quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tenha muito cuidado com você

Você pode se tornar grande. Ou pequeno. Pode ser sincero. Ou um grande mentiroso. Pode buscar a essência do ser. Ou se tornar escravo da matéria. Pode mergulhar no amor. Ou consumir-se no ódio. Pode ter filhos e vê-los crescer, aprendendo dia após dia como se desenvolve a personalidade humana. Ou pode fazê-los, largá-los e sumir no mundo. Você pode honrar seus pais, avós, bisavós e toda sua descendência, fazendo de tudo para não desonrá-los. Ou pode tornar-se um desnaturado bufão. Você pode crer em Deus, como bilhões o fazem. Ou deixar se levar pela “esquizofrenia social”, como disse Marx, que aliás morreu virado num trapo humano. Você pode sorrir ao que lhe sorri, fazendo o mundo mais agradável. Ou ser azedo todos os dias. Você pode usar seu talento e inteligência com razão “e” coração. Ou tornar-se um Dom Casmurro. E, aliás, você pode dedicar-se a uma mulher, tornando a palavra dela sincera e crendo nela como em você mesmo. Ou pode pensar que todo homem terá um Bentinho amigo-traidor em sua vida, que aproveitará dessa sua mulher amada. Você pode brincar, mesmo estando adulto ou idoso. Ou se tornar, ainda na adolescência, um velho caquético. Você pode ser sério em tudo e mesmo assim ser alegre. Ou se tornar um sisudo.
De qualquer um e para qualquer um, você pode ser gentil ou grosso, bom ou mau, bonito ou feio, grande ou pequeno, virtuoso ou idiota, rico ou pobre, culto ou ignorante, fiel ou traidor, crente ou ateu, genial ou cretino, rápido ou lerdo, elegante ou desinteressado, amigo ou inimigo, presente ou ausente, ouvinte ou falante, conselheiro ou aconselhado.
Para qualquer um você pode ser tudo.
Ou nada.
Mas lembre que em tudo que você faz, em toda crítica que tece, em todo elogio que dá, em todo choro e riso, no seu bem e no seu mal, em tudo isso queira ou não, saiba ou não, goste ou não, está você. E é a você que você terá, mais dia menos dia, de prestar contas de quem você é, pois você é o seu próprio juiz. Então, cuide para não se arrepender de ter sido você mesmo a vida toda. Porque essa é, sem dúvida, a maior e pior de todas as nossas decepções possíveis.