quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Do Paraíso ao Inferno

O sujeito que agrediu covardemente o Primeiro Ministro italiano é um canalha.
Já tivemos um caso assim em Dois Irmãos. Foi com o tenente Tavares.
O Tavares estava num Kerb e no Centro havia uma turma na baderna total. O tenente já comandou a BM nas bocas-brabas de Porto Alegre e nunca havia sido agredido.
Naquele dia e estando em Dois Irmãos, que em tese é cidade civilizada e de pessoas de bem, o Tavares não considerou que aqui, como lá, existem marginais. E foi no sangue-doce apaziguar a gurizada. Chegou e pediu calma. Havia centenas no local, e só uns poucos baderneiros. O tenente na boa paz foi acalmando eles. Conversou. Bateu-papo. E ia acalmando os ânimos exaltados pelo álcool.
Mas então, vindo da multidão, sai um desses ordinários. Ele chega por trás do Tavares e manda um soco que quase atira o tenente para trás. Dá o soco, o disfarçado, e assim como no escuro veio, no escuro some na multidão.
Muitos sabiam quem era. Mas “ninguém viu”. Ficaram alegres que aquilo tivesse ocorrido. O patife virou ídolo da massa amorfa.
E funcionou ali, como nos bairros onde acobertam a droga, a lei de proteção, a “Omertá”, a Lei do Silêncio, da máfia.
Com o Berlusconi foi o mesmo. A diferença é que lá havia fotógrafos e o agressor covarde foi preso. Será julgado e punido exemplarmente.
* * *
As pessoas vivem de idolatria. Idolatram políticos ordinários e traiçoeiros. Idolatram cantores que levam vida podre. Idolatram pessoas sustentadas pelo crime. E, em situações como essa do Berlusconi, idolatram quem agride. Vi vários dizendo, bem felizes, que o sujeito “colou” o Berlusconi, como se tivesse feito uma grande coisa.
É por atitudes como essa, de proteger gentalha como esse agressor, que o planeta vai se tornando um esgoto cultural.
Quem apóia esse sujeito, deve apoiar a ação da polícia inglesa que metralhou (em casa e a sangue-frio) os quatro que haviam assaltado os filhos do príncipe Charles. E deve, também, apoiar as torturas que a CIA impôs em Guantanamo aos (esses sim, monstruosos) que derrubaram o World Trade Center. E terão também de aplaudir quando o Berlusconi mandar matar esse sujeito e a família dele, para mostrar o “limite” nas ações dos civis contra autoridades.
Sendo a violência monótona e repetitiva, os mesmos que hoje acham “engraçado” o ato contra o Berlusconi terão de apoiar quando esse sujeito e os dele apareceram jogados no esgoto. Não é? É uma questão de alinhamento psíquico, de entrar na cultura.
Pois é. Mas é assim que o planeta, criado para ser o Paraíso, vai se tornando uma sucursal do Inferno.