quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E tudo vai ficando lá bem longe

Alan Caldas

Não sei quando aconteceu, mas já não consigo acreditar numa única palavra que político diz. Me esforço por crer, mas não consigo.

Me dei conta disso escutando o discurso de vitória da dona Dilma. Ela prometendo defender “a liberdade de imprensa” me soa falso. Sei que não é, mas me soa falso.

E não é nada pessoal com ela. Não votei nela, mas de certa forma torci para que se desse bem. Não para que ganhasse, pois votei no Serra, mas para que continuasse viva. O câncer que dizem que ela tem me preocupa. Sei que para muitas pessoas, chegar ao poder é até mais interessante que viver. Tancredo Neves que o diga. Mas toda vez que diziam “ela tem câncer”, algo ruim me tocava e intimamente pedia que ela fosse protegida.

Então, não é com ela, Dilma, nem com o discurso de derrota do Serra, desejando “boa sorte” à ela, no que também não creio. É com todos. Não creio mais em palavra de político.

Em 30 anos de jornalismo, fiquei estéril ao que políticos dizem. Tudo que a dona Dilma disse ontem me entrou por um ouvido e saiu pelo outro, sem deixar marca. E assim tem sido com todos, os que gosto e os que não gosto.

É ruim isso. Significa que minha intimidade de cidadão não confia mais nas pessoas da política.

Me tornei brasileiro? Pode ser. Já penso que na política todos chegam para se beneficiar. E tudo de bom que dizem que farão aos outros é apenas parte da dissimulação e simulação. No fundo, o que querem é se dar bem.

Estou assim. Mas não gostaria de estar assim. Me faria melhor ser crente. Aleluia!

Que saudade tenho daquela época que eu engravidava pelo ouvido. Que saudade daquele Alan para o qual os líderes pareciam confiáveis e reais em seus discursos.

Me afastei da esperança? Me afastei da mentira. Talvez a verdade apenas me baste.

Isso não vai me fazer bem!!!!

O fato é que começo detestar isso de nós, da imprensa, ficarmos como cães de Lázaro aos pés da mesa de políticos que não convidaríamos para criar nossos filhos e só torcendo para que deixem cair migalhas de informações com as quais lhes daremos através de nosso trabalho o destaque que eles não merecem ter.

Estou triste comigo mesmo. É que cheguei ao ponto em que nada espero da dona Dilma, nada espero do seu Tarso e nada espero do seu Miguel. Desejo-lhes sucesso, é certo, e estou disposto a ajudá-los a ter sucesso. Mas nada mais deles me interessa.

Que saudade da ingenuidade.

Que saudade da inexperiência.

Que saudade do tempo em que me faziam de bobo e eu acreditava e ficava bem feliz.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quebrou a linearidade da astúcia dos Kirchner

Alan Caldas

Na vida sempre ocorre o inusitado, o que vem como raio, que chega como ladrão quando menos se espera. E na política, que é hiper dinâmica, serve bem isso. Na política nunca se está totalmente seguro. A morte do ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner, mostra isso.

Néstor foi presidente e, após reeleger-se, colocou a esposa no lugar dele. As políticas econômicas dela se assemelhavam as dele, as práticas de pressão, de briga e pregação de ódio civil dela contra imprensa e setores como agricultura e pecuária, eram no governo Cristina idêntico ao de seu antecessor e esposo, Néstor.

O ex manobrava por trás da cortina a atual, sendo Kirchner presidente de fato e Cristina a presidente de direito. Assim, Néstor preparava-se para assumir “formalmente” (pois “por baixo dos panos” já havia assumido) o cargo de presidente. Seria “certamente” (diziam os mais afoitos) eleito outra vez presidente.

Dentro da Argentina e fora dela, os poucos seres humanos que se preocupam com o andamento do Estado de direito, que a duras penas (de morte, muitas vezes) a América Latina conseguiu conquistar, se preocupavam com dízima periódica política dos Kirchner.

Havia um plano entre marido e mulher para se revezar eternamente no Poder Público, concorrendo (e ganhando) ora um com o apoio do outro, ora o outro com o apoio de um. Isso enterraria a democracia e transformaria a Argentina numa espécie de “Ilha Kirchner”.

A compra de voto em troca de comida e casa, lá como cá vinha sendo uma prática. Os ataques a imprensa livre, lá como cá, vinham sendo uma prática. A implantação de “controle social” dos necessitados com dinheiro público, lá como cá vinha se tornando prática. A corrupção das bancadas políticas, o aliciamento dos setores altos do Judiciário, tudo vinha degringolando.

Cristina chegou a criar um grupo de Bad Boys, jovens racistas, viciados e violentos, que se especializavam em “acalmar” (leia-se: encher de porrada) quem “atacava” (leia-se: criticava) o governo Kirchner. Estava “tudo certo” para mais quatro anos de Kirschnerismo.

Mas o coração de Néstor parou.

Aos 60 anos, novinho em folha para os padrões etários atuais, seu coração estancou. Para sempre. E estancou também a “carreira” da família Kirchner na Argentina.

Sinto a morte de Néstor Kirchner. Mas ficou claro que quando Deus não joga, fiscaliza.

Tudo mais que resta ao cidadão comum é contar com os incompreensíveis fenômenos que quebram a linearidade da astúcia e voltam a dar ao Estado de Direito alguma (mesmo que pequena) esperança.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As quatro leis da espiritualidade

Alan Caldas

Recebi do amigo Nestor Fonseca o texto a seguir . São “as quatro leis da espiritualidade” e vem da cultura indiana. É incrível, e merece ser dividido com as pessoas que (as vezes sem nem mesmo saber porque) me acompanham diariamente nesta coluna. Boa leitura!

A primeira lei diz:

“A pessoa que vem

é a pessoa certa”.

O que significa? Ninguém entra em nossa vida por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor têm algo para nos fazer aprender.

A segunda lei diz:

“Aconteceu a única coisa

que poderia ter acontecido”.

O que significa? Nada do que acontece em nossa vida poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa...” Não! O que aconteceu foi tudo que poderia ter acontecido. E se aconteceu foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas as situações que acontecem em nossa vida são perfeitas.

A terceira lei diz:

“Toda vez que você iniciar

é o momento certo”.

O que significa? Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

A quarta lei diz:

“Quando algo termina,

ele termina”.

O que significa? Simplesmente assim: se algo acabou em nossa vida é para nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é “por acaso” que estamos lendo este texto agora. Se ele veio à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nem um floco de neve cai no lugar errado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É óbvio que o prefeito Miguel disse

Alan Caldas

O prefeito Miguel foi à Alemanha e afirmou a uma repórter deste jornal que não usaria dinheiro da prefeitura.

Isso de pagar “do próprio bolso” é demagogia, pois a viagem dele beneficiaria Dois Irmãos. Mas ele disse. E se disse, está dito.

Entretanto, o prefeito gastou dinheiro da prefeitura. Disse que não gastaria e gastou.

Como resultado, os vereadores bateram no prefeito e a viagem virou uma polêmica.

Na sexta-feira encontrei o prefeito Miguel e perguntei da viagem. Ele disse que daria “uma coletiva”.

- Coletiva é chato, prefeito. Dá uma entrevista ao JDI e outra para o resto.

O prefeito acatou e marcamos para as 11h da manhã a entrevista que está sendo publicada hoje. Após a nossa entrevista com ele, o prefeito deu a tal “coletiva”. E então, já sem a nossa presença na sala, o prefeito Miguel teria dito que a informação de que ele não usaria dinheiro da prefeitura foi “um mal-entendido” da repórter. Disse que a repórter “se confundiu”.

Talvez o prefeito ainda esteja meio tonto devido a grande diferença de fuso horário entre Brasil e Alemanha. Só posso acreditar nisso, pois Miguel sabe que não foi mal-entendido.

Miguel sabe que disse que não usaria di­nheiro da prefeitura “nem para passagem”.

Na sexta-feira, aliás, ele confirmou várias vezes que sim, havia declarado que não usaria dinheiro da prefeitura na viagem.

Hoje, porém, vem a furo e diz que a repórter, “se confundiu”.

O prefeito quer tirar o dele da reta. Mas joga a culpa dele em cima de uma profissional.

Quero dizer aos leitores que neste jornal somos vacinados. Aqui sabemos que político diz uma coisa e faz outra. Aqui sabemos que salvo uma ou outra exceção, político é cínico, falso e maldoso. Por isso, a ordem neste jornal é ter 100% de certeza quando se publica uma decla­ração de político. Na dúvida, não se publica, pois político é como gato, dá o tapa e esconde a mão.

Foi o prefeito Miguel que errou. Não os trabalhadores do Jornal Dois Irmãos. Se alguém tem de lavar a boca, não somos nós.

Essa viagem tinha tudo para ser grandiosa, mas se reduziu porque o prefeito fez demagogia, dizendo “não vou usar dinheiro da prefeitura”.

Este jornal defende que prefeito sempre viaje com dinheiro público.

Este jornal entende ser fraude enrolar a opinião pública se fingindo de bonzinho e mão-segura. Não existe político “econômico”.

Este jornal defende que Dois Irmãos é uma cidade rica e que pode mandar seus representan­tes a qualquer lugar. Inclusive mandá-los a um lugar que estou pensando aqui na minha cabeça...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Felizmente o futuro será brilhante

Alan Caldas

Vieram elogiar a coluna sobre a falta de gra­ti­dão em relação a saúde pública. Mas o que es­crevi sobre a saúde, poderia ter escrito sobre a educação. A atual educação pública municipal, se comparada com o passado, pode ser consi­derada milagrosa. Eis o motivo do milagre:

Primeiro, acabou o jaleco branco. Segundo, aca­bou o regime marcial. Terceiro, dá-se livro ao aluno. Quarto, dão merenda aos alunos. Quin­to, ninguém toca no aluno. Sexto, dão trans­por­te ao aluno. Sétimo, “acolhem” aluno que antigamente seria expulso e hoje é aturado, mesmo que enlouqueça o professor. Oitavo, dão contra-turno ao aluno. Nono, no contra-turno dão refeição e mais livros. Décimo, dão aulas de conteúdo variado, não apenas de conhecimento. Décimo primeiro, dão na escola ensino de como escovar dente, que penso seja DEVER dos pais e não dos professores. Décimo segundo, dão aconselhamentos com pedagogos, não mais puxão de orelha e reguada. Décimo terceiro, dão ouvidos aos alunos bons e educados e aos maus e grosseiros. Décimo quarto, dão ou­vi­dos aos pais, mesmo que os pais, ao contrário da lógica, fiquem a favor de atitudes er­radas do filho. Décimo quinto, dão Bolsa-Esco­la. Déci­mo sexto, dão passeios grátis. En­fim, dão ao aluno tudo, e mais prédios de ga­barito, iluminação perfeita e professores bem graduados.

É uma educação milagrosa. E quem passa por uma escola dessas, provavelmente se torne um ser humano grato a tudo que lhe deram.

Entretanto, pais nunca procuram este jornal para elogiar o que a escola dá aos seus fi­lhos. E o pior é ver pais dando em casa educa­ção fami­liar diferente da que o filho recebe na escola. Na escola toda criança aprende a resol­ver conflitos conversando, aprende que fumo e álcool são ruins e que palavrão é feio. Já em ca­sa muitos pais resolvem problemas a tapa, fu­mam e be­bem na frente dos filhos e usam palavrões.

Que pais são esses? Ingratos.

Todo pai que faz em casa diferente do que o filho aprende na escola, é um sujeito sem grati­dão, sem respeito pelo que a sociedade lhe dá.

Então, não é só no tocante à saúde que as pessoas recebem mais do que pessoalmente poderiam pagar e não valorizam. É em praticamente tudo. E é por isso que acredito que todos deveríamos pagar alguma coisa, pois como a realidade está aí para provar, tudo que se recebe “de graça” acaba não tendo valor. Se os pais tivessem de pagar para ter, privadamente, a educação que seu filho recebe com o dinheiro da sociedade, provavelmente a maioria das crianças estaria fora da sala de aula.

No entanto, não podemos perder a espe­rança, pois as crianças que hoje estão na escola, amanhã nos legarão uma sociedade certamente bem melhor do que a que temos hoje.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Judiciário eleitoral está nos vendo

Alan Caldas

A presença hoje em Dois Irmãos do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Luiz Felipe Silveira Difini, demonstra o bom traba-lho eleitoral que se faz em Dois Irmãos.

Este ano, Dois Irmãos foi a primeira cidade gaúcha a encerrar o escrutínio dos votos na eleição. Entre 497 municípios do Estado, Dois Irmãos foi o primeiro a dizer “encerrou a contagem de votos”.

Além de primeiro no Estado, 1 em 497, fomos o décimo município no Brasil. Ou seja: 10º em 5.100 municípios. É uma colocação e demonstra o preparo de todo o departamento eleitoral do Poder Judiciário em nossa cidade. Mas não é só isso.

Há outro fato a ser ressaltado: esta não foi a primeira vez que Dois Irmãos conquistou o título de primeira cidade a encerrar a eleição. Esta é a quarta vez! E consecutiva!

Nos últimos quatro anos, as eleições em Dois Irmãos não só têm sido pacíficas, como organizadas e ágeis. O trabalho da juíza Eleitoral, doutora Angela Dumerque, com o escrivão Renato Fritz, mais todos oficiais, mesários, escrutinadores e Junta Eleitoral, tem sido exemplo de organização.

O fato da eleição encerrar antes aqui do que no resto do Estado não é acaso. Há neste jornal várias notícias de que quando os demais municípios gaúchos recém começavam a cha­mar os mesários, todos os mesários e escrutinadores de Dois Irmãos já estavam convocados.

O chamamento e treinamento de mesários e escrutinadores, quando começou nos outros municípios, aqui já estava pronto.

Nossa colocação no ranking dos mais ágeis não é um acaso e sim organização. Orga­nização e visão de campo com profundidade. Não foi “sorte”. Sorte nada mais é do que o pre­paro en­contrando a oportunidade. Não foi “uma sorte” Dois Irmãos encerrar a eleição em pri­meiro lu­gar no Estado e em décimo no Bra­sil. Foi pre­paro. Preparo coordenado pela juíza elei­toral, seguido pelo escrivão eleitoral e bem aceito por todos que são fundamentais no pleito, os mesários e escrutinadores. Aliás, um surpreendente número de mesários e escrutinadores em Dois Irmãos são mesários e escrutinadores não porque foram “convocados”, e sim porque se apresentaram voluntariamente para sê-lo.

Esta característica de trabalho voluntário, somado a experiência e planejamento estratégico do Judiciário Eleitoral é que produz o “milagre” do primeiro lugar nos últimos quatro anos e o 10º no Brasil. Num Brasil onde o setor pú-blico arrasta as pernas numa dolorosa lentidão, o departamento eleitoral de Dois Irmãos se tornou corredor de 100 metros rasos. E a presença em Dois Irmãos da autoridade máxima do Tribunal Eleitoral gaúcho certamente é uma prova de que o Judiciário está nos vendo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Talvez não nos falte exatamente “saúde”

Alan Caldas

Com frequência leio reclamações contra o Postão. É gente que ficou “horas”. É pessoa desabafando que “nem olharam” ela. É povo reclamando do remédio. São os que esperam exames. São os que querem cirurgia.

Respeito as opiniões, mas reclamar do Postão é coisa de mal agradecido. É o sujeito que reclama da comida porque nunca teve fome, só teve apetite.

Nasci (em 1957) numa época sem saúde pública. Tinha médico pago, com dinheiro ou "Deus lhe pague" (e depois se mandava galinha, ovelha, ovos ou o que se tinha, mas era pago).

Depois, criaram Posto de Saúde. Se ficava na fila. E o médico só atendia duas vezes por semana: Uma era o povo em geral, na segunda-feira, e na terça-feira era o dia das meretrizes.

Depois veio dentista grátis.

Finalmente, já com vários Postos, o Presidente Sarney, impulsionado por um empurrão nas costas dado pelo doutor Ulysses Guimarães, sancionou a nova Constituição Federal, promulgada pelo Congresso Nacional. E ali se socializou a saúde e se criou o SUS.

Em Dois Irmãos, já em 1992, o prefeito Arnildo Mallmann criou o Postão. E de lá para cá, nunca se investiu tanto dinheiro em saúde. São milhões e milhões de reais da prefeitura to­dos os anos jogados na saúde.

Como resultado, temos incrível número de médicos, odontólogos, enfermagem, prédios, veículos, ambientes e atendimento.

Meu Deus, quanto atendimento! Quase 50 mil atendimentos por ano, numa Dois Irmãos que tem apenas 27 mil habitantes.

Até se dá remédio!

Até se busca gente em casa de ambulância por problemas que, quando nasci, nem me levariam ao médico!

E apesar de se fazer tanto pela saúde dos outros, vê-se desses “outros”pouquíssimo reco­nhecimento em relação ao que se lhes proporciona de facilidades na saúde física e mental.

Tenho vergonha de usar a saúde pública. Sou desses que acreditam estar tirando o lugar de quem necessita mais que ele.

Sou dos que pensam ter de aguentar “no osso do peito”. Uma noite tive crise renal e queriam chamar a ambulância. “Nada feito”, gritei. “De ambulância só me levam morto, pois se sair da­qui vivo e de ambulância ninguém mais vai me res­pei­tar”. E segurei cólica renal tomando aspirina.

Bah... me lembro até hoje! He, he, he...

Dias atrás tive um cisto e fui lá. Depois fiz curativos. E tudo grátis. Um dia voltei com chocolates e dei presente ao médico e sua assistente. “É pelo grande trabalho profissional que recebi aqui”, eu disse. E vi alegria naquelas pessoas que dão tudo de si para diminuir nossa dor.

O que falta ao brasileiro não é saúde. É gratidão!