quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um ótimo amigo que partiu

Alan Caldas

Foi enterrado nesta terça, no cemitério Evangélico de Novo Hamburgo, o amigo Nestor Fips Schneider (foto).

Em sua trajetória, o Fips incluiu o senso de responsabilidade social. Tanto que foi político, sendo prefeito de Campo Bom e duas vezes deputado estadual.

Era grande amigo de Cláudio Strassburguer. E muito amigo do “Bolota”, o Júlio Boslle, que na juventude havia sido, tal qual o querido Fips em Campo Bom, Rei Momo de Novo Hamburgo. Opostos na concepção política, Fips de direita e Bolota militando na esquerda, nunca deixaram de ser amigos, pois ambos tinham ternura no coração e uma alma bem humorada. Também uniram-se na doença, pois tal qual o Fips, o Bolota igualmente sofreu um Acidente Vascular Cerebral, o mal-chamado e malfadado “derrame”, que entrevou o Fips de 2002 até ontem e que, mesmo em menor grau, igualmente levaria o Bolota à morte.

O Fips fazia parte dos políticos essenciais. Era da essência dele fazer e manter amigos, falar amistosamente com as pessoas e disparar uma piadinha e afago que nos fizesse sorrir.

Jeitoso, educado e atencioso, Fips sempre tinha uma palavra de conforto e sabia que nunca se deve tirar a esperança da pessoa, pois a esperança pode ser a última coisa que ela tenha.

Não sei como era a relação dele com esposa e filhos. Mas se fosse semelhante a que o Fips mantinha com as ruas, os filhos devem ter derramado rios de lágrimas nesses anos de coma, e sentido terrivelmente o salto dele para o Grande Vazio.

Em Dois Irmãos era amigo especialmente do Romeo Wolf, com quem hoje deve estar tomando um “schnapszinho” no Céu. O Fernando Doerr está entre seus amigos nesta cidade, assim como tantos outros que ao ver a foto de morte di Fips estampada nos jornais, devem ter sentido a comoção que senti eu.

Nunca soube que o Fips tenha feito desafetos na vida pública, que é sempre tão tendente a inimizades. Entre os que conhecemos, posso testemunhar que ele só fez e conservou amigos. Ótimos amigos. Como ele.

No início de minha caminhada pelo jornalismo, o Fips era prefeito de Campo Bom. E, mais tarde, recordo a alegria radiante com que ele, já deputado, nos mostrava uma pesquisa de Opinião onde constava que 82% dos campo-bonenses afirmavam que o Governo Fips tinha sido “ótimo” para Campo Bom.

É com esse “ótimo” que encerro, dizendo que o Fips foi ótimo amigo, ótimo ser humano, ótimo colega, ótimo exemplo de como deve ser quem entra na política. E na vida. Minha condolência e semelhante dor, aos filhos, netos e esposa que o Fips deixou aqui.

“Que a terra lhe seja leve”.