quinta-feira, 25 de junho de 2009

Seria a pá de cal na nossa utopia?

Aprendi nos Guerrilheiros da Notícia, com Antônio Carlos Baldi e Flávio Alcaraz Gomes, que debate tem de ter elogio, crítica e bom humor. E de vez em quando tem de sair uns puaços, como num rinhadeiro onde se confrontam galos guerreiros. Mas tudo com respeito, já que somos (pretensiosamente) civilizados (hí, hí, hí...). Até porque, ideias não são metais que se fundem.
Assim participamos na terça-feira de um debate na rádio ABC, sobre a duplicação da 116 em Dois Irmãos. Estavam lá Daniel Kuhn, prefeito Miguel, vereador Filipin, tenente Tavares e Luis Lauermann, mediados pelo radialista Luiz Fernando.
A duplicação tem méritos e deméritos, e alguém precisa dizer quais são os deméritos. Junto com o Daniel Kuhn fizemos esse contraponto, defendendo a exceção da regra. E descobriu-se uma falta de sinceridade: diziam que a duplicação estava "em discussão". Mas na verdade não está. A duplicação vai sair e ao que parece só nos resta aplaudir ou vaiar. O destino da 116 já foi escrito e não foi por nós, mas por outros. E foi escrito, ao que parece, em ato secreto, mesmo que seja a nós (e não a esses outros) que essa obra vá beneficiar ou prejudicar.
Como civilmente incapazes, fomos curatelados. Decidiram por nós. E até já tem empresa ganhando para fazer o projeto. Então não duvide se igual aos “segredos” do Senado os políticos aqui da região já saibam qual empreiteira ganhará a obra de duplicação.
Afinal, carreira (e comissão) se ganha “no amarrar” a proposta e não “no correr”, não é mesmo? Hê, hê, hê...
Porém, o debate foi agradável. Um confronto de ideias inúteis, pois a obra está decidida, mas que reuniu pessoas de opiniões diferentes e respeitadoras entre si. E mesmo que já esteja acertada a duplicação e sejamos todos claque (e não agentes da história), valeu o encontro.
Fizemos lá o (necessário) papel de Advogado do Diabo. E como você bem sabe, o advogado do diabo é a pessoa que o Papa nomeia para ver se há defeitos no cristão que pretendem santificar e assim evitar que um malvado seja elevado ao grau de santo.

* * *
Só para finalizar, registro:

I- A Dois Irmãos dos nossos sonhos não é “mais uma” na Grande Porto Alegre.
Mas veja: talvez a Dois Irmãos dos nossos sonhos já não exista, e nos reste “ser mais um” nesse longo eixo de nenhuns que se estende de Porto Alegre até aqui. Viva a pasteurização, então, que nos transformando numa sociedade amorfa colocará (mais uma) pá de cal sobre a nossa já esmorecida utopia local.