quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Olha só aquela cortina!!!

Alan Caldas

O estado natural do ser humano é em liberdade? Ou em prisão?
O casamento é maravilhoso.
Já o convívio é quase sempre desastroso.
Não é a toa que “esposa” em espanhol significa algema. E “esposar” (em espanhol) vale para masculino e feminino.
Do casamento vinham filhos. Hoje se aceita união separada. A lei até criou a Guarda Compartilhada, a formação de família “em separado”: pai numa casa, mãe noutra, filho em ambas.
Acabou a “prisão domiciliar”? Não, e ainda continuaremos vivendo sob o mesmo teto, esposo e esposa, “esposados” um ao outro.
Mas volte à pergunta:
- O estado natural do ser humano é em liberdade ou em prisão?
Parece ser em prisão. Quer ver?
Você nasce na família e a ela se submete, respeitando os horários e costumes, a forma de “ser” da família. Um dia, a pessoa dá o grito de independência e vai ao mundo, e por um tempinho vive “a vida dela”.
Mas logo encontra alguém e entrega (bem feliz) a liberdade de viver “a vida dela”.
Os judeus têm um ritual que explica o que se perde ao casar. No dia do casamento, os noivos quebram um cristal, que é algo que nunca mais poderá ser consertado. É o símbolo da liberdade individual que os noivos quebram para assumir a liberdade coletiva (da nova família).
No casamento, mulheres e homens voltam ao “estado de família”, e têm de adaptar a “sua” vida aos horários, costumes, ações e reações da vida “do outro”.
Um preso ao outro. “Esposados!”
Vão dormir e acordar olhando para o outro. Irão ao banheiro e farão xixi olhando o outro. Tomarão café, almoçarão e jantarão olhando o outro. Ouvirão ronco e sentirão chulé, sempre juntos.
Terão de entender as manias do outro. O pacífico vai assimilar a agressividade do outro. O sexualmente lerdo adaptará sua baixa libido à sofreguidão do sexualmente ativo. O tímido se mesclará ao expansivo, o culto ao ignorante. E muitas vezes o bom terá de “compreender” o mau do outro. O são e o doente, o sorridente e o azedo. . . todos misturam-se no casamento.
O casamento é a Lei da Indução: dois corpos ocupando ao mesmo tempo o mesmo lugar no espaço.
Ocorre que muitas vezes a pessoa está nisso só sobrevivendo, está aturando e não gostando. Está lá mas cada vez mais olha a cortina e pensa que atrás dela tem uma janela, e que a janela dá para a calçada, e que a calçada dá para a rua, e a rua é longa e leva para longe. Entretanto, mesmo assim a pessoa fica. E por que ela fica?
Voltamos à pergunta:
- O estado natural do ser humano é em liberdade? Ou será em prisão?