As empresas, tenham o tamanho que tiver, no final de cada ano se defrontam com o décimo terceiro. A regra é ir pagando “bem antes”, um pouco aqui, outro ali, sempre seguindo a lei. Mas é um capital que sai da empresa sem que tenha existido o décimo terceiro mês de trabalho. Além dele, tem, também, as férias, os que vão sair para passear e a empresa terá de repor por um curto período, sendo que esse período quase sempre é janeiro ou fevereiro, que são os meses “de férias” no Brasil. Fora o décimo, férias e os temporários, tem essa praga da “baixa”, pois tirando as praias e seu comércio, não há o que funcione “bem” em fevereiro. E as empresas, todas elas, se emparedam, por que têm de manter o ritmo, com todos os valores fixos a pagar, e pouco ou quase nada faturam. E tudo isso desemboca na cabeça de quem tem empresa justo agora, neste final de ano, que é quando se tem de contar as moedas para pagar tudo isso e o custo fixo dos meses em que o Brasil (segundo se diz) “para”. E é certo que o país só voltará a funcionar a pleno lá por março. Quem tem empresa, vai chegando neste período do ano e o sono já vai sumindo, sumindo, sumindo. E ao invés de dormir, o sujeito vai ficando acordado para fazer as contas e ver se vai dar para pagar tudo e ainda se precaver da falência nos meses de Verão. E o que menos sai da cabeça do empresário é o respeito que ele tem pelos parceiros que trabalham com ele na empresa e que, no final do ano, se são mesmo parceiros merecem um “bônus”, um plus no salário e décimo que lhes faça ficar feliz e se sentirem reconhecidos pelo empresário.
Vida de empresa não é fácil. Aliás, nestes finais de ano é terrível. Se você tem relacionamento com quem tem empresa, olhe a fisionomia dele nestes dias e repare como ele está com mais olheiras. Note que o “ar de cansado” dele fica dia a dia mais acentuado. E o humor do sujeito-empresário vai desaparecendo, desaparecendo, desaparecendo... até ele querer ficar sempre em silêncio e sem companhia por perto.
Ele está fazendo o que?
- Pensando em como conseguir dinheiro!
Com as pessoas físicas também é assim. É mulher (ou marido) que quer viajar, é filho querendo brinquedo ou temporada na praia. É a pintura que tem de ser feita na casa, quarto novo que a patroa exige, reparo no carro (ou carro novo), é uma viagem, é tudo e tudo isso custa dinheiro.
E é por isso que apesar de todo o mistério, calor, alegria e festas, é no final do ano que muitas pessoas “surtam” e acabam sendo internadas nos manicômios ao invés de irem para a rua curtir as festas de final de ano.