Alan Caldas
Todos que abrem o seu próprio negócio têm a esperança de que ele cresça.
Não que apenas cresça, mas que se torne referência local, estadual, nacional e de preferência mundial. Estão aí Microsoft, Coca Cola, Heineken e tantos outros. Não são marcas, são grifes.
Há pessoas que viram grife.
Na música Frank Sinatra. Na dança Michel Flatley. Shakespeare na literatura. A família Troisgros na culinária mundial. A Ferrari entre os carros. Muhamed Ali no Box. Pelé no futebol.
Algumas cidades também são grifes. Paris é a mais cara de todas. San Francisco. Moscou. E no Brasil, Gramado, que segundo pesquisa é o sonho de consumo de 8 entre 10 noivas.
O Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, também está virando uma grife.
Dois Irmãos pode se tornar uma grife. E Morro Reuter também.
Essas duas cidades (ainda) têm o que é mais necessário: cultura. São reconhecidas por ser “colônia alemã”. Elas também têm uma geografia, que em Dois Irmãos é bonita e em Morro Reuter espetacular. Além disso, entre alemães e quem os conhece, existe uma tradição de pães, cucas e cerveja, além é claro das maravilhosas schmier que se degusta aqui na região.
Apesar disso, não há desenvolvimento desse setor e nossas duas cidades estão se deixando levar pela mesmice da Grande Porto Alegre.
A BR 116 tem de ser a nossa Rota Culinária Alemã, temos de desenvolver um projeto que vislumbre “reconstruir” a beira da BR 116, criando um estilo próprio para Dois Irmãos e outro para Morro Reuter. Os plátanos já estão ali, enfeitando nossas vidas, dando vida à nossa morte visual (que é o que se tem de Novo Hamburgo em diante, até Porto Alegre).
Os prefeitos, os vereadores, nós moradores, todos temos de sonhar alto para essa BR116. Precisamos com urgência fazer um plano que una nossa geografia com a nossa cultura gastro-agrícola e começar a criar um “estilo” para a BR 116 neste trajeto. E daí em diante, fazer de tudo para transformar essa área numa área linda, rara e cara.