Estive pensando nos amigos e amigas dos quais me separei, nestes 52 anos de vida.
Uns, nunca mais vi.
Outros, nunca mais quero ver.
Mas entre os que “desejava ver”, estão alguns, que ora lembro. Por exemplo:
O Ronald, meu colega de segundo grau. Onde anda? E a resposta é esta: está em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. Putz, morar em Chicago, cá para nós, é um prestígio, afinal é a terra dos The Blues Brother, os reis do blues.
E por onde anda a Márcia? A Márcia... ah, ela há muito mora em Nova Iorque. Nova Iorque não: New York, a capital do Universo.
Mas e o Antonio, o que é feito dele? Está em Paris. Em Paris, não. Em Paris, sim, mas ali por perto da Ille de France, ao lado do Senna, e na última vez que falamos ele me disse (cheio de orgulho) que embora seja um apartamento pequeno (sala, quarto, cozinha e banheiro, mais uma pequena área de serviço), dali se pode ver a menos de 300 metros a Torre Eiffel. Ou seja: a peste do Antônio mora praticamente à sombra da Torre Eiffel. E ao lado esquerdo, disse ele, vê-se a Catedral de Notre Damme. Po-dendo, num vapt-vupt, chegar ao Arco do Triunfo.
E o Zanelli, meu primo, onde anda? Em Florianópolis. Ou melhor: na Baia Norte, aquela área de Floripa que fica próxima da Ponte Ercílio Luz e onde todos que passam e veem aquele mar e aqueles prédios “juram” que um dia irão morar exatamente onde ele mora.
Tenho um tio, o último dos Caldas, que mora em Pajuçara, a área mais nobre de Maceió, em Alagoas, a Terra do Sol. Praia é com ele mesmo, 365 dias por ano, dia e noite, e temperatura de paraíso: 27 graus permanentemente.
E dali para o frio é um pulo no mapa das amizades que fiz, pois correndo o dedo no mapa subo ao Pólo Norte e lá está a inesquecível (por “váááários” motivos) Helsinque, na Finlândia. E lá é que (ainda) vive Hannu Peltomaa, grande amigo, cada vez mais alcóolotra e cada ano mais genial.
Mas e por onde anda a Maya Bajema? Um mix de América e Holanda, a Maya está onde sempre esteve: na Baia de San Francisco, na Califórnia, e de Fairfax, onde mora, pode curtir diariamente a imagem inesquecível de San Francisco, do Monte Tamalpais, de Alcatraz e a alucinante imagem ora límpida ora encoberta por neblina da enebriante Golden Gate Bridge. Sair de lá? Nem falar!
E o Steve Stalwitz, cadê? Está na “pradaria” americana, na inesquecível Manhattan, lá no Kanzas, o único lugar onde a América é realmente “América”. E cadê a Marilyn Htzel? Largou o Rody, e mudou-se para o Alasca, onde entre ursos e nativos da área, vive seis meses de luz e seis meses de sombra, sempre com o som dos antigos índios, do qual ela, que é Sioux, descende.
São tantos que moram em tantos lugares, eu me digo, e eu, sempre eu, nunca mais do que eu, há tanto moro aqui em Dois Irmãos. Há montanhas, aqui. Há clima temperado, aqui. Há pessoas cultas e outras nem tanto, aqui. Há amores aqui. Luz e sombra, presente e passado, beleza e feiura, tudo aqui.
E mesmo todos os que conheço e que moram em lugares “espetaculares”, sempre que olham onde eu moro, veem conhecer esta Dois Irmãos de contrastes e acabam sempre dizendo que se pudessem REALMENTE escolher “onde morar”, escolheriam aqui, em Dois Irmãos.
E é por isso que me convenço cada vez mais que existem centenas de lugares melhores do que aqui para morar, desde que você “não more lá”.
Por que quando você “mora lá”, sente uma saudade desgraçada daqui...
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Lugares e “outros lugares”
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Uns e outros se dependem
Nós somos nós e “tudo” que existe. A água é nós. O ar é nós. O calor é nós. A terra é nós.
Mas não é só isso.
Cientistas estudam a verdade físico-química do Complexo de Carbono (o ser humano “físico-quimicamente” falando) e descobriram que o ser humano é feito da poeira das estrelas.
Uáááu!!! Essa é boa: a mesma matéria que fez as estrelas nos fez a nós humanos também. É poético não é? Física e química unem-se para ensinar que não somos apenas os quatro elementos -terra, água, fogo e ar- mas também “as estrelas”. Seria isso que Shakespeare disse, ao dizer que “entre o Céu e a Terra existem mais coisas do que supõe nossa vã filosofia?”
E a Bíblia: “do pó vieste e ao pó voltarás”.
Se somos a “poeira das estrelas”, somos não apenas esta terra, mas o universo.
É ruim pensar isso porque vem um dilema: Se a terra for eliminada, nós morreremos. Se a água for eliminada, nós morreremos. Se o ar for eliminado, nós morreremos. Se o calor for eliminado, nós morreremos.
E se somos “poeira das estrelas” somos igualmente o universo.
A conclusão é óbvia: somos o todo.
Não somos parte do todo.
Somos o todo. E o todo “é” nós.
Isso explica (pelo menos para mim) o que Jesus disse: “... O reino de Deus está dentro e fora de você...”. Essa compreensão reputo uma consciência avançada do ser-no-todo e não apenas no ser-em-si (que é o que nos caracteriza como raça egoísta).
Tal compreensão, deveria nos fazer amorosos e humildes diante de toda essa estrutura onde, de repente, nós humanos passamos a “pensar”. Nenhum de nós é uma ilha. O todo nos tem e nós temos o todo. E só quando se compreende é que realmente se percebe o que significa ser a “imagem e semelhança” do bem.
Nenhum de nós viveria sem a terra, sem o ar, sem a água e sem o calor, sem este planeta.
Mas este planeta também não viveria sem a estrutura do universo que o sustenta em seu eixo. Uns e outros se dependem. Capicci? Eu e você. Você e eu. Nós. É isso aí: nós, o todo.
Saber isso deveria nos fazer amorosos, porque olhando às reações físico-químicas que nos mantém vivos, se conclui que tudo está "ali" para terminar em confusão.
Raça inteligente seria a que tentasse viver em paz. Mas nós humanos, os “inteligentes” do pedaço, fazemos tudo (e mais um pouco) para nos meter em encrenca, como bem se viu nas “indecisões” de Copenhague, no encontro da ONU sobre aquecimento global.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Finalmente libertas
Na infância da minha geração, mulher jamais andava na rua de noite. Nem ia a bar.
Mulher só poderia fumar em casa, e se fumasse na rua era “perdida”.
Na casa o homem era a “cabeça do casal”. E mulher só decidia se o homem decidisse.
Os homens se apegavam nos “bons costumes” femininos para se vingar da mulher. Na infância da minha geração, o homem que soubesse que a mulher o traía poderia matar ela e usar, como defesa, o Crime Passional. Era uma espécie de “insanidade temporária” que o homem que matava a mulher podia alegar em sua defesa. E saía absolvido!
A mulher era “dona de casa”. E em Dois Irmãos certa vez o nosso querido padre Bráulio Weber disse num sermão do Dia das Mães que mãe era só a que cuidava da família. Causou um escândalo tal na comunidade que o bispo Sinésio Bohn o transferiu.
A mulher da nossa infância não tinha direito. Só obrigações. O escritor argentino Jorge Luiz Borges no livro “A Intrusa” mostra a tragédia da mulher “gaúcha”. Transformado em filme, “A Intrusa” escandalizou o próprio Borges, que ficou “horrorizado” ao ver na tela o que só tinha na imaginação.
Até a geração da minha avó, mulher não entrava no galpão. No máximo ia na porta, levar chimarrão, mas lá dentro não botava os pés e se entrasse seria mal-falada.
Profissão era muito pouca para mulher. Professora era a regra. Nas demais, só com muito tato.
Foi uma colega minha de faculdade, a Vera, que se tornou a “primeira delegada” aqui no Estado, e é claro que ninguém acreditava que ela teria coragem para enfrentar a bandidagem quando o caldo engrossasse. A vera provou que tinha, sim, o mesmo fôlego que os demais colegas policiais homens.
Hoje o mundo está uma maravilha para a mulher, que tudo pode e tudo faz. Ao invés de escravas, nós homens ganhamos companheiras, parceiras, amigas e amantes auto-suficientes. O resultado dessa mudança de comportamento está nas gerações que estão chegando ao mercado. Espera-se que sejam muito mais respeitosas com a mulher do que foi, por exemplo, a minha geração, que teve de fazer um esforço imenso para ver na mulher o mesmo “ser humano com direitos e deveres” que víamos em nós, homens.
* * *
Trágico dilema: “Quando alguém pergunta a um autor o que ele quis dizer, é por que um dos dois é burro” (Mário Quintana)
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Do Paraíso ao Inferno
Já tivemos um caso assim em Dois Irmãos. Foi com o tenente Tavares.
O Tavares estava num Kerb e no Centro havia uma turma na baderna total. O tenente já comandou a BM nas bocas-brabas de Porto Alegre e nunca havia sido agredido.
Naquele dia e estando em Dois Irmãos, que em tese é cidade civilizada e de pessoas de bem, o Tavares não considerou que aqui, como lá, existem marginais. E foi no sangue-doce apaziguar a gurizada. Chegou e pediu calma. Havia centenas no local, e só uns poucos baderneiros. O tenente na boa paz foi acalmando eles. Conversou. Bateu-papo. E ia acalmando os ânimos exaltados pelo álcool.
Mas então, vindo da multidão, sai um desses ordinários. Ele chega por trás do Tavares e manda um soco que quase atira o tenente para trás. Dá o soco, o disfarçado, e assim como no escuro veio, no escuro some na multidão.
Muitos sabiam quem era. Mas “ninguém viu”. Ficaram alegres que aquilo tivesse ocorrido. O patife virou ídolo da massa amorfa.
E funcionou ali, como nos bairros onde acobertam a droga, a lei de proteção, a “Omertá”, a Lei do Silêncio, da máfia.
Com o Berlusconi foi o mesmo. A diferença é que lá havia fotógrafos e o agressor covarde foi preso. Será julgado e punido exemplarmente.
* * *
As pessoas vivem de idolatria. Idolatram políticos ordinários e traiçoeiros. Idolatram cantores que levam vida podre. Idolatram pessoas sustentadas pelo crime. E, em situações como essa do Berlusconi, idolatram quem agride. Vi vários dizendo, bem felizes, que o sujeito “colou” o Berlusconi, como se tivesse feito uma grande coisa.
É por atitudes como essa, de proteger gentalha como esse agressor, que o planeta vai se tornando um esgoto cultural.
Quem apóia esse sujeito, deve apoiar a ação da polícia inglesa que metralhou (em casa e a sangue-frio) os quatro que haviam assaltado os filhos do príncipe Charles. E deve, também, apoiar as torturas que a CIA impôs em Guantanamo aos (esses sim, monstruosos) que derrubaram o World Trade Center. E terão também de aplaudir quando o Berlusconi mandar matar esse sujeito e a família dele, para mostrar o “limite” nas ações dos civis contra autoridades.
Sendo a violência monótona e repetitiva, os mesmos que hoje acham “engraçado” o ato contra o Berlusconi terão de apoiar quando esse sujeito e os dele apareceram jogados no esgoto. Não é? É uma questão de alinhamento psíquico, de entrar na cultura.
Pois é. Mas é assim que o planeta, criado para ser o Paraíso, vai se tornando uma sucursal do Inferno.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
As duas pulgas
“Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:
- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.
Elas então contrataram uma mosca como consultora. Entraram num programa de reengenharia de voo e saíram voando.
Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:
- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam voo rapidamente.
Elas então contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga explicou por quê:
- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.
E então um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar.
Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:
- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica?
- Não, reengenharia! Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.
- E por que estão com cara de famintas?
- Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?
- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.
Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha:
- Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia?
- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.
- Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas? Quiseram saber as pulgonas...
- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. Ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro, e então me disse: “Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança”.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Os que foram serão os pioneiros
Obviamente eu estava com os nervos à flor da pele. Afinal, esse assunto “sobrevivência do planeta” é tão tênue e sofisticado, tão delicadamente sutil, que só entra na cabeça de no máximo 0,1% da população.
É certo que 99,9% das pessoas ou não sabem nem que existe o planeta “como um todo” ou, se sabem, não conseguem conectar um continente com outro ou, se conectam um continente com outro, não entendem que a vida sobre o planeta é fruto de reações físico-químicas, ou se sabe tudo isso faz de conta que não sabe que o que a raça humana está fazendo vai acabar condenando a própria raça humana à extinção.
Sabendo disso, disparamos manchete sobre manchete chamando para o Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global. Escrevemos várias vezes sobre isso, neste jornal e nesta coluna. Nos últimos dias, com apoio das em-presas Wendling e do Posto Bruder, pagamos alguns anúncios nas rádios da capital, chamando para o evento. E, graças a esses anúncios, conseguimos alguns espaços raros (e caros) nessas rádios grandes, que utilizamos de forma jornalística para divulgar o Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global.
Bem divulgado na cidade estava. E, no entanto, muita gente (mesmo as que assinam e lêem o Jornal Dois Irmãos) ainda não sabiam.
E muitas que sabiam, não deram a ele a importância que nós (que criamos o encontro) acreditamos que tem.
Assim foi que ontem, 19h, cheguei na Igreja Matriz para ir até o auditório do Centro de Pastoral, ali ao lado, onde ocorreria o evento.
Cheguei e não havia ninguém.
Eu temia que ocorresse isso, pensei.
Mas como sou um homem de fé, dei alguns passos e fui até dentro da igreja, que estava aberta, me sentei bem quieto lá no fundo, fechei os olhos e perguntei a Deus:
- Oh, Senhor, não vai nos deixar só justo agora, não é? Fizemos tudo certinho. Dá uma mãozinha...
E fiquei ali, refletindo sobre quem somos, o que fazemos e para onde vamos, e então saí.
Chegando lá fora, encontrei o Padre Paulo. Logo chegou a dona Leonida e a Cléia. E então, apareceram umas professoras, seus alunos, e logo foram chegando todas as pessoas.
Tenho tido alegrias e tristezas na vida, como qualquer ser humano.
Mas ontem tive uma alegria imensa. As pessoas que foram lá, jovens, adultos e idosos, todos são o que de melhor esta cidade tem. Se esse evento crescer, se deverá a essas pessoas. E Deus existe, o evento vai crescer!
Muitos poderiam ter ido, mas não foram.
Não tem problema. Afinal, só se debatia ali o futuro da humanidade...
Lá estará o Bom Combate
A razão pela qual me envolvo, por exemplo, nesse evento de hoje à noite, o Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global.
A razão pela qual pretendo, com os demais participantes, tirar desse Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global, a Carta de Dois Irmãos.
A razão pela qual imagino levar essa Carta de Dois Irmãos ao Presidente Lula.
A razão pela qual penso que o Presidente Lula possa levar essa Carta de Dois Irmãos ao Encontro da ONU, sobre Aquecimento Global, em Copenhague, Dinamarca, nos dias 17 e 18 deste mês.
A razão pela qual imagino que essa Carta de Dois Irmãos poderá criar, em nossa cidade, no ano que vem, a Semana do Desaquecimento Global, e transformar assim Dois Irmãos na cidade-sede desse debate aqui no Brasil.
Fico, nas madrugadas insones, pensando nessas razões. E não as encontro.
Como dizem meus amigos, eu deveria “cuidar do meu umbigo”, vender mais propaganda no Jornal Dois Irmãos, ganhar dinheiro “para mim”, enfim, “viver a minha vida”.
Ao pensar isso, durante as madrugadas sem sono, fico quase em dúvida se tenho de viver como vivo ou se tenho de viver de forma mais, digamos, egoísta, emprestando mais a mim e menos ao coletivo alguns poucos dons que o Criador me deu.
Estava justo pensando nisso, na madrugada de hoje, e lembrei lá dos anos de 1980, quando me correspondia com o Paulo Coelho. Um dia perguntei (por carta) a ele se ele não tinha receio de que as técnicas de magia que estavam no Diário de Um Mago pudessem contaminar pessoas (ingênuas) que fossem tentar praticar as técnicas que ele estava ensinando ali. E sabe o que o Paulo Coelho me respondeu? Ele disse:
- Alan, a mão de Deus guia o guerreiro no caminho do bom combate.
Resguardando a distância do gênio (ele) ao idiota (eu), do gigante (ele) ao anão (eu), de certa forma isso explica o motivo pelo qual atraio tanto esse tipo de ações em minha vida.
Então, convido você a ir no Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global.
É hoje, terça-feira, às 19h30, no auditório do Centro de Pastoral da Igreja Católica.
O bom combate será lá. Participe!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O trem da história
Este texto que você está lendo talvez chegue ao seu coração. E agradeço a Deus se acontecer.
É que na maioria das pessoas, esse texto não chegará. É que as pessoas não percebem o que está em andamento no planeta Terra. Estamos tão preocupados com o nosso umbigo, nossa necessidade de comer, morar, vestir e sustentar os que dependem de nós, que não percebemos o que está acontecendo ao redor. Vivemos da nossa casa, enxergando dentro dela, e não percebemos que tudo isso de carro na rua está poluindo permanentemente, que todo lixo que geramos e a sujeira generalizada que lançamos na terra, na água, no ar e mesmo no espaço está matando a possibilidade de continuarmos aqui. Não vemos isso.
Creio que talvez 0,1% perceba a importância de olhar para a questão ambiental e se engajar. O Brasil como um todo não enxerga.
Os Estados Unidos não enxerga.
A (culta) Europa não enxerga.
Resta quem, então, para enxergar?
Você! Se você enxergar, o mundo enxerga, porque a mudança de cada um de nós faz o mundo mudar. A consciência de cada um de nós, faz o mundo todo consciente, pois o mundo é aquilo que fazemos dele. A borboleta que bate as asas lá na Tailândia pode, sim, causar um furacão aqui em Dois Irmãos.
Então um bater de asas da consciência aqui, participando desse Primeiro Encontro Regional sobre Aquecimento Global, pode espalhar uma onda de consciência pelo Brasil inteiro. E além.
É por isso que estamos insistindo nesse evento. Mas temo que o eco do convite não seja tão escutado. Por isso este artigo é um pedido de auxílio aos que nos leem. Precisamos que cada um que lê esta coluna se disponha a participar, no dia 8, terça-feira, às 19h30, desse Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global. É o primeiro, e vai lançar a semente que transformará Dois Irmãos na cidade-pólo desse debate.
Este ano, pelo tempo, fomos abandonados. Não tem problema. O evento terá o tamanho que conseguimos fazê-lo. E agradecemos por fazê-lo. Mas nos próximos anos, se tornará do tamanho que merece ter. Até por que, sempre foi o 0,1% que fez a roda da civilização ir em frente. E nesses 0,1%, certamente está você, que empurra o mundo para frente.
Então, conto com você.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Um lembrete do Quintana
Hoje, em homenagem aos que me lêem, publico esse “Um lembrete do Quintana”. Diz assim:
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O planeta e a vida contam com você
Hoje somos 190 milhões e a população do planeta mais que dobrou nesse período.
Como conseqüência da super povoação do planeta (que os cientistas dizem que teria condições de abrigar 1 bilhão e meio de humanos, apenas) vem a super produção.
Somos 6 bilhões de pessoas, mas anualmente produzimos alimento para 12 bilhões.
A produção mundial de tudo quadruplicou, desde 1970. A produção é tanta, que 12% do que se produz o planeta não consegue reciclar.
Além disso, para produzir usamos a água potável, que assim vai sendo poluída.
E veja a desgraça: Em 1992, na Rio 92, um encontro mundial sobre problemas ambientais, o oceanógrafo Jacques Costeau disse que só 2% da água do planeta é potável, “e mais de 50% dela já está poluída”.
De 1992 para cá mudou para pior. Nunca lançamos no ar tanta poluição. E o ar começa a ficar rarefeito mesmo próximo do chão.
Cidades como São Paulo, em certos dias tem ar “irrespirável”, e já fazem “rodízio de carros e motos”.
Nem todos podem sair todos os dias em seus veículos, ou todos acabarão intoxicados.
Em conseqüência do desmatamento, do aquecimento, das perfurações na camada de ozônio ocorre o aquecimento dos oceanos.
Daí vem o degelo, furacões, ciclones, tsunamis, tornados e eventos catastróficos onde nunca antes se os tinha.
Os institutos de climatologia já têm dificuldade de prever, pois tudo muda rápida e assustadoramente no clima.
É assim que temos visto nevasca no Verão europeu. E calores de derreter no Inverno.
Pela primeira vez a raça humana se defronta com seu destino.
As imagens dos ursos polares morrendo de calor no Pólo Norte, dos desertos avançando em áreas antes verdes e dos mares se levantando para engolir cidades inteiras, são cada vez mais comuns.
É nesse contexto que o Jornal Dois Irmãos e a Câmara de Vereadores realizarão, no dia 8, no auditório da Igreja Católica, o Primeiro Encontro Regional Sobre Aquecimento Global.
Esse encontro se tornará permanente. É idéia dos organizadores transformar a cidade no centro de debates no Estado (e, quem sabe, no país) sobre a necessidade de desaquecer, no planeta, tudo que o está levando à morte.
A situação é séria. Nesse encontro pode faltar todo mundo, menos você que sabe que se nada for feito “agora”, talvez não haja chance de fazer algo amanhã. Portanto, participe.
O planeta Terra e a vida contam com você.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Mensagem de uma escola da Califórnia
Recebi por e-mail e não sei se é verdadeiro. Mas a idéia é criativa e merece ser dividida com você. É o seguinte:
Professores de uma escola na Califórnia cobravam responsabilidade dos alunos e seus pais perante as faltas e trabalhos de casa que os alunos não realizavam. E, por cobrar essa responsabilidade do aluno e seus pais, os professores estavam sendo processados por pais que querem que os filhos sejam aprovados mesmo com muitas faltas e sem fazer os trabalhos escolares.
Tratava-se, portanto, de uma negligência paterna. Tratava-se de pais que queriam que todos fossem responsáveis pelos filhos deles, exceto eles próprios. Tratava-se de pais que não estabeleciam limites para seus filhos e que, por isso, estavam criando pequenos monstrinhos que, ao crescer e por não ter limites, se tornariam monstrengos na sociedade.
Diante dessa situação, os professores deixaram uma mensagem gravada na secretária eletrônica da escola, e quem ligava para lá escutava o seguinte:
Olá! Para que possamos ajudá-lo, por favor, ouça todas as opções:
-Para mentir sobre o motivo das faltas do seu filho - tecle 1.
-Para dar uma desculpa por seu filho não ter feito o trabalho de casa - tecle 2.
-Para se queixar sobre o que nós fazemos - tecle 3.
-Para insultar os professores - tecle 4.
-Para saber por que não foi informado sobre o que consta no boletim do seu filho ou em diversos documentos que lhe enviamos - tecle 5.
-Se quiser que criemos o seu filho - tecle 6.
-Se quiser agarrar, esbofetear ou agredir alguém - tecle 7.
-Para pedir um professor novo pela terceira vez este ano - tecle 8.
-Para se queixar do transporte escolar - tecle 9.
-Para se queixar da alimentação fornecida pela escola - tecle 0.
-Mas se você já compreendeu que este é um mundo real e que seu filho deve ser responsabilizado pelo próprio comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelas tarefas de casa, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!
A responsabilidade é toda nossa
Essas tempestades são um reflexo de nós.
A humanidade causou isso.
Desmatamento. Gases lançados no ar. As cordilheiras de montanhas de lixo. A sujeira na água. O aquecimento do oceano atlântico, com suas causas variadas, tudo isso fomos nós, seres humanos, que demos causa.
Não eu ou você em especial. Mas todos.
E mesmo que estejamos na época da informação e saibamos tudo de quase tudo, sempre fazemos de conta que não vemos.
Viramos para o lado, como se não fosse conosco. Parecemos criança que faz coisa errada e disfarça na esperança de que nada ocorra.
Fazemos de conta que não jogamos lixo na rua, nos rios, praças, ar e mar. Fazemos de conta que o que fazemos não influencia na nossa vida e na de todos.
E isso não é de hoje. Como imigrantes, que é o que todo brasileiro é, fica essa irresponsabilidade com a geografia local.
Cada um de nós tem a noção (errada) de que “não é daqui”. Quando perguntam “de onde” são os Caldas, logo respondo: “da Espanha”. Temos essa impressão de ser “de fora”. Logo não nos compete cuidar e zelar, por tudo que ocorre aqui. Que burrice!
Essa sensação acomete a todos.
Os países ricos se dão o direito de gerar produções infindáveis com a desculpa de que, se desacelerarem, não venderão, não vendendo não terão dinheiro e assim não poderão mais comprar o que compram de nós. E aí (dizem eles) quem vai pagar a desaceleração seremos nós, os países pobres.
Quem está matando a possibilidade de vida no planeta não é o macaco, a zebra, o lobo, os peixes ou os insetos. É o homem.
Não há tipo de vida mais nocivo ao planeta que a humanidade. Comparando bem e mal, a humanidade faz o mal ao planeta. Polui. Destrói. Queima. Suja. Faz o diabo.
Parecemos ter ódio do planeta. Parecemos ser um câncer jogado sobre a Terra e que se prolifera, cresce e aumenta, e quanto mais prolifera, cresce e aumenta tantos mais desastre causa. Desastres ao solo, a água, ao ar, aos demais seres extintos pela ação humana.
Não gosto das idéias (gerais) de Charles Darwin, pois sou criacionista. Mas reconheço nele a mais pura verdade quando diz que “a natureza seleciona pelo ser e nós, humanos, selecionamos pelo prazer”.
Tudo para nós é prazer. Somos a única raça que defeca onde come. E o único tipo de vida que prolifera sem se preocupar com a sobrevivência do todo.
Mas nada nos chega ao coração. Continuamos massacrando o planeta e cavando nossa própria cova, que será rasa.
Exemplos e “exemplos”
O pastor Robson Neu contou que quando em Leipzig, na Alemanha, ele e uma colega estavam pela rua comendo chocolate e a colega jogou um pedaço no chão. Logo ouviram um apito e um guarda chamou ela e disse que tinha cometido uma irregularidade. O guarda falava rápido e solicitou que ela fosse ao local da infração. Ela foi e o policial mostrou o “delito”, o pedaço de chocolate no chão que deveria ter sido jogado no lixo. Juntaram-se populares para ver o que ocorria. E o guarda deu um discurso moral tão contundente na colega do Robson, que até ele, que não tinha nada a ver, ficou vermelho. E, feito isso, o policial mandou uma multa de 35 Marcos que ela teria 10 dias para pagar e, se não pagasse, iria presa, pois a Alemanha tem prisão civil por multa. E essa foi, segundo o Robson, o melhor exemplo de vida que ele trouxe da Alemanha.
* * *
O Jayme, que mora em Novo Hamburgo, nos anos 70 bebia num PUB em Londres e às 23 horas o PUB fechou. O Jayme, bem à brasileira, saiu com um copo embaixo da jaqueta e foi bebendo pela rua. Um policial o parou e explicou que não se bebe na rua. O Jayme se desculpou. O policial, vendo o copo com a marca do PUB, perguntou se ele tinha “comprado”. O Jayme disse não. O policial perguntou “como” ele tinha saído de lá com o copo. O Jayme disse brincando que ele tinha de admitir que havia roubado o copo. O guarda deu voz de prisão e o Jayme, não tendo mil libras para pagar a fiança, ficou um mês preso, até ser deportado e não mais poder entrar na Inglaterra.
* * *
Todos sabem que o Brasil não cumpre rigorosamente as leis. E semana passada, seguindo o que manda a Lei de Extradição assinada entre Brasil e Itália, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 5 votos a favor e 4 contra, que ele não decidiria se o terrorista Cesare Battisti será deportado para ser julgado na Itália, onde é acusado de assassinato. O STF poderia decidir, mas não decidiu. Brasileiramente, apenas cumpriu o rito judicial, e deixou nas mãos do Presidente Lula a decisão de deportar ou não o terrorista. Vai ser a maior decisão do Presidente Lula em seus 7 anos de sucesso popular no governo. Se errar...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Conversando com Tom Wolf
Durante o encontro, uma das questões era o por quê jovens não lêem jornal.
Alguns apressados chegaram a dizer que o fato de pessoas abaixo de 30 anos atualmente não lerem jornal significaria que em “alguns anos” o jornal deixaria de existir.
Tom Wolf disse que não é “atualmente” que pessoas abaixo de 30 ou 35 anos não lêem jornal. Segundo ele, “desde os anos 1800 que jovem não lê jornal nos Estados Unidos”.
Segundo ele, a leitura de jornal se dá como divisor de épocas na vida.
Tom Wolf explicou que “quando a pessoa fica adulta” é que ela começa realmente a ler jornal. “Até então ele é audiência de tevê ou rádio”, disse o escritor.
O futuro dos jornais, para ele, está ligado à questão do amadurecimento das pessoas. “O jornal sempre será um status de adulto”, disse Tom Wolf.
“A pessoa que está com um jornal na mão, sabe que já está noutra fase da vida, a fase em que se preocupa com os problemas concretos e encara o mundo como uma parte de si e na qual ela tem responsabilidade”.
O debate foi longo, passando por vários temas, e o jornal foi um desses temas porque cada vez mais a internet se impõe.
Mas a internet, segundo Tom Wolf, “não tem credibilidade para pessoas adultas, porque mais de 90% do que está nela é falso”.
Para ele, o ato de ler jornal tem a ver com o crescimento da pessoa.
“Se você pegar as pessoas mais importantes em qualquer lugar do planeta, verá que estão sempre por dentro das notícias dos jornais, especialmente no local onde elas vivem”, disse Tom Wolf. “E por mais que a tevê ou a internet sejam atraentes, ainda é no jornal impresso que as pessoas balizam a sua vida”.
Analisando os novos métodos de leitura de jornal por computador, Wolf disse que nada substituirá o toque da mão no papel.
“É que isso torna a leitura interativa e dá, ao leitor, uma sensação de posse daquilo que ele está lendo”.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A inteligência da matéria
Dias atrás, reclamei de um carro que não apresentava problema, e horas depois ele parou.
Várias pessoas ficam dizendo que o computador está fraco e que terão de trocá-lo. E logo o PC estraga de vez.
Se você diz que sua casa está “feia”, repare como ela realmente começa a “enfeiar”.
Já sabemos disso com pessoas. Encha alguém de elogios e destaque seus pontos positivos, e ela cresce e brilha. Mas só a critique e destaque os seus pontos negativos e ela murcha.
Com pessoas é assim.
Mas, e com as “coisas”?
Pois parece que é. Um jardim está cheio de flores, e se você vai lá todos os dias e conversa com as rosas, jasmins, petúnias, dentes de leão e copos de leite, dizendo que estão lindas, coloridas e cheirosas, verá que eles florescem e quase gritam cores quando você entra no jardim. Mas, ao contrário, vá lá e não diga nada, nada fale, nunca elogie as cores e o perfume das flores, da grama e da terra, e tudo ficará meio assim, assim. . . assim sem vida, entende? E, pior ainda, entre no jardim e comece a ver defeito, a dizer que a cor está esmaecida, que a ferrugem está tomando conta e que a terra está “fraca”, e logo verá seu jardim “se enterrar”.
O gado você sabe: só engorda sob o olhar do dono. A roça também só produz bem com “uma conversa” entre o colono e a terra fecundada pelas sementes.
Uri Geller, um famoso “ocultista” dos anos 70, entortava colheres através da tevê. Mas nós podemos fazer misérias com as coisas, mesmo não sendo o Uri Geller, bastando criticá-las.
Veja este jornal, por exemplo, repleto de pequenas e boas notícias, tem anúncios, está bem impresso, bem feito. Mas pegue ele e diga “não tem nada”, e você verá que mesmo tendo todas as notícias, fotos, etc., você passará a vê-lo “sem nada”. Faça isso com a Zero Hora e verá que o efeito é o mesmo.
Vá para a frente da tevê, agora, e encontre nela uma porção de defeitos, do tipo é pequena, está escura, tem brilho demais, a cor está ruim, ficou numa posição muito alta... e logo você perderá a vontade de ficar em frente a ela. Ou ela vai queimar. Já vi isso acontecer com geladeira, fogão, microondas, liquidificador, com moto... Tudo que você critica, morre.
Isso leva a crer que existe uma inteligência nas coisas, na matéria.
Mesmo que agora pareça absurdo, creio que um dia ainda vamos compreender a conexão que existe entre nós e tudo que nos cerca, seja animal, vegetal, mineral ou máquina. Portanto, antes de criticar algo, pense nisso.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Gramado não aceita pombal
A idéia é atraente, porque vamos a Gramado jantar, namorar, passear e ver pessoas de poder aquisitivo, bons carros, com dinheiro, vestindo roupas elegantes e falando de forma educada e culta.
Quando o Filipin disse isso, fiquei satisfeito.
E a frase dele não me saiu da cabeça.
Somos um dos fundadores do Natal dos Anjos e nos inspiramos em Gramado. Junto com a Inês, Clari, Celestino e Dora, sempre íamos lá tirar ideias para o Natal dos Anjos.
Quando o vereador que lidera o partido que está na cadeira de prefeito disse isso, fiquei feliz. Era um alento. Uma esperança para quem deseja ver Dois Irmãos progredir.
Até porque, sendo Gramado fina e elegante, ela precisa de ruas limpas, calçadas arrumadas, comércio atuante, segurança reforçada e opções agradáveis para quem nela vive ou passeia. E fazer isso em Dois Irmãos tem apoio imediato deste jornal, que reserva-se, apenas, o direito de manter a cultura alemã que criou esta cidade.
Somos, portanto, divulgadores da idéia do Filipin. E é em nome disso que queremos dar uma dica ao Filipin. Ele precisa ir a Gramado com urgência e perguntar “qual” tipo de apartamentos eles estão incentivando que se construa em Gramado. Gramado não quer mais que se construa apartamento barato. Estão repensando quem eles desejam ter como morador ou proprietário na cidade.
Pelo que soube, novos prédios só serão autorizados se não tiverem metragem mínima que os coloque como “top” no preço de venda.
Gramado não quer pombal. Só aceitará construções que levem para lá pessoas com bom poder aquisitivo.
Parece racismo econômico. Mas não é.
Gramado sabe que para não ter mais problema social do que já têm, eles precisam peneirar os moradores, deixando que lá residam apenas os que não precisam dos serviços sociais da prefeitura.
Se bem entendi, Gramado vai abrir mão da miserável política de varejo na compra e venda do voto. E decidiram subir para um degrau onde quem vai morar lá só vá porque pode, pela suas próprias forças, chegar lá, e não porque o governo incentivou. E isso, pensam eles, vai fazer Gramado ser cada vez mais rica.
Não sei se entendi bem, e por isso recomendo que o Filipin vá lá para ver isso de perto. Afinal, se queremos ser como Gramado, conforme ele disse, temos de conhecer o que eles estão tentando fazer para melhorar.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
A limonada está contida no limão
Achei estranho, sempre todo mundo estacionava ali. Mas... lei é lei.
Falei que o carro era meu. Despacharam o guincho e resolveram multar também porque os pneus de trás estavam “careca”.
Tá bom, multa que estou com pressa.
O guardinha ficou com cara azeda, me multando, e vendo que ele não tinha cortado a barba, perguntei:
- A guarda de Porto Alegre não tem “padrão militar”, ou seja: barba feita, roupa limpa (a dele estava toda amarrotada) e sem fumar (ele estava fumando).
Já quase se alterando, ele disse que eles “não eram militares”.
E eu, bem tranquilo:
- Mas o padrão deveria existir. Não impõe respeito alguém barbudo, com cara de sono, roupa amarrotada e fumando.
O guardinha branqueou, mas ficou na dele. Terminou o preenchimento da multa e perguntou se eu ia assinar.
- Por que não assinaria? - perguntei.
- O senhor pode querer recorrer da multa...
Olhei aquela criatura triste e disse:
- O senhor acredita que me multando está fazendo a humanidade ir em frente e progredir?
- Só estou trabalhando...
- Pois se está trabalhando e acredita que isso faz a humanidade ser feliz, é óbvio que vou pagar a multa. Se eu recorrer, estarei indo contra a felicidade humana que o senhor acredita estar buscando ao me multar, não é?
Peguei a multa sorrindo, assinei e devolvi.
E, ao sair, perguntei:
- Oh guarda, que carro você tem?
- Não tenho carro - disse ele, acabrunhado.
- Pois quando tiver, cuide dos pneus - eu disse, rindo. E saí de bem com a vida, enquanto ele ficou na infelicidade dele.
Passei o dia muito bem, e hoje, quando chegou a multa, me senti melhor ainda.
Moral da história: Há sempre razões para ser feliz. Basta saber que em cada limão está contida uma limonada. E não é porque o outro está infeliz e azedo que você tem de ficar infeliz e azedo também. Perdoe a infelicidade alheia e essa atitude acabará perdoando a você mesmo.
É como diz a música: “ando devagar por que já tive pressa, e levo este sorriso por que já chorei demais...”.
Não esqueça que compreender a vida “é simplesmente conhecer a marcha e ir tocando em frente...”.
Saiba que “cada ser (inclusive você) em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz...”. E é preciso “paz para poder sorrir”, assim como “é preciso chuva para florir”. E entendendo isso, vamos compondo a nossa história, nunca nos abraçando ao mau exemplo da infelicidade.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Seríamos um vírus?
Sete bilhões comendo, bebendo, vestindo e morando, significa que temos de “produzir”.
Ocorre que, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), produzir para sete bilhões é “demais” para o planeta.
Traduzindo, isso significa que para manter esses quase sete bilhões comendo, bebendo, vestindo e morando produzimos mais do que o planeta consegue reciclar.
É meio louco, isso. Mas de tudo que a humanidade produz num ano, 12% ela não consegue reciclar.
E fica assim: 12% de tudo que se produz vai ficando, de um ano para outro, como lixo.
E quanto mais rico o país fica, tanto mais lixo sua população produz. Tem o lixo visível, copo, garrafa, metais. E o lixo invisível, que são os gases lançados na atmosfera terrestre.
Dessa soma de lixos sólidos e gasosos, mais o desmatamento e a “natural” (sobrenatural, na verdade) poluição das águas, chegamos ao futuro: as intempéries climáticas, nevascas de verão, calorões de inverno, e parecemos caminhar para uma primavera sem flores, repleta de furacões, desmatamentos, tempestades tropicais e sub-tropicais, frentes frias vindas de lugares quentes e uma parafernália de degelo.
Há quem diga que se a Terra continuar assim, sendo tão massacrada pela raça humana, ela poderá sofrer efeitos internos, no pêndulo de lava que existe em seu centro, e “entortar”. Ou seja: sair do eixo onde flutua no espaço e lançar tudo e todos para fora dela.
Essa questão da super população e da super produção para manter comendo, bebendo, vestindo e morando os quase sete bilhões de humanos, está cada dia mais presente em jornais, rádios, tevês e escolas.
Na verdade, o ser humano não parece ser “humano”. Parecemos ter a estrutura de um vírus que se multiplica indiscriminadamente, sem consciência de coexistência. E se isso for real, se essa estrutura viral for o que caracteriza o ser humano, é provável que a Terra faça conosco o que nosso corpo faz com os vírus que o atacam: banimento e morte.
Não quero assustar ninguém, mas se olharmos o planeta como um todo, tirando os olhos do nosso umbigo, vamos ver que isso já está ocorrendo.
Ainda é tempo. Mas tem de ser já.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Somos cidadãos do planeta
Somos a cidade, queira ou não nós somos a cidade, especialmente aquela em que crescemos. E também somos o nosso Estado, isso de ser gaúcho ou catarinense ou paulista ou carioca, baiano ou amazonense. A cultura pica. E fica.
Igualmente somos o nosso país. É duro ser brasileiro, ver corrupção, desmando, falta de respeito às crianças, aos velhos, ao meio-ambiente. Ver patifes progredindo e pessoas honradas vivendo em dificuldades. Mas ser brasileiro é isso, e nenhum de nós escapa.
Até aqui a maioria de nós percebe que “é”. Percebemos que somos nossa família, nossos vizinhos, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado e nosso país. Mas e do mundo? Alguém percebe que somos do planeta terra?
É difícil ter essa consciência de que estamos “em cima”deste planeta e o que fazemos aqui, bem ou mal, grande ou pequeno, certo ou errado, acaba influenciando na vida do planeta como um todo. É que ninguém é uma ilha. Tentamos ser. Queremos ser. Buscamos quase desesperadamente viver “a nossa vida”. Mas não tem jeito: não somos uma ilha. Somos os arredores “e” somos o planeta. Um chinês e você, um japonês e eu, um urso do pólo Norte ou um pinguin aqui da Antártida, tudo está conectado, unido pelo fio da vida, da existência.
Não dá para escapar da conexão que existe entre tudo e todos neste planeta tão depredado. Não dá para escapar da realidade do desmatamento, da poluição dos rios, da super povoação, da necessidade de produzir cada vez mais mesmo sabendo que não há como reciclar tanta produção. É por isso que temos de urgentemente perceber que “somos um” com todos os tipos de vida neste planeta. Queira ou não, goste ou não, saiba ou não, é um fato que tudo que fazemos afeta a todos no planeta todo e tudo que todos fazem no planeta nos afeta individualmente. Não somos uma ilha. E precisamos perceber isso, se não para voltarmos a ter aqui o paraíso, pelo menos para podermos continuar tendo um chão onde morar.
É duro ter de conviver com bilhões de nós mesmos por aí. Mas não tem outro jeito. A única saída é chegarmos a um acordo que permita a todos nós continuarmos por aí.
E, para isso, só entendendo que o planeta “não é” a nossa lata de lixo. Não somos cidadãos de Dois Irmãos e sim do planeta.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
É a única opção de lazer da maioria
Neste calor a pracinha é a salvação dos pais.
A maioria não tem ar condicionado, sabia?
E com o efeito estufa esquentando o planeta, onde o sujeito que tem filho escapa? Na pracinha. É lá que ele vê os amigos, toma chimarrão e troca graças e desgraças de sua vida nem sempre grandiosa.
Nem todo pai leva os filhos no zoológico ou na Redenção ou no aeroporto.
Para mais de 90% dos pais, o que resta é a pracinha do bairro. É ali que ocorre a festa.
Sair de Dois Irmãos é caro. Muitos não têm carro nem dinheiro. Fica a pracinha como opção de lazer e convívio dos filhos e deles.
Dois Irmãos tem pracinhas boas, com bons brinquedos. Mas brinquedo estraga e tem de ser reposto. E quando a criança começa a reclamar para os pais, eles começam a reclamar para outros pais, que igualmente têm filhos que reclamam do estado dos brinquedos.
A criança não vê o matagal, só o brinquedo estragado. Mas o pai, que também usa a praça como lazer, vê o brinquedo estragado “e” o matagal.
Pracinha não basta roçar. Tem de ter brinquedos bons. Brincar faz parte do desenvolvimento da criança. E muitos têm na pracinha a única opção de lazer gratuito para os filhos.
Tá, tudo bem: ninguém mandou fazer filho.
Mas essa é outra questão.
O debate aqui é sobre ter ou não praça em boa condição. E tem de ter. E ponto.
Lendo a reclamação dos pais, até me deu pena do Marcão, nosso Secretário de Serviços Urbanos. Gosto dele. É um homem bom e esforçado. Tem um abacaxizão na mão, mas é o Secretário e tem de cobrar verba para renovar brinquedos e gente para fazer limpeza, se preciso (e sempre é preciso).
Isso é parte do bem-viver. E pequenos atos, como levar filho à pracinha, é que faz o nosso viver humilde mais significativo.
Quem tem dinheiro para levar as crianças a cinema ou parques da capital ou praia, não vê que a maioria não tem dinheiro para isso.
Então começa o tiroteio verbal.
E quando os que só têm a praça começam a reclamar, preste atenção. Nada é mais terrível que a vingança dos justos...
Mas veja: umas praças estragadas não é o fim da administração. Dá para consertar.
Mas tem de consertar.
Não dá para ficar em blá, blá, blá...
Afinal, “quem pariu Mateus embala”, não é?
Mais um golpe nos que gostam de “pitar”
Não havia maior faturamento de publicidade em jornal, rádio e tevê que o de cigarro.
Então o governo começou a se dar conta que mesmo o cigarro pagando mais de 95% em impostos, ainda assim ele “dava prejuízo”.
É que o governo gastava (e ainda gasta) para combater o malefício do cigarro, 1 real e meio para cada real que o cigarro paga em imposto. Foi assim que as empresas fumageiras foram banidas dos Estados Unidos e de todos os países da Europa, Canadá, Japão e outros locais ditos “civilizados”. E, saindo de lá, elas vieram produzir e vender aqui.
Se nos países ricos a propaganda era proibida, aqui ela era incentivada. E muitos jornais e especialmente tevês enfureceram quando a propaganda de cigarro foi proibida no Brasil.
“É um ataque a liberdade individual”, diziam, hipocritamente, os defensores dos anúncios, sem falar para o “respeitável público” que sem propaganda 1% dos fumantes iam anualmente deixar de fumar. É que muitos fumam para imitar os demais e “se igualar” ao que veem no mundo. São os tais com “deficiência de personalidade”.
Mas, por fim, o cigarro foi sendo banido da teve, rádio e jornais, e também dos aviões, ônibus, hospitais, recintos de instituições públicas (prefeitura, fórum, câmaras..). Chegou, agora, a todos os locais públicos, com a lei da governadora Yeda. E chegou tarde, porque dois anos atrás o presidente do Uruguai, que é médico oncologista e já deve ter perdido muito cliente para o câncer de pulmão, decretou com força de lei que não se fumava mais em lugar nenhum que fosse fechado no Uruguai. E, um ano atrás, a França, que tem os fumantes mais compulsivos da Europa, foi surpreendida pela mesma lei, e a está cumprindo ao pé da letra.
A lei, assinada ontem, 4 de novembro de 2009, pela governadora Yeda Crusius, proibindo o fumo, ainda prevê “lugar especial” para fumantes. A lei é falha, pois não determina uma multa, e sem penalidade não há execução de lei. Mesmo assim, a força moral do cartaz de “é proibido fumar”, fará toda a diferença, quando muitas caras e narizes retorcidos se mostrarem aos fumantes que arriscarem acender “o pito” em local fechado, de agora em diante.
Essa lei é o início, mas a perseguição aos fumantes será implacável.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
É ruim
É que tem muita gente querendo aparecer.
Tem pessoas que levam vida tão inútil, mesquinha e insignificante, sem ação nem emoção, que tentam desesperadamente se mostrar ganhar atenção. E a praia lotada é o local perfeito. Cheio de pessoas sorrindo, meio peladas, bebendo, tomando sorvete, felizes da vida. E o neura lá, entrevado, escondido em si mesmo, e logo vê naquele ambiente feliz um motivo para chamar a atenção que ele não recebe do mundo.
Tem pessoas tão carentes de afeto e necessitadas de atenção, que se expõem ao risco só para que alguém lhes coloque os olhos. Ou as toque. Nunca são olhadas, jamais são vistas, e ninguém as quer tocar.
Então ela vai ao mar. Põe o pé no mar e o frio dá agua lhe dá calafrios. Não o “bom” calafrio, aquele que sentimos quando a mulher te passa a mão de leve, roçando teus pelos. Não esse. O que ela sente é aquele de frio mesmo, o ruim, o chato.
Mas ela entra. Entra cuidando o salva-vida lá na guarita. E vai entrando. Ela vê todo mundo brincando na água aqui no raso e seguro, mas ela vai “para lá”. Vai onde outros não vão. Vai afundando. E pisando em buracos no mar, vai tropeçando.
Nada mal, é claro. Ou nem nada. Mas entra. Ela sabe que estão olhando. Espera que estejam. Sabe que estão vendo que ela vai onde não dá pé. Mas segue.
Vai querendo aparecer.
Vai por que bebeu demais. Vai por que brigou com anamora da. Vai sem saber por que, mas vai. No fundo, vai por que quer morrer mesmo, porque sua vida é um poço de insatisfações, e ela está nisso até á cabeça.
Vai mar adentro, e faz como as moças de antigamente, que fingiam tentar se matar tomando meia dúzia de aspirinas e depois metiam duas ou três doses de whisky no bico, na esperança de que aquilo não as matasse, é claro, mas fizesse os pais ou aquele desgraçado do namorado ver que ela era mais interessante que “aquela vagabunda” pela qual ele a trocou. Assim também é que a criatura vai ao mar, arriscando o pêlo para ser notada, se fazendo de vítima. Vai devagar.
Pode ver: quase todo socorrido no mar, chegou lá no fundo “bem devagarzinho”. Não chegou lá onde não dá pé assim, de peito aberto, num sopetão, na “braçada”. Chegou no levinho, foi no macio, foi indo, foi indo, foi indo, e sempre com um olho na missa e outro no padre, no caso no salva-vida. E então, já lá no fundo, a criatura percebe que REALMENTE a coisa é “osca da cola baia”, como diz o serrano ao se referir a um “baita tempo feio”. Só quando definitivamente não dá pé e ele, o arriscador, vai se tornar uma foto na parede, é que ele entra em pânico, esperneia, grita, e chama os que estão perto, levando pânico aos que brincam em águas que eram para ser tranquilas e o são até que um tipo desses, neurótico e que anda à cata de atenção, venha se expor e estragar o dia dos demais com sua frescura neurótica.
Neuróticos somos. Todos numa ou noutra situação agimos às cegas, fazendo uma coisa e, sem saber, querendo fazer outra. Todos somos assim, vez por outra, neuróticos.
Mas se você olhar a expressão de “bem-estar” que quase sempre aparece num “salvado” no mar, verá que ele está quase “iluminado” por ter sido salvo, e tem, por instantes, um ar angelical e infantil, como de uma criança que tendo se machucado você põe no colo e acaricia, para que se sinta reconfortada e forte novamente.
Embora a maioria dos que quase se afogam sejam uns malucos, deles o que se deve ter é pena. Pena de sua cegueira que os leva a atos insanos.
E esse exemplo serve para mim, também, não é? E para você, será que não serve? He, he, he...
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Cidades sem salva-vidas
Milhares de pessoas. Zero salva-vidas.
E, curiosamente, só dois de afogamentos no Litoral Norte (Imbé e Xangri-lá).
Não ter salva-vida em Tramandaí e arredores, com dezenas de milhares de pessoas na praia e entrando no mar, parece loucura.
Afinal, água requer salva-vida.
E, nos meses do verão, não tem dia que os salva-vidas não estejam naquele corre-corre, atrás de banhistas que vão mar adentro e acabam socorridos. Muitos só levam susto. Mas muitos morrem afogados.
Os jornais estão cheios dessas notícias.
Mas neste final de semana, quente e com praia lotada, nenhum salva-vida estava lá.
Mas também não houve, pelo que se leu em jornais, um afogamento que seja.
Que fenômeno é esse?
Se tem salva-vida, morre gente ou pelo menos levam e dão susto nos salva-vidas e nas pessoas da praia.
Se não tem salva-vida, não ocorrem sequer ameaças de afogamento.
Quando sabemos que a coisa não está fácil, tomamos cuidado, não deixamos filhos se aventurar mar adentro e ficamos com um pé na areia, quando colocamos o outro no mar.
No fundo, isso demonstra nossa infantilidade. E demonstra essa coisa da “representação”, quando deixo que alguém “me represente” (como na política, por exemplo, como na segurança, por exemplo, onde abrimos mão de “ser” para que políticos e policiais sejam por nós).
Diante do risco certo, não deliberamos para ninguém a nossa segurança e bem-estar.
Foi o que se viu neste final de semana na praia: zero afogamento.
A ausência de salva-vida na praia lotada e o zero-acidente mostra isso: se tem segurança relaxamos na vigilância e acabamos quase afogados ou (desgraçadamente) mortos.
Se não tem salva-vida, nos cuidamos, cuidamos dos nossos, ficamos na vigilância e mantemos nossa liberdade de viver. E o preço da liberdade, como se sabe, é a eterna vigilância.
Isso, porém, não abre mão de se dizer aqui que Tramandaí e arredores têm obrigação de manter salva-vidas na praia.
Se não por zelo às nossas vidas, pelo menos por respeito ao IPTU que se paga lá e ao dinheiro que pagamos em seus hotéis, bares e restaurantes e que volta para os políticos na prefeitura daquelas cidades sem salva-vidas.
O efeito mal-estar se alastra
Uma tia que mora em Rio Branco, no Acre, contou que este ano, ainda no “Inverno”, a temperatura lá chegou a 40 e com sensação térmica de 50. “Tinha gente desmaiando pela rua”, disse ela, que é gaúcha e jamais se acostumou ao ar abafado em meio a floresta amazônica.
O crescimento da temperatura no planeta Terra é visível nos cinco continentes. Basta ver tornados e furacões ocorrendo onde jamais se ouvia falar deles.
Cidades como Porto Alegre se debatem com o problema das construções. Diante da criminalidade nas ruas e da ausência de punição exemplar, as pessoas abandonam suas casas e vão se proteger morando em espigões, edifícios altíssimos que parecem querer tocar no Céu, como na passagem bíblica da Torre de Babel.
O debate sobre o Pontal do Estaleiro, se baseou no permitir ou não mais prédios à beira do Guaíba. É que prédios formam paredão e impedem que o vento que sopra pelo rio chegue a toda a cidade. Foi essa a discussão que levou ao plebiscito sobre os quatro hectares onde funcionava o Estaleiro Só: não impedir o vento de chegar a “todos” os moradores.
Cidades como Maceió, conhecida pelo apelido de “Terra do sol e da brisa”, cresceram abruptamente e sofreram o efeito “espigão”. E hoje a orla da capital alagoana praticamente impede que a brisa do mar chegue aos demais recantos daquela cidade tão linda.
Em Santa Catarina, vinte anos atrás Camboriú era pequena e elegante, e hoje virou uma cidade de cimento.
Capão da Canoa e Torres parecem aquelas ruas de Nova Iorque, onde o sol não chega, tal o número de edifícios e suas alturas malucas.
Quem já esteve em Nova Iorque no inverno, sabe que as vezes se está caminhando numa rua e, ao dobrar a esquina, a temperatura cai 20 graus de soco. É o efeito barragem, que impede a entrada do vento. E várias pessoas já caíram mortas de mal-súbito nas ruas de Nova Iorque, devido ao choque térmico. E esse “efeito mal-estar” vem se alastrando mundo afora.
Bem vindo ao futuro, leitor.
É a civilização: quanto mais complexa mais frágil e autodestrutiva.
Por isso alguns são chatos na defesa do meio-ambiente, na preservação das árvores, rios e encostas de serra. E aqui no Rio Grande do Sul em especial, pois ainda temos quatro Estações bem definidas, e é preciso proteger essa maravilha natural que nos permite a cada quatro meses experimentar uma nova sensação no viver, ver e sentir o mundo físico ao nosso redor.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O final de ano é uma loucura
As empresas, tenham o tamanho que tiver, no final de cada ano se defrontam com o décimo terceiro. A regra é ir pagando “bem antes”, um pouco aqui, outro ali, sempre seguindo a lei. Mas é um capital que sai da empresa sem que tenha existido o décimo terceiro mês de trabalho. Além dele, tem, também, as férias, os que vão sair para passear e a empresa terá de repor por um curto período, sendo que esse período quase sempre é janeiro ou fevereiro, que são os meses “de férias” no Brasil. Fora o décimo, férias e os temporários, tem essa praga da “baixa”, pois tirando as praias e seu comércio, não há o que funcione “bem” em fevereiro. E as empresas, todas elas, se emparedam, por que têm de manter o ritmo, com todos os valores fixos a pagar, e pouco ou quase nada faturam. E tudo isso desemboca na cabeça de quem tem empresa justo agora, neste final de ano, que é quando se tem de contar as moedas para pagar tudo isso e o custo fixo dos meses em que o Brasil (segundo se diz) “para”. E é certo que o país só voltará a funcionar a pleno lá por março. Quem tem empresa, vai chegando neste período do ano e o sono já vai sumindo, sumindo, sumindo. E ao invés de dormir, o sujeito vai ficando acordado para fazer as contas e ver se vai dar para pagar tudo e ainda se precaver da falência nos meses de Verão. E o que menos sai da cabeça do empresário é o respeito que ele tem pelos parceiros que trabalham com ele na empresa e que, no final do ano, se são mesmo parceiros merecem um “bônus”, um plus no salário e décimo que lhes faça ficar feliz e se sentirem reconhecidos pelo empresário.
Vida de empresa não é fácil. Aliás, nestes finais de ano é terrível. Se você tem relacionamento com quem tem empresa, olhe a fisionomia dele nestes dias e repare como ele está com mais olheiras. Note que o “ar de cansado” dele fica dia a dia mais acentuado. E o humor do sujeito-empresário vai desaparecendo, desaparecendo, desaparecendo... até ele querer ficar sempre em silêncio e sem companhia por perto.
Ele está fazendo o que?
- Pensando em como conseguir dinheiro!
Com as pessoas físicas também é assim. É mulher (ou marido) que quer viajar, é filho querendo brinquedo ou temporada na praia. É a pintura que tem de ser feita na casa, quarto novo que a patroa exige, reparo no carro (ou carro novo), é uma viagem, é tudo e tudo isso custa dinheiro.
E é por isso que apesar de todo o mistério, calor, alegria e festas, é no final do ano que muitas pessoas “surtam” e acabam sendo internadas nos manicômios ao invés de irem para a rua curtir as festas de final de ano.
Dois Irmãos está na Terra
Tudo isso foi, posteriormente, redebatido e conversado em Kyoto, de onde sairia um Protocolo, uma carta de intenções assinadas por dezenas de Presidentes de República se comprometendo a dar uma chance à vida.
De lá para cá, contudo, na prática nada foi feito de "global" para salvar o planeta e, por consequência, a vida que nele habita, entre esta nós, humanos.
Agora em dezembro novamente representantes de todos os países se reunirão em Copenhague, na Dinamarca, para voltar a debater se vamos ou não "morrer com o planeta". E as perspectivas são péssimas.
Todos que têm alguma informação sabem que a Terra não vai aguentar o rítmo de produção que nós, humanos, estamos lhe impondo. Pode parecer estranho, mas está se provando que atualmente nós, humanos, produzimos 12% a mais do que o planeta consegue reciclar. E vem daí a perspectiva catastrófica: para eliminar, digamos, o aquecimento global e evitar as calamidades que dele (já) estão advindo, teremos de produzir 12% menos do que produzimos.
E aí entra a questão: "quem" vai produzir menos?
Os países em desenvolvimento, como o Brasil, usam um discurso demagógico dizendo que nós, os pobres, não vamos pagar essa conta.
Os países ricos, como os da Europa, Japão e especialmente Estados Unidos, afirmam que se eles desacelerarem, nós, os pobres, é que vamos pagar a conta.
E fica o dito por não dito.
De qualquer forma, Dois Irmãos tem de entrar nessa discussão, nesse debate, nessa consciência de que nós, dois-irmonenses, também estamos no planeta e somos, de igual forma, parte interessada em que a vida continue.
Muitos não compreendem que o que se debate nesse aquecimento global é a possibilidade de se continuar vivendo na Terra. E como não temos outro planeta "vizinho" para nos mudar, ou consertamos este ou nos desgraçamos.
É com este intuito que o Jornal Dois Irmãos vai apresentar ao Prefeito, ao Presidente da Câmara, à CDL e às indústrias, a proposta de debatermos, ainda em novembro, nossa participação nesse evento de dezembro, onde se discutirá a sobrevivência do planeta e da espécie humana. E os leitores desde já estão convidados a se manifestarem, opinando e sugerindo ações que permitam que a Terra, no lar comum, possa ser por muitas gerações o lar da vida humana e de todas as vidas que aqui vivem.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
E ele “não caminhava” sobre a água...
Homem de pouca fé, como Pedro eu também vacilaria diante do chamado para caminhar sobre a água.
Mas o monge caminhava.
Caminhava, não: corria!
Olhei aquele budista magricelo correndo na água e pensei:
- Vou lá aprender essa meditação que permite andar sobre a água.
Procurando “explicar” (por que jornalista tem a sina de não acreditar 100% em nada) comecei a imaginar as possibilidades "físicas" de alguém caminhar sobre a água. A altura, pensei, facilita, pois em altitude a água ferve em temperatura menor.
E fui pensando algo lógico, que explicasse como um homem como nós, um ser que não está ungido como estaria, por exemplo, Maomé, quando unificou as tribos árabes, ou Moisés quando abriu o Mar Vermelho, poderia caminhar sobre a água sendo mais pesado que ela.
Diferente dos “iluminados”, esse monge andava sobre as águas.
E aí me fiz uma pergunta:
- Tem mais fotos dessa proeza?
Coloquei o nome do monge Shi Liliang no Google, e lá veio a notícia.
E outra foto, e desta vez uma foto com uma “ponte de madeira” na água.
Era falsa a primeira foto!!!!!
O monge andou sobre a água, sim, mas colocou blocos de madeira de 1 centímetro e foi por cima desses blocos que ele “correu”.
É uma proeza, sem dúvida. Ele é mais pesado que a água. Mas nem de longe é “caminhar sobre as águas”, no sentido que nos acostumamos a pensar, quando imaginamos Cristo sobre as águas ou, na abertura do Gênesis, “Ele caminhando sobre as águas”, antes de começar este Universo.
Divulgaram uma foto falsa do monge. Olhando a original, se vê que não é "qualquer um" que corre por cima dos pequenos blocos 18 metros, como ele fez. Mas não é aquele correr manso e pacífico que aparecia na primeira (e falsa) foto.
Coitado do monge. Se tivesse saído só a primeira foto, sem ter tirado (com Photo shop) os blocos debaixo dos pés dele, ele teria feito uma baita proeza.
Agora vai ser visto (talvez sem merecer, pois provavelmente não foi ele que fez a trapaça) como um baita mentiroso.
Que Karma tem esse monge...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A quem interessa a morte
Tem quem se interesse na morte.
Não na tua. Ou minha. Mas na morte “geral”, na morte como “fato humano” a ser aceito mansa e pacificamente.
Por exemplo: minha mãe tem 82 anos e durante a vida se instruiu e tentou saber das coisas. Ela é a idosa consciente, sabe das coisas, está bem-informada e já tendo levado dribles na vida, ela se torna “um perigo”, por exemplo, aos políticos. Não os políticos daqui ou dali, mas políticos em geral.
E porque ela é um perigo?
Porque sabe que há falsidade no mundo deles, mentira, vaidades, egoísmo, maldade e cinismo generalizado.
Um jovem até pensa isso. Mas a idosa minha mãe “sabe” que tem isso nos políticos.
Ela sabe que as pessoas fazem das tripas coração para chegar onde querem. Mentem, falseiam, trapaceiam, fazem de tudo para ter o que desejam, seja para enriquecer, aparecer ou não deixar o outro ser o que ela deseja ser.
E, nessas condições, a minha mãe ou qualquer pessoa que tenha vivido e aprendido, é um perigo para políticos. Ninguém as engana.
É compreensível que político adore sair em foto segurando caixão. Lembra da briga para segurar o caixão do Tancredo Neves? Dos mortos do Carandiru? Do caixão do Chico Mendes?
Aos políticos é interessante que todos acreditem que a morte é natural. Assim, os conscientes vão morrendo e os inconscientes seguem sendo manipulados.
Um coronel me disse que a “degola” na Brigada Militar (a gíria usada para definir a aposentadoria compulsória), foi instituída pelos Governadores porque eles sabem que quando o militar chega a Coronel, ele “entende o jogo”. E, entendendo o jogo, se dá conta que os políticos que ele, por anos, pensou ser “os caras”, não são nada além de mortais e cheios de defeitos. “E isso”, disse o coronel, “é um perigo para quem vive da mística do Poder”.
A consciência desmistifica o Poder, mas ela só vem “com o tempo”.
Por isso é preciso abreviar o tempo.
É por isso que 100 anos é um tempo “imenso” de vida, quando, na verdade, é um tempo ridiculamente pequeno diante da eternidade.
Assim, concluo por hoje que os políticos são um dos grupos aos quais interessa a morte, pois a longa vida traz consciência e a consciência é o fim do “estilo político” que temos no mundo.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Natural é continuar vivo
É vó e vô, pai e tios, tias, amigos, amigas, primos, primas, vizinhos... Bah, uma infinidade já foi morar no cemitério.
E, por incrível que pareça, achamos normal morrer.
Acreditamos que a morte é natural.
Mas isso é uma bobagem.
A morte é totalmente sobrenatural.
A morte é a pior inimiga do ser humano.
Por razões diversas, passamos a acreditar na “naturalidade” da morte.
Não há nada natural em morrer. Natural é estar vivo. Morrer é caótico.
A morte mata a consciência, liquida a existência, e isso de forma alguma pode ser “natural”.
Precisamos parar com esse comodismo de acreditar que a morte é “natural”.
Você fala com médicos, químicos, físicos, biólogos, bioquímicos, farmacêuticos, psicólogo e todo esse povo ligado a explicação físico-química e espiritual da vida, e eles dão como assunto batido que morrer é natural.
Aceitam? Se entregam?
Que coisa estranha, se dar por vencido diante do mais feroz inimigo da vida.
Isso de dizer que morrer é natural fez o mundo acreditar na vida “depois da morte”. Eu também acredito, mas ninguém provou e por medo ou sei lá o que, sigo grudado na fé que me fará ressuscitar dos mortos. Ou reencarnar noutro corpo. Ou saltar para o “grande vazio”. Mas, de qualquer forma, acreditando que minha consciência não morrerá com a morte.
Temos de começar a enfrentar isso.
Há muitas situações políticas, econômicas, sociais e mesmo religiosas que têm todo interesse em nos fazer crer nesse absurdo de que a morte “é natural”.
Pense nisso. Por que você tem de perder pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filhos, amigos? Ou eles perderem você? Por quê?
Isso de desaparecer a consciência é algo sobrenatural. Vai contra a vida. E a vida é o bem maior que temos e tem de ser protegido.
Travamos tantas lutas neste mundo, mas a melhor (e, talvez, pior) delas, abrimos mão de lutar. É o nosso Armagedon pessoal. A nossa guerra do “fim dos tempos”. No caso, o nosso tempo, que advém com nossa morte. E não é inteligente abrir mão de enfrentar a morte, deixando de acreditar na “naturalidade” dela.
Um dicionário “muito tri...”
Descobri esse dicionário, e, para deleite dos teus leitores, peço que publique. (Um Abração! J.C.)
Alemoa: loura
Atorá: cortar
Atucanado: ocupado, atarefado
Barbaridade: Qualquer coisa boa(ou ruim)
Baita: grande
Beim capaz: jamais; negação enfatizada.
Cagar a pau: bater
Camassada de pau: apanhar
Campiá: procurar
Capaz: verdade?
Chumaço: conjunto de alguma coisa
Cóça de laço: apanhar
Crêendiospai: Quando algo dá errado
De revesgueio: de um tal jeito
Fechô o tempo: deu briga feia
Fincá: cravar
Garrão: calcanhar
Incebando: enrolando, despistando
Ingrupi: enganar
Ínôzá: amarrar
Intertê: Passar o tempo com algo
Inticá: provocar
Invaretado: nervoso que ó?!
Japona: jaqueta de lã ou nylon
Jóssa: coisa “veia”
Judiá: mal tratar
Kakedo: pessoas que não valem nada
Malinducado: mal-educado
Paiêro: Cigarro de palha
Pânca: modo de se portar, jeito de...
Pare, home do céu: parar, o mesmo que ‘se parar de bobo’ e ‘deusolivre home’.
Pardal: radar fixo
Pestiado: com alguma doença
Pexada: acidente
Podá: ultrapassar, o mesmo que podá
Pozá: dormir em algum lugar
Rancho: compra do mês
Relampiando: trovejando "com luz"
Resbalão: escorregar
Rodô: levou um tombo
Sinalêra: semáforo
Táio: corte
Tchuco: bêbado
Te fecha: fica quieto ou apanha.
Trupicá: tropeçar
Tri atucanado: muito ocupado
Tunda de laço: apanhar
Vê a coisa preta: Se meter em encrenca
Vortiada: passeio
Ximia: doce de passar no pão
* * *
Exemplo prático de aplicação: Agora manda esse e-mail para intertê os teus amigos. Aproveita enquanto teu chefe foi dá uma vortiada. Não sei como ele não vê que mesmo intuiado de trabalho você fica incebando o dia inteiro. Pare de campiá desculpa, homi. Fica falando que ta pestiado e ainda consegue ingrupi o coitado do chefe. Mas vai logo, antes que ele volte e fique invaretado de te ver pescociando. Pare de se bostiá, home do céu, não seja malinducado e manda essa jóssa de uma vez. MAS BAH TCHÊ, Alan. Me diz que esse dicionário não ta especial de primeira. É Boenacho, TRI LEGAL, né?
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Os Fagundes estão de parabéns!
É uma música onde os “guris” elevam o nome do pai e dizem, com ele em vida, que o admiram e o amam, que são frutos dessa árvore e que se eles, os frutos, são uma coisa, é porque a árvore é boa. Dizem que se eles sabem nadar, é por que “filho de bagre no mínimo peixinho é”.
E assim vão cantando e elogiando o pai velho, que ontem, aliás, estava completando 70 aniversários.
É emocionante ver Os Fagundes, dos quais três são filhos do Bagre, lançando palavras lindas ao pai que os colocou no mundo.
É uma demonstração de que nós gaúchos podemos “ser grosso”, mas temos sensibilidade e sabemos reconhecer que se temos corpo, esse corpo nós o devemos ao pai e a mãe, que numa união de amor nos deram a oportunidade de “ser” neste mundo.
Entre tantas e tantas músicas de gaúcho (a maioria ruins e péssimas) é um alento escutar algo “de gaúcho” que não seja a patacoada de sempre: domador imbatível, ginete espetacular, macho, brigão, dono do mundo.
Uma música sensível, vinda de pessoas que dominam as notas, os acordes e o tom da voz, precisa ser saudada com alegria.
Quem já perdeu o pai e não teve, com ele em vida, a chance de dizer como são admiráveis os pais, como são respeitosos, dedicados, amorosos, lutadores e inteligentes, deve sentir agora o que significa ter perdido aquele que foi sem dúvida o seu maior “protector” neste planeta.
Muitos nos dão amizade nesta vida. Mas tem um que daria a qualquer momento sua vida em troca da nossa, e esse é o pai.
O mesmo pai que nos primeiros anos de vida achamos ser herói, que na puberdade acreditamos ser super homem, que na adolescência pensamos ser chato, que na juventude acreditamos ser desinformado, vai se tornar, na nossa vida adulta, um homem maravilhoso ao qual podemos sempre pedir bons e sábios conselhos.
O problema é que, na maioria das vezes, quando finalmente ficamos adultos e compreendemos tudo isso, já não temos mais ali, vivo e ao nosso lado, o pai que gostaríamos de ter para abraçar, elogiar e nos aconselhar.
Estão de parabéns Os Fagundes, estão nos ensinando que é melhor dizer agora, pois daqui uns dias, talvez já não se possa dizer mais.
sábado, 17 de outubro de 2009
A fila desandou...
E é isso que senti, ouvindo da colega Fernanda um relato de como foi interpretado o artigo que chamei de “A fila andou”.
Pensei estar elogiando às mulheres, engrandecendo o direito de se tornarem profissionais em qualquer área.
No artigo, alertei, apenas, que a mulher deve manter a feminilidade, exercendo na profissão a força do feminino.
Profissional sim, e onde queira, mas cheia de graça e feminilidade.
Não dá para se tornar “homem” só por que exerce profissão que até poucos era apenas exercida por homens. A mulher advogada, médica, pastora, bombeira, policial, administradora, jornalista, promotora. . . só dará uma contribuição à civilização se vier a ser profissional com “energia feminina”.
Um exemplo trágico: a Marília Gabriela. Com todo respeito que a colega Marília merece, sou obrigado a dizer que quando ela está entrevistando, parece um homem inquirindo pessoas.
Já a Fátima Bernardes tem igual força que a Marília, ou até mais, mas preserva todos os traços femininos. E a diferença entre uma e outra é que a Marília Gabriela parece um sargentão de cigarro na boca e coturno, e a Fátima Bernardes uma mulher profissional.
Assim em todas as outras profissões.
A mulher precisa se manter mulher, e não tem nada mais horrível que uma mulher que, no exercício da sua profissão, parece estar sempre cuspindo nos cantos e dando coice na canela dos desafetos.
A mulher deve ser tudo que deseja ser na vida pessoal e profissional. Pode casar ou não. Ter filhos ou não. Trabalhar fora ou não. Estudar ou não. Mas há algo que ela tem de continuar sendo, seja ela o que for: feminina.
A força da mulher está no “ser feminina”.
E ser feminina não é resolver o assunto com lágrimas. Essa fase até pode ter passado. Ser feminina é ser delicada, é assumir que fisicamente somos diferentes, não apenas pelo côncavo e convexo (que no fundo é o que nos une), mas pelas diferenças de músculos e hormônios.
Por isso estranhei quando disseram que o artigo estava “machista”.
Pensei que tinha sido o artigo mais feminista que havia escrito. E o acharam machista.
Então, volto ao Eduardo Galeano, que citei no início, e digo: As vezes a garrafa é encontrada e a mensagem é lida, mas você escreveu tão mal que quem encontrou e leu não entendeu o que você estava querendo dizer.
E aí?
Ralou-se, pois a fila não andou, desandou.
Um breve resumo do cafezinho
O assunto era a guerra. Mas, antes dela, correra pela mesa o valor do dólar, fechando, ontem, em R$ 1,75, e a análise dos bancos, que preveem fechar o ano com a moeda a R$ 1,85.
Após isso, a conversa evoluiu para férias de final de ano, avaliação dos preços em Florianópolis, especialmente na área nobre, Jurerê Internacional, onde nos bares à beira-mar se pode gastar milhares de reais numa sentada. E Punta Del Este, a “melhor praia gaúcha”, disse um, e as opções de alojamento, gastronomia e diversão noturna no balneário uruguaio.
Disso, o assunto saltou para essa chuva, que não termina, e a possibilidade de chover 23 dias em novembro. E dali se enveredou para as demissões no calçado e o seguro-desemprego.
Com a chegada de um representante do sistema financeiro, mas com (bom)gosto pela cultura histórica, passou-se a debater a povoação de Dois Irmãos e a história do “Menino- Diabo”, um psicopata que andou nestas terras, lá por 1840, enlouquecendo os alemães até ser morto e levar, pela arma do intendente Goetz, o tiro de misericórdia, para não ser enterrado vivo, como queria a população, tal o ódio que lhe nutriam pelas maldades que fazia aos alemães.
Do menino diabo chegou-se a Luiz Carlos Prestes, sua linda e mortal Olga Benário, sua coluna, e as guerras de 1923 e 1924, com as degolas. E dali se debateu a disputa de “ao primeiro sangue”, os duelos dos gaúchos, narrada neste jornal pelo historiador Paixão Côrtes.
Finalmente, então, entrou-se na questão do que teria ocorrido se Hitler tivesse ganho a guerra, o que faria o Japão e a Itália e o que seria politicamente do mundo.
Duas correntes debatiam. Uma dizia que Hitler não tinha como ganhar. Outra afirmava que Hitler ganharia se não tivesse sido derrotado pelo General Inverno ao desligar, de noite, o motor dos Panzer a poucos quilômetros de Moscou e, de manhã, com o óleo congelado no carter, não ter mais conseguido ligar as máquinas.
A discussão, amigável e inteligente, era exercício de amizade numa roda de café, onde amigos alegram-se por poder encontrar-se e trocar ideias como essas. E é isso que faz nosso dia agradável, com ou sem a chata dessa chuva.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Siga a Primavera
Não é que esta Primavera esteja mais chuvosa. Nós é que estamos saindo dela e ao entrar no Outono de nossas vidas esquecemos que “é preciso a chuva para florir”. As chuvas sempre existiram na Primavera. Mas antes estávamos dentro dela, éramos primaveris no Ser, e quando você “é” uma coisa, nada que seja dela incomoda você.
Mas veja, leitor, que desgraça: já não estamos mais na nossa Primavera. Ainda há flores em nós, é certo, e temos o aroma dos grandes jardins impregnando nossas narinas. Mas são resquícios dos aromas dos 25 anos que vivemos como se a Primavera fôssemos. Então, um dia, e sob o embriagante efeito do tempo que passou, as flores, os aromas das flores, e suas cores, foram começando a ficar distantes de nós. E nós, sem saber, fomos entrando em nosso Outono.
Não é uma tragédia. Os primeiros 25 anos de qualquer um de nós são nosso verão. E, então,vêm após esses 25, outros 25 anos de Primavera, e não há nada mais primaveril, mais encantador, perfumado e doce, mais cheios de luz e sombras, que a juventude, esse período da vida que vai dos 25 aos 50.
Mas aos 50 é inevitável que o Outono venha, não é mesmo. Ele vem devagar. E vai se anunciando já lá pelos 40, numa pequena crise existencial. Depois, nos 45,você sente uma vontade imensa de correr, de mudar, de trocar o que faz, de viver, enfim, de “ser”. E essa sensação de abandono pessoal de si mesmo, de ter deixado “algo” para trás, de não ter “vivido”, nem amado, nem corrido “todos os riscos”, vai alfinetando nossa alma, ano após ano. Até que um dia você acorda e lá está você, nos cinquenta.
Sim, sim,você ainda não é “cinquentão”, na acepção pejorativa do termo, pois a tecnologia avançou e hoje alguém de 50 é quase tão jovem quanto alguém de 30, cinquenta anos atrás. Mas você bateu na casa do cinco ponto zero.
O espelho denuncia esse começo de Outono em nossa vida. E nossas atitudes diante do mundo se transformam. Se não cuidar, você vai detestar todos que estão ao seu lado, pensando que são “um bando de burros”. E, sobretudo, você corre o risco de não se dar conta de que essa “consciência toda” que você tem se deve ao fato de ter vivido toooooodos esses 50 anos.
Depois que o Outono apresenta seu equinócio, você vai vendo o mundo com outras cores, pois no Outono as folhas caem e elas só caem quando a cor já esmaeceu, não é mesmo?
E ano após ano você vai percebendo que não está à beira da morte, pois a morte só vem “lá no Inverno”, e ainda faltam 25 anos para o Inverno da sua vida se mostrar.
Então, finalmente mais culto e experiente, portanto mais inteligente, você se apercebe que o Outono é a Idade da Razão. E você, que era apenas magro, alto e metido, começa a ver que ficou assim, digamos, “interessante”. As pessoas olham e falam com você de forma mais clara, mais respeitosa, mais acariciante.
Conheça um segredo meu: certa vez, quando adolescente, eu tinha decidido perseguir a Primavera, ir andando aonde a Primavera fosse. A Estação vai se apresentando aqui e ali, e eu pretendia ir me mudando de cidade em cidade, Estado em Estado, país em país para ir vivendo numa Primavera sem fim.
Hoje não penso assim.
Hoje penso que o elixir da juventude eterna não está na Estação, mas na compreensão de que o tempo nos arrasta em seus braços com a finalidade exclusiva de nos fazer ver o quão bela, romântica e excitante é esta vida. Esteja ela na Estação que estiver.
De braços com Walt Whittman
E você, bom, você me faça o favor: Leia saboreando como quem bebe um vinho antigo e de fina safra, cujo tempo foi passando e equilibrando-o dentro da garrafa, tal qual nós, dentro desta garrafa chamada corpo, fomos igualmente nos equilibrando. Boa leitura!
A ti, causa antiga!
Tu, incomparável, apaixonante causa boa,
Tu, implacável, impiedosa, doce ideia,
Imorredoura através dos tempos, raças, terras,
Após uma triste e estranha guerra, grande guerra por ti,
Esses cantos por ti, a marcha eterna por ti.
Tu, globo de muitos globos!
Tu, ardente princípio! Tu, bem guardado gérmen latente!
Tu, centro de tudo!
Em torno de tua ideia a guerra gira,
Com toda a tua irada e veemente dança das causas,
Estes versos recitados por ti - meu livro e a guerra são um,
Fundidos em tal espírito e no meu, com a disputa articulada em ti,
Como uma roda sobre seu eixo, gira este livro, inconsciente de si mesmo,
Em torno de tua ideia.
A fila andou
Uma delas é o ataque feminino a todos os postos de trabalho, e já não há profissão com “reserva de mercado” para os homens.
Com essa vinda da mulher para a rua, pode-se notar as mudanças.
Na nossa profissão, por exemplo, de jornalismo, as mulheres estão tomando conta, e ainda não se sabe se o jornalismo ficou ou ficará melhor, com a presença delas, porque sendo o fenômeno da mulher nas redações ainda algo recente (coisa de no máximo 15 anos), ainda não dá para ver claramente se há um modo “feminino” de fazer jornal.
As mulheres políticas também são um fenômeno recente. Recordo que a dona Ecléa Guazzelly, esposa do Governador Synval, reclamou, ao ser eleita deputada, que a Assembleia Legislativa só tinha “banheiro masculino”. E a voz dela repercutiu em Brasília, com a deputada federal Rita Camata entrando com um projeto para colocar “banheiro feminino” na Câmara dos Deputados.
Engenheiro sempre foi uma profissão masculina, mas hoje em muitas obras o que se vê são mulheres com planilhas na mão, capacete na cabeça, dizendo aos peões como devem erguer a obra.
Na medicina, médico era só homem, ficando para as mulheres fazer curativo ou atender como parteira. Dentista, também.
As primeiras advogadas passaram o diabo nos fóruns e tribunais, pois tinham de entrar obrigatoriamente de saia, e as primeiras juízas mulheres surpreenderam toda a comunidade, usando roupas mais justas, coladas ao corpo, com decote que deixava entrever um pequeno vão entre os seios. Mas ficou óbvio (agora) que por que as mulheres são advogadas, promotoras e juízas, que nós vamos ver não uma, mas muitas vezes, roupas ligadas, decotes e inclusive mini-saias, por que não? E nada disso abala a capacidade de defender, acusar ou julgar.
Mulher astronauta tem aos montes, tem até mulher que luta boxe - sabem que, nesse caso, fica mas difícil ela casar, não é, porque só um doido varrido juraria fidelidade para que, com um upper, lhe colocasse em nocaute na primeira briga.
De maneira que é uma satisfação ver a mulher em todos os lugares de trabalho por onde se vai.
A única ressalva que deveria ser feita é um aviso: a mulher pode ser tudo, mas precisa continuar sendo feminina. Não é porque ela cobre futebol, por exemplo, que tem de entrar no vestiário dos jogadores enquanto tomam banho como se fosse um homem. A mulher tem a vantagem de ser mulher, e não deve abrir mão desse benefício. Qualquer profissão, sim, mas femininamente, não é?
Que a fila andou nós já sabemos, e aceitamos, mas queremos continuar tendo mulheres, mesmo que pegando no pesado, como se diz, como nós homens.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Seria bom fazer as contas
Fraquíssima a explicação da prefeitura, neste espaço, sobre a falta de bandinha nos luteranos e evangélicos, no dia 29 de setembro, data máxima do Kerb de Dois Irmãos.
Explicação nada esclarecedora.
Ninguém deste jornal questionou os eventos ocorridos. Aliás, divulgamos todos de forma ampla, e nada cobramos. Não é mesmo, prefeito Miguel?
Foi tudo gratuito.
Até colocamos o prefeito na capa, lançando o Kerb, numa foto em tamanho nunca antes publicado, e o fizemos de forma gratuita, sem cobrar e sem o prefeito pedir. E assim o fizemos com os eventos paralelos do Kerb, encontros, clubes festivos, desfile, bandas, entidades... tudo de graça. Jornalisticamente.
Ninguém deste jornal questionou os fatos que a (péssima) explicação da prefeitura salientou.
Não só não criticamos, como noticiamos, e bem, e de graça. E não fizemos isso porque o prefeito e o grupo que está na prefeitura hoje é “A” ou “B”.
Nós não temos nada a ver com quem está na prefeitura. Não bebemos água na orelha de ninguém. E esteja lá quem estiver, faremos tal qual vem sendo feito com esse grupo que está lá: se tem notícia boa, nós noticiamos. Se tem notícia ruim, nós noticiamos. Nosso negócio é jornalismo, não temos chapa branca nos nossos carros, e sobretudo não vendemos “proteção editorial”.
Qualquer um que acompanha este jornal, nestes 26 anos, sabe que tudo que ocorreu de ruim, fosse que prefeito fosse, era noticiado. Não seria diferente com o grupo atual, não é prefeito Miguel?
Dito isso, é bom lembrar que uma “boa explicação” da prefeitura teria sido admitir o erro e pedir desculpa. Só isso. Mas, pelo que li ontem, não só a prefeitura (Sérgio Fritzen, Patrícia Weber & Cia, entre outros) não admitem que erraram, como insistem em dizer que não ocorreu nada.
Ocorreu, sim, e grave, pois o Kerb é a última raiz desta cidade com o seu passado. E o grupo de evangélicos e luteranos que foi deixado de lado, é o último reduto praticamente 100% dois-irmonense.
O que Sérgio Fritzen & Cia deveriam fazer era simplesmente parar de empurrar o erro deles nos outros e fazer como nós fazemos quando erramos: pedir desculpas. Só isso. Nada mais.
Errar é humano, mas persistir no erro é ignorância.
Sérgio & Cia deveriam repensar-se. Até por que, se a gente olhar bem a fundo o que ocorreu no dia 29, a ausência não só dessa bandinha, mas da que deveria estar no final da tarde e não esteve, além da ausência das princesas e outras coisinhas, vai se achar inúmeros problemas. Inclusive no folder, onde nem aparece que o Kerb é de “Dois Irmãos” e sim de “São Miguel”, não é Paulinho?
Então, encerro dizendo que fiquei decepcionado. Acreditei que iriam admitir o erro, como fazem os que não se acham “os tais”. Mas não admitiram.
É pena. Mas espero que esse debate, que se encerra aqui, tenha servido para não ocorrer trapalhadas e barbeiragens como essas no ano que vem.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
“Prosit” e “amém”
um texto sobre a ausência da bandinha para conduzir, durante o 29 de setembro, os luteranos e
evangélicos até os católicos. Publico o texto, é claro, porque este jornal sempre foi uma estrada de duas mãos. Amanhã (por faltar espaço hoje) diremos o que pensamos dele. Leia com atenção. Ei-lo:
“A Administração Municipal vem a público esclarecer que a ausência da tradicional bandinha que acompanha a procissão das comunidades religiosas até as dependências da Sociedade Santa Cecília, durante o Kerb de São Miguel, se deu exclusivamente por falha na comunicação quando da contratação da mesma.
Contudo a presença pela primeira vez da rainha e das princesas do cinqüentenário do Município, bem como da Brigada Militar confirmam que esta tradicional atividade não foi subestimada pelos organizadores dos festejos do Kerb.
Dessa forma, registramos que foi recebida com surpresa e indignação a manifestação colhida no jornal local, que dá conta de que o ocorrido se deu por motivações religiosas pessoais do Sr. Sérgio Fritzen, que integra a atual administração.
De fato, é necessário consignar que tal informação é de pronto repudiada, pois no âmbito desta Administração Municipal todas as ações são direcionadas para a integração, o diálogo e a boa convivência religiosa, com participação dos representantes de todas as crenças estabelecidas no Município, nos eventos oficiais.
Nessa esteira, inúmeras são as iniciativas da atual administração que comprovam a relação de diálogo e de inclusão das entidades, instituições e movimentos sociais. A exemplo disso podemos citar: a proposição e a execução dos eventos alusivos às comemorações do cinqüentenário com realização de culto ecumênico, a série de homenagens ocorridas no dia 10 de setembro, o jogo da seleção de Dois Irmãos (integrada por vários clubes) contra a equipe master do Grêmio, o desfile de Carros Alegóricos, a escolha das princesas e da Rainha de Dois Irmãos que foi estendida aos bairros e ainda os eventos vindouros como Natal dos Anjos, que estão sendo propostos de forma participativa e integradora.
A Administração Municipal lamenta que esse incidente tenha sido indevidamente utilizado para instigação de clima de enfrentamento religioso e comunica que já entrou em contato com os representantes das entidades envolvidas a fim de prestar, diretamente, esclarecimentos e deste encontro resultaram encaminhamentos que permitem continuarmos de forma alegre e ecumênica os festejos do Kerb São Miguel com muito “prosit” e “amém”.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
“Gigoleando” a língua portuguesa
- És ao mesmo tempo, esplendor e sepultura...
Camões sabia das coisas. Mas não imaginava, em sua pureza linguística, que o vernáculo se prestaria a compreensão implícita de algo que pode estar na palavra mesmo nela não estando. E recebi um e-mail que faz pensar nesse "esplendor e sepultura" que pode se tornar a língua portuguesa. É um jogo de palavras. Quer ver?
Cão é o melhor amigo do homem. Mas chame a mulher de cadela e estará dizendo o que dela?
Vagabundo é um sujeito que não trabalha. Mas se chamar mulher de vagabunda dirá o que dela?
Diga que o cara é touro e dirá que é forte.
Diga que a mulher é “vaca” e o que terá dito dela?
Pistoleiro é quem mata pessoas. Mas a mulher chamada de pistoleira é o que mesmo?
Aventureiro é o cara desbravador, viajante. Já a mulher aventureira é o que?
Garoto de rua é menino pobre e abandonado. Mas se disser que a garota é “da rua”, quem é ela?
Chamando o sujeito de “homem da vida”, diremos que ele tem sabedoria adquirida ao longo da existência. Mas o que se pensa de uma “mulher da vida”?
Assim também um cara "galinha" é o “bonzão”. Já a moça galinha é...
Chame um homem de “feiticeiro” e ele será visto (lembra o Paulo Coelho?) como conhecedor de alquimia e ocultismo. Chame a mulher de feiticeira e o que se pensará dela?
Se você disser que o homem está “puto”, dirá que está irritado e brabo. Mas diga que a mulher está “puta” e logo pensarão que ela “se desencaminhou”.
Roberto Jefferson, Maluf, ACM, Jader Barbalho, Eurico Miranda, Renan Calheiros são políticos. Mas quando nos referimos a mãe deles, eles são filhos do que?
A sorte de Camões foi ter nascido lá pelo ano 1.500, porque se ele renasce e pega a língua portuguesa agora, é capaz de querer se matar.
É que levada ao pé da letra, o português pode não significar o que qualquer outra língua significa. É que aqui no Brasil, uma coisa é uma coisa e outra coisa pode ser essa mesma coisa.
Entendeu? Não? Nem eu!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Valeu seu Felippe. Valeu!
Dois Irmãos tem nisso uma marca-registrada, pois quem abre sua empresa aqui quer vencer e faz de tudo para que siga em frente.
Se olharmos nos municípios vizinhos, veremos poucas empresas com tanta longevidade.
Certa vez, analisando as empresas calçadistas que haviam criado a Abicalçados, junto com o seu Ricardo Wirth descobrimos que a vida média das indústrias de sapato é de 8 anos. E naquele dia chegamos à triste conclusão de que a maioria das empresas fundadoras da Abicalçados já havia fechado as portas.
É com ufanismo que se analisa o aniversário do Grupo Herval, que ontem completou 50 anos, realizando missa e soltando fogos, iluminando o céu da cidade que a Herval vem iluminando a 50 anos com tanta competência.
Uma cidade precisa de muitas empresas pequenas. Mas é nas gigantes, como Herval, Wirth, Kuntzler, Henrich, Pegada, Centropé e outras que a economia se baliza.
Não é só por dar empregos que geram a renda que move o comércio, assina o Jornal Dois Irmãos e faz a vida mais bela. É mais.
É a própria manutenção do Poder Público, pois mais de 50% do que a prefeitura de Dois Irmãos arrecada vem dos impostos pagos pela Herval perante o fisco estadual e nacional.
Por trás de uma empresa tem seu fundador.
E assim como na Wirth tem o seu Arlindo, na Henrich o saudoso Cyrillo e na Kuntzler o seu Herberto, no início da Herval era o seu Felippe Seger Sobrinho. Haviam outros ao redor dele, mas ele se tornou publicamente o fundador. Era um homem bom e comunitário, parceiro de tudo, e se bem lembro ele adorava filar cigarro dos amigos, pois essa era a forma dele quebrar o gelo antes de uma boa conversa.
Seu Felippe foi político, além de empresário, e sempre tinha um tempinho para falar com funcionários e clientes.
Foi nesse humanismo que seus filhos beberam a água da vida. Mesmo hoje, se você chega lá sempre terá a atenção do Agnelo, que não se tornou pedante pelo que tem e ainda é o mesmo Agnelo, inteligente e ativo, porém simples, de quando a Herval era apenas uma pequena madeireira e não o império que é hoje.
As famílias Seger, Grings e Lauxen, e todos os colaboradores, fazem Dois Irmãos referência nacional. E é com satisfação que o Jornal Dois Irmãos pode dizer, de forma humilde e carinhosa, que tem narrado por 26 anos o crescimento da Herval, que comemora 5 décadas de sucesso.
Valeu seu Felippe. Valeu!
Parabéns! Parabéns! Parabéns!