terça-feira, 30 de junho de 2009

O delegado tem de explicar bem

Na madrugada de sexta para sábado arrombaram e roubaram a farmácia do Jair Quilin, na avenida São Miguel, e a loja Artepell, na avenida Irineu Becker.
Foi um arrombamento com procedimento típico: arrombaram a fechadura e entraram.
Na madrugada de domingo para esta segunda-feira, outro arrombamento. Desta vez na loja Kinei Calçados.
As características do arrombamento eram as mesmas das duas anteriores: o trinco da porta estourado.
Nesta última vez havia alarme na loja, e quando ele disparou a Brigada Militar foi acionada. Além de alarme, tinha também câmera de vídeo interna e externa, e lá estava a fachada dos três arrombando para roubar. Um que entra. Outro que dá proteção na frente da loja. E outro que fica na campana do outro lado da rua.
Com a polícia avisada, imediatamente duas viaturas que estavam na área começaram a procurar. E logo encontraram três homens andando na 25 de julho, tendo, com eles, o material roubado na Kinei Calçados.
Os três foram detidos. Dois deles eram menores. E menor a lei “mais ou menos” protege.
A Brigada, porém, tendo em vista o material do roubo encontrado, levou a trinca para a delegacia de Novo Hamburgo. Era para serem autuados em flagrantes, afinal, foram flagrados com o roubo e a câmera de vigilância os flagrou também. Tudo certinho para pelo menos irem dormir no xilindró.
Mas eles foram dormir lá?
Que nada! A delegada de Novo Hamburgo “não aceitou” autuar em flagrante.
Veja bem: não é o delegado de Dois Irmãos. O fato ocorreu de noite e porque a delegacia daqui (ainda) não tem plantão, leva-se os detidos a Novo Hamburgo. E a delegada de lá não homologou o flagrante.
A população não entende como isso ocorre. A impressão que fica é de que não há lei. Os três estão lá, estampados como ladrões no vídeo, flagrados como ladrões com o objeto do roubo na mão e ao chegar na delegacia se livram soltos.
Seria bom o delegado regional, que comanda a Polícia Civil, baixar nota esclarecendo “exatamente” o que ocorreu.
Casos como esses não podem ficar assim, no macio, como se toma um refrigerante. Está em jogo o patrimônio dos que foram roubados. E mais do que isso, está em jogo um estilo de vida honesto.
Com a palavra, o delegado regional Mauro Vasconcellos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A arte de sermos nós mesmos

Existem coisas que se detesta fazer e se faz. E coisas que se adora fazer e raramente se faz.
Mas cedo ou tarde você descobre que quem está aprisionado ao seu corpo é você. Então você percebe que não tem obrigação de fazer o que não gosta. Ou não fazer o que gosta. Afinal, prisioneiro de si mesmo, tudo que faz ou não faz é problema seu.
Então ficamos assim:
Se você gosta de amar, ame.
Se adora romance, vivencie ele.
Se gosta de pegar na mão da namorada, dar presentinho e enchê-la de beijinho, carinho e palavras bonitas, faça isso o mais que puder.
Não perca tempo. Tempo é vida. É a sua vida.
Não receie amar. Ame seja quem for. Quantas forem. Quem realmente gosta de você, gostará como você é. Ou nunca terá gostado.
Amor é como gás. Não o aprisione.
Amor fechado no peito se expande e contamina seu sangue, mente e alma, e envenenará para sempre o seu ser.
Fale o amor que sente; chore, ria, brinque o amor. Mas lembre que apesar do que nós homens pensamos, o amor não é macho nem fêmea, nem é criança, adulto ou velho. O amor sempre será um bobão en-can-ta-dor!
Há quem não goste de rir. Que pena!
Viva se arreganhando, se você gosta. Sorria feito idiota, se lhe faz feliz. Se você tentar ser igual aos sisudos só para ser aceito por eles, se tornará um redondo imbecil.
Vida é doçura. A vida é tão meiga, doce, terna, suave e fogosa quanto a mais adorável amante que alguém possa ter. Então, sorria com a vida, ame-a, namore-a, seja ela.
Jamais faça de conta que não é inteligente. Não cometa esse equívoco! Não se alinhe por baixo, ou acabará rastejando.
Deixe na deles os que não têm ideias, que não sorriem e não amam.
Deixe eles. E seja você.
E atenção: toda manhã acorde sorrindo. Não há nada pior que mau humor matinal. Acorde sorrindo, seja onde ou com quem você acorde. E vá em frente:
Se gosta de elogiar, elogie.
Se gosta de beijar, beije.
Se gosta de namorar, namore.
Se quer passear, passeie.
Se deseja amar, ame.
Você nada tem a ver com os outros. Não abdique dos seus dons. E não pense que isso é ser egoísta. É apenas ser adulto.
E é duro ser adulto. Dá medo e raiva, rancor e remorso, alegria e tristeza, pois só em adulto você reconhece sua virtude e seus vícios. Mas você chega lá. Não esmoreça. E aos que apontam o dedo para você, ofereça seu sorriso, assim eles verão nesse espelho os defeitos de si mesmo que tentam imputar a você.
Jamais tente ser outro. Se tiver de tentar algo, esforce-se por descobrir a maravilha que é ser você mesmo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Seria a pá de cal na nossa utopia?

Aprendi nos Guerrilheiros da Notícia, com Antônio Carlos Baldi e Flávio Alcaraz Gomes, que debate tem de ter elogio, crítica e bom humor. E de vez em quando tem de sair uns puaços, como num rinhadeiro onde se confrontam galos guerreiros. Mas tudo com respeito, já que somos (pretensiosamente) civilizados (hí, hí, hí...). Até porque, ideias não são metais que se fundem.
Assim participamos na terça-feira de um debate na rádio ABC, sobre a duplicação da 116 em Dois Irmãos. Estavam lá Daniel Kuhn, prefeito Miguel, vereador Filipin, tenente Tavares e Luis Lauermann, mediados pelo radialista Luiz Fernando.
A duplicação tem méritos e deméritos, e alguém precisa dizer quais são os deméritos. Junto com o Daniel Kuhn fizemos esse contraponto, defendendo a exceção da regra. E descobriu-se uma falta de sinceridade: diziam que a duplicação estava "em discussão". Mas na verdade não está. A duplicação vai sair e ao que parece só nos resta aplaudir ou vaiar. O destino da 116 já foi escrito e não foi por nós, mas por outros. E foi escrito, ao que parece, em ato secreto, mesmo que seja a nós (e não a esses outros) que essa obra vá beneficiar ou prejudicar.
Como civilmente incapazes, fomos curatelados. Decidiram por nós. E até já tem empresa ganhando para fazer o projeto. Então não duvide se igual aos “segredos” do Senado os políticos aqui da região já saibam qual empreiteira ganhará a obra de duplicação.
Afinal, carreira (e comissão) se ganha “no amarrar” a proposta e não “no correr”, não é mesmo? Hê, hê, hê...
Porém, o debate foi agradável. Um confronto de ideias inúteis, pois a obra está decidida, mas que reuniu pessoas de opiniões diferentes e respeitadoras entre si. E mesmo que já esteja acertada a duplicação e sejamos todos claque (e não agentes da história), valeu o encontro.
Fizemos lá o (necessário) papel de Advogado do Diabo. E como você bem sabe, o advogado do diabo é a pessoa que o Papa nomeia para ver se há defeitos no cristão que pretendem santificar e assim evitar que um malvado seja elevado ao grau de santo.

* * *
Só para finalizar, registro:

I- A Dois Irmãos dos nossos sonhos não é “mais uma” na Grande Porto Alegre.
Mas veja: talvez a Dois Irmãos dos nossos sonhos já não exista, e nos reste “ser mais um” nesse longo eixo de nenhuns que se estende de Porto Alegre até aqui. Viva a pasteurização, então, que nos transformando numa sociedade amorfa colocará (mais uma) pá de cal sobre a nossa já esmorecida utopia local.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vai ser um período inesquecível

Sábado, às 16h, na Atiradores, o secretário de Educação Maurício Klein e sua equipe se reunirão com os integrantes da Associação dos Estudantes Universitários e de Ensino Técnico de Dois Irmãos, a AUDI, e celebrarão o convênio de parceria entre prefeitura e AUDI.
A parceria visa favorecer estudantes universitários e técnicos, dando-lhes um auxílio-transporte que a lei não obriga a Prefeitura a dar. E, em troca, os 500 estudantes prestarão horas de trabalho voluntário em vários setores da sociedade dois-irmonense.
Essa ideia de criar uma brigada de voluntários a partir do auxílio-transporte fornecido aos estudantes da AUDI pela prefeitura, foi sugestão deste jornal. E deste colunista.
E não foi sugestão de agora. Já a demos no governo passado. Mas naquele governo (como muitas outras coisas) nada se fez, e a prefeitura só paternalizou o transporte sem transformá-lo numa doação educativa.
Esses 500 jovens que saem de Dois Irmãos para estudar fora precisam de apoio. Um apoio que muitas gerações não tiveram e que para estudar tinham de ir a pé, de carona ou pagando de seu próprio bolso. E a prefeitura faz muito bem em apoiá-los.
Mas tem de ser um auxílio educativo. E foi isso que sugerimos ao prefeito Miguel, que por ser professor compreendeu integralmente a proposta e logo a abraçou. O prefeito a repassou ao secretário de Educação Maurício Klein e este, com sua equipe, mais seu talento de negociador (que ele aprendeu nos muitos anos de sindicalismo) conseguiu algo sensacional.
Maurício e sua equipe foram muito além do que imaginávamos. Eles criaram vários balcões de voluntariado, que vão da educação ambiental a assessoria jurídica, e os alunos que apoiarem a ideia se recordarão para sempre desse maravilhoso período de suas vidas.
Esse trabalho de voluntário que os estudantes prestarão lhes fará pessoas muito melhores e muito maiores. Um exemplo será o do Fórum, onde a doutora Ângela Paps Dumerque necessita de apoio no atendimento ao público e que, em lá indo, os estudantes de Direito terão a vida forense na prática e não apenas na teoria. E embora nada seja mais prático que uma boa teoria, a prática se torna fundamental aos que se tornarão operadores do direito. E assim ocorrerá em todas as demais áreas do conhecimento às quais estão se dirigindo nossos estudantes nesse trabalho voluntário.
Para encerrar, precisamos dizer que o Brasil tem saída, e são ações como essa, entre poder público e sociedade civil, que pode reverter essa vergonha que somos e nos transformar numa nação.

(Publicada dia 19-06-09)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ensinando e aprendendo a ser grato

Nenhuma pessoa pode se acreditar cheia de “direitos”. Ter direito é uma ficção criada para acalentar o medo que temos da solidão que é viver.
Alguns, que sem dúvida eram geniais, resolveram transpor da família para a tribo e desta para a sociedade, essa ideia de que temos “direitos”.
A vida, com ou sem civilização, sempre foi e é e para sempre será um eterno conquistar. Um lutar por ter. Um fazer por merecer. E nenhum iluminista ou marxista ou fenomenologista ou teólogo ou químico, jurista ou político conseguirá mudar isso no existir humano.
Para viver você tem de ser e, se para ser, você tiver de ter, isso será um problema seu. E é assim que cada um fez e fará sempre por si o seu caminho.
Porém, ao longo dos anos passaram a nos fazer crer que “temos direito” de ter aquilo pelo que não lutamos. Nos fizeram acreditar que temos direito de ter acesso a benefícios pelos quais não trabalhamos. E nos fizeram acreditar nisso simplesmente nos fazendo crer que somos integrantes de uma sociedade e que essa sociedade, na qual contribuímos muito pouco, tem, ela própria, com o esforço de todos os demais, de bancar o nosso bem-estar. Nossa saúde. Nossa educação. Nossa segurança. Até nosso lazer, transporte, alimentação, vestuário e tudo mais.
Não há nada mais falso que isso. Mas é nisso que milhões, talvez bilhões estão acreditando aqui na cidade de Dois Irmãos, no Brasil e mundo afora.
Essa crença equivocada na existência de direitos que temos porque disseram que temos (e não porque trabalhamos por eles) está gestando no útero da civilização um ser mal agradecido. Um ser ao qual tudo se dá e nada lhe satisfaz. Que tudo recebe e a nada agradece.
E é na esteira deste argumento que precisamos pensar no que vai acontecer com os estudantes da AUDI no sábado. Todos os que recebem (que não é um “direito legal” e sim um incentivo) auxílio transporte para ir à universidade ou cursos técnicos e EJA, serão convocados a prestar horas de “trabalho voluntário” em Dois Irmãos. É um projeto bonito, elaborado pela equipe da Secretaria de Educação, e esperamos que tenha a adesão total dos estudantes. É uma forma singela de se ensinar e aprender que tudo que nos dão precisamos devolver. E essa é a única fórmula de demonstrar nossa gratidão aos que nos estendem a mão.
Qualquer outro gesto será uma imensa demonstração de ingratidão, e gerará padrões de comportamentos egoístas e isolacionistas, levando não à construção da civilização solidária e amorosa, mas ao fim dela e à decadência do “ser coletivo”.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

52 Outonos hoje

Hoje este colunista completa 52 anos.
Nascido em 17 de junho, exatamente às 18h, quando tocava a Ave Maria na Catedral de Vacaria, passaram-se 52 Outonos daquela fria tarde (o termômetro registrava zero grau) daquele gélido fim de Outono de 1957.
O pequeno não chorou.
A parteira deu as tradicionais palmadas e nada de choro. Chacoalhou. E nada. Jogou para cima. E nada dele chorar.
Os olhos da cria nem tinham aberto. Aliás, 52 anos atrás, o recém-nascido vinha ao mundo na penumbra, e assim ficava por três dias longe da luz para “não estragar as vistas”.
A parteira, uma senhora gordinha e de mãos ágeis, fez cosquinha na barriga, bilú-bilú na boquinha e nada da praga chorar.
Já desesperada, e com o pai do lado de fora do quarto, seguido do avô, avó e uma infinidade de tios e tias, irmão e irmãs, a parteira resolveu dar um sustão nele. Chegou no ouvidinho e disse:
- Olha o bitcho! Olha o bitcho!
Mas quê! Nada da peste chorar.
O rostinho começou a ficar pálido. A parteira virou ele de cabeça para baixo. Não pesava nada, era mirrado como filho de passarinho. E, temendo “perder o cliente”, a parteira abriu um berreiro e chamou a avó. Com esse alvoroço todo, logo se espalhou a notícia:
- Nasceu morto!
Médico não havia. Era 1957 e se encontrava um médico na terra e outro no céu.
Então vieram as benzedeiras: dona Maroca era a chefe da reza, mas tinha a Ritinha e a Virgulina. E consta que até a Carmozina-louca saiu do surto por instantes e se acocorando na janela fez gestos e benzeduras, rogando pela saúde do novato.
O frio rachava o pala, rengueando todos os cuscos da vizinhança. E começou um movimento intenso, com a avó tomando a frente do pelotão de salvamento.
A noite veio feia e fria como breu, e a avó, amparada pela sua força, mais a mãe da criaturinha, ficaram ali firmes, só trocando roupinha, aquecendo o peito e massageando, até que o dia amanheceu com o chorinho do rebelde.
Salvou-se por sorte, diziam. Mas a equipe de “emergência” não queria arriscar. Resolveu batizar logo, antes que recaísse e morresse pagão, indo direto ao inferno.
Levaram um pacotinho ao padre Roque, pedindo urgência no batismo. Bondoso como poucos, o padre Roque retirou todas as cobertas, cobertores, baetas, bainhas, fraldas e outros tecidos que protegiam o vivente da friagem (que na certa o mataria) e ao ver a criatura se espantou com a feiúra. Então o padre Roque olhou para a mãe da criatura e disse:
- Dona Ceci, deixe isso ali no cantinho, e se em três dias ele não latir nem miar eu batizo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

E daqui 20 anos, como fica?

O que fazer para Dois Irmãos continuar a ter vida econômica quando o ciclo do sapato findar?
Dois Irmãos tem vocação para mais o quê?
Sempre que se pergunta isso, logo falam em turismo. Porém, nos falta muito para turismo.
Faltam hotéis. Só é “turista” quem dorme na cidade. Temos de criar hotéis e pousadas, para sermos uma cidade turística.
Temos bons restaurantes. Mas cozinha especializada não temos. E não é defeito nosso. Novo Hamburgo só agora abriu especializados. E ainda não tem um Chef respeitado. Para Dois Irmãos erguer-se como turismo, teria de criar uma gastronomia, não apenas a “colonial” (que temos e muito boa, por sinal), mas outras opções. Afinal, num passeio romântico (que é o que move mundialmente o turismo) ninguém quer se encher de comida. O turista com dinheiro (que é o único que interessa, pois o restante é andarilho) deseja requinte, e refeição para ele é prenúncio de amor que termina no “esporte branco” (entendeu?).
Poderíamos, como já escrevemos tantas vezes aqui, transformar Dois Irmãos na cidade dos móveis pré-fabricados. Temos várias empresas de móveis pré. Mas precisamos criar o selo de qualidade. E um show room coletivo, tipo Casa-Cor.
E sabe o que mais dói? É que se não fosse o ex-prefeito ter vacilado, teríamos criado ali na área industrial algo que iria revolucionar a cidade no tocante a móveis pré.
Porém... políticos!
“Passinho prá frente/ passinho prá trás”.
E se é em móveis que nos meteremos, teremos de ter empresas fabricando (aqui) tapetes, cortinas, etc, e tudo isso tem de ser incentivado.
De tudo que não temos, porém, para sermos turísticos, o que mais nos falta é tato para adular turista. Afinal, tudo que turista quer é ser adulado!
Temos paisagem nos rodeando. Mas não basta. Cambará está repleta de paisagens, inclusive canyons como Aparados da Serra e Malacara, e vai caindo aos pedaços.
Sugerimos criar aqui, no governo passado, um vale de micro-cervejarias. Mas riram da ideia. Não por maldade, é claro, mas por pura ignorância. Ou talvez porque fomos nós que demos a ideia. E porque riram, Dois Irmãos perdeu terreno e outras cidades agora já têm esse vale. Pena, não é?
De qualquer forma, precisamos começar a pensar no que fazer dentro de 20 anos. Até lá o sapato segura as pontas da economia. Mas de lá em diante... é conosco.

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Em tempo:
I - O Jayme Magalhães Júnior lembrou que se for duplicada a BR 116, a primeira coisa que desaparecerá serão os plátanos. Todos os plátanos plantados na área que for duplicada se tornarão uma doce (e desaparecida) lembrança.
I I - Você escreve pensando de um jeito e quem lê entende do modo como quer. Foi assim que um leitor, lendo a crítica sobre a famigerada duplicação da 116, logo explodiu em raiva, dizendo: “Mas pô, onde esse Alan estudou? Será que ele não sabe que isso não é uma coisa da prefeitura e sim de Brasília?
Pois é... o leitor entendeu errado.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Depois de duplicar, pedágio nela!

Quem trafega pela BR 116 todos os dias sabe onde está o “engarrafamento”. E não é em Dois Irmãos, é em Novo Hamburgo, bem na entrada do bairro Roselândia, junto ao Posto Sapatão. E ocorre porque existe ali uma sinaleira.
Antes da sinaleira ser colocada lá, pelo prefeito Airton Santos, não ocorria engarrafamentos em finais de semana ou de manhã cedo. Antes o trânsito fluía. Depois, atravancou.
Assim se vê que o problema de “estrada pequena” que se alega não se deve ao fluxo de veículos e sim àquela sinaleira.
Se você desce a Novo Hamburgo no final de domingo e muitos outros descem de Nova Petrópolis e Gramado, quando chega ali em Ivoti já começa a engarrafar. Mas é só no final do dia, quando os passeantes voltam para casa e o trânsito fica lento até a sinaleira, que tranca o fluxo.
Já paramos ao lado dela, para ver “quantos” usam a sinaleira para entrar na Roselândia, e chegamos à conclusão, após analisar por uma hora seguida bem no meio do “rush”, que nem 1% fazia a entrada à esquerda. Deu para concluir que aquela sinaleira “nesses horários” mais atrapalha do que ajuda.
Fica claro que desafogar o trânsito na 116 entre Dois Irmãos e Novo Hamburgo é simples: basta erguer, na entrada da Roselância, uma elevada. Quem vai daqui para Novo Hamburgo ou vem de lá para cá, usa a elevada e segue direto. Quem quer entrar na Roselândia passa para a faixa do lado e entra. E não haverá mais engarrafamento.
E tem mais: depois de tantos morrerem, os políticos resolveram construir uma elevada na tenebrosa sinaleira do Rincão. Algo simples, um beabá, mas que só agora, graças ao presidente Lula e seu PAC, vai ser feito. Os que prantearam seus mortos ali, depois de feita aquela elevada vão se escandalizar ao ver quão fácil teria sido salvar a vida dos seus entes queridos.
Com uma elevada em frente ao Sapatão e outra na sinaleira do Rincão, o trânsito na 116 fluirá e só entrará em gargalo lá no viaduto de acesso a São Leopoldo.
Mas é claro que esta sugestão não será seguida. A comissão seria baixa, não é? E só político doido aceita fazer por “menos” o que pode fazer com “mais”.
Afinal: e o “leitinho do nenê”, como fica?
E os 20% “de lei”, como ficam?
E é assim que por mais que a duplicação vá destruir as características básicas de uma cidade boa de viver, é (quase) certo que ela será feita. Até porque, os mesmos que a farão já esfregam as mãos e assanhadamente já sonham com o pedágio que colocarão nela e lhes dará “por 20 anos”comissões mensais.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Duplicar a BR 116 é má ideia

A ideia de duplicar a BR 116 na altura de Dois Irmãos não é boa por várias razões.
Se a duplicação acelerar o tráfego, isso se transformará em mais multas (que já somam 50 mil, só este ano, entre Dois Irmãos e Porto Alegre). E provavelmente acarretará mais acidentes.
Além disso, se “ganharmos tempo” (com estradas largas e velozes) deixaremos de aproveitar a paisagem que nos cerca. Indo rápido, não veremos nada. E isso explica o quão estéreis de sentimento os motoristas se tornaram, e é isso que esclarece a violência que explode no trânsito num simples arranhão ou ultrapassagem, com brigas e mortes entre motoristas.
Outro fator a agravar a ruindade da duplicação da BR 116 é esta: Dois Irmãos deixará de ser uma ilha (como hoje) e se tornará mais uma cidade na tripa caótica que se estende de Porto Alegre a Novo Hamburgo. Seremos uma cidade a mais, entre tantas, o que nos transformará num tipo de sociedade pasteurizada (que hoje não somos). E quem conhece o malefício que a pasteurização da cultura causa ao “ser”, não pode aceitar isso mansamente. Só doido aceitaria ver Dois Irmãos virar um bairro de Novo Hamburgo ou de Porto Alegre.
Tem outra coisa péssima. É que com a duplicação, Dois Irmãos inchará, e talvez em 5 ou 6 anos dobre de população. Sim, para alguns (poucos) negócios será muito bom. Mas para a cidade como um todo, para a cidade em sua macroestrutura, seria péssimo esse inchaço. Viriam para cá os benditos e bem vindos 5% que fazem a vida melhor. Mas viriam, também, os 94% que só buscam condições gratuitas para viver, como saúde, educação, infra-estrutura, segurança, remédio e transporte gratuito, e todos se acreditando cheios de “direitos” (que é a grande ficção e alucinação da sociedade brasileira atual, ao nosso ver).
Mas o pior não é isso. O pior é que viria aquele 1% de gente podre, a ralé que inferniza e faz infeliz nossa vidinha pacata, e esse 1% infectaria (ainda mais) nossa cidade com droga, furto, roubo, assalto e brigas de gangues, exploração de prostituição e violências várias que estragam o bom viver.
Antes de nos engajar na duplicação da BR 116, precisamos ponderar essas coisas que podem ocorrer.
Não é porque “podemos duplicar” que teremos de duplicar.
O espaço acaba aqui. Então direi na próxima edição o que se pode fazer para fluir o trânsito sem estragar Dois Irmãos. Só antecipo isto: basta uma elevada na entrada do Posto Sapatão, pois é lá que fica o gargalo do nosso trânsito.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Repercussão do golpe da barriga

Depois que publicamos aqui o caso do “golpe da barriga” e a história (real) do sujeito que levou dois filhos nesse mesmo golpe, muito se comentou sobre o assunto.
Amigos comentam que rodas de café falaram exaustivamente sobre o golpe. A turma do trago ganhou um arrepio tal ao ler a história, que deixou de lado o futebol para analisar o risco iminente ao qual todos ali estão sujeitos no pós-trago.
Uma associação de mulheres separadas (que leu no site do jornal www.jornaldoisirmaos.com.br) pediu encarecidamente para o jornalista não assinar outro desses “catastróficos artigos”. Pode gerar um devastador efeito cascata, dizem elas.
Uma psiquiatra (viúva) mandou recado e se prontifica a atender (gratuitamente) o cidadão do referido artigo.
Uma mãe não se identificou, mas disse por telefone que “é certo” que é do filho dela que o artigo “Golpe da Barriga” se refere. “Não tem como não ser ele, seu Alan, e se conhecer a bruxa com a qual casou o senhor concordará comigo”, disse ela, disparando palavrões impublicáveis sobre a nora. “E eu avisei ele, seu Alan, eu avisei. Meu Deus, como eu avisei ele... coitadinho!”
Veio e-mail de um fiel da Universal, dizendo que a vontade do sujeito de se livrar da mulher “é uma visível ação do demônio”. E convida o homem do artigo a participar da corrente do descarrego com os 318.
Entre a repercussão do artigo, chama atenção a de dois cidadãos que xingam o jornalista por contar (sem autorização) “a história da vida deles”.
Uma senhora, atualmente grávida do terceiro, quer saber se foi “o palhaço do marido dela” (palavras dela) que veio aqui contar a história deles. “Só pode ter sido aquele desgraçado!” (disse ela, furiosa com o inocente).
Um pai ligou e, quase sussurrando, agradeceu imensamente termos contado a situação em que vive o filho dele. Prometeu fazer “mais duas assinaturas do jornal”, como símbolo de agradecimento, pois agora “pode ser que ela se manque e vá embora” (disse o pai esse, com um sorrisinho maroto).


* * *
Todo mundo tem uma história ruim na vida. E essa do sujeito que levou esse golpe deve ser das piores possíveis, ou não geraria tantos comentários.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vítima do golpe da barriga

Esta história é verdadeira.
O sujeito foi a um baile, encontrou uma moça e sob efeito de cerveja tiveram uma relação que resultou em gravidez.
Diante da gravidez e da cena de choro nos meses seguintes, mesmo não gostando ele levou ela para morar com ele.
A criança nasceu. Mas ele nunca sentiu nada mais que leve atração pela mulher.
Passados dois anos, ele começou a sair sozinho. E ela, pressentindo a perda, novamente engravidou. Isso o deixou furioso, mas o impediu de sair da casa.
Apesar de ficar, ele se sentiu levando o segundo golpe da barriga.
Passada a gestação, veio a criancinha e ele gostou, embora nutrisse má sensação pela mãe.
Agora faz dois anos desse segundo nascimento e ela entrou numa religião de “crentes”.
Essa religião faz retiros, e num desses o pastor mandou ela ir. Ela avisou a ele que iria. E, ao ouvi-la, ele falou:
- Você está avisando que vai. Não está perguntando se deve ou pode ir. Está só me avisando. E aproveito para avisar a você que vou alugar uma casa e vou embora.
Ela se surpreendeu. Mas foi ao retiro.
Faz agora um mês e ele não saiu da casa.
Ficou porque ganha pouco. Se sair terá de deixar a casa (que era dele, mas ela está lá) e ainda pagar pensão alimentícia para ela e as crianças. Somando pensão e despesas dele, mais o fato de ter de mobiliar uma casa para si, a conclusão dele é que não tem como deixar dela.
Ele fica. Moído de ódio. Não suporta vê-la. O corpo dela lhe dá asco. A voz dela para ele é grunhido. Ao ouvir ela fazendo as necessidades fisiológicas no banheiro, ele sente ânsia de vômito. O ronco dela é insuportável aos ouvidos dele. E o ruído dela se alimentando lhe parece um porco comendo.
Tudo nela lhe dá nojo. Ele a detesta, mas não consegue deixá-la. Está preso a ela como a lepra ao leproso.
Continua ao lado dela, numa vida pobre e infame, cheia de rancor e sofrimento que se agiganta dia-a-dia.
Ele não vê solução. Sente amor pelos filhos. Por ela, ódio. Toda fraqueza dele se materializa naquele ambiente infernal.
Seus cabelos branquearam. Seu rosto se transfigurou. Ele não sorri. Nem de piada ele ri. A graça lhe sumiu da alma. Sente-se desgraçado, sem graça.
Ele está livre, mas está preso. Toda vez que sai da porta para fora consegue respirar. Toda vez que entra porta adentro se sente sufocar.
À noite, deitado ao lado dela, ele se afasta o mais que pode. E então, em silêncio e bem baixinho, ele se põe a chorar.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tamanho não é documento

Claro: Tem “situações” em que tamanho “é” documento. Certo? Mas não é a isso que nos referimos. No caso, aqui, é ao Dante Maieron. Um baixinho que chegou para gerenciar a Corsan e se fez tão querido e respeitado que fica difícil compreender que, a partir de hoje, não o teremos mais na empresa de água que ele transformou em “modelo nacional”.
Este jornal é a memória-escrita da cidade, nos últimos 26 anos, que é mais da metade do tempo de vida administrativa de Dois Irmãos. E, nesse tempo, vimos vir e ir tantos gerentes. Mas nenhum tão atuante quanto o Dante.
Italiano por descendência, o Maieron revolucionou a Corsan em Dois Irmãos. Filho de um igualmente gerente, seguiu os passos do pai e o honrou dia após dia, até às 18h de hoje, quando encerra (por querer) sua atividade.
Não lhe conhecemos o histórico nas cidades por onde passou. Mas nos basta olhar sua vida pregressa em Dois Irmãos. Transformou a cidade em modelo nacional de água pública, indo, inclusive, palestrar em Paris, na França, sobre o solvente universal que chega às nossas torneiras, monitorado pelo Dante e sua espetacular equipe de colaboradores.
Além da qualidade da água, nos brindou o Dante com várias obras necessárias, umas urgentes outras nem tanto, mas ele as ia fazendo por saber que “um dia” seriam urgentes. Coisa de italiano: vive com o pensamento lá na frente. É um traço dos antigos romanos, herdados dos gregos que saindo de Tróia foram pelo mundo encontrar terra e fundar Roma.
Colorado de corpo e alma, é tão gaúcho que canta como Hino Nacional o Hino Riograndense.
Dante é um gigantesco exemplo de bom funcionário público. Por onde passa, deixa amigos e respeito. E é bom samaritano, ajuda muitos carentes sem que a cidade o saiba, pois faz o bem sem olhar a quem.
Ao Dante nunca falta uma palavra de conforto a um amigo ou mesmo um desconhecido que esteja em dificuldades. Esse é o Dante.
Educado e culto, ensina que se alguém chega todos levantam e cumprimentam de mão-pegada, pois gentileza se aprende na prática.
Admirador do bom vinho, se fez igualmente amigo da cerveja, o símbolo dos alemães que ele tanto considera e respeita.
Participante de vários conselhos, em especial do Consepro, é voluntário em tudo que lhe solicitam. E mantém neste jornal uma coluna muito admirada (especialmente pelas mulheres).
É um ser humano de grande grandeza, e o pleonasmo é necessário quando o assunto é alguém tão gigante na comunidade quanto ele o é.
Arrivederci, Dante!
Vamos sentir saudades.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Consepro é um órgão de auxílio

Muitas pessoas nos ligam , reclamando da notícia dada pela RBS sobre os carros da Brigada Militar aqui de Dois Irmãos que estavam numa atividade física dos brigadianos, em Lindolfo Collor, dias atrás. Uns, como seu Belmiro, ligam e até nos põem a boca, e perguntam se nós “não mandamos nada”.
Em primeiro lugar temos de dizer o seguinte: o Consepro não é o Jornal Dois Irmãos. Se este jornalista e outras duas pessoas atuam no Consepro, o fazem de forma 100% gratuita (e até pagando para isso). É uma atividade voluntária, em nome da segurança e em favor da sociedade e de todos nós.
Em segundo lugar, é bom saber que o Consepro “não manda” na polícia. E nem pretende “mandar” na polícia. Nunca foi assim. E nunca será assim. Quem "manda" na polícia é o Governo do Estado, que tem um Secretário de Segurança e chefes da polícia civil e militar. Esses são os que mandam.
O Consepro é um órgão voluntário, que apenas coleta auxílios na comunidade e na prefeitura, e repassa para a brigada militar e para a polícia civil, afim de minorar as (muitas) faltas que o Estado deixa. Se resume a isso o trabalho do Consepro.
Não é o Consepro quem escala policiais para isso ou aquilo. Não é o Consepro que determina esta ou aquela operação policial. As escalas de policiais e o uso que eles fazem dos equipamentos, não passa nem perto do Consepro. Assim também as operações, prisões, etcétera, são de absoluta responsabilidade das polícias, nunca, jamais, de forma alguma do Consepro. Os integrantes do Consepro são auxiliadores das polícias no tocante a falta de condições de trabalho, moradia, alimento, etc. Mas termina aí nossa atuação.
Dito isso, gostaríamos de informar aos que nos ligam, como o nosso leitor Belmiro, que assuntos relativo a utilização de veículos por parte de policiais, sejam eles civis ou militares, devem ser esclarecidos junto ao comandante da Brigada (3564.1193) ou ao delegado de polícia (3564.1190).
Para facilitar esse tipo de interação com a comunidade, nós do Consepro estaremos colocando no ar, daqui uns dias, o Site do Consepro na internet. Lá haverá um local para elogios, sugestões, críticas e dúvidas. E todos serão bem-vindos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

É pouco, mas é nossa parte. E a sua?

Todo pai, mãe, filho, filha, tio, tia, sobrinho, crente, materialista, todos têm de prestar atenção no avanço devastador do crack. Esse subproduto é o lixo da cocaína, e é tão forte que vicia na primeira vez que se usa.
É tão devastador, que o próprio crime que compra e revende está preocupado.
Guerras têm sido travadas entre gangues do Rio e São Paulo, para tentar (em vão) eliminar essa “praga”. Praga para eles (narcotraficantes) porque é “barata demais”.
Ou seja: dá menos lucro que cocaína. Nessa guerra inter-gangues se amontoam corpos nas muitas chacinas onde adolescentes e crianças mortas se empilham nas sarjetas.
Alguns revendedores de maconha, sabendo que crack dá mais lucro, “enxertam” uma pedrinha ou outra na maconha que vendem. O usuário, sem saber, fuma crack (na maconha) e pensa que a maconha daquele traficante é que é “da boa”. Dias depois, estará acostumado ao odor do crack e quase sem saber se tornará um consumidor muito mais enlouquecido pelo produto do que o consumidor de macaonha, e o traficante ganhará mais dinheiro.
Pai e mãe matando filho. Filho matando pai e mãe. Marido matando mulher para tirar dinheiro dela. Filho espancando pai, roubando pai. Tudo de ruim se vê no crack. Famílias devastadas pela desgraça.
E não tem cura. Não tem recuperação objetiva. Nos poucos leitos de UTI para drogadictos, psiquiatras e demais da área afirmam que uma vez no crack nunca mais fora deles. Então o negócio é não começar. Crack, nem falar.
O problema é recente. Mas é incontestável que não dá para esperar mais. Temos de agir. Com prevenção, tratamento e punição, é esse o tripé. Mas, sobretudo temos de agir com consciência de que existe e pode, sim, chegar até nós assim como a chegou a outros.
Dois Irmãos, segundo estimativas do Ministério Público, Consepro e Conselho Tutelar, já tem mais de uma centenas de usuários de droga. De várias drogas. Mas entre elas o crak. Dois Irmãos já perdeu um rapaz, que foi morto. Tem outros, inclusive, presos. E vários estão pelas ruas, quase pedindo socorro.
O Consepro e o Jornal Dois Irmãos vão desenvolver junto com o Grupo RBS (Jornal Zero Hora, RBS TV e Rádio Gaúcha) um trabalho de conscientização dos nossos cidadãos para esse problema. É pouco. Mas é nossa parte. E convidamos você a nos ajudar nessa ação.