sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O final de ano é uma loucura

Não deve haver uma “fábrica de loucos” tão próspera quanto o final de cada ano. E a regra vale para pessoas e empresas.
As empresas, tenham o tamanho que tiver, no final de cada ano se defrontam com o décimo terceiro. A regra é ir pagando “bem antes”, um pouco aqui, outro ali, sempre seguindo a lei. Mas é um capital que sai da empresa sem que tenha existido o décimo terceiro mês de trabalho. Além dele, tem, também, as férias, os que vão sair para passear e a empresa terá de repor por um curto período, sendo que esse período quase sempre é janeiro ou fevereiro, que são os meses “de férias” no Brasil. Fora o décimo, férias e os temporários, tem essa praga da “baixa”, pois tirando as praias e seu comércio, não há o que funcione “bem” em fevereiro. E as empresas, todas elas, se emparedam, por que têm de manter o ritmo, com todos os valores fixos a pagar, e pouco ou quase nada faturam. E tudo isso desemboca na cabeça de quem tem empresa justo agora, neste final de ano, que é quando se tem de contar as moedas para pagar tudo isso e o custo fixo dos meses em que o Brasil (segundo se diz) “para”. E é certo que o país só voltará a funcionar a pleno lá por março. Quem tem empresa, vai chegando neste período do ano e o sono já vai sumindo, sumindo, sumindo. E ao invés de dormir, o sujeito vai ficando acordado para fazer as contas e ver se vai dar para pagar tudo e ainda se precaver da falência nos meses de Verão. E o que menos sai da cabeça do empresário é o respeito que ele tem pelos parceiros que trabalham com ele na empresa e que, no final do ano, se são mesmo parceiros merecem um “bônus”, um plus no salário e décimo que lhes faça ficar feliz e se sentirem reconhecidos pelo empresário.
Vida de empresa não é fácil. Aliás, nestes finais de ano é terrível. Se você tem relacionamento com quem tem empresa, olhe a fisionomia dele nestes dias e repare como ele está com mais olheiras. Note que o “ar de cansado” dele fica dia a dia mais acentuado. E o humor do sujeito-empresário vai desaparecendo, desaparecendo, desaparecendo... até ele querer ficar sempre em silêncio e sem companhia por perto.
Ele está fazendo o que?
- Pensando em como conseguir dinheiro!
Com as pessoas físicas também é assim. É mulher (ou marido) que quer viajar, é filho querendo brinquedo ou temporada na praia. É a pintura que tem de ser feita na casa, quarto novo que a patroa exige, reparo no carro (ou carro novo), é uma viagem, é tudo e tudo isso custa dinheiro.
E é por isso que apesar de todo o mistério, calor, alegria e festas, é no final do ano que muitas pessoas “surtam” e acabam sendo internadas nos manicômios ao invés de irem para a rua curtir as festas de final de ano.

Dois Irmãos está na Terra

Em 1992 ocorreu no Rio de Janeiro a Eco 92, um encontro sobre a sobrevivência do planeta Terra aos abusos que nós, humanos, lhe causamos. Debateu-se ali, com líderes do mundo todo, a possibilidade de se diminuir a poluição, em especial o lançamento de C02 na atmosfera. Falou em reduzir o índice (já então acelerado) de aquecimento global. Entrou na discussão o superpovoamento do planeta. Debateu-se profundamente a questão da água, com o oceanógrafo Jacques Costeau alertando que a água potável do planeta era de apenas 2% e que a metade disso já estava poluída. Muito se conversou na Eco 92 sobre a troca do uso de combustível natural (petróleo) para outro, menos poluente. E muitas outras situações estratégicas que levariam o planeta Terra a ter "mais um tempo" de vida útil.
Tudo isso foi, posteriormente, redebatido e conversado em Kyoto, de onde sairia um Protocolo, uma carta de intenções assinadas por dezenas de Presidentes de República se comprometendo a dar uma chance à vida.
De lá para cá, contudo, na prática nada foi feito de "global" para salvar o planeta e, por consequência, a vida que nele habita, entre esta nós, humanos.
Agora em dezembro novamente representantes de todos os países se reunirão em Copenhague, na Dinamarca, para voltar a debater se vamos ou não "morrer com o planeta". E as perspectivas são péssimas.
Todos que têm alguma informação sabem que a Terra não vai aguentar o rítmo de produção que nós, humanos, estamos lhe impondo. Pode parecer estranho, mas está se provando que atualmente nós, humanos, produzimos 12% a mais do que o planeta consegue reciclar. E vem daí a perspectiva catastrófica: para eliminar, digamos, o aquecimento global e evitar as calamidades que dele (já) estão advindo, teremos de produzir 12% menos do que produzimos.
E aí entra a questão: "quem" vai produzir menos?
Os países em desenvolvimento, como o Brasil, usam um discurso demagógico dizendo que nós, os pobres, não vamos pagar essa conta.
Os países ricos, como os da Europa, Japão e especialmente Estados Unidos, afirmam que se eles desacelerarem, nós, os pobres, é que vamos pagar a conta.
E fica o dito por não dito.
De qualquer forma, Dois Irmãos tem de entrar nessa discussão, nesse debate, nessa consciência de que nós, dois-irmonenses, também estamos no planeta e somos, de igual forma, parte interessada em que a vida continue.
Muitos não compreendem que o que se debate nesse aquecimento global é a possibilidade de se continuar vivendo na Terra. E como não temos outro planeta "vizinho" para nos mudar, ou consertamos este ou nos desgraçamos.
É com este intuito que o Jornal Dois Irmãos vai apresentar ao Prefeito, ao Presidente da Câmara, à CDL e às indústrias, a proposta de debatermos, ainda em novembro, nossa participação nesse evento de dezembro, onde se discutirá a sobrevivência do planeta e da espécie humana. E os leitores desde já estão convidados a se manifestarem, opinando e sugerindo ações que permitam que a Terra, no lar comum, possa ser por muitas gerações o lar da vida humana e de todas as vidas que aqui vivem.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

E ele “não caminhava” sobre a água...

Olhei o monge chinês “caminhando sobre as águas”, neste jornal, e fui acometido de alegria.
Homem de pouca fé, como Pedro eu também vacilaria diante do chamado para caminhar sobre a água.
Mas o monge caminhava.
Caminhava, não: corria!
Olhei aquele budista magricelo correndo na água e pensei:
- Vou lá aprender essa meditação que permite andar sobre a água.
Procurando “explicar” (por que jornalista tem a sina de não acreditar 100% em nada) comecei a imaginar as possibilidades "físicas" de alguém caminhar sobre a água. A altura, pensei, facilita, pois em altitude a água ferve em temperatura menor.
E fui pensando algo lógico, que explicasse como um homem como nós, um ser que não está ungido como estaria, por exemplo, Maomé, quando unificou as tribos árabes, ou Moisés quando abriu o Mar Vermelho, poderia caminhar sobre a água sendo mais pesado que ela.
Diferente dos “iluminados”, esse monge andava sobre as águas.
E aí me fiz uma pergunta:
- Tem mais fotos dessa proeza?
Coloquei o nome do monge Shi Liliang no Google, e lá veio a notícia.
E outra foto, e desta vez uma foto com uma “ponte de madeira” na água.
Era falsa a primeira foto!!!!!
O monge andou sobre a água, sim, mas colocou blocos de madeira de 1 centímetro e foi por cima desses blocos que ele “correu”.
É uma proeza, sem dúvida. Ele é mais pesado que a água. Mas nem de longe é “caminhar sobre as águas”, no sentido que nos acostumamos a pensar, quando imaginamos Cristo sobre as águas ou, na abertura do Gênesis, “Ele caminhando sobre as águas”, antes de começar este Universo.
Divulgaram uma foto falsa do monge. Olhando a original, se vê que não é "qualquer um" que corre por cima dos pequenos blocos 18 metros, como ele fez. Mas não é aquele correr manso e pacífico que aparecia na primeira (e falsa) foto.
Coitado do monge. Se tivesse saído só a primeira foto, sem ter tirado (com Photo shop) os blocos debaixo dos pés dele, ele teria feito uma baita proeza.
Agora vai ser visto (talvez sem merecer, pois provavelmente não foi ele que fez a trapaça) como um baita mentiroso.
Que Karma tem esse monge...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A quem interessa a morte

A quem interessa que você morra?
Tem quem se interesse na morte.
Não na tua. Ou minha. Mas na morte “geral”, na morte como “fato humano” a ser aceito mansa e pacificamente.
Por exemplo: minha mãe tem 82 anos e durante a vida se instruiu e tentou saber das coisas. Ela é a idosa consciente, sabe das coisas, está bem-informada e já tendo levado dribles na vida, ela se torna “um perigo”, por exemplo, aos políticos. Não os políticos daqui ou dali, mas políticos em geral.
E porque ela é um perigo?
Porque sabe que há falsidade no mundo deles, mentira, vaidades, egoísmo, maldade e cinismo generalizado.
Um jovem até pensa isso. Mas a idosa minha mãe “sabe” que tem isso nos políticos.
Ela sabe que as pessoas fazem das tripas coração para chegar onde querem. Mentem, falseiam, trapaceiam, fazem de tudo para ter o que desejam, seja para enriquecer, aparecer ou não deixar o outro ser o que ela deseja ser.
E, nessas condições, a minha mãe ou qualquer pessoa que tenha vivido e aprendido, é um perigo para políticos. Ninguém as engana.
É compreensível que político adore sair em foto segurando caixão. Lembra da briga para segurar o caixão do Tancredo Neves? Dos mortos do Carandiru? Do caixão do Chico Mendes?
Aos políticos é interessante que todos acreditem que a morte é natural. Assim, os conscientes vão morrendo e os inconscientes seguem sendo manipulados.
Um coronel me disse que a “degola” na Brigada Militar (a gíria usada para definir a aposentadoria compulsória), foi instituída pelos Governadores porque eles sabem que quando o militar chega a Coronel, ele “entende o jogo”. E, entendendo o jogo, se dá conta que os políticos que ele, por anos, pensou ser “os caras”, não são nada além de mortais e cheios de defeitos. “E isso”, disse o coronel, “é um perigo para quem vive da mística do Poder”.
A consciência desmistifica o Poder, mas ela só vem “com o tempo”.
Por isso é preciso abreviar o tempo.
É por isso que 100 anos é um tempo “imenso” de vida, quando, na verdade, é um tempo ridiculamente pequeno diante da eternidade.
Assim, concluo por hoje que os políticos são um dos grupos aos quais interessa a morte, pois a longa vida traz consciência e a consciência é o fim do “estilo político” que temos no mundo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Natural é continuar vivo

É assustador o número de pessoas que você soma na coluna dos “mortos”.
É vó e vô, pai e tios, tias, amigos, amigas, primos, primas, vizinhos... Bah, uma infinidade já foi morar no cemitério.
E, por incrível que pareça, achamos normal morrer.
Acreditamos que a morte é natural.
Mas isso é uma bobagem.
A morte é totalmente sobrenatural.
A morte é a pior inimiga do ser humano.
Por razões diversas, passamos a acreditar na “naturalidade” da morte.
Não há nada natural em morrer. Natural é estar vivo. Morrer é caótico.
A morte mata a consciência, liquida a existência, e isso de forma alguma pode ser “natural”.
Precisamos parar com esse comodismo de acreditar que a morte é “natural”.
Você fala com médicos, químicos, físicos, biólogos, bioquímicos, farmacêuticos, psicólogo e todo esse povo ligado a explicação físico-química e espiritual da vida, e eles dão como assunto batido que morrer é natural.
Aceitam? Se entregam?
Que coisa estranha, se dar por vencido diante do mais feroz inimigo da vida.
Isso de dizer que morrer é natural fez o mundo acreditar na vida “depois da morte”. Eu também acredito, mas ninguém provou e por medo ou sei lá o que, sigo grudado na fé que me fará ressuscitar dos mortos. Ou reencarnar noutro corpo. Ou saltar para o “grande vazio”. Mas, de qualquer forma, acreditando que minha consciência não morrerá com a morte.
Temos de começar a enfrentar isso.
Há muitas situações políticas, econômicas, sociais e mesmo religiosas que têm todo interesse em nos fazer crer nesse absurdo de que a morte “é natural”.
Pense nisso. Por que você tem de perder pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filhos, amigos? Ou eles perderem você? Por quê?
Isso de desaparecer a consciência é algo sobrenatural. Vai contra a vida. E a vida é o bem maior que temos e tem de ser protegido.
Travamos tantas lutas neste mundo, mas a melhor (e, talvez, pior) delas, abrimos mão de lutar. É o nosso Armagedon pessoal. A nossa guerra do “fim dos tempos”. No caso, o nosso tempo, que advém com nossa morte. E não é inteligente abrir mão de enfrentar a morte, deixando de acreditar na “naturalidade” dela.

Um dicionário “muito tri...”

Prezado Alan: Você sabe que o sotaque mais xucro, grosso e assustador de todo o universo conhecido (e do desconhecido também) é o nosso, oriundo do gaúcho bravio, abagualado e meio italianado.
Descobri esse dicionário, e, para deleite dos teus leitores, peço que publique. (Um Abração! J.C.)
Alemoa: loura
Atorá: cortar
Atucanado: ocupado, atarefado
Barbaridade: Qualquer coisa boa(ou ruim)
Baita: grande
Beim capaz: jamais; negação enfatizada.
Cagar a pau: bater
Camassada de pau: apanhar
Campiá: procurar
Capaz: verdade?
Chumaço: conjunto de alguma coisa
Cóça de laço: apanhar
Crêendiospai: Quando algo dá errado
De revesgueio: de um tal jeito
Fechô o tempo: deu briga feia
Fincá: cravar
Garrão: calcanhar
Incebando: enrolando, despistando
Ingrupi: enganar
Ínôzá: amarrar
Intertê: Passar o tempo com algo
Inticá: provocar
Invaretado: nervoso que ó?!
Japona: jaqueta de lã ou nylon
Jóssa: coisa “veia”
Judiá: mal tratar
Kakedo: pessoas que não valem nada
Malinducado: mal-educado
Paiêro: Cigarro de palha
Pânca: modo de se portar, jeito de...
Pare, home do céu: parar, o mesmo que ‘se parar de bobo’ e ‘deusolivre home’.
Pardal: radar fixo
Pestiado: com alguma doença
Pexada: acidente
Podá: ultrapassar, o mesmo que podá
Pozá: dormir em algum lugar
Rancho: compra do mês
Relampiando: trovejando "com luz"
Resbalão: escorregar
Rodô: levou um tombo
Sinalêra: semáforo
Táio: corte
Tchuco: bêbado
Te fecha: fica quieto ou apanha.
Trupicá: tropeçar
Tri atucanado: muito ocupado
Tunda de laço: apanhar
Vê a coisa preta: Se meter em encrenca
Vortiada: passeio
Ximia: doce de passar no pão

* * *
Exemplo prático de aplicação: Agora manda esse e-mail para intertê os teus amigos. Aproveita enquanto teu chefe foi dá uma vortiada. Não sei como ele não vê que mesmo intuiado de trabalho você fica incebando o dia inteiro. Pare de campiá desculpa, homi. Fica falando que ta pestiado e ainda consegue ingrupi o coitado do chefe. Mas vai logo, antes que ele volte e fique invaretado de te ver pescociando. Pare de se bostiá, home do céu, não seja malinducado e manda essa jóssa de uma vez. MAS BAH TCHÊ, Alan. Me diz que esse dicionário não ta especial de primeira. É Boenacho, TRI LEGAL, né?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os Fagundes estão de parabéns!

Os Fagundes, que se apresentaram ontem em Morro Reuter, na gravação do Galpão Crioulo, têm uma música em homenagem ao pai deles, o Bagre Fagundes.
É uma música onde os “guris” elevam o nome do pai e dizem, com ele em vida, que o admiram e o amam, que são frutos dessa árvore e que se eles, os frutos, são uma coisa, é porque a árvore é boa. Dizem que se eles sabem nadar, é por que “filho de bagre no mínimo peixinho é”.
E assim vão cantando e elogiando o pai velho, que ontem, aliás, estava completando 70 aniversários.
É emocionante ver Os Fagundes, dos quais três são filhos do Bagre, lançando palavras lindas ao pai que os colocou no mundo.
É uma demonstração de que nós gaúchos podemos “ser grosso”, mas temos sensibilidade e sabemos reconhecer que se temos corpo, esse corpo nós o devemos ao pai e a mãe, que numa união de amor nos deram a oportunidade de “ser” neste mundo.
Entre tantas e tantas músicas de gaúcho (a maioria ruins e péssimas) é um alento escutar algo “de gaúcho” que não seja a patacoada de sempre: domador imbatível, ginete espetacular, macho, brigão, dono do mundo.
Uma música sensível, vinda de pessoas que dominam as notas, os acordes e o tom da voz, precisa ser saudada com alegria.
Quem já perdeu o pai e não teve, com ele em vida, a chance de dizer como são admiráveis os pais, como são respeitosos, dedicados, amorosos, lutadores e inteligentes, deve sentir agora o que significa ter perdido aquele que foi sem dúvida o seu maior “protector” neste planeta.
Muitos nos dão amizade nesta vida. Mas tem um que daria a qualquer momento sua vida em troca da nossa, e esse é o pai.
O mesmo pai que nos primeiros anos de vida achamos ser herói, que na puberdade acreditamos ser super homem, que na adolescência pensamos ser chato, que na juventude acreditamos ser desinformado, vai se tornar, na nossa vida adulta, um homem maravilhoso ao qual podemos sempre pedir bons e sábios conselhos.
O problema é que, na maioria das vezes, quando finalmente ficamos adultos e compreendemos tudo isso, já não temos mais ali, vivo e ao nosso lado, o pai que gostaríamos de ter para abraçar, elogiar e nos aconselhar.
Estão de parabéns Os Fagundes, estão nos ensinando que é melhor dizer agora, pois daqui uns dias, talvez já não se possa dizer mais.

sábado, 17 de outubro de 2009

A fila desandou...

Foi o Eduardo Galeano, se não me engano, que disse num dos prefácios do seu livro As veias abertas da América Latina, que escrever é como colocar um bilhete numa garrafa e jogar em alto mar, esperando que encontrem e leiam.
E é isso que senti, ouvindo da colega Fernanda um relato de como foi interpretado o artigo que chamei de “A fila andou”.
Pensei estar elogiando às mulheres, engrandecendo o direito de se tornarem profissionais em qualquer área.
No artigo, alertei, apenas, que a mulher deve manter a feminilidade, exercendo na profissão a força do feminino.
Profissional sim, e onde queira, mas cheia de graça e feminilidade.
Não dá para se tornar “homem” só por que exerce profissão que até poucos era apenas exercida por homens. A mulher advogada, médica, pastora, bombeira, policial, administradora, jornalista, promotora. . . só dará uma contribuição à civilização se vier a ser profissional com “energia feminina”.
Um exemplo trágico: a Marília Gabriela. Com todo respeito que a colega Marília merece, sou obrigado a dizer que quando ela está entrevistando, parece um homem inquirindo pessoas.
Já a Fátima Bernardes tem igual força que a Marília, ou até mais, mas preserva todos os traços femininos. E a diferença entre uma e outra é que a Marília Gabriela parece um sargentão de cigarro na boca e coturno, e a Fátima Bernardes uma mulher profissional.
Assim em todas as outras profissões.
A mulher precisa se manter mulher, e não tem nada mais horrível que uma mulher que, no exercício da sua profissão, parece estar sempre cuspindo nos cantos e dando coice na canela dos desafetos.
A mulher deve ser tudo que deseja ser na vida pessoal e profissional. Pode casar ou não. Ter filhos ou não. Trabalhar fora ou não. Estudar ou não. Mas há algo que ela tem de continuar sendo, seja ela o que for: feminina.
A força da mulher está no “ser feminina”.
E ser feminina não é resolver o assunto com lágrimas. Essa fase até pode ter passado. Ser feminina é ser delicada, é assumir que fisicamente somos diferentes, não apenas pelo côncavo e convexo (que no fundo é o que nos une), mas pelas diferenças de músculos e hormônios.
Por isso estranhei quando disseram que o artigo estava “machista”.
Pensei que tinha sido o artigo mais feminista que havia escrito. E o acharam machista.
Então, volto ao Eduardo Galeano, que citei no início, e digo: As vezes a garrafa é encontrada e a mensagem é lida, mas você escreveu tão mal que quem encontrou e leu não entendeu o que você estava querendo dizer.
E aí?
Ralou-se, pois a fila não andou, desandou.

Um breve resumo do cafezinho

A situação ficou acalorada, quando se discutia o que aconteceria se Hitler tivesse ganho a guerra. Duas correntes debatiam numa mesa onde cafés puros e pingados se revezavam.
O assunto era a guerra. Mas, antes dela, correra pela mesa o valor do dólar, fechando, ontem, em R$ 1,75, e a análise dos bancos, que preveem fechar o ano com a moeda a R$ 1,85.
Após isso, a conversa evoluiu para férias de final de ano, avaliação dos preços em Florianópolis, especialmente na área nobre, Jurerê Internacional, onde nos bares à beira-mar se pode gastar milhares de reais numa sentada. E Punta Del Este, a “melhor praia gaúcha”, disse um, e as opções de alojamento, gastronomia e diversão noturna no balneário uruguaio.
Disso, o assunto saltou para essa chuva, que não termina, e a possibilidade de chover 23 dias em novembro. E dali se enveredou para as demissões no calçado e o seguro-desemprego.
Com a chegada de um representante do sistema financeiro, mas com (bom)gosto pela cultura histórica, passou-se a debater a povoação de Dois Irmãos e a história do “Menino- Diabo”, um psicopata que andou nestas terras, lá por 1840, enlouquecendo os alemães até ser morto e levar, pela arma do intendente Goetz, o tiro de misericórdia, para não ser enterrado vivo, como queria a população, tal o ódio que lhe nutriam pelas maldades que fazia aos alemães.
Do menino diabo chegou-se a Luiz Carlos Prestes, sua linda e mortal Olga Benário, sua coluna, e as guerras de 1923 e 1924, com as degolas. E dali se debateu a disputa de “ao primeiro sangue”, os duelos dos gaúchos, narrada neste jornal pelo historiador Paixão Côrtes.
Finalmente, então, entrou-se na questão do que teria ocorrido se Hitler tivesse ganho a guerra, o que faria o Japão e a Itália e o que seria politicamente do mundo.
Duas correntes debatiam. Uma dizia que Hitler não tinha como ganhar. Outra afirmava que Hitler ganharia se não tivesse sido derrotado pelo General Inverno ao desligar, de noite, o motor dos Panzer a poucos quilômetros de Moscou e, de manhã, com o óleo congelado no carter, não ter mais conseguido ligar as máquinas.
A discussão, amigável e inteligente, era exercício de amizade numa roda de café, onde amigos alegram-se por poder encontrar-se e trocar ideias como essas. E é isso que faz nosso dia agradável, com ou sem a chata dessa chuva.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Siga a Primavera

Não é que esta Primavera esteja mais chuvosa. Nós é que estamos saindo dela e ao entrar no Outono de nossas vidas esquecemos que “é preciso a chuva para florir”. As chuvas sempre existiram na Primavera. Mas antes estávamos dentro dela, éramos primaveris no Ser, e quando você “é” uma coisa, nada que seja dela incomoda você.
Mas veja, leitor, que desgraça: já não estamos mais na nossa Primavera. Ainda há flores em nós, é certo, e temos o aroma dos grandes jardins impregnando nossas narinas. Mas são resquícios dos aromas dos 25 anos que vivemos como se a Primavera fôssemos. Então, um dia, e sob o embriagante efeito do tempo que passou, as flores, os aromas das flores, e suas cores, foram começando a ficar distantes de nós. E nós, sem saber, fomos entrando em nosso Outono.
Não é uma tragédia. Os primeiros 25 anos de qualquer um de nós são nosso verão. E, então,vêm após esses 25, outros 25 anos de Primavera, e não há nada mais primaveril, mais encantador, perfumado e doce, mais cheios de luz e sombras, que a juventude, esse período da vida que vai dos 25 aos 50.
Mas aos 50 é inevitável que o Outono venha, não é mesmo. Ele vem devagar. E vai se anunciando já lá pelos 40, numa pequena crise existencial. Depois, nos 45,você sente uma vontade imensa de correr, de mudar, de trocar o que faz, de viver, enfim, de “ser”. E essa sensação de abandono pessoal de si mesmo, de ter deixado “algo” para trás, de não ter “vivido”, nem amado, nem corrido “todos os riscos”, vai alfinetando nossa alma, ano após ano. Até que um dia você acorda e lá está você, nos cinquenta.
Sim, sim,você ainda não é “cinquentão”, na acepção pejorativa do termo, pois a tecnologia avançou e hoje alguém de 50 é quase tão jovem quanto alguém de 30, cinquenta anos atrás. Mas você bateu na casa do cinco ponto zero.
O espelho denuncia esse começo de Outono em nossa vida. E nossas atitudes diante do mundo se transformam. Se não cuidar, você vai detestar todos que estão ao seu lado, pensando que são “um bando de burros”. E, sobretudo, você corre o risco de não se dar conta de que essa “consciência toda” que você tem se deve ao fato de ter vivido toooooodos esses 50 anos.
Depois que o Outono apresenta seu equinócio, você vai vendo o mundo com outras cores, pois no Outono as folhas caem e elas só caem quando a cor já esmaeceu, não é mesmo?
E ano após ano você vai percebendo que não está à beira da morte, pois a morte só vem “lá no Inverno”, e ainda faltam 25 anos para o Inverno da sua vida se mostrar.
Então, finalmente mais culto e experiente, portanto mais inteligente, você se apercebe que o Outono é a Idade da Razão. E você, que era apenas magro, alto e metido, começa a ver que ficou assim, digamos, “interessante”. As pessoas olham e falam com você de forma mais clara, mais respeitosa, mais acariciante.
Conheça um segredo meu: certa vez, quando adolescente, eu tinha decidido perseguir a Primavera, ir andando aonde a Primavera fosse. A Estação vai se apresentando aqui e ali, e eu pretendia ir me mudando de cidade em cidade, Estado em Estado, país em país para ir vivendo numa Primavera sem fim.
Hoje não penso assim.
Hoje penso que o elixir da juventude eterna não está na Estação, mas na compreensão de que o tempo nos arrasta em seus braços com a finalidade exclusiva de nos fazer ver o quão bela, romântica e excitante é esta vida. Esteja ela na Estação que estiver.

De braços com Walt Whittman

Houve tempo em que as pessoas gostavam de poesia, do deleite que as ideias contidas nas palavras podem nos trazer, essa espécie de gozo intelectual, que é um prazer indescritível. E como as palavras, assim o disse Sir William Shakespeare, “podem esconder outras palavras”, hoje publico aqui um poema desregrado do imbatível Walt Whittmann, que em sua doçura-violenta quase nos violenta com tantos significados em tão poucas palavras, deste que é um de seus mais significativos poemas e que se chama “A ti, causa antiga”. Publico-o, assim, cheio de receios dos ódios e amores que toda poesia expressa. E por ter aprendido com Luiz de Camões que “felicidade não existe, pois o que existem são momentos felizes”, mando ver, e aguardo, em Machado de Assis, “que a terra me seja leve”.
E você, bom, você me faça o favor: Leia saboreando como quem bebe um vinho antigo e de fina safra, cujo tempo foi passando e equilibrando-o dentro da garrafa, tal qual nós, dentro desta garrafa chamada corpo, fomos igualmente nos equilibrando. Boa leitura!

A ti, causa antiga!
Tu, incomparável, apaixonante causa boa,
Tu, implacável, impiedosa, doce ideia,
Imorredoura através dos tempos, raças, terras,
Após uma triste e estranha guerra, grande guerra por ti,
Esses cantos por ti, a marcha eterna por ti.
Tu, globo de muitos globos!
Tu, ardente princípio! Tu, bem guardado gérmen latente!
Tu, centro de tudo!
Em torno de tua ideia a guerra gira,
Com toda a tua irada e veemente dança das causas,
Estes versos recitados por ti - meu livro e a guerra são um,
Fundidos em tal espírito e no meu, com a disputa articulada em ti,
Como uma roda sobre seu eixo, gira este livro, inconsciente de si mesmo,
Em torno de tua ideia.

A fila andou

A entrada da mulher no mercado de trabalho criou situações novas e maravilhosas.
Uma delas é o ataque feminino a todos os postos de trabalho, e já não há profissão com “reserva de mercado” para os homens.
Com essa vinda da mulher para a rua, pode-se notar as mudanças.
Na nossa profissão, por exemplo, de jornalismo, as mulheres estão tomando conta, e ainda não se sabe se o jornalismo ficou ou ficará melhor, com a presença delas, porque sendo o fenômeno da mulher nas redações ainda algo recente (coisa de no máximo 15 anos), ainda não dá para ver claramente se há um modo “feminino” de fazer jornal.
As mulheres políticas também são um fenômeno recente. Recordo que a dona Ecléa Guazzelly, esposa do Governador Synval, reclamou, ao ser eleita deputada, que a Assembleia Legislativa só tinha “banheiro masculino”. E a voz dela repercutiu em Brasília, com a deputada federal Rita Camata entrando com um projeto para colocar “banheiro feminino” na Câmara dos Deputados.
Engenheiro sempre foi uma profissão masculina, mas hoje em muitas obras o que se vê são mulheres com planilhas na mão, capacete na cabeça, dizendo aos peões como devem erguer a obra.
Na medicina, médico era só homem, ficando para as mulheres fazer curativo ou atender como parteira. Dentista, também.
As primeiras advogadas passaram o diabo nos fóruns e tribunais, pois tinham de entrar obrigatoriamente de saia, e as primeiras juízas mulheres surpreenderam toda a comunidade, usando roupas mais justas, coladas ao corpo, com decote que deixava entrever um pequeno vão entre os seios. Mas ficou óbvio (agora) que por que as mulheres são advogadas, promotoras e juízas, que nós vamos ver não uma, mas muitas vezes, roupas ligadas, decotes e inclusive mini-saias, por que não? E nada disso abala a capacidade de defender, acusar ou julgar.
Mulher astronauta tem aos montes, tem até mulher que luta boxe - sabem que, nesse caso, fica mas difícil ela casar, não é, porque só um doido varrido juraria fidelidade para que, com um upper, lhe colocasse em nocaute na primeira briga.
De maneira que é uma satisfação ver a mulher em todos os lugares de trabalho por onde se vai.
A única ressalva que deveria ser feita é um aviso: a mulher pode ser tudo, mas precisa continuar sendo feminina. Não é porque ela cobre futebol, por exemplo, que tem de entrar no vestiário dos jogadores enquanto tomam banho como se fosse um homem. A mulher tem a vantagem de ser mulher, e não deve abrir mão desse benefício. Qualquer profissão, sim, mas femininamente, não é?
Que a fila andou nós já sabemos, e aceitamos, mas queremos continuar tendo mulheres, mesmo que pegando no pesado, como se diz, como nós homens.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Seria bom fazer as contas

Fraquíssima a explicação da prefeitura, neste espaço, sobre a falta de bandinha nos luteranos e evangélicos, no dia 29 de setembro, data máxima do Kerb de Dois Irmãos.
Explicação nada esclarecedora.
Ninguém deste jornal questionou os eventos ocorridos. Aliás, divulgamos todos de forma ampla, e nada cobramos. Não é mesmo, prefeito Miguel?
Foi tudo gratuito.
Até colocamos o prefeito na capa, lançando o Kerb, numa foto em tamanho nunca antes publicado, e o fizemos de forma gratuita, sem cobrar e sem o prefeito pedir. E assim o fizemos com os eventos paralelos do Kerb, encontros, clubes festivos, desfile, bandas, entidades... tudo de graça. Jornalisticamente.
Ninguém deste jornal questionou os fatos que a (péssima) explicação da prefeitura salientou.
Não só não criticamos, como noticiamos, e bem, e de graça. E não fizemos isso porque o prefeito e o grupo que está na prefeitura hoje é “A” ou “B”.
Nós não temos nada a ver com quem está na prefeitura. Não bebemos água na orelha de ninguém. E esteja lá quem estiver, faremos tal qual vem sendo feito com esse grupo que está lá: se tem notícia boa, nós noticiamos. Se tem notícia ruim, nós noticiamos. Nosso negócio é jornalismo, não temos chapa branca nos nossos carros, e sobretudo não vendemos “proteção editorial”.
Qualquer um que acompanha este jornal, nestes 26 anos, sabe que tudo que ocorreu de ruim, fosse que prefeito fosse, era noticiado. Não seria diferente com o grupo atual, não é prefeito Miguel?
Dito isso, é bom lembrar que uma “boa explicação” da prefeitura teria sido admitir o erro e pedir desculpa. Só isso. Mas, pelo que li ontem, não só a prefeitura (Sérgio Fritzen, Patrícia Weber & Cia, entre outros) não admitem que erraram, como insistem em dizer que não ocorreu nada.
Ocorreu, sim, e grave, pois o Kerb é a última raiz desta cidade com o seu passado. E o grupo de evangélicos e luteranos que foi deixado de lado, é o último reduto praticamente 100% dois-irmonense.
O que Sérgio Fritzen & Cia deveriam fazer era simplesmente parar de empurrar o erro deles nos outros e fazer como nós fazemos quando erramos: pedir desculpas. Só isso. Nada mais.
Errar é humano, mas persistir no erro é ignorância.
Sérgio & Cia deveriam repensar-se. Até por que, se a gente olhar bem a fundo o que ocorreu no dia 29, a ausência não só dessa bandinha, mas da que deveria estar no final da tarde e não esteve, além da ausência das princesas e outras coisinhas, vai se achar inúmeros problemas. Inclusive no folder, onde nem aparece que o Kerb é de “Dois Irmãos” e sim de “São Miguel”, não é Paulinho?
Então, encerro dizendo que fiquei decepcionado. Acreditei que iriam admitir o erro, como fazem os que não se acham “os tais”. Mas não admitiram.
É pena. Mas espero que esse debate, que se encerra aqui, tenha servido para não ocorrer trapalhadas e barbeiragens como essas no ano que vem.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

“Prosit” e “amém”

Recebo da prefeitura de Dois Irmãos, suponho (pelo estilo) que da lavra de Paulinho Brachtvogel,
um texto sobre a ausência da bandinha para conduzir, durante o 29 de setembro, os luteranos e
evangélicos até os católicos. Publico o texto, é claro, porque este jornal sempre foi uma estrada de duas mãos. Amanhã (por faltar espaço hoje) dire­mos o que pensamos dele. Leia com atenção. Ei-lo:

“A Administração Municipal vem a público esclarecer que a ausência da tradicional bandi­nha que acompanha a procissão das comunida­des religiosas até as dependências da Sociedade Santa Cecília, durante o Kerb de São Miguel, se deu exclusivamente por falha na comunicação quando da contratação da mesma.
Contudo a presença pela primeira vez da rai­nha e das princesas do cinqüentenário do Mu­­ni­cípio, bem como da Brigada Militar confirmam que esta tradicional atividade não foi sub­esti­mada pelos organizadores dos festejos do Kerb.
Dessa forma, registramos que foi recebida com surpresa e indignação a manifestação co­lhi­da no jornal local, que dá conta de que o ocorrido se deu por motivações religiosas pessoais do Sr. Sérgio Fritzen, que integra a atual administração.
De fato, é necessário consignar que tal in­formação é de pronto repudiada, pois no âmbi­to desta Administração Municipal todas as ações são direcionadas para a integração, o diálogo e a boa convivência religiosa, com participação dos representantes de todas as crenças estabelecidas no Município, nos eventos oficiais.
Nessa esteira, inúmeras são as iniciativas da atual administração que comprovam a relação de diálogo e de inclusão das entidades, institui­ções e movimentos sociais. A exemplo disso podemos citar: a proposição e a execução dos eventos alusivos às comemorações do cinqüentenário com realização de culto ecumênico, a série de homenagens ocorridas no dia 10 de setembro, o jogo da seleção de Dois Irmãos (integrada por vários clubes) contra a equipe master do Grêmio, o desfile de Carros Alegóricos, a escolha das princesas e da Rainha de Dois Irmãos que foi estendida aos bairros e ainda os eventos vindouros como Natal dos Anjos, que estão sendo propostos de forma participativa e integradora.
A Administração Municipal lamenta que esse incidente tenha sido indevidamente utilizado para instigação de clima de enfrentamento religioso e comunica que já entrou em contato com os representantes das entidades envolvidas a fim de prestar, diretamente, esclarecimentos e deste encontro resultaram encaminhamentos que permitem continuarmos de forma alegre e ecumênica os festejos do Kerb São Miguel com muito “prosit” e “amém”.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

“Gigoleando” a língua portuguesa

Quando Camões se referiu à língua portuguesa, chamou-a de “linda flor do lácio/ Inculta e bela”. E diante do terror que é compreender o português, Camões sentenciou:
- És ao mesmo tempo, esplendor e sepultura...
Camões sabia das coisas. Mas não imaginava, em sua pureza linguística, que o vernáculo se prestaria a compreensão implícita de algo que pode estar na palavra mesmo nela não estando. E recebi um e-mail que faz pensar nesse "esplendor e sepultura" que pode se tornar a língua portuguesa. É um jogo de palavras. Quer ver?
Cão é o melhor amigo do homem. Mas chame a mulher de cadela e estará dizendo o que dela?
Vagabundo é um sujeito que não trabalha. Mas se chamar mulher de vagabunda dirá o que dela?
Diga que o cara é touro e dirá que é forte.
Diga que a mulher é “vaca” e o que terá dito dela?
Pistoleiro é quem mata pessoas. Mas a mulher chamada de pistoleira é o que mesmo?
Aventureiro é o cara desbravador, viajante. Já a mulher aventureira é o que?
Garoto de rua é menino pobre e abandonado. Mas se disser que a garota é “da rua”, quem é ela?
Chamando o sujeito de “homem da vida”, diremos que ele tem sabedoria adquirida ao longo da existência. Mas o que se pensa de uma “mulher da vida”?
Assim também um cara "galinha" é o “bonzão”. Já a moça galinha é...
Chame um homem de “feiticeiro” e ele será visto (lembra o Paulo Coelho?) como conhecedor de alquimia e ocultismo. Chame a mulher de feiticeira e o que se pensará dela?
Se você disser que o homem está “puto”, dirá que está irritado e brabo. Mas diga que a mulher está “puta” e logo pensarão que ela “se desencaminhou”.
Roberto Jefferson, Maluf, ACM, Jader Barbalho, Eurico Miranda, Renan Calheiros são políticos. Mas quando nos referimos a mãe deles, eles são filhos do que?
A sorte de Camões foi ter nascido lá pelo ano 1.500, porque se ele renasce e pega a língua portuguesa agora, é capaz de querer se matar.
É que levada ao pé da letra, o português pode não significar o que qualquer outra língua significa. É que aqui no Brasil, uma coisa é uma coisa e outra coisa pode ser essa mesma coisa.
Entendeu? Não? Nem eu!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Valeu seu Felippe. Valeu!

Não são muitas as empresas que chegam aos 50 anos, como a Herval, a Wirth, a Kuntzler e a Henrich.
Dois Irmãos tem nisso uma marca-registrada, pois quem abre sua empresa aqui quer vencer e faz de tudo para que siga em frente.
Se olharmos nos municípios vizinhos, veremos poucas empresas com tanta longevidade.
Certa vez, analisando as empresas calçadistas que haviam criado a Abicalçados, junto com o seu Ricardo Wirth descobrimos que a vida média das indústrias de sapato é de 8 anos. E naquele dia chegamos à triste conclusão de que a maioria das empresas fundadoras da Abicalçados já havia fechado as portas.
É com ufanismo que se analisa o aniversário do Grupo Herval, que ontem completou 50 anos, realizando missa e soltando fogos, iluminando o céu da cidade que a Herval vem iluminando a 50 anos com tanta competência.
Uma cidade precisa de muitas empresas pequenas. Mas é nas gigantes, como Herval, Wirth, Kuntzler, Henrich, Pegada, Centropé e outras que a economia se baliza.
Não é só por dar empregos que geram a renda que move o comércio, assina o Jornal Dois Irmãos e faz a vida mais bela. É mais.
É a própria manutenção do Poder Público, pois mais de 50% do que a prefeitura de Dois Irmãos arrecada vem dos impostos pagos pela Herval perante o fisco estadual e nacional.
Por trás de uma empresa tem seu fundador.
E assim como na Wirth tem o seu Arlindo, na Henrich o saudoso Cyrillo e na Kuntzler o seu Herberto, no início da Herval era o seu Felippe Seger Sobrinho. Haviam outros ao redor dele, mas ele se tornou publicamente o fundador. Era um homem bom e comunitário, parceiro de tudo, e se bem lembro ele adorava filar cigarro dos amigos, pois essa era a forma dele quebrar o gelo antes de uma boa conversa.
Seu Felippe foi político, além de empresário, e sempre tinha um tempinho para falar com funcionários e clientes.
Foi nesse humanismo que seus filhos beberam a água da vida. Mesmo hoje, se você chega lá sempre terá a atenção do Agnelo, que não se tornou pedante pelo que tem e ainda é o mesmo Agnelo, inteligente e ativo, porém simples, de quando a Herval era apenas uma pequena madeireira e não o império que é hoje.
As famílias Seger, Grings e Lauxen, e todos os colaboradores, fazem Dois Irmãos referência nacional. E é com satisfação que o Jornal Dois Irmãos pode dizer, de forma humilde e carinhosa, que tem narrado por 26 anos o crescimento da Herval, que comemora 5 décadas de sucesso.
Valeu seu Felippe. Valeu!
Parabéns! Parabéns! Parabéns!

A afirmação era falsa

Não é de graça que a população está cada vez mais fria, menos amorosa e mais cínica.
Isso tem uma causa, uma razão.
Se comparar crianças de hoje, jovens de hoje e até adultos de hoje com seus similares de décadas atrás, se perceberá que atualmente se mente com facilidade e dá-se em tudo e em todos dribles como se nada de errado houvesse em falsear a verdade aos pais, irmãos, tios, amigos ou mesmo colegas de trabalho.
De onde veio isso?
Existem muitas fontes onde se pode beber cinismo e de embriagar de falsidade e aculturar o “ser” na farsa.
Não é uma fonte única, são várias. Mas a mais “pura” dessas fontes de maledicências e inverdades tem sido a fonte onde permanecem mergulhados os políticos.
Desfaçatez, mentira, cinismo, falsidade, tudo que de malefício se encontra e que tanto mal faz ao “ser”, tem se tornado a marca-registrada dos políticos.
Nas pequenas comunidades, como Dois Irmãos, essa regra sofre uma exceção. É que em povoadinhos pequenos como o nosso todo mundo se conhece, e essa proximidade e o fato de saberem quem somos, quem é nosso pai, mãe, irmãos e filhos, onde trabalhamos, onde moramos, etc, faz com que nossos políticos “se respeitem”, tomem tenência e acabem, então, “nos respeitando”. A regra aqui tem sido a honestidade de princípios devido a essa “transparência” de cada um de nós para nós todos
Entretanto, também essa regra tem exceção. E mesmo numa cidade pequena há quem não esteja nem aí para sua história, seu passado, seus paralelos na família e trabalho, e acabe se tornando um político igual aos de fora daqui.
Foi o que se viu no episódio de terça, quando o Secretário Sérgio Fritzen e a diretora de Turismo Patrícia Weber “esqueceram” de mandar a bandinha para levar luteranos e evangélicos até os católicos.
Procurados pela redação deste jornal, Sérgio e Patrícia levianamente disfarçaram a verdade, colocando a culpa nos músicos (e tirando o deles da reta).
Acontece que jornal jamais acredita. E a redação foi atrás, para confirmar a “verdade” do secretário Sérgio e da diretora Patrícia, e encontrou uma rotunda falsidade.
A banda só foi contratada para ir até os católicos às 10h.
A banda não foi contratada para ir aos luteranos e evangélicos.
O Secretário e a Diretora de Turismo imputaram na banda o erro (ou seria maldade?) que era deles e não dos músicos.
O curioso é que ao Secretário e à Diretora de Turismo bastaria terem admitido o erro e pedido desculpas, mas optaram por imputar nos músicos e expondo-se, assim, ao julgamento público não por um esquecimento e sim por uma declaração falsa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

De agora em diante “prosit”, não “amém”

O secretário Sérgio Fritzen esqueceu da bandinha para acompanhar fiéis luteranos e evangélicos até a Sociedade Santa Cecília, a fim de encontrar ali os católicos, é uma tragédia com várias faces. A mais grave delas é a que levou luteranos e evangélicos a se sentirem excluídos pela ação de um “ex-padre”, como nos disse, ontem, extremamente irritada, uma senhora luterana.
Ou seja: Freud explica! O esquecimento do secretário Sérgio seria “ato falho” de um ex-integrante do clero católico que estaria punindo evangélicos pelo Cisma causado pelo doutor Martinho Lutero.
Sempre o que chamava a atenção no Kerb de São Miguel era a união entre luteranos, evangélicos e católicos. Hoje vivemos ecumenismo. Mas 40 anos atrás, a moça evangélica que dançava com o rapaz católico no baile chegava em casa e entrava no laço.
A briga entre evangélicos e católicos era ferrenha, e teria iniciado quando chegaram aqui, com ares de fundamentalistas, uns padres jesuítas que aprofundaram o Cisma, defendendo a histórica separação entre católicos e evangélicos.
Ver o espetáculo de alegria, a bandinha levando antigos inimigos a dançar, sorrir e brincar era sempre uma “grande foto”. E é raro um Jornal Dois Irmãos que não tenha, no Kerb, uma foto dessa “união com bandinha”.
Este ano, o (ex-padre) Sérgio encerrou essa história alegre. E querendo ou não, mandou os evangélicos e luteranos caminhar em silêncio.
Pode não ser punição.
Mas que parece, parece.
O pior desse “esquecimento” do Sérgio Fritzen é que a única coisa que sobrevive de “histórico” no Kerb é essa caminhada.
Tudo mais que “era” no Kerb já não é. E a resistência, o último ferrolho do portão antes da loucura geral era a fé expressa pelas três Igrejas, representadas nessa caminhada pequena em distância mas imensa em significado.
Sem a bandinha, não ocorreu o espiritualmente salutar encontro de bispo, padres, pastores e reverendos em frente a Santa Cecília.
Político precisa criar divisão e arrumar encrenca. Conseguiram.
Mata-se, com esse “esquecimento”, a fé, o último bastião ainda de pé do (até este ano) histórico Kerb de São Miguel.
Se não revisarem esse erro ignóbil (ou seria “energúmeno”?), só vai se dizer no Kerb “prosit”, e não mais amém.