quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Algumas poucas verdades

A vida é curta. Aproveite cada alegria e paz, sabor e satisfação. Deveria ser assim.
Mas a convenção nos faz sisudos.
E deixamos de brincar, amar, namorar e mesmo sorrir. Há poucos sorridentes, já viu?
Que mundo: Poucos felizes. Muitos desgraçados. É que encontramos motivos para perder graça e nos des-graçar. Acreditamos que a falta de dinheiro nos faz infeliz, que o carro que não temos, a casa que não é nossa, a roupa, o livro, um óculos, um passeio e coisas que não temos, podem nos fazer infelizes.
Dificilmente pensamos poder ser feliz com o que temos.
Nos ensinaram que sucesso é ter o que gostamos. E é.
Mas felicidade é gostar do que temos.
Quando partir, o que ficará disso tudo que meus olhos enxergam agora?
- Nada!
Todo dia se vê pessoas que meio ano depois de mortas ninguém lembrava delas. Eram ricas e tinham tudo que o ser humano médio almeja.
Mas morreram. E o que levaram?
- Nada!
Algumas verdades, então:
- Ver um filho sorrir nos faz mais poderoso do que ser Presidente da República. Brincar de Batman e Robin com ele te faz mais forte que o Mike Tyson. Caminhar na chuva sentindo pingos explodirem nos cabelos, colocar pé no chão sentindo laje fria, respirar a Primavera, ter alguém ofegante nos braços, rir, cantar, dançar a vida, ajudar velho a atravessar a rua, contar estória para pequeninos, sentar para ver o sol se pôr, acordar cedo e brincar de badalar com os sinos das igrejas, ver filme repleto de emoção e deixar lágrimas rolarem sem medo de ser fraco, gritar se gritam contigo, bater se te batem, correr de cão, de louco, de mulher em fúria de TPM, dizer a sua mãe que agradece a ela por esse corpo, apertar a mão do adversário, sorrir ao que acreditava ser inimigo, saltar de para-queda, ouvir o ruído da pequena fonte, entrar no mato e colocar um vermezinho na boca (piscoso mas gostoso, lembra?), não ter medo, ter coragem...
Enfim: entrar no covil do teu lobo íntimo. Lutar com ele. Deixar que rasgue tua carne, rasgar a dele, abrir a boca dele com tuas mãos e sentir o aroma do seu hálito e o brilho mortal dos caninos. Ser o teu medo. Dominar teu medo. Libertar-se do “não ser”.
E então, pleno de emoção, vir a ser.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um anjo flutuando ao redor

O Kerb é uma instituição de Dois Irmãos, uma recordação dos remotos mas inesquecíveis dias em que os primeiros habitantes chegaram na cidade.
Hoje temos festa quase todos os dias, bailes todas as semanas, e o telefone, o carro, o computador com câmera e a internet nos faz todos muito próximos.
Mas nada disso existia quando, 180 anos atrás, aqui estavam os que criaram essa festa que hoje ainda cultuamos.
Não havia transporte rápido, era na pernada ou no lombo do cavalo ou na carroça. Telefone? Quá! Quá! Qua! Computador e internet? Tá brincando?!
Cento e oitenta anos atrás era a solidão da mata, dos animais rondando a casa. Era a distância imensa entre um familiar e outro. E se isso lhes fazia esperançosos e crentes, também os fazia desejar muito o que não tinham, que era o contato próximo. Dessa angústia que a solidão causa é que veio, suponho, a imensa expectativa desses três dias de farra e festa, eivados de agradecimento ao Deus que lhes dava, pela terra, o sustento do corpo e da alma.
A cidade foi crescendo, pois naqueles quase dois séculos atrás o amor íntimo do casal gerava muitos filhos. Não havia luz, e todos iam cedo para a cama. Não havia métodos para evitar filho. E então ficávamos assim: deitou cedo e “bateu-valeu”, e vinha ano após ano mais uma alma para cumprir o mandado de “ide e procriai”.
Com o crescimento da cidade, as distâncias foram encurtando e os problemas aumentando, em especial a rivalidade das igrejas, que com o Kerb quase sumia para em seguida voltar.
Depois a modernidade bateu à porta, mas o que poderia ser hoje um fantasma, tornou-se, na verdade, um anjo da cultura que ainda flutua sobre nossas vidas.
E é assim que neste final de semana Dois Irmãos inteira, loira ou morena, não importa, volta seus olhos para um passado que se torna todos os anos presente em nossas vidas.
E depois de tudo, de tanto trabalho e esforço para ser um cidadão bom e honesto, trabalhador e respeitoso, temos direito a uns quatro ou cinco canecos de chope.
É ou não é, prefeito? Claro que é.
Então... vamos lá: Prosit!

A guerra contra o açúcar

Pode ter sido Eva ou Adão, nos primórdios da criação da raça adâmica, quem disse:
- Não come isso aí que faz mal!!!
Ou teria sido o próprio Deus quem disse?...
O fato é que, de lá pra cá, de tempos em tempos tiram um produto para Cristo, e metem ele na cruz.
O tomate começou como “veneno”, quando foi encontrado nos Andes, pelos espanhóis, e levado ao México e dali para a Europa.
Até que conquistou a culinária italiana e espalhou-se pelo mundo, tornando-se, então, beatificado gastronomicamente após ter sido condenado pela Inquisição (por ser considerado afrodisíaco, numa época em que sexo... arre!... era diabólico).
Além da comida tem a bebida, sempre perseguida (opa, até rimou).
O tabaco, inicialmente usado em rituais indígenas, chegou a ser condenado (também pela Igreja), e foi por excomungar o filho fumante de um donatário, que dom Pero Fernandes Sardinha foi expulso do Brasil. Seu barco naufragou na costa e ele foi comido pelos canibais. Literalmente...
A guerra contra o fumo começou mesmo quando os malefícios dele passaram a pesar no bolso dos governos, que tinham de pagar o preço das doenças que ele causava nos fumantes quando estes, podres de câncer, pressão e outras complicações, caíam meio-mortos na porta dos postos de saúde.
Quatro anos atrás, no programa do Flávio Alcaraz Gomes (Guerrilheiros da Notícia), disse que “logo mais iam começar a condenar os gordos”.
Caíram de paulada sobre mim, dizendo que estava “endoidecendo de vez”. Mas hoje, quatro anos depois, cada vez que um médico atende um paciente no posto (ou particular), logo mede a cintura dele. E se der mais de 90cm em homem ou 80cm na mulher, já leva um xingão.
E começou a perseguição aos gordos.
Hoje ser fumante ou gordo deve ser muito chato, porque todos ficam te pisando no calo.
Estava demorando para atacarem o açúcar.
Mas finalmente chegou a vez dele, e começou nos Estados Unidos a perseguição aos açúcares (que levam, também, ao gordo e aos problemas que dizem que a gordura causa).
Não sei se o mundo não vai ficar muito chato com tantas proibições. Sabe-se que tudo que é proibido é mais excitante, não é? Quer despertar a curiosidade de alguém? Diga que aquilo é proibido.
Tudo bem que temos de ficar saudáveis. Mas nossa civilização não sabe discutir franca e delicadamente os problemas que lhe afligem. Saímos logo no boxe, dispostos a jogar na lona nocauteado quem fuma, quem bebe, quem usa droga, quem come muito, quem ficou velho, quem é livre para amar, quem diz o que pensa, quem é amoroso, quem é violento, quem gosta de sexo, quem não gosta...
Até parece que somos uma síntese de rancor, e não um gesto de amor entre o pai e a mãe que num momento de maravilhoso entendimento sob os lençóis nos deram a chance de fruir a beleza e grandiosidade deste mundo.
Não há cena mais feliz que um gordinho saindo da confeitaria cheio de doce nas mãos.
Mas essa cena, assim como o florescer dos plátanos ali da BR 116, está prestes a acabar.
E o mundo continuará sendo o mesmo, porém, as razões para se continuar nele vão ficando cada vez menores, com tantas proibições e destruições do que nos parece bom e belo. Você não acha?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Levante a mão com inteligência

Excelente essa ideia do prefeito Fogaça “humanizar” o trânsito, em Porto Alegre.
Ao cruzar a rua, e vendo que carros e motos se aproximam, você levanta a mão, avisando que precisa passar, e esse gesto da mão levantada é uma solicitação ao motorista que pare, dando espaço na rua aos seres humanos e não apenas às máquinas.
Genial. Excelente, sem dúvida.
Mas como tudo, é preciso bom senso. E humildade.
Bom senso e humildade do motorista.
Bom senso e humildade do pedestre.
E além de bom senso e humildade, é necessário responsabilidade “e” inteligência, especialmente por parte do pedestre, já que ele não pode se jogar para o meio da rua e assim, num vapt-vupt, querer que ao levantar a mão o motorista já pare.
O pedestre tem de ter “profundidade de campo”, tem de entender que de dentro do carro e numa velocidade de 40 km/h, o motorista terá de “ver” o pedestre pelo menos a 10 ou 15 metros de distância.
O pedestre tem de entender que o motorista, de dentro do carro, vem “na frente”, mas não é o único carro, pois atrás dele vem outro carro ou outros carros, além dos motoqueiros, que viraram os reis das ruas.
Então, se o motorista não ver o pedestre pedindo passagem a 10 ou 12 metros, e sim "em cima", ele vai frear, mas tão próximo estando poderá (sem querer) não conseguir frear a tempo e acabará atropelando o pedestre. E se frear assim, bruscamente, de soco, não dando aqueles necessários segundos para desacelerar, levará o motorista (ou motoqueiro) que vem atrás a bater nele, pela freada brusca que der.
Essa lei da capital é altamente civilizadora, mas o pedestre não pode se tornar autoritário, truculento e muito menos irracional. O trânsito é “um acordo”. E se essa lei vingar em Porto Alegre, o Estado inteiro a adotará e o trânsito ficará mais elegante e sincero. Mas todos temos de pegar leve, com inteligência, para que essa não seja mais uma lei que caducará antes de se tornar um “bom costume”.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

90 anos de bons conselhos

Regina Brett completou 90 ANOS e escreveu 1 conselho para cada dois anos de sua vida. Ei-los:
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Na dúvida, dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perder tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando adoecer. Seus amigos e pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento.
7. Chorar com alguém cura mais que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar brabo com Deus. Ele aguenta.
9. Poupe para aposentadoria.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seu filho te ver chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, te torna mais forte.
19. Nunca é tarde para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite não como resposta.
21. Acenda velas, coloque lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante, depois deixe-se levar pela maré.
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade.
26. Encare cada “chamado desastre” com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Independentemente se a situação é boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Deus é, não pelo o que você fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. O que realmente importa no final é se você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir (acredite sempre).
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O romance de Deus

Li o que os três padres da cidade inteligentemente escreveram sobre a Bíblia. E gostei.
Também tenho uma “visão” do que nos diz a Escritura, embora não tão culta e profunda quanto a do Monsenhor Izidoro, do padre Paulo e do padre Vicente, pois eles descrevem algo que lhes é do ofício teológico e eu apenas o que me bate no coração.
Li muitas vezes a Bíblia, mas sempre esparsamente, uma área dos Salmos do rei David, as cartas de Paulo, os Juízes e assim por diante.
Um dia, após tantas leituras esparsas, comecei a ver do início ao fim, do Gênesis ao Apocalipse, e percebi que por incrível que pudesse parecer, já havia lido praticamente toda a Bíblia.
Ao fazer isso, comecei a conectar cada texto, cada Evangelho, os dois testamentos do início ao fim. Então consegui, em minha mente simplória, desprovida da compreensão teológica na qual estão imersos os padres e pastores, ter uma “visão” da Bíblia, não como uma parte aqui outra ali, mas como um todo, como um projeto editorial único, como um livro, um romance com começo meio e fim.
Foi a maior descoberta literária da minha vida, por ali estavam muitas pessoas que embebidas nesse ambiente divino, uniram-se (sem saber) entre os séculos e foram legando-nos um romance. O romance de Deus!
Ao meu modesto e humilde compreender, e deixo isto como minha visão de leigo para os católicos neste Mês da Bíblia, esse é o romance de Deus. E a história desse romance é a história de um Pai que em desespero corre atrás do filho que se perdeu no mundo que ele criou para ser um mundo bom, sem dor, sem morte, sem traição, sem angústia.
E tendo o filho se desvirtuado desse caminho do bem, o Pai, sabedor de que o mal é ausência do Bem, começa a tentar reconquistá-lo, para levar de volta a sua casa de amor, bondade, alegria e êxtase permanente o filho que afundou no vício do pecado.
Começa em Gênesis.
Termina com o Apocalipse.
E no meio tem algo tentador: o Armagedon, a guerra do fim dos tempos.
E pensando nisso, homens como eu, pecadores, dobram os joelhos e aceitam a dolorosa verdade de que talvez jamais possam enxergar (outra vez) o paraíso.
É o mais incrível romance já escrito!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pense nos fatídicos cinco minutos

A morte de Patrick Swayze, aos 57 anos, em decorrência de câncer no pâncreas, faz pensar no “tempo” de vida que resta a todos nós.
A princípio estamos vivos. Mas sabe-se que o máximo de vida permitido a nós é 5 minutos, pois se o coração parar e em cinco minutos não voltar a funcionar, os neurônios se desestruturam e aí acabou tudo, e se você “voltar”, voltará espiritualmente morto, pois ficará vegetativo.
Ok! É a ciência com sua fria verdade.
Mas para viver tem de ser otimista, certo?
Não vamos pensar que estamos sempre “por 5 minutos”. Vamos nos iludir. Vamos pensar que temos um “tempo médio” possível de vida. Afinal, se todos vivem “na média” 72 anos, nós também podemos viver 72 anos. É ou não é?
Então tá: Vamos viver 72 anos, a “vida média” de todos aqui no Rio Grande do Sul. Serão 72 Primaveras. Bom, depois dos 60 será Outono. E aos 70 chegará o frio do Inverno. Mas serão 72 anos, mesmo que com folhas (cabelos) caindo e com muito frio (nos ossos).
Viveremos 72 anos.
Que tempão, hein? 72 anos!
Mais de sete décadas! Que tempão!
Então você olha a Certidão de Nascimento e fazendo as contas vê que chegou aos 52 anos. E como não foi bom em matemática na escola, nem se dá conta que para os 72 só faltam 20.
- O quê??? Só faltam 20?
- Exatamente. Faltam 20 anos para você romper a barreira da “média de vida”.
E você, otimista, você que esqueceu que a vida só dura realmente 5 minutos (até que os neurônios morram e seu espírito já não mais se manifeste), você logo mais chegará ao final do seu tempo médio de vida. E faltam 20 anos. E 20 anos passam rápido. Principalmente aos 52.
Vinte anos leva mais tempo dos 10 aos 30.
Mas dos 30 aos 50 passa voando.
E dos 50 ao 70 o tempo anda quase na velocidade da luz. E já já você estará lá, nos 72, com seu prazo de “validade média” vencido.
Então me diga:
- O que você está fazendo aí, parado, boquiaberto, lerdo como tartaruga? O que está fazendo que não ama profundamente? Que não se envolve, não viaja, não curte tudo o tempo todo? O que está fazendo que não se dedica àquela mulher? Ou aquele homem?
Você vai morrer. É certo, é exato, é sem dúvida: Você vai morrer!
Então diga: não está na hora de você se dar conta que cada momento é único e não volta?
Pense nos cinco minutos aqueles.
Pense nos cinco minutos aqueles
Pense nos cinco minutos aqueles.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A gentileza no despertar da consciência

Os cientistas geneticistas estão chegando a uma conclusão maravilhosa e assustadora. Eles estão concluindo (ainda não confirmado) que a gentileza é um gene.Ou seja: somos geneticamente preparados para ser gentis. Se isso se confirmar será maravilhoso, porque fomos programados para ser civilizados.
Mas se isso for confirmado, também será assustador. É que não é só por ter o gene da gentileza no corpo que se será “naturalmente” gentil.
O gene precisa de impulso para “valer”, necessita de incentivo para se tornar ativo. A isso nós, da comunicação, chamamos de fenótipo, o “fenômeno típico” (de alguma coisa). Se temos o gene da gentileza em nossa estrutura de DNA, isso significa que “podemos” ser gentis, mas não que seremos “necessariamente” gentis. E aqui está o assustador.
É assustador porque se você pegar crianças de 50 anos atrás e as de hoje, verá que “na média” a criança de hoje está mais agressiva (e até violenta, desbocada e grosseira) que a de 50 anos atrás. E a criança de hoje, mais agressiva, vai crescer achando que ser assim é “natural”. Ela vai educar os filhos dela dessa mesma forma e os filhos dela receberão como mensagem que o mundo tem de ser mais grosso e agressivo do que gentil e amoroso, e passará para os filhos dele essa mesma mensagem. E vai se seguir assim, geração após geração, passando a falta de gentileza. Daqui a 100 anos, por exemplo, todos continuarão tendo o gene da gentileza, mas ele estará tão ínfimo, tão sem incentivo, que não significará nada no relacionamento humano. Não será um fenótipo, um fenômeno típico. Ele adormecerá na nossa estrutura de DNA, como tantos outros genes adormeceram e hoje nada significam. E teremos, então, uma sociedade onde a deselegância no trato com os outros será “natural”.
Descobrir que “temos” isso de ser gentil, amoroso, educado e bondoso, pode nos ajudar a não deixar o planeta se tornar um ninho de ratazanas famintas. E essa descoberta pode ser parte do despertar da consciência superior sobre “de onde viemos” e “para onde vamos”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Olhe para um século inesquecível

Hoje o mundo é o individualismo e cada pessoa vive para si. O cidadão pensa antes em si, e a maioria passa a vida sem pensar no outro. Vivemos o tempo em que o importante é o “eu” e o coletivo é nada. Para a maioria das pessoas, o coletivo não existe. E não é um fenômeno brasileiro, é mundial. A maioria das pessoas nem sabe o que significa o coletivo. Conhecem-se a si mesmas, e o resto ao redor delas é como um sonho, uma ilusão, uma alucinação, algo que está “por aí” mas não existe. Para a maioria das pessoas, só elas existem, e fora delas nada mais é. Pensam em si. Agem por si. Fazem para si.
É o que temos hoje, nossa filosofia de viver.
Nem sempre o mundo foi assim.
No século XII e arredores, as pessoas não viviam em individualidade. Parece estranho para nós deste século atual onde tudo é individualismo reconhecer que houve um tempo em que o ser humano não se reconhecia como indivíduo. Ele só se reconhecia como ser coletivo. E, nessa época, havia apenas três categorias de pessoas:
- As que rezavam (os padres, o clero)
- As que lutavam (os guerreiros)
- E as que trabalhavam (os agricultores).
Homens e mulheres morriam pelo seu reino, pelo seu deus e pelo seu trabalho.
Naquela época não era como hoje, onde o mundo gira ao nosso redor.
Naquela época era o homem (e os demais homens) que girava ao redor do mundo.
O homem se via como um ser que girava junto com os demais no mundo, e se ele não fosse um no todo, o todo não seria um com ele.
Saber isso pode surpreender o egoísmo e a individualidade que nos caracteriza.
E nesta época em que quase ninguém levanta uma palha se não receber algo em troca “para si”, é interessante perceber que nem sempre as coisas foram assim.
A modernidade nos fez individualistas e mesquinhos, quando não grandes medíocres. E descobrir que o que temos hoje é fruto e não árvore, nos leva a um banho de consciência sobre o fim da gentileza.
Estamos “ali” para nos tornar um bando de gente grossa e desapegada da bondade. E isso é que desencadeou o início do fim da raça humana, que vem se mostrando acentuadamente em várias áreas do planeta.
Descobrir que nem sempre se foi assim, pode abrir nossos olhos e nos fazer mais gentis, elegantes e sinceros, mesmo que cercados de cínicos, grosseiros e falsos.

É jornal mas até parece vinho

O Especial de 50 Anos de Dois Irmãos que a cidade está recebendo e que foi elaborado pela equipe do Jornal Dois Irmãos, recupera a memória dos nossos antepassados.
Sem antepassado você é nada. Você até pode pensar que é grande coisa, que é o tal, o mais inteligente, o mais bonito, culto e corajoso. Mas você não começou com você. Você não é um fenômeno no acaso do tempo. Você é fruto. Você talvez se torne árvore. Mas nunca esqueça que você é fruto. E de quem você é fruto? Dos antepassados. É fruto dos que vieram antes de você. Somos a soma dos que vieram antes de nós, gerando moléculas e conexões, cultura e história que uniram-se para permitir nossa presença viva neste momento. Eu sou assim. E você também.
Você acha que é cerne. E a raiz, cadê?
Ninguém é uma ilha. E mesmo as ilhotas perdidas no mar, emergiram de uma terra, abaixo dos oceanos, e nem elas são ilhas, mas parte de um todo que as gerou.
Assim foi também com Dois Irmãos, terra de oportunidades para tantos que aqui só chegaram por que aqui era melhor do que o lugar onde estavam. Eu, inclusive.
Era urgente recuperar essa história perdida na ausência de narradores, que era o que se tinha até ser fundado, em 1983, o Jornal Dois Irmãos.
Até 1983 era a pré-história, a história não escrita, só narrada oralmente. E como a história oral se modifica de acordo com quem conta, já que quem conta um conto aumenta um ponto, se não fizéssemos agora essa recuperação escrita da história até aqui oral, ela em uma década (ou até menos) se perderia para sempre.
Esse especial de 50 anos que fizemos nem é jornal. É vinho. E tal qual o vinho ele ficará quando mais velho melhor. Então, humildemente agradeço a Deus por ter permitido a nossa equipe dar para esta cidade tão maravilhosa um resgate honesto e profundo do seu próprio ser. Como já disse certa vez, passa-se a vida sem saber a razão de se viver. Mas em momentos como esse, temos a noção exata de “para que” fomos mantidos aqui tanto tempo.
Se você não tem o seu exemplar, passe no Jornal Dois Irmãos e compre um. Compre e guarde, pois o tempo fará esse especial de 50 anos muito melhor do que ela agora é. Como o vinho: quanto mais velho, melhor.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A memória alemã recuperada

Está nas ruas a edição comemorativa aos 50 anos de Dois Irmãos. Foi a maior pesquisa deste jornal. Foram selecionados 50 itens de “como viviam” os dois-irmonenses até a emancipação da cidade, em 1959: como se nascia e morria, se adoecia e curava, como se alimentavam, banhavam, passeavam e se divertiam; segurança, trabalho, o que escutavam, liam e falavam, onde iam, em que acreditavam. Tudo.
Qual a razão desse especial?
- Recuperar a história que seria perdida!
Os alemães fundadores de Dois Irmãos eram gigantes. Não consigo pensar naquele povo de 1829, povoando o morro Dois Irmãos, sem vê-los como gigantes.
Sei que eram pessoas como nós. Mas não consigo vê-los comuns como nós.
Se penso neles, vejo homens e mulheres enormes. E ao saber da história deles, da bravura de sua saída da Alemanha em direção ao Novo Mundo, numa viagem com passagem só de ida, aí sim os vejo como gigantes.
Pais e mães ficaram para trás, irmãos, irmãs, tios e tias, amigos, tudo eles deixaram para trás. E para nunca mais rever.
Imagine a solidão: sem carta, sem telefone, sem nada. Só a memória do que era. E o desconhecido do que viria. Aquele povo de 1829, saiu de uma sala iluminada para entrar numa porta que levava à escuridão, e na escuridão teria de tatear o solo para aprender o cio da terra, teria de gaguejar até construir uma ou outra palavra na língua que aqui se falava e que era totalmente desconhecida deles. E aqui chegaram sem casa, sem trabalho, sem amigos, sem nada.
Anões jamais fariam isso.
Eles só poderiam ser gigantes.
Que força tinha aquele pessoal de 1829.
Que coragem! Que determinação!
Não sei com quantos de nós o Brasil poderia contar hoje, se ocorresse uma desgraça. Mas aqueles de 1829 certamente eram pessoas com as quais qualquer nação poderia contar. Não pediam nada além de trabalho. Não queriam férias, nem trégua, não se iludiam com “direitos”. Sabiam só poder contar com eles mesmos.
Anões não pensariam assim.
E a história desse pessoal, que estava para desaparecer, foi agora retomada nesse modesto, mas sincero especial de 50 anos feito pelo Jornal Dois Irmãos.
Deus abençoe cada um dos nossos que trabalhou nesse especial. E cada um que auxiliou com anúncio pago, viabilizando que esse trabalho sério e bondoso chegue às ruas, recuperando com testemunhos vivos a memória dos que nos deram esta maravilha de cidade.
* * *
EM TEMPO
Quando você se sentir injustiçado, lembre-se que o Inferno é o maior aliado dos justos.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não somos só um pedaço de terra

Está chegando o cinquentenário de Dois Irmãos, da sua emancipação político-administrativa, bem dizendo, e é preciso dar um elogio aos criadores desta cidade.
Fundada pelos imigrantes de 1829, emancipada de São Leopoldo em 1959 pelos descendentes desses imigrantes, Dois Irmãos se tornou uma espécie de Canaã para muitos outros imigrantes nacionais.
Pessoas, como este colunista, chegaram de dezenas, de centenas de municípios gaúchos ou catarinenses, e vieram aqui se tornar produtivos, fazer sua vida, construir sua educação, sua saúde, seu lazer, sua família, seu bem-viver.
O que foi uma terra de oportunidades para os alemães de 1829, tornou-se uma terra de oportunidades e paraíso para milhares de outros que também não tinham, em sua terra natal, uma vida tão boa e produtiva quanto aqui.
Dois Irmãos teve a bênção de ter, na sua formação, alemães que tinham gosto pelo trabalho monótono e artesanal. Foi dessa peculiaridade cultural, o trabalho artesanal monótono, que surgiriam as pequenas fábricas de calçado que se tornariam, no final dos anos 60, as poderosas indústrias calçadistas que ergueram esta cidade.
O mesmo se manifestou na questão moveleira, quando seu Felippe Seger Sobrinho fundou a Herval e que, com o gênio do Agnelo e seus pares de família, transformaram a pequenina madeireira nesse quase império hoje responsável por mais de 50% do faturamento da prefeitura de Dois Irmãos.
O comércio, o serviço, a agricultura, Dois Irmãos não é apenas uma porção de terra entre montanhas saudáveis. Ela é uma mensagem de progresso, de respeito, de melhoria de vida através do trabalho árduo, ela é uma mensagem de fé, de esperança e de recordações. Embora Dois Irmãos viva do hoje, e cada dia para nós dois-irmonenses seja único, temos o privilégio de viver numa terra que tem do que se orgulhar no seu passado, que tem do que se honrar no seu presente e que tem muito de felicidade para construir em seu futuro.
Afinal, somos de Dois Irmãos.
E Dois Irmãos é diferente!

A dança da vida

Certas pessoas dizem:
“Eu morro e não vejo tudo”.
Mas é provável que ao morrer veja a morte!
A morte.
É mais fácil enfrentar a morte do que encarar a vida. Qualquer adolescente sabe disso, em seu mundo de esperança. E todo velho sabe disso, em seu mundo de recordações.
Mas o fundamental no viver é ver a vida. Viver ela. Tocar nela com a delicadeza e o desejo com que se toca a pessoa amada no momento em que se a deseja loucamente.
A vida é para ser feliz nela. Ou decida-se por morrer, já que viver tipo zumbi, morto como vivo, vivo como morto, já é estar morto.
Então, perceba isso e sorria!
Dance com a vida.
A vida é Deus que está fora e dentro de nós. Deus é nós, somos sua projeção de bondade e alegria, satisfação e prazer, amor e desejo, inteligência e humildade, e também a arrogância que às vezes nos parece necessária para podermos viver neste mundo de corações endurecidos pela verdade que desconhecemos.
Viver não é buscar a felicidade.
A felicidade é subproduto da verdade.
Busque a verdade e ganhará a felicidade, busque a felicidade e ganhará o subproduto dela, que é a infelicidade.
Lembre-se: uma coisa sempre leva a outra, o universo se move pela ação e reação, com ondas eternas de causa e de efeito.
Viver é libertar-se de si mesmo.
É admitir que somos a projeção do Criador.
É dar gargalhadas sem compromisso, daquelas de doer o maxilar.
Viver é chegar perto da essência da vida, é se aproximar do “ser” da vida, e isso nada mais é do que nos aproximarmos de nós mesmos.
A vida reserva surpresas.
Num dia qualquer, numa noite qualquer, numa estrada qualquer, lá vai você, sisudo e boquiaberto com sua insignificância, e alguém ao lado olha você, e vê você, e você a vê, e a emoção do viver explode em toda plenitude na surpreendente dança da vida, encontro e desencontro, a grande charada do viver.
Deixe-se surpreender pela vida.
Do nascimento à morte a vida é sempre um copo com água pelo meio. Cabe a você dizer se o copo da vida está meio cheio ou meio vazio.
Quem a vê como um copo meio cheio, terá sempre mais sorrisos e danças, já que a vida é uma explosão (às vezes silenciosa) de sons e cores de múltiplos tons em cada um de seus olhos lindos. E já vou indo. Au revoir!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um homem sem sombra

Quando Roberto Carlos disse “Ééé preciiiso, saber viveeeerr, ééé preciiiso saber viver, saber viver...” do que será que ele estava falando? Será que era do menino pobre que ficou coxo num acidente de trem? Ou será que ele queria nos ensinar a ser alguém?
Dos cantores que revolucionaram o Brasil, cantando músicas que não eram as serestas do Sílvio Caldas e sua turma, Roberto Carlos foi sem dúvida o mais genial.
Carlos Lacerda, que era jornalista, mas foi deputado e governador da Guanabara (que era um Estado dentro do Estado do Rio de Janeiro), o entrevistou certa vez.
Culto que era, temido pelas perguntas e pela cultura, Lacerda ao sair da entrevista resumiu Roberto Carlos nesta frase:
- É um rapaz bom e humilde, que consegue nesse mundo de vaidades (o mundo da música) não fazer sombra aos colegas, e isso o protege e permite crescer.
Era disso que Roberto Carlos falava, ao ensinar que “é preciso saber viver”.
Não dá para fazer sombra aos outros, sob pena de murchar e não crescer.
Você nunca viu uma planta embaixo de árvore? Ela cresce? Não, ela murcha. A sombra é o pior elemento para quem, sabendo das coisas, se põe a dizer tudo que sabe.
A razão é que a vaidade de cada um de nós nos faz ciumentos.
Você não tem ciúme da sua mulher por que ela olha para alguém. Você tem ciúme por que ela olha para alguém que “não é você”, e você logo vê nesse outro alguém uma sombra que tapará o sol de sua vida, impedindo seu próprio crescimento.
Ciúme é dó de si mesmo.
No trabalho, na escola, nas relações familiares... evite fazer sombra. Desenvolva a arte de dissimular seu saber, sua competência, suas habilidades naturais que o fazem fazer mais e melhor e sorrindo o que os demais têm de desprender imensa energia e só conseguem fazer se desgastando muito. Talento se guarda em silêncio. E está até na Bíblia que “não se joga pérolas aos porcos”.
Então, tenha cuidado!
E aprenda com Roberto Carlos a ser um homem sem sombra, que é a síntese do “éééé preciiiso saber viveeer”.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tenha muito cuidado com você

Você pode se tornar grande. Ou pequeno. Pode ser sincero. Ou um grande mentiroso. Pode buscar a essência do ser. Ou se tornar escravo da matéria. Pode mergulhar no amor. Ou consumir-se no ódio. Pode ter filhos e vê-los crescer, aprendendo dia após dia como se desenvolve a personalidade humana. Ou pode fazê-los, largá-los e sumir no mundo. Você pode honrar seus pais, avós, bisavós e toda sua descendência, fazendo de tudo para não desonrá-los. Ou pode tornar-se um desnaturado bufão. Você pode crer em Deus, como bilhões o fazem. Ou deixar se levar pela “esquizofrenia social”, como disse Marx, que aliás morreu virado num trapo humano. Você pode sorrir ao que lhe sorri, fazendo o mundo mais agradável. Ou ser azedo todos os dias. Você pode usar seu talento e inteligência com razão “e” coração. Ou tornar-se um Dom Casmurro. E, aliás, você pode dedicar-se a uma mulher, tornando a palavra dela sincera e crendo nela como em você mesmo. Ou pode pensar que todo homem terá um Bentinho amigo-traidor em sua vida, que aproveitará dessa sua mulher amada. Você pode brincar, mesmo estando adulto ou idoso. Ou se tornar, ainda na adolescência, um velho caquético. Você pode ser sério em tudo e mesmo assim ser alegre. Ou se tornar um sisudo.
De qualquer um e para qualquer um, você pode ser gentil ou grosso, bom ou mau, bonito ou feio, grande ou pequeno, virtuoso ou idiota, rico ou pobre, culto ou ignorante, fiel ou traidor, crente ou ateu, genial ou cretino, rápido ou lerdo, elegante ou desinteressado, amigo ou inimigo, presente ou ausente, ouvinte ou falante, conselheiro ou aconselhado.
Para qualquer um você pode ser tudo.
Ou nada.
Mas lembre que em tudo que você faz, em toda crítica que tece, em todo elogio que dá, em todo choro e riso, no seu bem e no seu mal, em tudo isso queira ou não, saiba ou não, goste ou não, está você. E é a você que você terá, mais dia menos dia, de prestar contas de quem você é, pois você é o seu próprio juiz. Então, cuide para não se arrepender de ter sido você mesmo a vida toda. Porque essa é, sem dúvida, a maior e pior de todas as nossas decepções possíveis.

A vez da Europa “se cercar”

Demorou para a Europa fechar a porta aos imigrantes. Estava democrático demais, público demais. Os países europeus tinham virado um deleite para quem deseja chegar num lugar que é “o máximo”, e sem ter feito esforço para aquele lugar ter se tornado “o máximo”, tenta impor ali seu estilo de vida.
Demorou para o europeu fazer esse raciocínio. Mas era inevitável que fizesse.
Era inevitável que o protecionismo aparecesse, porque povos vindos de países pobres hoje chegam na Europa em grandes levas. Tomam praças, tiram emprego dos europeus, se imiscuem na população e, não raro, levam para lá prostituição, violência, drogas, furtos, roubos e um estilo de vida que o europeu (que normalmente é culto) não diz, mas na verdade detesta.
Devido a democracia, que tenta igualar desiguais, os imigrantes na Europa acreditam ter tanto direito lá quanto os europeus natos.
Estava na cara que daria confusão. E deu. Não é este o primeiro surto de xenofobia, de ódio aos não-europeus na Europa. Já houve outros, mas este mais recente é o mais gritante, porque vem da Itália, que por ter dominado o mundo na época dos Césares, sempre recepcionou de forma agradável os imigrantes. Muito embora no tempo de Roma todos os povos conquistados trabalhassem para o cidadão romano viver no deleite, leniência e preguiça, sustentado pelo império, que foi o SUS daquela época.
Com emprego escasso e com esse tipo de imigrante que chega se achando o tal e exige direitos como se italiano fosse, os italianos começaram a reagir. E com o presidente Berlusconi, o mais típico dos italianos típicos (meio mafioso, bonachão, bondoso e durão) o caldo engrossou. Berlusconi é italiano tão típico, que até deu “de presente” ao Presidente Putim, da Rússia, uma... prostituta!
E convenhamos: quem dá de presente a um dos presidentes mais temidos do mundo uma prostituta, não teme enfrentar a reação dos imigrantes. Foi o que aconteceu.
Berlusconi captou esse sentimento xenófobo do italiano e passou a defender que Itália é para italiano. Então criou uma lei feroz, que permite ao Estado prospectar, encontrar e expulsar da Itália imigrante ilegal.
Berlusconi vai colocar milhares de “olheiros” nas ruas, bairros e vilas, todos eles pagos pelo Estado italiano e com a função de descobrir imigrante ilegal e expulsá-lo da Itália.
Depois que Bush resolveu fazer um muro entre Estados Unidos e México, para evitar os ilegais, chegou a vez da Europa “se cercar”.
O estilo é outro, mas os fios de arame e a xenofobia são idênticas.