mesmo.
Vá para a frente da tevê, agora, e encontre nela uma porção de defeitos, do tipo é pequena, está escura, tem brilho demais, a cor está ruim, ficou numa posição muito alta... e logo você perderá a vontade de ficar em frente a ela. Ou ela vai queimar. Já vi isso acontecer com geladeira, fogão, microondas, liquidificador, com moto... Tudo que você critica, morre.
Isso leva a crer que existe uma inteligência nas coisas, na matéria.
Mesmo que agora pareça absurdo, creio que um dia ainda vamos compreender a conexão que existe entre nós e tudo que nos cerca, seja animal, vegetal, mineral ou máquina. Portanto, antes de criticar algo, pense nisso.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Gramado não aceita pombal

Um dia o vereador Joracir Filipin disse que a administração deles iria transformar Dois Irmãos numa cidade como Gramado.
A idéia é atraente, porque vamos a Gramado jantar, namorar, passear e ver pessoas de poder aquisitivo, bons carros, com dinheiro, vestindo roupas elegantes e falando de forma educada e culta.
Quando o Filipin disse isso, fiquei satisfeito.
E a frase dele não me saiu da cabeça.
Somos um dos fundadores do Natal dos Anjos e nos inspiramos em Gramado. Junto com a Inês, Clari, Celestino e Dora, sempre íamos lá tirar ideias para o Natal dos Anjos.
Quando o vereador que lidera o partido que está na cadeira de prefeito disse isso, fiquei feliz. Era um alento. Uma esperança para quem deseja ver Dois Irmãos progredir.
Até porque, sendo Gramado fina e elegante, ela precisa de ruas limpas, calçadas arrumadas, comércio atuante, segurança reforçada e opções agradáveis para quem nela vive ou passeia. E fazer isso em Dois Irmãos tem apoio imediato deste jornal, que reserva-se, apenas, o direito de manter a cultura alemã que criou esta cidade.
Somos, portanto, divulgadores da idéia do Filipin. E é em nome disso que queremos dar uma dica ao Filipin. Ele precisa ir a Gramado com urgência e perguntar “qual” tipo de apartamentos eles estão incentivando que se construa em Gramado. Gramado não quer mais que se construa apartamento barato. Estão repensando quem eles desejam ter como morador ou proprietário na cidade.
Pelo que soube, novos prédios só serão autorizados se não tiverem metragem mínima que os coloque como “top” no preço de venda.
Gramado não quer pombal. Só aceitará construções que levem para lá pessoas com bom poder aquisitivo.
Parece racismo econômico. Mas não é.
Gramado sabe que para não ter mais problema social do que já têm, eles precisam peneirar os moradores, deixando que lá residam apenas os que não precisam dos serviços sociais da prefeitura.
Se bem entendi, Gramado vai abrir mão da miserável política de varejo na compra e venda do voto. E decidiram subir para um degrau onde quem vai morar lá só vá porque pode, pela suas próprias forças, chegar lá, e não porque o governo incentivou. E isso, pensam eles, vai fazer Gramado ser cada vez mais rica.
Não sei se entendi bem, e por isso recomendo que o Filipin vá lá para ver isso de perto. Afinal, se queremos ser como Gramado, conforme ele disse, temos de conhecer o que eles estão tentando fazer para melhorar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A limonada está contida no limão

Estacionei no aeroporto, às 6 da manhã, e 10 minutos depois voltei e vi os guardinhas do trânsito querendo guinchar meu carro.
Achei estranho, sempre todo mundo estacionava ali. Mas... lei é lei.
Falei que o carro era meu. Despacharam o guincho e resolveram multar também porque os pneus de trás estavam “careca”.
Tá bom, multa que estou com pressa.
O guardinha ficou com cara azeda, me multando, e vendo que ele não tinha cortado a barba, perguntei:
- A guarda de Porto Alegre não tem “padrão militar”, ou seja: barba feita, roupa limpa (a dele estava toda amarrotada) e sem fumar (ele estava fumando).
Já quase se alterando, ele disse que eles “não eram militares”.
E eu, bem tranquilo:
- Mas o padrão deveria existir. Não impõe respeito alguém barbudo, com cara de sono, roupa amarrotada e fumando.
O guardinha branqueou, mas ficou na dele. Terminou o preenchimento da multa e perguntou se eu ia assinar.
- Por que não assinaria? - perguntei.
- O senhor pode querer recorrer da multa...
Olhei aquela criatura triste e disse:
- O senhor acredita que me multando está fazendo a humanidade ir em frente e progredir?
- Só estou trabalhando...
- Pois se está trabalhando e acredita que isso faz a humanidade ser feliz, é óbvio que vou pagar a multa. Se eu recorrer, estarei indo contra a felicidade humana que o senhor acredita estar buscando ao me multar, não é?
Peguei a multa sorrindo, assinei e devolvi.
E, ao sair, perguntei:
- Oh guarda, que carro você tem?
- Não tenho carro - disse ele, acabrunhado.
- Pois quando tiver, cuide dos pneus - eu disse, rindo. E saí de bem com a vida, enquanto ele ficou na infelicidade dele.
Passei o dia muito bem, e hoje, quando chegou a multa, me senti melhor ainda.
Moral da história: Há sempre razões para ser feliz. Basta saber que em cada limão está contida uma limonada. E não é porque o outro está infeliz e azedo que você tem de ficar infeliz e azedo também. Perdoe a infelicidade alheia e essa atitude acabará perdoando a você mesmo.
É como diz a música: “ando devagar por que já tive pressa, e levo este sorriso por que já chorei demais...”.
Não esqueça que compreender a vida “é simplesmente conhecer a marcha e ir tocando em frente...”.
Saiba que “cada ser (inclusive você) em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz...”. E é preciso “paz para poder sorrir”, assim como “é preciso chuva para florir”. E entendendo isso, vamos compondo a nossa história, nunca nos abraçando ao mau exemplo da infelicidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Seríamos um vírus?

O planeta está com quase 7 bilhões de habitantes. Esses 7 bilhões precisam comer, beber, vestir e morar.
Sete bilhões comendo, bebendo, vestindo e morando, significa que temos de “produzir”.
Ocorre que, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), produzir para sete bilhões é “demais” para o planeta.
Traduzindo, isso significa que para manter esses quase sete bilhões comendo, bebendo, vestindo e morando produzimos mais do que o planeta consegue reciclar.
É meio louco, isso. Mas de tudo que a humanidade produz num ano, 12% ela não consegue reciclar.
E fica assim: 12% de tudo que se produz vai ficando, de um ano para outro, como lixo.
E quanto mais rico o país fica, tanto mais lixo sua população produz. Tem o lixo visível, copo, garrafa, metais. E o lixo invisível, que são os gases lançados na atmosfera terrestre.
Dessa soma de lixos sólidos e gasosos, mais o desmatamento e a “natural” (sobrenatural, na verdade) poluição das águas, chegamos ao futuro: as intempéries climáticas, nevascas de verão, calorões de inverno, e parecemos caminhar para uma primavera sem flores, repleta de furacões, desmatamentos, tempestades tropicais e sub-tropicais, frentes frias vindas de lugares quentes e uma parafernália de degelo.
Há quem diga que se a Terra continuar assim, sendo tão massacrada pela raça humana, ela poderá sofrer efeitos internos, no pêndulo de lava que existe em seu centro, e “entortar”. Ou seja: sair do eixo onde flutua no espaço e lançar tudo e todos para fora dela.
Essa questão da super população e da super produção para manter comendo, bebendo, vestindo e morando os quase sete bilhões de humanos, está cada dia mais presente em jornais, rádios, tevês e escolas.
Na verdade, o ser humano não parece ser “humano”. Parecemos ter a estrutura de um vírus que se multiplica indiscriminadamente, sem consciência de coexistência. E se isso for real, se essa estrutura viral for o que caracteriza o ser humano, é provável que a Terra faça conosco o que nosso corpo faz com os vírus que o atacam: banimento e morte.
Não quero assustar ninguém, mas se olharmos o planeta como um todo, tirando os olhos do nosso umbigo, vamos ver que isso já está ocorrendo.
Ainda é tempo. Mas tem de ser já.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Somos cidadãos do planeta

Ninguém é uma ilha. Muitos gostariam de ser uma ilha. Mas querendo ou não, somos integrantes da coletividade. Somos a nossa família, primeiro, pai, mãe, irmãos, avós, tios, tias. Depois, somos a vizinhança, nosso bairro, os amigos. A seguir somos nossos colegas de escola ou de trabalho. Nunca estamos sós.
Somos a cidade, queira ou não nós somos a cidade, especialmente aquela em que crescemos. E também somos o nosso Estado, isso de ser gaúcho ou catarinense ou paulista ou carioca, baiano ou amazonense. A cultura pica. E fica.
Igualmente somos o nosso país. É duro ser brasileiro, ver corrupção, desmando, falta de respeito às crianças, aos velhos, ao meio-ambiente. Ver patifes progredindo e pessoas honradas vivendo em dificuldades. Mas ser brasileiro é isso, e nenhum de nós escapa.
Até aqui a maioria de nós percebe que “é”. Percebemos que somos nossa família, nossos vizinhos, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado e nosso país. Mas e do mundo? Alguém percebe que somos do planeta terra?
É difícil ter essa consciência de que estamos “em cima”deste planeta e o que fazemos aqui, bem ou mal, grande ou pequeno, certo ou errado, acaba influenciando na vida do planeta como um todo. É que ninguém é uma ilha. Tentamos ser. Queremos ser. Buscamos quase desesperadamente viver “a nossa vida”. Mas não tem jeito: não somos uma ilha. Somos os arredores “e” somos o planeta. Um chinês e você, um japonês e eu, um urso do pólo Norte ou um pinguin aqui da Antártida, tudo está conectado, unido pelo fio da vida, da existência.
Não dá para escapar da conexão que existe entre tudo e todos neste planeta tão depredado. Não dá para escapar da realidade do desmatamento, da poluição dos rios, da super povoação, da necessidade de produzir cada vez mais mesmo sabendo que não há como reciclar tanta produção. É por isso que temos de urgentemente perceber que “somos um” com todos os tipos de vida neste planeta. Queira ou não, goste ou não, saiba ou não, é um fato que tudo que fazemos afeta a todos no planeta todo e tudo que todos fazem no planeta nos afeta individualmente. Não somos uma ilha. E precisamos perceber isso, se não para voltarmos a ter aqui o paraíso, pelo menos para podermos continuar tendo um chão onde morar.
É duro ter de conviver com bilhões de nós mesmos por aí. Mas não tem outro jeito. A única saída é chegarmos a um acordo que permita a todos nós continuarmos por aí.
E, para isso, só entendendo que o planeta “não é” a nossa lata de lixo. Não somos cidadãos de Dois Irmãos e sim do planeta.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

É a única opção de lazer da maioria

Lendo sobre as pracinhas abandonadas, se vê que a população precisa lazer para os filhos. E criança adora pracinha, gangorra, balanços, ferrinhos de se pendurar.
Neste calor a pracinha é a salvação dos pais.
A maioria não tem ar condicionado, sabia?
E com o efeito estufa esquentando o planeta, onde o sujeito que tem filho escapa? Na pracinha. É lá que ele vê os amigos, toma chimarrão e troca graças e desgraças de sua vida nem sempre grandiosa.
Nem todo pai leva os filhos no zoológico ou na Redenção ou no aeroporto.
Para mais de 90% dos pais, o que resta é a pracinha do bairro. É ali que ocorre a festa.
Sair de Dois Irmãos é caro. Muitos não têm carro nem dinheiro. Fica a pracinha como opção de lazer e convívio dos filhos e deles.
Dois Irmãos tem pracinhas boas, com bons brinquedos. Mas brinquedo estraga e tem de ser reposto. E quando a criança começa a reclamar para os pais, eles começam a reclamar para outros pais, que igualmente têm filhos que reclamam do estado dos brinquedos.
A criança não vê o matagal, só o brinquedo estragado. Mas o pai, que também usa a praça como lazer, vê o brinquedo estragado “e” o matagal.
Pracinha não basta roçar. Tem de ter brinquedos bons. Brincar faz parte do desenvolvimento da criança. E muitos têm na pracinha a única opção de lazer gratuito para os filhos.
Tá, tudo bem: ninguém mandou fazer filho.
Mas essa é outra questão.
O debate aqui é sobre ter ou não praça em boa condição. E tem de ter. E ponto.
Lendo a reclamação dos pais, até me deu pena do Marcão, nosso Secretário de Serviços Urbanos. Gosto dele. É um homem bom e esforçado. Tem um abacaxizão na mão, mas é o Secretário e tem de cobrar verba para renovar brinquedos e gente para fazer limpeza, se preciso (e sempre é preciso).
Isso é parte do bem-viver. E pequenos atos, como levar filho à pracinha, é que faz o nosso viver humilde mais significativo.
Quem tem dinheiro para levar as crianças a cinema ou parques da capital ou praia, não vê que a maioria não tem dinheiro para isso.
Então começa o tiroteio verbal.
E quando os que só têm a praça começam a reclamar, preste atenção. Nada é mais terrível que a vingança dos justos...
Mas veja: umas praças estragadas não é o fim da administração. Dá para consertar.
Mas tem de consertar.
Não dá para ficar em blá, blá, blá...
Afinal, “quem pariu Mateus embala”, não é?

Mais um golpe nos que gostam de “pitar”

Antigamente se fumava em ônibus e até em avião. Depois, estabeleceram lugares para fumar, tendo em ônibus e aviões as “áreas de fumantes”. Bar, restaurante, até em hospital se fumava. E as propagandas incentivavam, mandando você fumar quando dirigia, quando caminhava, quando bebia, quando namorava.
Não havia maior faturamento de publicidade em jornal, rádio e tevê que o de cigarro.
Então o governo começou a se dar conta que mesmo o cigarro pagando mais de 95% em impostos, ainda assim ele “dava prejuízo”.
É que o governo gastava (e ainda gasta) para combater o malefício do cigarro, 1 real e meio para cada real que o cigarro paga em imposto. Foi assim que as empresas fumageiras foram banidas dos Estados Unidos e de todos os países da Europa, Canadá, Japão e outros locais ditos “civilizados”. E, saindo de lá, elas vieram produzir e vender aqui.
Se nos países ricos a propaganda era proibida, aqui ela era incentivada. E muitos jornais e especialmente tevês enfureceram quando a propaganda de cigarro foi proibida no Brasil.
“É um ataque a liberdade individual”, diziam, hipocritamente, os defensores dos anúncios, sem falar para o “respeitável público” que sem propaganda 1% dos fumantes iam anualmente deixar de fumar. É que muitos fumam para imitar os demais e “se igualar” ao que veem no mundo. São os tais com “deficiência de personalidade”.
Mas, por fim, o cigarro foi sendo banido da teve, rádio e jornais, e também dos aviões, ônibus, hospitais, recintos de instituições públicas (prefeitura, fórum, câmaras..). Chegou, agora, a todos os locais públicos, com a lei da governadora Yeda. E chegou tarde, porque dois anos atrás o presidente do Uruguai, que é médico oncologista e já deve ter perdido muito cliente para o câncer de pulmão, decretou com força de lei que não se fumava mais em lugar nenhum que fosse fechado no Uruguai. E, um ano atrás, a França, que tem os fumantes mais compulsivos da Europa, foi surpreendida pela mesma lei, e a está cumprindo ao pé da letra.
A lei, assinada ontem, 4 de novembro de 2009, pela governadora Yeda Crusius, proibindo o fumo, ainda prevê “lugar especial” para fumantes. A lei é falha, pois não determina uma multa, e sem penalidade não há execução de lei. Mesmo assim, a força moral do cartaz de “é proibido fumar”, fará toda a diferença, quando muitas caras e narizes retorcidos se mostrarem aos fumantes que arriscarem acender “o pito” em local fechado, de agora em diante.
Essa lei é o início, mas a perseguição aos fumantes será implacável.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

É ruim

Praia lotada, sem salva-vida mas raros afogamentos. É de se pensar a real razão de tantos afogamentos quando estão lá os salva-vidas.
É que tem muita gente querendo aparecer.
Tem pessoas que levam vida tão inútil, mesquinha e insignificante, sem ação nem emoção, que tentam desesperadamente se mostrar ganhar atenção. E a praia lotada é o local perfeito. Cheio de pessoas sorrindo, meio peladas, bebendo, tomando sorvete, felizes da vida. E o neura lá, entrevado, escondido em si mesmo, e logo vê naquele ambiente feliz um motivo para chamar a atenção que ele não recebe do mundo.
Tem pessoas tão carentes de afeto e necessitadas de atenção, que se expõem ao risco só para que alguém lhes coloque os olhos. Ou as toque. Nunca são olhadas, jamais são vistas, e ninguém as quer tocar.
Então ela vai ao mar. Põe o pé no mar e o frio dá agua lhe dá calafrios. Não o “bom” calafrio, aquele que sentimos quando a mulher te passa a mão de leve, roçando teus pelos. Não esse. O que ela sente é aquele de frio mesmo, o ruim, o chato.
Mas ela entra. Entra cuidando o salva-vida lá na guarita. E vai entrando. Ela vê todo mundo brincando na água aqui no raso e seguro, mas ela vai “para lá”. Vai onde outros não vão. Vai afundando. E pisando em buracos no mar, vai tropeçando.
Nada mal, é claro. Ou nem nada. Mas entra. Ela sabe que estão olhando. Espera que estejam. Sabe que estão vendo que ela vai onde não dá pé. Mas segue.
Vai querendo aparecer.
Vai por que bebeu demais. Vai por que brigou com anamora da. Vai sem saber por que, mas vai. No fundo, vai por que quer morrer mesmo, porque sua vida é um poço de insatisfações, e ela está nisso até á cabeça.
Vai mar adentro, e faz como as moças de antigamente, que fingiam tentar se matar tomando meia dúzia de aspirinas e depois metiam duas ou três doses de whisky no bico, na esperança de que aquilo não as matasse, é claro, mas fizesse os pais ou aquele desgraçado do namorado ver que ela era mais interessante que “aquela vagabunda” pela qual ele a trocou. Assim também é que a criatura vai ao mar, arriscando o pêlo para ser notada, se fazendo de vítima. Vai devagar.
Pode ver: quase todo socorrido no mar, chegou lá no fundo “bem devagarzinho”. Não chegou lá onde não dá pé assim, de peito aberto, num sopetão, na “braçada”. Chegou no levinho, foi no macio, foi indo, foi indo, foi indo, e sempre com um olho na missa e outro no padre, no caso no salva-vida. E então, já lá no fundo, a criatura percebe que REALMENTE a coisa é “osca da cola baia”, como diz o serrano ao se referir a um “baita tempo feio”. Só quando definitivamente não dá pé e ele, o arriscador, vai se tornar uma foto na parede, é que ele entra em pânico, esperneia, grita, e chama os que estão perto, levando pânico aos que brincam em águas que eram para ser tranquilas e o são até que um tipo desses, neurótico e que anda à cata de atenção, venha se expor e estragar o dia dos demais com sua frescura neurótica.
Neuróticos somos. Todos numa ou noutra situação agimos às cegas, fazendo uma coisa e, sem saber, querendo fazer outra. Todos somos assim, vez por outra, neuróticos.
Mas se você olhar a expressão de “bem-estar” que quase sempre aparece num “salvado” no mar, verá que ele está quase “iluminado” por ter sido salvo, e tem, por instantes, um ar angelical e infantil, como de uma criança que tendo se machucado você põe no colo e acaricia, para que se sinta reconfortada e forte novamente.
Embora a maioria dos que quase se afogam sejam uns malucos, deles o que se deve ter é pena. Pena de sua cegueira que os leva a atos insanos.
E esse exemplo serve para mim, também, não é? E para você, será que não serve? He, he, he...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cidades sem salva-vidas

Quem olhou as fotos das praias lotadas neste final de semana, certamente reparou que não havia salva-vidas nas guaritas.
Milhares de pessoas. Zero salva-vidas.
E, curiosamente, só dois de afogamentos no Litoral Norte (Imbé e Xangri-lá).
Não ter salva-vida em Tramandaí e arredores, com dezenas de milhares de pessoas na praia e entrando no mar, parece loucura.
Afinal, água requer salva-vida.
E, nos meses do verão, não tem dia que os salva-vidas não estejam naquele corre-corre, atrás de banhistas que vão mar adentro e acabam socorridos. Muitos só levam susto. Mas muitos morrem afogados.
Os jornais estão cheios dessas notícias.
Mas neste final de semana, quente e com praia lotada, nenhum salva-vida estava lá.
Mas também não houve, pelo que se leu em jornais, um afogamento que seja.
Que fenômeno é esse?
Se tem salva-vida, morre gente ou pelo menos levam e dão susto nos salva-vidas e nas pessoas da praia.
Se não tem salva-vida, não ocorrem sequer ameaças de afogamento.
Quando sabemos que a coisa não está fácil, tomamos cuidado, não deixamos filhos se aventurar mar adentro e ficamos com um pé na areia, quando colocamos o outro no mar.
No fundo, isso demonstra nossa infantilidade. E demonstra essa coisa da “representação”, quando deixo que alguém “me represente” (como na política, por exemplo, como na segurança, por exemplo, onde abrimos mão de “ser” para que políticos e policiais sejam por nós).
Diante do risco certo, não deliberamos para ninguém a nossa segurança e bem-estar.
Foi o que se viu neste final de semana na praia: zero afogamento.
A ausência de salva-vida na praia lotada e o zero-acidente mostra isso: se tem segurança relaxamos na vigilância e acabamos quase afogados ou (desgraçadamente) mortos.
Se não tem salva-vida, nos cuidamos, cuidamos dos nossos, ficamos na vigilância e mantemos nossa liberdade de viver. E o preço da liberdade, como se sabe, é a eterna vigilância.
Isso, porém, não abre mão de se dizer aqui que Tramandaí e arredores têm obrigação de manter salva-vidas na praia.
Se não por zelo às nossas vidas, pelo menos por respeito ao IPTU que se paga lá e ao dinheiro que pagamos em seus hotéis, bares e restaurantes e que volta para os políticos na prefeitura daquelas cidades sem salva-vidas.

O efeito mal-estar se alastra

Ontem Porto Alegre ardia com 33 graus de temperatura. E Argentina chegava a 44 graus, levando mal-estar a quem estava longe do benefício do ar-condicionado.
Uma tia que mora em Rio Branco, no Acre, contou que este ano, ainda no “Inverno”, a temperatura lá chegou a 40 e com sensação térmica de 50. “Tinha gente desmaiando pela rua”, disse ela, que é gaúcha e jamais se acostumou ao ar abafado em meio a floresta amazônica.
O crescimento da temperatura no planeta Terra é visível nos cinco continentes. Basta ver tornados e furacões ocorrendo onde jamais se ouvia falar deles.
Cidades como Porto Alegre se debatem com o problema das construções. Diante da criminalidade nas ruas e da ausência de punição exemplar, as pessoas abandonam suas casas e vão se proteger morando em espigões, edifícios altíssimos que parecem querer tocar no Céu, como na passagem bíblica da Torre de Babel.
O debate sobre o Pontal do Estaleiro, se baseou no permitir ou não mais prédios à beira do Guaíba. É que prédios formam paredão e impedem que o vento que sopra pelo rio chegue a toda a cidade. Foi essa a discussão que levou ao plebiscito sobre os quatro hectares onde funcionava o Estaleiro Só: não impedir o vento de chegar a “todos” os moradores.
Cidades como Maceió, conhecida pelo apelido de “Terra do sol e da brisa”, cresceram abruptamente e sofreram o efeito “espigão”. E hoje a orla da capital alagoana praticamente impede que a brisa do mar chegue aos demais recantos daquela cidade tão linda.
Em Santa Catarina, vinte anos atrás Camboriú era pequena e elegante, e hoje virou uma cidade de cimento.
Capão da Canoa e Torres parecem aquelas ruas de Nova Iorque, onde o sol não chega, tal o número de edifícios e suas alturas malucas.
Quem já esteve em Nova Iorque no inverno, sabe que as vezes se está caminhando numa rua e, ao dobrar a esquina, a temperatura cai 20 graus de soco. É o efeito barragem, que impede a entrada do vento. E várias pessoas já caíram mortas de mal-súbito nas ruas de Nova Iorque, devido ao choque térmico. E esse “efeito mal-estar” vem se alastrando mundo afora.
Bem vindo ao futuro, leitor.
É a civilização: quanto mais complexa mais frágil e autodestrutiva.
Por isso alguns são chatos na defesa do meio-ambiente, na preservação das árvores, rios e encostas de serra. E aqui no Rio Grande do Sul em especial, pois ainda temos quatro Estações bem definidas, e é preciso proteger essa maravilha natural que nos permite a cada quatro meses experimentar uma nova sensação no viver, ver e sentir o mundo físico ao nosso redor.