Alan Caldas
Dois Irmãos não tem um projeto que a torne reconhecida.
O Natal dos Anjos poderia ser. Mas o show do Papas da Língua no ano apssado mostrou que o “Natal” será nos próximos anos só mais um evento de massa e hipnótico, e não mais o sofisticado e espiritual Natal que se tentou fazer. Então, como turismo ele acabou.
A Rota Colonial Baumschneis foi visitada, anos atrás, por 150 agentes de viagem do Rio Grande do Sul. E o Cláudio Candiota, presidente da Associação de Agentes de Viagem, disse que de toda a Rota Romântica (que vai de São Leopoldo a São Francisco de Paula) a única “rota” que tinha “alguma chance de turismo” era a Rota Colonial Baumschneis.
No entanto, nunca foi feito algo para ancorar a Rota Colonial, e ela ficou no que é e nada indica que vai deslanchar.
O Kerb? O Kerb virou festa de bêbado. E por mais que ano após ano, prefeito após prefeito se insista em colocar cultura no Kerb e o levar de volta às origens (única chance de fazê-lo ser turístico), ninguém escuta esses conselhos. E ano a ano o Kerb se torna cada vez mais um culto ao álcool e “às massas”.
E não se faz turismo com “massas” ou vício. Então, o Kerb é zero turismo.
Talvez Dois Irmão não queira ser turística. Talvez sejamos uma cidade industrial, o oposto de ser turística.
Assim sendo, cabe a Morro Reuter ser a cidade turismo na Grande Porto Alegre. Mas para crescer nesse aspecto, Morro Reuter terá de olhar para trás e viver hoje o seu passado.
Há um desejo enorme de turismo rural e “de história” (do passado) na Grande Porto Alegre. As pessoas estão loucas por vivenciar por algumas horas ou dias um lugar antigo, bem colonial e de preferência “com outra língua”.
Gramado há muito não é assim. Gramado é a metrópole do turismo, é gente bonita e bem vestida, carros caros, comida de alta qualidade, ruas impecáveis, mais de 200 hotéis, mais de 200 restaurantes, cinema, Pubs, e um projeto de manter os olhos das pessoas voltadas para ela.
Até o termômetro de Gramado dizem ser “manipulado” e mostrar temperatura abaixo da real. Gramado está muito além do turismo romântico e rural. Romântica ela é, mas não é rural e nunca mais será.
Mas as pessoas estão querendo esse convívio com o natural. E estando Morro Reuter a sessenta quilômetros da capital, se ela mostrar sua face antiga de colônia e seu som de língua alemã, certamente se tornará um sucesso.
Mas resta responder a pergunta:
- Será que o povo de Morro Reuter quer?