segunda-feira, 31 de agosto de 2009

E novamente estamos sem juiz

Não dá para entender a lógica que move o Poder, a dinâmica do sistema que o faz realinhar-se. É o que está ocorrendo em Dois Irmãos, no Poder Judiciário.
A juíza Angela Dumerque está transferida para Marcelino Ramos. Sua saída deixará o Fórum sem juiz fixo, e outro juiz virá aqui, como substituto, julgar na comarca na qual não mora e da qual desconhece a dinâmica sócio-econômica e cultural.
Esse juiz substituto vai realizar a proeza ficcional que tanto atrai as mentes jurídicas: o julgamento pelo “mundo dos autos”, que, traduzindo, quer dizer que o que não está nos autos do processo “não está no mundo”. É a máxima cartorial que leva o juiz a tornar-se um completo alienado do mundo que o cerca, para, com base no que lê, dar seu parecer e decidir sobre a vida de pessoas que não vivem no fictício mundo dos autos e sim no mundo real, do qual o juiz obriga-se a ficar pateticamente alienado.
O bizarro é que a juíza deseja ficar. E fez de tudo para continuar. Acompanhamos a guerra jurídica dela nos bastidores, e vimos que pela primeira vez Dois Irmãos tinha um juiz que se decidiu por ficar entre nós.
Este jornal viu surgir a Comarca de Dois Irmãos, quando a cidade “se emancipou” (como Comarca) de Estância Velha e o juiz Milton Augusto Moojen Júnior ficou substituindo aqui. Depois veio a doutora Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira (a mãe da deputada Manoela, do PCdoB), a Maria Isabel, Newton Fabrício, Sonali, Jonatas Pimentel e Gustavo Diefenteller, entre outros, e muitos substitutos entre os que não esquentavam banco.
Foi assim também com promotores, até chegar Wilson Grezzana, que se tornou “o” promotor de justiça da cidade. E parecia que o Judiciário, após muitos juízes que vinham e sempre estavam com o olho fora daqui, ao chegar a doutora Angela tinha encontrado seu caminho, pois ela queria ficar.
Queria. Mas não deixam.
Por que não deixam ficar?
Vai saber!
É a equação do Poder; e é insolúvel, pois quem decide sobre nós não está aqui, não sabe quem somos muito menos o que queremos.
Somos curatelados e tratados pelo Poder como incapazes. Maiores incapazes.
* * *
Na faculdade de Direito brincávamos com os professores, muitos dos quais eram juízes, dizendo que eles, os juízes, pensavam ser Deus.
Hoje dá para ver claramente que juiz realmente pensa ser Deus. Mas os desembargadores, que no jargão jurídico são chamados de “os velhinhos do Tribunal”, não pensam, eles têm certeza de que são. E Dois Irmãos está provando isso cabalmente...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um homem sem dúvida genial

Existiu um homem chamado Agostinho, que nasceu em Tagaste, no norte da África, no ano 354. Esse homem era um intelectual típico, um grande questionador, e tendo estudado retórica, acabou se tornando um dos mais profundos polemistas de sua época.
Ele praticamente embebedou-se na obra de Platão, estudou leis, tornando-se doutor em várias correntes de pensamento.
Bom vivant que era, não perdia a chance de ter uma mulher em seus braços, e com uma delas chegou a ter um filho.
Vivia em debates, em meio a políticos, normalmente ironizando-os.
Sua força retórica e seu conhecimento de filosofia, arte, ciência e leis era tanta, que não encontrando respostas para suas dúvidas, rindo dos padres, foi buscar conhecimento espiritual nas seitas, incorporando-se à dos Maniqueus, os chamados “maniqueístas”.
Beberrão, boêmio, frequentador assíduo de bordéis, sua petulância era imensa, sua arrogância sem fim e sua vaidade oceânica.
Ninguém lhe fazia frente no debate, na razão lógica, no pensar “claramente”.
Ocorre que como todo homem que vive muito intensamente, a um certo tempo tudo parece esboroar-se, desmaterializar-se, e o sexo já não sacia a carne, a água já não mata a sede e nem toda a felicidade manda embora a angústia de ser infeliz.
Foi nessa quadra da vida, quando tinha já 33 anos vivido de forma totalmente mundana, que esse homem, chamado Agostinho, foi escutar os famosos sermões de Ambrósio. E foi tal a força desses sermões nele, bateram tão profundamente em seu ser, que Agostinho jogou-se na palavra dos evangelistas e mergulhou no oceano cristão de forma arrebatadora.
Converteu-se. Tornou-se padre. Mais tarde, Bispo de Hipona, na Itália, e é a ele que a humanidade cristã deve a expressão “cristianismo”.
Até Agostinho existia Cristo, mas foi pelas pregações dele, pelos escritos dele, pela argumentação impressionante que nos deu, que surgiria, no planeta, a expressão cristianismo.
Até ele, Cristo; depois dele, o cristianismo.
E não é pouco.
Entre as várias obras de Agostinho uma deveria ser leitura obrigatória para todos os cristãos: “Confissões”. Nesse livro “Confissões”, Agostinho abre o coração e, de público, escreve quem ele era e como foi que, após encontrar-se com Cristo, tornou-se o fenomenal homem bondoso que hoje conhecemos.
Há pessoas que passam a vida sem ler um livro. Outras leem centenas, milhares de livros. Mas tanto quem nada lê quanto quem muito lê, deveria se dar o prazer, o deleite, a satisfação de leras Confissões de Agostinho.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Levamos uma rasteira cultural

Sexualidade é um tema que sempre volta à crônica e há quem goste e quem se escandalize.
A razão é óbvia: viemos ao mundo por ato sexual. Mas para nós, cristãos, o Salvador teria nascido não de relação sexual, e sim de ato divino.
Me pergunto sempre se teria o amor e respeito que tenho pelo Cristo se soubesse que ele teria nascido como eu. E a resposta é “não sei”.
Então há esse clima luminoso e sombrio sobre a questão sexual, já que para ser “grande” seria preciso ter nascido não pelas vias de cópula, como nós, e sim por ato divino de Deus, como o Cristo.
E isso nos faz mais seguro da divindade do Cristo. É que crendo no milagre da concepção divina Dele, temos certeza de que sua essência é intrinsecamente boa, como convém a um Deus.
Assim é que não há nada mais importante e assustador para o ser humano que sexo.
Se dele viemos e somos como somos e se dele “não veio” aquele que bilhões de nós crêem seja o Salvador, então o sexo se torna tão lindo e desejável quanto assustador.
E nesse terreno de luz e sombra saíram aqui opiniões sobre sexo. E as duas crônicas fixaram-se na mente de quem as leu porque estamos numa revolução sexual que ainda não compreendemos.
A nossa geração foi pega de surpresa.
Nosso pai era sexualmente careta, nosso avô, nosso bisavô, tataravô etc, todos eram caretas. E nós nos obrigamos a ser modernos sexualmente, e não é fácil.
Depois de nossos pais, a cultura nos deu uma rasteira. Veio a “modernidade” e com ela o anticoncepcional. Nasceu (que ironia!) a revolução de costumes, a mulher “se libertou” (eu não creio nisso, acho que ela virou foi escrava). Disso veio jornais, tevês e revistas transformando mulheres normais, que comem, bebem e dormem, em ícones sexuais. Veio a música e um erotismo nunca visto. Veio a moda favorecendo o corpo feminino. Veio o padrão de beleza, primeiro feminino depois masculino, e homens passaram a ter vaidades antes restritas às mulheres. Hoje, vendo-se namorados na rua (se forem de sexo oposto, bem entendido), não se sabe quem está mais maquiado, se ele ou ela. E tudo isso se transforma em sexualidade.
Uma sexualidade que nos fez tão mais feliz quanto tristes, e que precisa ser mais debatida e reconhecida, porque por mais que estejamos como imersos nisso, continuamos a não entender “bem” o que está ocorrendo conosco.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Por onde segurar um homem

Analuiza sabia que o Ateneu estava com a razão: “a humanidade se divide em gastronomia e sexo”, ele dizia. Mas Analuiza não aceitava, porque o homem como raça não se iguala aos seres brutos aos quais o Criador não deu a luz do raciocínio.
Ateneu sorria, dizendo que com ou sem “a luz divina do raciocínio”, o que o ser humano quer é sexo e comida; e acrescentava:
- E um sempre leva ao outro.
Analuiza não se deu por vencida. Está bem, pensava ela: o alimento retroalimenta o sexo e este retroalimenta a existência, e é isso que gera a explosão demográfica que põe cada vez mais seres humanos no planeta. Mas isso não nos faz iguais aos “outros animais”, ela pensava. E resolveu desafiar o Ateneu, convidando-o para um jantar sensorial, um verdadeiro brinde aos cinco sentidos e ao sentido da cultura.
O Ateneu, sempre com pensamento fixo de comida = a sexo e vice-versa, aceitou o convite.
Ao chegar a casa da Analuiza encontrou um banquete, sendo que já no prato de entrada a Analuiza harmonizava sabores com espumante.
O Ateneu a olhava, maravilhado, enquanto degustava pequenas porções que, embebidas pelo espumante, iam criando borbulhas em sua mente. E num instante de euforia racional (que eliminava todo seu determinismo cartesiano de comida=sexo+comida=sexo... e assim por diante) chegou a citar Dom Perignon, que ao beber o primeiro gole de champagne teria dito:
- Estou bebendo estrelas.
Analuiza sorriu e acendeu as velas sobre a mesa, com toalha branquíssima e pratos e talheres alvos, e seguiu nesse que a partir dali poderia se chamar “A festa de Babet”.
O Ateneu no início ainda fazia discursos racionais. Mas logo foi sendo tão cooptado pelos sabores e aromas, e entregou-se de tal forma à satisfação gastronômica, que suas recordações infantis começaram a vir à tona e, antes da sobremesa, ele até já cantava canções de ninar, lembrando da mãe que falecera quando ainda era pequenino.
Na sobremesa, e já tendo Analuiza harmonizado cada um dos três pratos principais com vinhos especialmente escolhidos para expandir o sabor de cada alimento, o Ateneu a olhava e a via como a mulher que habitara por tanto tempo seus sonhos. Não era real, ele pensou, e no entanto ali estava ela, viva, materializada, em carne, osso, alma e... comida.
* * *
Fui padrinho do casamento do Ateneu. E no altar, olhávamos a Analuiza com aquele sorrisinho maroto. E tivemos todos de concordar: homem você segura mesmo é pela barriga!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

E não é que ficou melhor que um harém?

O mercado sexual sempre foi atração e mistério. E até duas gerações atrás, esse mercado era organizado. Para ter acesso sexual à mulher havia dois caminhos:
- Namorar, noivar, casar e ter sexo ou
- Comprar sexo na zona do meretrício.
Namorar e casar, você sabe: encontrava a moça, se agradava dos olhos dela, do corpo, etc, e então se aproximava jeitosamente, oferecia um elogio, uma flor, um bombom, algo que adoçasse a ilusão dela. Vinha o flerte (o “zoinho”), a mão pegada, o primeiro beijinho, depois você ia até a casa dela, falava com a mãe e o pai, passava a frequentar a casa, uma vez por semana, duas no máximo, e se o namoro avançava você noivava e depois de um tempinho casava. E aí experimentava o “bem bom”. Só aí você experimentava o “bem bom”. Jamais antes, ou a moça ficaria “mal falada”. Você teria filhos com ela, porque casamento é para “gerar família”, certo? E com os filhos lá se ia o horário para o “bem bom”, mas você insistia e vinha mais filho, e assim quando você via já estava com cabelo branco, família criada, meio barrigudo e com pouquíssima vontade do “bem bom”. Então você morria, virando um retrato que ficaria para sempre na memória dos filhos e netos, e sempre pendurado na sala da casa do filho mais velho, que era quem herdaria as fotos da família.
Fora isso, sexo só comprando. E se o sexo familiar era organizado e protegido, assim também o era o sexo pago. Havia zonas de meretrício em toda cidade “de bom porte”. A zona era um ponto turístico masculino. Algumas eram verdadeiros bairros onde as “casas de perdição” abrigavam “mulheres de vida fácil” que trocavam seu corpo por dinheiro. Nesses bairros havia restaurantes e boates, e casas com quartos, é claro, para “instantes” ou “pernoites”. E as prostitutas eram quanto mais novas, mais caras, e se fosse argentina nova então, báh, era uma fortuna! Era tão organizado o sexo pago, que os Postos de Saúde tinham o “dia das meretrizes”, normalmente terça-feira, e nesse dia moças e senhoras “de família” não iam lá. Nessa época, quem vivia da “profissão mais antiga do mundo” sabia exatamente quem era, e não se envolvia com outras pessoas que não fossem “da vida”. E era lá que rapazes imberbes e cheios de espinha iam mortos de vergonha iniciar-se no aprendizado dos lençóis.
E era assim: casamento ou pagamento!
Então veio a pílula anticoncepcional. E o resto você sabe: o mundo, para os homens, ficou melhor que harém, porque no harém o homem tinha de manter a mulher, dar casa, roupa, comida, pagar serviçais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E se estivermos todos loucos?

Não é fácil ter de conviver com os “grandes problemas” que afetam a humanidade.
Todo dia é geleira derretendo, é violência mundialmente aumentando, é um doido na Coréia testando arma nuclear. Tem gripe mundial. Tem AIDS. Tem câncer sendo transmitido pelo sexo. Tem o avanço do mar sobre a praia. E vento de todo tipo, tufão, furacão, tornado. Tem queimadas devastando as florestas. E madeireiros cortando na Amazônia áreas maiores que o Rio Grande do Sul, deixando a floresta careca. Tem droga, crack na ralé e ecstasy na burguesia. Tem político acusado em todos os níveis. Tem o avanço da pobreza vertiginosamente no planeta. Tem veículos de comunicação incentivando a prostituição como regra de vida, a desagregação familiar como regra de vida, a traição como regra de vida.
Todo dia temos de pensar em se o correto é crer em Deus e na transubstanciação da carne e na existência da alma, ou se a verdade está no evolucionismo de Darwin. Tem a fé explorando miseráveis nas igrejas de pilantras auto-intitulados pastores, mas que são apenas vigaristas. Tem a divisão do mundo entre os radicais da fé, causando morticínios impressionantes. E dentro da cidade e do país, temos de conviver com a multidão de miseráveis, que tudo pedem e querem, e tentar não estar entre eles e correr, então, o perigo de se tornar arrogante e prepotente. Há todos os dias pressão para que você seja você, afaste-se do mundo e torne-se frio e calculista. É pressão demais na cabeça das pessoas. Elas são obrigadas a ter isso, a comprar aquilo, a ser magro e não gordo, a ser não-fumante, a não ser alcoólatra. E tudo é campanha mundial. Temos de conviver com a crônica econômica mostrando todos os dias que estamos “ali” para a quebradeira generalizada no planeta. Nossa cabeça é um sumidouro de propagandas que lançam um mundo de riquezas imensas na cabeça (aqui do Brasil, por exemplo) de 50 milhões de miseráveis que comem mal todos os dias.
Não sei como conseguimos ficar sadios mentalmente.
Talvez seja a ação divina que assim determine, ou talvez nossa estrutura psíquica e física suporte muito mais do que imaginamos.
É difícil conviver todos os dias com tantos problemas “mundiais”, que são problemas alheios e não nossos, mas que por estarem todos os dias nas tevês, rádios e jornais acabam como que se tornando nossos.
Sei lá como é que não ficamos todos loucos. Sei lá.
Pensando bem, talvez já estejamos todos loucos, e por estarmos todos loucos não tenhamos percebido nossa própria insanidade.
O que você acha?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Duas belezas condenadas ao nada

Dois Irmãos só tem duas coisas realmente belas. Uma é o morro Dois Irmãos. É um acidente geográfico maravilhoso, que toda Grande Porto Alegre avista e admira.
É o que Dois Irmãos tem de mais belo, e deveria ser preservado, tombado como patrimônio e toda a área ao redor deles deveria ser de radical preservação.
Se a primeira grande beleza de Dois Irmãos veio de um acidente geográfico, a segunda veio de um equívoco (ou seria trampa?) político-administrativo, e é a BR 116.
A 116 não era para estar nesse traçado subindo por Morro Reuter. A BR 116 era para ser construída na Avenida Presidente Lucena. Entraria por Novo Hamburgo, passaria por Estância Velha, subiria a Ivoti, desceria por Presidente Lucena e sairia em Picada Café.
Mas quando foram construir a BR116, viram que “por aqui” teria “mais asfalto” (e mais comissão) e fizeram ela por Dois Irmãos e não no seu traçado original.
A estrada ficou linda. E muito romântica, porque 60 anos atrás, quando a fizeram, algum gênio da época (que não se sabe quem foi, pois não existia o Jornal Dois Irmãos) mandou colocar plátanos em Morro Reuter. Cinquenta anos depois, este colunista incomodou os prefeitos (Arnildo Mallmann e Renato Dexheimer) a plantar novos plátanos. Em Morro Reuter o prefeito Sabá, por inspiração própria, mas baseado no projeto que fizemos, plantou antes de Dois Irmãos. E a BR 116 ficou assim, uma pista suficientemente larga para passar veículos de forma racional, e muito romântica, elogiada por todos que não enxergam apenas o próprio umbigo.
E se resume a isso o belo na nossa cidade: Os morros e a BR.
Desgraçadamente, os morros Dois Irmãos fora, transformando-se. Um deles virou “paliteiro”. E o outro, se você olhar ele lá de Novo Hamburgo, verá que o Kephas e outras daquelas vilas o estão “escalando”, construindo casas quase palafitas. Com os paliteiros do lado de cá e as palafitas pobres o escalando pelo lado de lá, o que um dia foi “belo” se tornará feio. E assim perderemos esse patrimônio estético da cidade.
E a BR 116? Bom, com as ideias que temos por aí, é provável que logo acabem com o romântico da BR: cortem todos os plátanos e a alarguem para que as pessoas possam “ir mais rápido” para Gramado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

E finalmente dá para “pegar leve”

Antigamente era preciso ser culto. Hoje cultura já era, mas se perdemos em profundidade, ganhamos em leveza existencial.
Tomada por um surto hedonista de prazer intenso e imediato, a atual geração nos ensina que "ser" é viver total e imediatamente.
Se Heidegger escrevesse “Ser e Tempo” hoje, (talvez) ele diria que Ser é viver e que Tempo é agora e ontem e amanhã são apenas delírios da mente humana.
A geração jovem reduziu “cultura” ao mínimo, e dá prioridade ao viver intensamente a vida. Esta é a geração do prazer rápido.
Observando esta geração sem complicação, até penso que a nossa geração (a dos hoje cinqüentões) não sabia viver. Nos disseram (e nós acreditamos) que o mundo era eterno e que a cultura deveria ser passada adiante. Então nos tornamos preocupados e introspectivas. Muitos de nós afundaram em depressão, foram vítimas de pressão ou fulminantes ataques cardíacos. E o pior é que geramos sem querer uma sociedade de seres que ao invés de se tornarem amorosos pelo que sabem e têm, tornaram-se petulantes exaltadores de conhecimento e riqueza.
As ruas não são fruto da atual geração, e sim de mim, meus pais e meus avós. Se não gosto das ruas, talvez na verdade eu não goste é de mim.
A atual geração pode não ser culta, nem dominar idiomas e compreender temas de ciência, religião e culturas humanas. Mas ela é mais leve do que a nossa geração, e eu diria que em muitos aspectos é bem melhor que a nossa.
A atual geração se tornou hedonista e não perde tempo, apenas vive. Há beleza e frescor nessa juventude que está nas ruas, entre os 20 e 30 e poucos anos.
Comparados a atual geração, dá para dizer que nós, os cinqüentões, "nascemos velho", pois passamos a vida acreditando que ter prazer é feio e que viver requer muuuuuito sofrimento.
Esta atual geração sabe que prazer é bom, e sabe naturalmente que viver é fácil. Eles são nossos filhos e talvez tenhamos projetado neles o mundo que queríamos viver e não tivemos coragem de viver. Nossa geração sempre teve mais medo de encarar a vida do que de encarar a morte, e deveríamos aprender com esta geração jovem que hoje está nas ruas. Talvez essa geração seja o “eu coletivo” que queríamos ser mas não tivemos coragem de ser.
Portanto, se você ver alguém “dando pau” no modo de viver da atual geração, pode saber que esse crítico está fazendo isso por que não tem a coragem necessária para ser tão hedonista quanto esta geração é.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A maior dificuldade

Se Deus soubesse o quanto é difícil viver diante do Cristo, não sei se ele não mudaria um pouco as exigências.
É que somos uma raça que vive na mentira, e a verdade nos apavora. Mas diante do Cristo não há como viver na mentira. Diante do Cristo, somos um livro aberto, não tem dissimulação possível. E Ele conhece o nosso coração, portanto conhece nossa mente, a parte mais profunda de nós o Cristo conhece.
Somos transparentes para Ele.
E essa é a enorme dificuldade de viver ou de chegar até à palavra do Cristo.
Alguns de nós chegam quase lá, mas nunca se aproximam tanto. Ficam por ali, meio que rondando o Cristo, admirando-o meio que de longe, nunca chegando suficientemente perto para conhecê-lo e portanto nunca chegando suficientemente perto para ser conhecido por Ele.
Somos um livro aberto diante de um Cristo. Sua luminosidade lança um volume tal de transparência sobre nós, que nada fica às escuras em nosso ser. E essa é a dificuldade que a palavra do Cristo encontra na humanidade. Diante Dele nós homens nos conhecemos. Diante Dele a verdade do que somos se apresenta para nós. E temos então de viver como somos, abertamente, sendo nós mesmos. E isso nos dá um medo terrível.
Por isso não me parece que queiramos a verdade. Fingimos procurar numa religião uma certa felicidade, mas não procuramos nela a verdade. Se a verdade existe, não queremos saber. Tememos que diante da verdade nossas verdades todas sejam conhecidas, e nós então reconhecidos.
A verdade nem sempre nos interessa. Nem sempre nos diz respeito. A maioria de nós vai à Igreja procurando ser feliz. Mas a felicidade é apenas um subproduto da verdade. Quem procura a felicidade não a encontra. Talvez a encontremos se procurarmos a verdade. Mas a verdade, o Cristo, é tenebrosamente assustador. Não suportamos ver que o outro nos vê realmente como somos. Então fingimos buscar no Cristo a felicidade, para não encararmos a verdade. E é por isso, talvez, que fizemos da religião um clube de finais de semana, de domingo pela manhã ou de noite, apenas. É duro encarar a verdade de nós mesmos, pensamos, é melhor fingir que estamos buscando a felicidade. Mas a felicidade só pode ser acessada com a verdade. Se encontrássemos a verdade encontraríamos a felicidade permanente, talvez. Mas não queremos a verdade. Então fingimos buscar a felicidade, e assim logo após momentos de pequenos reflexos de felicidade, retornamos a miséria da existência infeliz.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Luna prova: em NH “Ser” já era

Novo Hamburgo não cuidou dela mesma e foi por isso que assistimos a decadência de um belo estilo de vida que a capital do calçado vivia ainda nos anos 70.
Novo Hamburgo acreditou no “ter” como fonte da felicidade. E assim foi que ergueram-se as fortunas daquela cidade, hoje todas dilapidadas e cada uma das empresas já falidas ou fechadas. Os carrões, as festas, a arrogância de quem ganha dinheiro mas não administra com o coração, tudo isso levou Novo Hamburgo a se tornar uma sociedade de exaltação.
Surgiu um racismo contra o “não ter”. E em Novo Hamburgo quem “não tem” simplesmente “não é”, não existe.
E o exemplo síntese desse declínio cultural é aquela pervertida, que ao ver-se financeiramente quebrada degolou marido, sobrinha-afilhada e irmã, para “livrá-los do sofrimento da falta de dinheiro”, como ela mesma disse.
Em Novo Hamburgo não se senta na mesa sem falar de futebol. Ou de “ganhar dinheiro”. É só o que dá.
E nas reuniões “de amigos” cada um tenta mostrar o quanto “está melhor” que os demais.
Se você puxar um assunto mais profundo, amoroso, feliz e intelectual, como arte, música, ciência, religião, cultura, assunto que não esteja na rés-do-chão, logo todos se encolhem e você se torna um ser assim, tipo meio “perigoso”, uma espécie de alienígena.
Foi nessa abominável instância do “não ser” devido ao excessivo desejo de “ter”, que Novo Hamburgo aceitou pacificamente o fechamento na semana passada do Luna Bar.
A mais tradicional casa de café para os poucos que não pautam sua veia na cultura rastejante do só “ser” se “ter”, foi fechada sem guerra.
Nem políticos. Nem empresários. Nem o vulgo. Ninguém se rebelou.
O Geraldo Fink abaixou a cabeça e acatou a lei que protegendo o direito de propriedade do bispo Edir Macedo (que fez fortuna logrando a ignorância alheia na Igreja Universal) despejou a pontapés o Luna Bar.
Fecha-se assim a última porta que tinha fisionomia diferente em Novo Hamburgo.
Aprendemos, finalmente, o caminho da submissão. Novo Hamburgo deve priorizar apenas o “ter”.
Afinal, para que “ser”?
“Ser” já era.
Como o Luna Bar: já era!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

E o universo é uma bolha

Fui reler Bolha-Zite-2, o livrinho de ficção científica que escrevi em 1997.
Ao final da leitura, que me tomou duas horas nas quais mergulhei num mundo de fantasia e tecnologia, fiquei feliz em ter escrito Bolha-Zite-2.
É uma estória de ficção bem bonita.
Tem traição. Tem crime. Tem a estrutura do Poder (universal). Mulheres e homens, soldados e naves, ciúmes e vaidades, ascensões e quedas.
E tem um desfecho muito bonito, que é quando o ser humano encontra-se diante do verdadeiro amor e precisa decidir se fica com ele ou se o manda embora.
Na época em que o escrevi (12 anos atrás) estava em debate a teoria da existência dos Uni­versos Paralelos. É uma teoria simples, cujo defensor é um astrofísico muito famoso, que disse:
- O universo teve um começo (o big-bang) e se expande. E se ele se ex­pande é por que ele é um tipo de bolha. E se ele é uma bolha, podem existir outros universos, além deste em que vivemos.
Foi uma gritaria entre os cientistas. Mas como quem disse isso foi Stephen Hawking, o mais respeitado dos astrofísicos, surgiu a teoria dos Universos Paralelos.
E, desde então, nos círculos científicos se debate a possibilidade do universo ser uma bolha, e haver, além deste nosso universo-bolha, outros universos.
Essa teoria é temida por que se for verdadeira ela na prática impossibilitará responder (cientificamente) a nossa maior dúvida, que é esta:
- Afinal, de onde viemos?
É nessa teoria do universo como bolha que me inspirei para escrever o livrinho Bolha-Zite-2. E, após relê-lo, confesso (sem vaidade) que é um romance agradável, obviamente para quem gosta de romance, gosta de ficção e (mais grave ainda) gosta de ler.
Para ser franco, nem lembrava mais dele, até a querida amiga Salete (ali da biblioteca municipal) solicitar, na semana passada, que coloque alguns exemplares dele à venda na Feira do Livro.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Olhai policiais e professores

Vão destruir a dona Yeda.
É tanta denúncia e opiniões negativas sobre ela, que mesmo que prove o contrário ela não se livrará.
A população está tão envenenada, que execrará ela sem se interessar em saber se é ou não a ré que dizem (ainda sem provas) que ela é. E ela vai sucumbir.
É pena. E caso isso seja inevitável, a dona Yeda ainda pode deixar mais bom exemplo.
O primeiro bom exemplo ela já nos deu ao organizar as contas do Governo do Estado e colocar ordem financeira no caos que vinha de governador em governador. Esse mérito não se tira dela: ela arrumou financeiramente o governo.
O segundo exemplo ela pode dar agora. A dona Yeda pode, em ato de governo, encaminhar um aumento salarial vigoroso para duas categorias que podem salvar o Rio Grande da catástrofe.
A primeira categoria é a dos policiais. A dona Yeda deve mandar um aumento de 100% aos policiais militares e civis do Estado. Dobrar o salário assim, direto: 100% a mais. Recuperar a felicidade profissional nessa categoria, através de um salário digno.
A segunda categoria é a dos professores. Dona Yeda deve dar na lata, sem negociação, 100% de aumento aos professores. Mas sem falar. Dar por dar. Só aumentar. Sem piedade com as finanças do Estado. Aumentar todos os professores em 100%, e não exigir nada em troca, servindo a mesma exigência zero para os policiais militares e civis.
Não sei se dona Yeda fez o que dizem. Não creio que tenha feito.
Em política, “a mão que afaga é a mesma que apedreja”. E além disso, quem acusa o outro de um defeito, via de regra o faz tentando esconder seu próprio defeito. Então não a julgo, nem julgo seus algozes. Votei nela e espero que seja inocente, ou me sentirei culpado.
Mas ocorra o que ocorrer, ainda resta algo de bom: ela pode salvar policiais e professores. São duas categorias que, tal qual a finança do governo do RS, que ela organizou, estão de há muito precisando ser salvas. E agora só depende dela.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Não merecia tanto

Como todo filho de descendentes espanhóis e portugueses, amava profundamente meu pai. Ele era homem simples, sem o vigoroso lume das letras, mas com um coração imenso e sensibilidade à flor da pele. Recordo dele como herói, me levando no varão de sua bicicleta com o vento soprando meus cabelos de criança.
Depois cresci. Veio a adolescência. Rebeldia. Prepotência. E no final da vida dele, que foi curtíssima, pois faleceu aos 78 anos, adorava ir lá em Vacaria e ver a bicicleta dele estacionada no Café Avenida, que ficava na esquina da praça central. E ele morreu.
O tempo andou e depois de 46 anos acabei virando pai também. E um dia, abraçando o pequenininho, senti uma sensação incrível. Ele tinha dois anos e me apertava com seus bracinhos de forma tão forte e carinhosa, que mergulhei no tempo e senti exatamente como era quando meu pai me abraçava dessa mesma forma. Nunca tive tanta saudade do meu pai!
Foi incrível. Havia naqueles bracinhos me apertando e nos meus que o abraçavam, a mesma ternura, amor, respeito, esperança e alegria que eu tinha ao abraçar o meu pai e ser abraçado por ele, quando tinha dois anos também.
Sou um homem normal. Sou réu confesso de muitas coisas ruins e algumas poucas boas. Saí de casa muito cedo, acreditando ter uma razão que, sei agora, não me assistia.
Andei. Amei. Briguei. Construí. Destruí. Fiz algumas ações de bondade. Outras tantas de iniqüidades não desejadas. Não conquistei fama nem a fortuna do dinheiro. Talvez eu nunca vá ter um castelo. Mas não importa. Nada disso importa quando olho aquele pequenino ao meu lado, dizendo que me ama tal qual eu dizia que amava o seu Alan Caldas.
Nos lugares onde estive. Nos medos que passei. Nas coragens que descobri. Nos braços. Nos teatros. Nas grandes avenidas. Nos hotéis, praia, países... Nada disso se compara a experiência incrível de acompanhar o desenvolver da inteligência e do amor de um pequenininho.
Não sei se o seu Alan pensava isso, mas eu certamente não merecia alguém tão amado e querido quanto o seu Adam Johannes.dá nojo.
A história relata guerras e morticínios, sofrimentos e dores, momentos de escuridão na humanidade e que sempre são causados por seres semelhantes a esses, aqui citados.
É incrível como florescem neste planeta pessoas desvirtuadas da criação, para as quais a palavra do Mestre dizendo "amai-vos uns aos outros" nada significa.
É impressionante como cresce a tribo dos que parecem ter chegado a terra usando a escada que (segundo John Milton) Lúcifer mandou construir para trazer de lá para cá seus asseclas e levar daqui para o Inferno as almas por ele conquistadas.
Por isso estamos descrentes do Estado como instituição. Já não cremos nos políticos. Já não acreditamos na justiça. Já não cremos nos promotores da lei nem nos executores dela, muito menos em seus criadores.
Nunca antes o Rei esteve tão nu quanto agora.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Rei está nu

Não se sabe quando a política se tornou um nojo, mas é certo que não é de hoje e é absolutamente certo que isso se deve aos políticos.
Nos filmes sobre o império romano sempre se vê um imperador nas frentes de batalha, conquistando terras e povos, anexando culturas, e sempre tem o senado e os senadores, um bando de velhos podres, tipos humanos viperinos e peçonhentos, falsos que é um nojo.
Nos filmes sobre a Grécia antiga, vê-se a Esparta guerreira, treinando seus filhos e forjando na lança, na espada e na honra o aço da personalidade das crianças espartanas. E vê-se, também, a Atenas, culta, matemática e filosófica. Mas em contraposição a essa maravilhosa Arete grega, vê-se os políticos gregos, via de regra velhos pederastas armando bote, intrigando e encontrando defeitos nos outros (para esconder os deles próprios), e nojentamente colocando armas e cultura a serviços da astúcia.
Nos filmes em que Hollywood aborda a política sempre aparece um ser humano bom, entre eles. Mas é único. É a exceção na regra de muitos mal-intencionados, cheios de apetites pessoais, buscando interesse próprio e não o coletivo, e vivendo numa vaidade tão delirante que até dá nojo.
A história relata guerras e morticínios, sofrimentos e dores, momentos de escuridão na humanidade e que sempre são causados por seres semelhantes a esses, aqui citados.
É incrível como florescem neste planeta pessoas desvirtuadas da criação, para as quais a palavra do Mestre dizendo "amai-vos uns aos outros" nada significa.
É impressionante como cresce a tribo dos que parecem ter chegado a terra usando a escada que (segundo John Milton) Lúcifer mandou construir para trazer de lá para cá seus asseclas e levar daqui para o Inferno as almas por ele conquistadas.
Por isso estamos descrentes do Estado como instituição. Já não cremos nos políticos. Já não acreditamos na justiça. Já não cremos nos promotores da lei nem nos executores dela, muito menos em seus criadores.
Nunca antes o Rei esteve tão nu quanto agora.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

“SPA” em Dois Irmãos e Morro Reuter

Dois Irmãos e Morro Reuter estão numa área estratégica para ter serviços de “vida boa”.
Empresas tipo SPA, onde pessoas com poder aquisitivo vão em busca de viver melhor, estão caindo de maduro para ser implantados aqui.
Não existe nada assim na Grande Porto Alegre. E mesmo em Gramado é só o KUR.
Estando Dois Irmãos e Morro Reuter numa região alta e tendo deslumbrante clima de montanha, empreendimentos como esses são um prato cheio.
A população está envelhecendo. Cada vez mais nos preocupamos em o que fazer quando aposentar. E mesmo agora, em plena vida economicamente ativa, você anda com o nível de estresse saindo pelas orelhas e quer algo que ajude você a “melhorar” sua vida. E é nesses três itens que entram os tais SPA.
Quem investir nisso e não for imediatista terá retorno financeiro e prazer, pois deve ser uma alegria receber pessoas que chegam acabadas e saem felizes por ter investido nelas mesmas.
E nem é preciso investimentos enormes para isso. Tem bolso para todos os tipos de “SPA”.
O bem-estar para quem ganha 2 mil por mês é uma coisa. Para quem ganha 30 mil por mês é outra. E para quem ganha 100 mil por mês é outra. Então se vê que tem público para todos os investimentos. E bolsos para todos os preços.
Mas paciência é fundamental. Quando o doutor Silveira e sua esposa começaram o KUR, Gramado já tinha tradição de viver bem e era turística. Porém, mesmo Gramado já sendo “Gramado”, os Silveira só chegaram a ser “o” KUR com muita dedicação, trabalho, perseverança e esforço. Eles envolveram a família toda e as filhas se graduaram em áreas afins ao empreendimento KUR, mas hoje KUR é um marco no Brasil. O exemplo deles é clássico: boa idéia e trabalho.
Dois Irmãos e Morro Reuter têm áreas lindas e clima mais espetacular que o de Gramado, pois não temos o frio de gelar ossos. E temos um atrativo que Gramado já não tem: comunidade!
Próximo de Porto Alegre e tendo tradição alemã, empreendimentos nessa área de bem-viver têm tudo para dar certo em nossa cidade. E não precisa ser só para os podres de rico. Tem bolso para todos os custos. E muitos querem apenas passar dois ou três dias numa chácara, vivendo “ao natural”. E a isso vai se agregando alimento, saúde, meditação, passeios e quando se vê lá está um SPA novo, trazendo dinheiro para Dois Irmãos.
E se você criar um desses, não esqueça de assinar e anunciar no Jornal Dois Irmãos, pois foi daqui que você tirou essa idéia...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Uma edição inesquecível do JDI

Quem acompanha o Jornal Dois Irmãos está lendo as páginas “do passado” que estamos publicando diariamente.
Esse material, feito pela equipe do JDI, com entrevistas exclusivas e direitos autorais reservados juridicamente, é um esforço deste jornal em retomar a história que se perdeu no tempo.
No início deste ano, e em preparação aos 50 anos do município, fizemos um longo debate sobre o que fazer para a edição do JDI que comemorará o cinquentenário de Dois Irmãos.
Depois de muito debater, pensar, se irritar, rir e quase chorar, resolvemos tirar da pré-história o “estilo de vida” que os moradores de Dois Irmãos tinham “até 1959”, o ano da sua emancipação de São Leopoldo.
Fizemos uma pauta de 50 assuntos que pudessem esclarecer como viviam os dois-irmonenses até 1959, abordando saúde, educação, segurança, comunicação, energia, água, hábitos de higiene, comércio, religião, família, casamento, nascimentos... e muitos outros.
Em cada assunto foi feita uma pesquisa séria, uma conversa com "quem viveu" cada fato. Em cada reportagem, duas, três, quatro, até 10 pessoas foram ouvidas, para que o relato desse passado viesse para nós, agora, com exatidão e precisão, sem erro.
Esse material é um esforço que fazemos para jogar um facho de luz no passado já quase esquecido. Para mostrar que não aparecemos simplesmente no mundo, mas somos fruto de uma história, fruto de pessoas que antes viviam em condições dificílimas e foram se esforçando para ir tirando o ruim e deixando o bom, que faz nossa vida mais fácil hoje.
Para mostrar como Dois Irmãos “era”, ouvimos pessoas até de 100 anos de idade. Vai ser uma edição inesquecível. Um legado do Jornal Dois Irmãos para a cidade. Um material jornalístico repleto de pesquisa narrando experiências de vida. A história como ela foi. Um material precioso que vai encantar a todos quando chegar às ruas, em setembro próximo.
E até nós, com toda estrutura de jornal, tivemos de nos esforçar para não desistir, pois as vezes se olha às ruas e (erroneamente) se pensa que não se tem mais nada a ver com elas.
Mas finalmente estamos concluindo esse trabalho. E você terá acesso a tudo isso na edição especial de setembro, comemorativa aos 50 anos de Dois Irmãos.
Nunca se sabe para que se veio ao mundo. Mas em edições como será essa de setembro, se tem pelo menos uma pálida desconfiança de qual seja a razão do nosso existir.doenças “novas” que temos assistido e que ninguém sabe como chegam até nós.
Na bolsa de Nova Iorque, porém, algumas empresas fabricantes de medicamentos crescem o valor de suas ações.
Se morreram alguns?
Ah, tá. Mas o que são “alguns”, nestes 6 bilhões e meio de “gentes” que somos?
“Alguns” sempre morrem, não é?
Faz parte...
E assim a crueldade fica comum, fica banal, normal, e a inocência que caracteriza o ser humano tal qual o criador o pensou, vai desaparecendo em nossos gens, vai ficando insignificante ao ponto de um dia olharmos para as crianças e não vermos mais aquela doçura de anjo com a qual todos nascemos.
E então você dirá: “E daí?”
E completará, dizendo:
- Já quase ninguém tinha inocência mesmo...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O que são “alguns”...

No início eram os porcos. E eles caminhavam sobre algo fétido e pegajoso. Eles espirravam, e deu-se a eles a culpa.
Então, aquele prédio de Nova Iorque, com bandeira de tudo que é país e que tem moscas ao redor, foi tomado de súbita compulsão. E sua direção se reuniu, decidiu, e a ONU disse:
- É pandemia!
A gripe suína trocou de nome e passou a se chamar A (e mais umas letras que não se sabe o que significa).
A tropa de elite, que é a imprensa, logo trombeteou. E os políticos viram bom motivo para derrotar quem hoje está no poder. E começou a confusão.
Morre um aqui. Outro ali. E as mortes se sucedem. Em série medonha, como toda morte anunciada.
A população, assustada e desinformada, começa a entrar em pânico.
Médicos dão declarações vagas.
Jornalistas supõem isso e aquilo.
Direto da Casa Branca, e como chefe do mundo, o presidente Obama manda:
- Vamos lavar as mãos.
E ninguém mais se cumprimenta.
O prefeito de Nova Iorque manda que as pessoas fiquem a 8 metros umas das outras. E vai ter nova-iorquino em Dois Irmãos.
No início diziam: só vai morrer os “descuidados”: fumantes, alcoólatras, viciados, esse povo.
Mas que! Começa a morrer criança sadia, gestantes, adultos bons de braço e de sangue.
A vacina chega.
O inverno cede.
A nova gripe se “acultura” na cultura de muitas doenças “novas” que temos assistido e que ninguém sabe como chegam até nós.
Na bolsa de Nova Iorque, porém, algumas empresas fabricantes de medicamentos crescem o valor de suas ações.
Se morreram alguns?
Ah, tá. Mas o que são “alguns”, nestes 6 bilhões e meio de “gentes” que somos?
“Alguns” sempre morrem, não é?
Faz parte...
E assim a crueldade fica comum, fica banal, normal, e a inocência que caracteriza o ser humano tal qual o criador o pensou, vai desaparecendo em nossos gens, vai ficando insignificante ao ponto de um dia olharmos para as crianças e não vermos mais aquela doçura de anjo com a qual todos nascemos.
E então você dirá: “E daí?”
E completará, dizendo:
- Já quase ninguém tinha inocência mesmo...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Se ocorrer, culpe os porcos!

A saúde virou uma indústria onde laboratórios farmacêuticos investem trilhões procurando cura para doenças.
Procurando “a cura”? Tem certeza?
A “cura” não parece ser bom negócio para quem fabrica remédio. Fabricar medicamento é um negócio como qualquer outro. E num negócio é preciso manter o cliente.
Por exemplo: no jornal se conquista o assinante e se dá a ele informações que façam ele querer renovar sua assinatura todo mês. Na padaria o pão é quentinho e saboroso, e você volta nela atrás disso. Jornal e padaria se esforçam para ter o cliente “sempre”.
Com remédio não é diferente. Por qual razão o fabricante iria querer o cliente (o doente) “só uma vez”?
Não há lógica empresarial nisso.
Um negócio tem de durar e dar lucro. E o fabricante de medicamento que encontrar a cura, terá cliente uma única vez.
Se fosse dono de laboratório, você descobriria “a cura”? Ou descobriria como amenizar a doença e manter o cliente indo na farmácia comprar uma “quase cura”?
Essa é a indústria da doença. A alma dela.
Laboratórios investem trilhões não para achar “a cura”, mas a “quase cura”.
O que se busca é o meio termo que faz você ficar vivo, porém “meio doente”, e assim os laboratórios continuam faturando na sua doença. É podre, mas é a lógica do sistema: lucro máximo e consciência zero.
Além de manter fiéis consumidores, os laboratórios precisam como toda empresa “renovar” seu cadastro de clientes. E, dentro do foco empresarial deles, os laboratórios podem, não quer dizer que façam, mas podem pesquisar novas doenças. Eles podem encontrar novas doenças e espalhar elas numa região ou no planeta e assim criar sua nova clientela. E então, diante dessa nova doença, fornecer o medicamento.
Acorde. Fabricar medicamento é negócio.
Tem muito negócio antiético por aí. A fabricação de armas, por exemplo. A fabricação de drogas, por exemplo. A proteção a criminosos (a máfia). Esses são três “bons negócios” que estão na nossa fuça todos os dias e praticamente ninguém reclama.
Num mundo onde se aceita pacificamente negócios como arma, droga e crime, um laboratório pode investir na criação de doença. Isso pode ocorrer. Não quer dizer que ocorra. Mas pode ocorrer. E, se ocorrer, você simplesmente culpa “os porcos”, e fica tudo bem. Entendeu?

Ambos estão certos? Ou ambos errados?

Muitos professores estaduais em Dois Irmãos (e fora daqui) estão reclamando da decisão de não retornar das férias no período combinado e prorrogar por mais duas semanas o recesso. Essa decisão, decretada pela Secretaria Estadual de Educação, visa, segundo a secretária Marisa, prevenir as crianças (e professores) de um surto da gripe “suína”.
Com a prorrogação das férias por duas semanas os professores vão entrar janeiro de 2010 para recuperar as horas. Ou fazer uma matação e não recuperar.
De qualquer forma, pode acontecer mais uma vez a “educação de aparência”, quando professores, alunos, pais e governo “empurram com a barriga” e fica-se no faz-de-conta que ensina e no faz-de-conta que aprende e chega-se ao faz-de-conta que educa. E assim o Brasil se torna Brasil.
Desta feita, no entanto, a falta de aula não ocorrerá por greve, e sim, para prevenir uma expansão do vírus da gripe A. E tem algo muito estranho em tudo isso. Por exemplo:
O secretário de Saúde, doutor Osmar Terra, que é médico e entende do metiê doença, tem dito sistematicamente que essa gripe é “zinha”, não é “zão”, ou seja, é uma gripe como outra qualquer, tendo inclusive efeitos menos danosos que a “gripe normal”. Mais ou menos isso é o que o doutor Osmar Terra, colega da Secretária de Educação, tem dito em jornais.
Portanto, não há, ou não deveria haver motivo para alarde. E nas entrevistas dele, nota-se a preocupação de evitar as tradicionais histerias, quando a população menos culta (para quem se escreve uma coisa e ela lê e entende outra) não compreende o que está dito e logo “se apavora”, lotando postos de saúde, se auto-medicando e criando no imaginário coletivo as crendices que levam ao atraso.
No entanto, e apesar do doutor Terra estar se escabelando para dizer que a gripe “é normal” e até “menos perniciosa” que a gripe tradicional, a Secretaria de Educação prorroga as férias de julho. No entanto, Osmar Terra disse (ainda ontem) que “99% das pessoas não vão pegar a gripe e do 1% que vai pegar, 99% não terá risco de óbtio”.
E aí não se entende mais nada.
Quem está certa? A Secretaria de Saúde ou a de Educação? Será que esse pessoal não conversa, não troca informações entre si?
Com tanta informação contraditória, a população só pode entrar em histeria. Afinal, se nem “os grandes” sabem o que dizem, como é que nós, a ralé de baixo, vamos saber?
E a propósito: Daqui duas semanas, todo o perigo de contaminação já terá passado?