Alan Caldas
O FBI é a polícia federal dos Estados Unidos. E quando John Edgar Hoover assumiu, em 1924, a direção do FBI, o órgão estava longe de ser considerado o que é hoje: a melhor polícia do mundo.
“O FBI era, o que se dizia então, um antro de corrupção”, afirma Daniel Clegg, representante da polícia no Brasil. Boa parte de seus 411 agentes estava envolvida com gangues de assaltantes ou com a exploração da prostituição.
Hoover promoveu uma limpa nas fileiras da instituição, passou a exigir formação superior dos agentes e tornou rigoroso o processo de seleção. Sob sua controversa gestão, que durou 48 anos, o FBI foi acusado, entre outras coisas, de tentar “neutralizar” o líder do movimento negro Martin Luther King usando expedientes tão espúrios como a ameaça de divulgar detalhes de sua vida pessoal. Mas foi também sob o comando de Hoover que o FBI produziu um exemplo histórico de como uma instituição policial pode ajudar a mudar os rumos de um país e consolidar sua democracia.
Em 1964, três ativistas do movimento pelos direitos civis desapareceram na cidade de Neshoba, no Estado do Mississippi. Apoiado por Robert Kennedy, então procurador-geral da República, o FBI desencadeou uma mega investigação que incluiu a infiltração de agentes em organizações racistas, a tomada de depoimentos de mais de mil pessoas e a instalação de um escritório no Mississippi - à época um dos Estados mais segregacionistas dos Estados Unidos.
Ao fim de seis meses, a polícia encontrou os corpos dos três ativistas carbonizados e com marcas de bala. As investigações concluíram que os autores eram membros da organização racista Ku Klux Klan, que agiram em conjunto com policiais de Neshoba.
O desfecho do caso chocou o país e ajudou o presidente Lyndon Johnson a aprovar duas leis que consolidaram a democracia americana: a dos Direitos Civis, que transformou a discriminação racial em crime, e a do Direito ao Voto, que sacramentou o direito dos negros de ir às urnas.
O inquérito do FBI entrou para a história da luta americana pelos direitos civis e foi tema do filme Mississippi em Chamas, de 1988.
Hoje, o diretor do órgão é nomeado pelo presidente da República e tem mandato de dez anos. O FBI tem 12 mil agentes e um orçamento anual de 4 bilhões e 300 milhõs de dólares. Mas seu principal patrimônio é o respeito.