terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Como era a tevê dez anos atrás?

Alan Caldas

Olhando a Zero Hora do ano 2000 e vendo os programas da tevê leva-se um susto. Dez anos atrás não existiam “reality shows”, os BiguiBróda.
Hoje a tevê não-paga se atirou na fórmula das tevês por satélite. A “xeretação” começou com o BiguiBróda e Casa dos Artistas.
O dinheiro tilintou e as tevês aceleraram intriga, erotismo (ou sexo “sob edredons”), brigas, traições, as gangues rivais que liquidam uma a outra e, depois, um ao outro, na guerra do “resta um”.
E xeretação, traição, descaramento e farsa tomaram conta da tevê em 10 anos.
Depois vieram outros: Esquadrão da Moda, Dez Anos mais Jovem, Super Nanny, O Aprendiz, Simple Life, Ídolos, Troca de Família, etc...
Dez anos atrás tinha lixo e falsidade, mas havia preocupação com ética, moral e educação.
Se a tevê é intromissão direta na vida alheia, isso vem para as ruas, para a vida “normal”. Mas fica a dúvida: como mudou “tanto” em tão pouco tempo?
É a dinâmica social. Somos seres que nos moldamos ao modelo dado. Não somos galinha, que nasce e morre galinha, ou cão, gato, peixe ou cobra.
Humanos não têm “natureza” humana. Nada em nós é “naturalmente humano”. Somos o modelo que nos dão.
O homem na caverna dar porretada na mulher para “namorar” com ela era “natural”? Claro que não. Era só o “modelo” que deram a ele.
Daí o sucesso dos “reality shows”: É um modelo dado que, por conter elementos caros ao ser humano (sexo, informação e parcerias), dá índices altos de audiência, na casa, na fazenda ou na ilha.
O “embaixo do edredon” é nossa lembrança do pai e mãe sob as cobertas. E a dúvida: O que faziam?
O ser humano gosta de “espiar” porque passa a vida atrás de um modelo de “como ser” humano.
Na verdade, não sabemos o que é nem como é ser humano. Mas a tevê sabe, e por isso ela virou esse laboratório onde analisamos cobaias humanas. E a audiência tem a ver com espelho, com “se ver” e “se comparar”.
Além disso, tem (no BiguiBróda) um Bial besta linchando moralmente um ou outro. E o povo adora. Tem mulheres lindas. Rapazes fortes. Tem homo, pobre, rico, culto e ignorante. E o povo ama se ver refletido. É um espelho.
Mas do ano 2000 para hoje mudou a “casa” dos apresentadores.
Em 2000, Ana Maria Braga era Record, tal qual Boris Casoy.
Jô Soares era SBT, como Eliana, Serginho Groisman e os Simpsons.
Ana Paula Padrão era Globo e Raul Gil Record. Já Marilia Gabriela estava no SBT.
E os horários? O Galpão Crioulo era sábado à tarde. Xuxa domingo à tarde. A Praça é Nossa nos fazia chorar (de lembranças) no sábado e Zorra Total (de raiva) nas quintas.
Mudou a tevê e o público. Hoje o alvo é o bolso da recém-consumidora Classe C.
Lendo a ZH do ano 2000 vê-se que não havia tevê digital. E que ainda existia a TV Guaíba (báh... que saudade!)
Não havia a Rede TV, a Pampa reproduzia a Record e não podíamos ver as gostosas (ops, desculpe!) Pampacats rebolando avantajados bumbuns no virar da meia-noite. Pelo menos isso melhorou...