Mas a convenção nos faz sisudos.
E deixamos de brincar, amar, namorar e mesmo sorrir. Há poucos sorridentes, já viu?
Que mundo: Poucos felizes. Muitos desgraçados. É que encontramos motivos para perder graça e nos des-graçar. Acreditamos que a falta de dinheiro nos faz infeliz, que o carro que não temos, a casa que não é nossa, a roupa, o livro, um óculos, um passeio e coisas que não temos, podem nos fazer infelizes.
Dificilmente pensamos poder ser feliz com o que temos.
Nos ensinaram que sucesso é ter o que gostamos. E é.
Mas felicidade é gostar do que temos.
Quando partir, o que ficará disso tudo que meus olhos enxergam agora?
- Nada!
Todo dia se vê pessoas que meio ano depois de mortas ninguém lembrava delas. Eram ricas e tinham tudo que o ser humano médio almeja.
Mas morreram. E o que levaram?
- Nada!
Algumas verdades, então:
- Ver um filho sorrir nos faz mais poderoso do que ser Presidente da República. Brincar de Batman e Robin com ele te faz mais forte que o Mike Tyson. Caminhar na chuva sentindo pingos explodirem nos cabelos, colocar pé no chão sentindo laje fria, respirar a Primavera, ter alguém ofegante nos braços, rir, cantar, dançar a vida, ajudar velho a atravessar a rua, contar estória para pequeninos, sentar para ver o sol se pôr, acordar cedo e brincar de badalar com os sinos das igrejas, ver filme repleto de emoção e deixar lágrimas rolarem sem medo de ser fraco, gritar se gritam contigo, bater se te batem, correr de cão, de louco, de mulher em fúria de TPM, dizer a sua mãe que agradece a ela por esse corpo, apertar a mão do adversário, sorrir ao que acreditava ser inimigo, saltar de para-queda, ouvir o ruído da pequena fonte, entrar no mato e colocar um vermezinho na boca (piscoso mas gostoso, lembra?), não ter medo, ter coragem...
Enfim: entrar no covil do teu lobo íntimo. Lutar com ele. Deixar que rasgue tua carne, rasgar a dele, abrir a boca dele com tuas mãos e sentir o aroma do seu hálito e o brilho mortal dos caninos. Ser o teu medo. Dominar teu medo. Libertar-se do “não ser”.
E então, pleno de emoção, vir a ser.