quarta-feira, 10 de junho de 2009

Duplicar a BR 116 é má ideia

A ideia de duplicar a BR 116 na altura de Dois Irmãos não é boa por várias razões.
Se a duplicação acelerar o tráfego, isso se transformará em mais multas (que já somam 50 mil, só este ano, entre Dois Irmãos e Porto Alegre). E provavelmente acarretará mais acidentes.
Além disso, se “ganharmos tempo” (com estradas largas e velozes) deixaremos de aproveitar a paisagem que nos cerca. Indo rápido, não veremos nada. E isso explica o quão estéreis de sentimento os motoristas se tornaram, e é isso que esclarece a violência que explode no trânsito num simples arranhão ou ultrapassagem, com brigas e mortes entre motoristas.
Outro fator a agravar a ruindade da duplicação da BR 116 é esta: Dois Irmãos deixará de ser uma ilha (como hoje) e se tornará mais uma cidade na tripa caótica que se estende de Porto Alegre a Novo Hamburgo. Seremos uma cidade a mais, entre tantas, o que nos transformará num tipo de sociedade pasteurizada (que hoje não somos). E quem conhece o malefício que a pasteurização da cultura causa ao “ser”, não pode aceitar isso mansamente. Só doido aceitaria ver Dois Irmãos virar um bairro de Novo Hamburgo ou de Porto Alegre.
Tem outra coisa péssima. É que com a duplicação, Dois Irmãos inchará, e talvez em 5 ou 6 anos dobre de população. Sim, para alguns (poucos) negócios será muito bom. Mas para a cidade como um todo, para a cidade em sua macroestrutura, seria péssimo esse inchaço. Viriam para cá os benditos e bem vindos 5% que fazem a vida melhor. Mas viriam, também, os 94% que só buscam condições gratuitas para viver, como saúde, educação, infra-estrutura, segurança, remédio e transporte gratuito, e todos se acreditando cheios de “direitos” (que é a grande ficção e alucinação da sociedade brasileira atual, ao nosso ver).
Mas o pior não é isso. O pior é que viria aquele 1% de gente podre, a ralé que inferniza e faz infeliz nossa vidinha pacata, e esse 1% infectaria (ainda mais) nossa cidade com droga, furto, roubo, assalto e brigas de gangues, exploração de prostituição e violências várias que estragam o bom viver.
Antes de nos engajar na duplicação da BR 116, precisamos ponderar essas coisas que podem ocorrer.
Não é porque “podemos duplicar” que teremos de duplicar.
O espaço acaba aqui. Então direi na próxima edição o que se pode fazer para fluir o trânsito sem estragar Dois Irmãos. Só antecipo isto: basta uma elevada na entrada do Posto Sapatão, pois é lá que fica o gargalo do nosso trânsito.