quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma eleição do tipo Mega-Sena

Alan Caldas

Não sei quando aconteceu. Sempre jogava na Mega-Sena, e de repente parei de acreditar nesse jogo. Antes se sabia o nome de quem ganhava, mas passaram a não divulgar mais os ganhadores e a Mega-Sena acabou virando uma caixa-preta. Com o anonimato de algo tão bom, que é ganhar dinheiro, devo ter pensado: isso aí é pura trampa, e descrente que fiquei, deixei de ter o sonho que leva milhões a jogar toda semana.

Mesmo não acreditando na honestidade da Mega Sena, de vez em quando faço um cartão, e gasto dois reais para fazer alguém feliz. Mas não é mais como era antes, quando eu acreditava.

Esse fenômeno da descrença também se abateu sobre mim nesta eleição. Sei em quem vou votar para presidente, senadores, governador, deputado federal e estadual. Mas assim como na Mega-Sena que de vez em quando faço um único cartãozinho, nesta eleição vou apenas votar. Votar sem a esperança que antes me energizava em cada eleição que ocorria.

A minha dúvida em relação a esta eleição é a mesma que tinha o finado Brizola: não acredito na urna eletrônica. E não acredito por uma razão também ligada ao doutor Brizola: em 1982, para tirar ele do páreo e dar a eleição de Governador a Miro Teixeira, integrantes criaram o Diferencial Delta, um vírus que foi inoculado no sistema de computação de votos do Tribunal Eleitoral do Rio de Janeiro. Esse Diferencial Delta drenava parte dos votos em branco para Miro Teixeira, e assim o Miro Teixeira ganharia a eleição de Leonel Brizola. Isso foi em 1982.

De 1982 para cá, os hackers, piratas de computador, ficaram muito mais sofisticados. Hoje hackers meninos invadem o sistema de segurança da CIA, do Pentágono, do Kremlin, da Polícia Federal, do Vaticano e de qualquer nação.

E eu penso:

Será que não invadiriam o sistema de segurança do Tribunal Eleitoral brasileiro?

Talvez a piscina brasileira não esteja cheia de ratos, talvez minhas ideias não correspondam aos fatos, talvez eu esteja um pouco mais paranóico que o normal. Mas um amigo meu, que é da direção do Banco do Brasil, contratou certa vez um hacker norte-americano para “testar” a segurança do sistema de computadores do BB. O hacker veio e, em 3 dias, encontrou “11 portas de acesso” pelas quais ele poderia entrar no sistema.

Então eu pergunto:

Dá para acreditar na urna eletrônica?

Pode ser que sim. Pode ser que não.

Talvez o Superior Tribunal Eleitoral seja blindado. Dou o benefício da dúvida.

Mas por via das dúvidas, vou apenas votar e me enganar, vou encarar essa eleição como uma Mega-Sena, onde gasto 2 reais para passar tempo sem me preocupar mais com o resultado.