Estive pensando nos amigos e amigas dos quais me separei, nestes 52 anos de vida.
Uns, nunca mais vi.
Outros, nunca mais quero ver.
Mas entre os que “desejava ver”, estão alguns, que ora lembro. Por exemplo:
O Ronald, meu colega de segundo grau. Onde anda? E a resposta é esta: está em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. Putz, morar em Chicago, cá para nós, é um prestígio, afinal é a terra dos The Blues Brother, os reis do blues.
E por onde anda a Márcia? A Márcia... ah, ela há muito mora em Nova Iorque. Nova Iorque não: New York, a capital do Universo.
Mas e o Antonio, o que é feito dele? Está em Paris. Em Paris, não. Em Paris, sim, mas ali por perto da Ille de France, ao lado do Senna, e na última vez que falamos ele me disse (cheio de orgulho) que embora seja um apartamento pequeno (sala, quarto, cozinha e banheiro, mais uma pequena área de serviço), dali se pode ver a menos de 300 metros a Torre Eiffel. Ou seja: a peste do Antônio mora praticamente à sombra da Torre Eiffel. E ao lado esquerdo, disse ele, vê-se a Catedral de Notre Damme. Po-dendo, num vapt-vupt, chegar ao Arco do Triunfo.
E o Zanelli, meu primo, onde anda? Em Florianópolis. Ou melhor: na Baia Norte, aquela área de Floripa que fica próxima da Ponte Ercílio Luz e onde todos que passam e veem aquele mar e aqueles prédios “juram” que um dia irão morar exatamente onde ele mora.
Tenho um tio, o último dos Caldas, que mora em Pajuçara, a área mais nobre de Maceió, em Alagoas, a Terra do Sol. Praia é com ele mesmo, 365 dias por ano, dia e noite, e temperatura de paraíso: 27 graus permanentemente.
E dali para o frio é um pulo no mapa das amizades que fiz, pois correndo o dedo no mapa subo ao Pólo Norte e lá está a inesquecível (por “váááários” motivos) Helsinque, na Finlândia. E lá é que (ainda) vive Hannu Peltomaa, grande amigo, cada vez mais alcóolotra e cada ano mais genial.
Mas e por onde anda a Maya Bajema? Um mix de América e Holanda, a Maya está onde sempre esteve: na Baia de San Francisco, na Califórnia, e de Fairfax, onde mora, pode curtir diariamente a imagem inesquecível de San Francisco, do Monte Tamalpais, de Alcatraz e a alucinante imagem ora límpida ora encoberta por neblina da enebriante Golden Gate Bridge. Sair de lá? Nem falar!
E o Steve Stalwitz, cadê? Está na “pradaria” americana, na inesquecível Manhattan, lá no Kanzas, o único lugar onde a América é realmente “América”. E cadê a Marilyn Htzel? Largou o Rody, e mudou-se para o Alasca, onde entre ursos e nativos da área, vive seis meses de luz e seis meses de sombra, sempre com o som dos antigos índios, do qual ela, que é Sioux, descende.
São tantos que moram em tantos lugares, eu me digo, e eu, sempre eu, nunca mais do que eu, há tanto moro aqui em Dois Irmãos. Há montanhas, aqui. Há clima temperado, aqui. Há pessoas cultas e outras nem tanto, aqui. Há amores aqui. Luz e sombra, presente e passado, beleza e feiura, tudo aqui.
E mesmo todos os que conheço e que moram em lugares “espetaculares”, sempre que olham onde eu moro, veem conhecer esta Dois Irmãos de contrastes e acabam sempre dizendo que se pudessem REALMENTE escolher “onde morar”, escolheriam aqui, em Dois Irmãos.
E é por isso que me convenço cada vez mais que existem centenas de lugares melhores do que aqui para morar, desde que você “não more lá”.
Por que quando você “mora lá”, sente uma saudade desgraçada daqui...