sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O romance de Deus

Li o que os três padres da cidade inteligentemente escreveram sobre a Bíblia. E gostei.
Também tenho uma “visão” do que nos diz a Escritura, embora não tão culta e profunda quanto a do Monsenhor Izidoro, do padre Paulo e do padre Vicente, pois eles descrevem algo que lhes é do ofício teológico e eu apenas o que me bate no coração.
Li muitas vezes a Bíblia, mas sempre esparsamente, uma área dos Salmos do rei David, as cartas de Paulo, os Juízes e assim por diante.
Um dia, após tantas leituras esparsas, comecei a ver do início ao fim, do Gênesis ao Apocalipse, e percebi que por incrível que pudesse parecer, já havia lido praticamente toda a Bíblia.
Ao fazer isso, comecei a conectar cada texto, cada Evangelho, os dois testamentos do início ao fim. Então consegui, em minha mente simplória, desprovida da compreensão teológica na qual estão imersos os padres e pastores, ter uma “visão” da Bíblia, não como uma parte aqui outra ali, mas como um todo, como um projeto editorial único, como um livro, um romance com começo meio e fim.
Foi a maior descoberta literária da minha vida, por ali estavam muitas pessoas que embebidas nesse ambiente divino, uniram-se (sem saber) entre os séculos e foram legando-nos um romance. O romance de Deus!
Ao meu modesto e humilde compreender, e deixo isto como minha visão de leigo para os católicos neste Mês da Bíblia, esse é o romance de Deus. E a história desse romance é a história de um Pai que em desespero corre atrás do filho que se perdeu no mundo que ele criou para ser um mundo bom, sem dor, sem morte, sem traição, sem angústia.
E tendo o filho se desvirtuado desse caminho do bem, o Pai, sabedor de que o mal é ausência do Bem, começa a tentar reconquistá-lo, para levar de volta a sua casa de amor, bondade, alegria e êxtase permanente o filho que afundou no vício do pecado.
Começa em Gênesis.
Termina com o Apocalipse.
E no meio tem algo tentador: o Armagedon, a guerra do fim dos tempos.
E pensando nisso, homens como eu, pecadores, dobram os joelhos e aceitam a dolorosa verdade de que talvez jamais possam enxergar (outra vez) o paraíso.
É o mais incrível romance já escrito!