terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

De volta à brevidade da vida

Alan Caldas

Como se sabe, a morte acaba com a vida do homem. E mesmo assim cremos que é natural.
Veja este trágico exemplo:
Aos 52 anos já perdi pai, tios, primos, primas, avós e amigos. Tudo bem que também morreu um ou outro desafeto, mas não vamos cuspir para cima, certo? Todos morreram.
Na morte alheia, percebe-se a brevidade da vida. Nascemos cheios de limitações físicas, mentais e de expressão. Com mais sorte crescemos e passamos a compreender a vida. E assim que começamos a compreendê-la... morremos.
Morrer é sobrenatural, pois natural é estar vivo. Mas todos parecem concordar que a morte é natural.
Físicos, químicos, médicos, psicólogos e até jornalistas -socooooorro! - afirmam que morrer “é natural”. Dá para entender outros profissionais engolindo essa de que morrer é natural. Mas jornalista digerir isso sem dor de estômago é uma tragédia.
O que houve com a imprensa?
Perdeu a capacidade de se surpreender?
A imprensa já não debocha das “verdades absolutas”. Mas não existe verdade absoluta. E, portanto, não é absolutamente verdadeiro que a morte é natural.
A morte é sobrenatural, mas a imprensa não vê. E se a imprensa não cutucar os cientistas, a vida continuará um mísero átimo no tempo.
A preguiça na ciência é notável: Anos atrás, entrevistei em Manhattan, no Kansas, um acomodado Diretor do Departamento de Biologia da Kansas State University. Perguntei a ele “quanto tempo” levaríamos para fazer clonagem de animal de grande porte. Era 1995, e ele respondeu:
- Talvez em 50 anos. E provavelmente nunca se consiga.
Levamos a noite inteira “batendo boca” e ele alegando que eu era néscio no assunto.
Porém, dois anos depois apareceria a ovelha Dolly, clonadinha da Silva.
Arrisco dizer que em relação a morte existe essa mesma atitude da maioria dos cientistas.
Cabe a nós jornalistas abrir e intensificar esse debate. Não há por que você perder os seus. Ou eles perderem você.
É inaceitável aceitar que a vida chega ao fim só por que é “natural” ela chegar ao fim.
É muito simplista essa aceitação.
A nós, jornalistas, compete desafiar os cientistas e fazê-los encontrar respostas. Tal qual ocorreu com a clonagem, que era “impossível”.
E atenção: Não acreditar na morte como algo “natural” não significa duvidar do Senhor.