sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A guerra contra o açúcar

Pode ter sido Eva ou Adão, nos primórdios da criação da raça adâmica, quem disse:
- Não come isso aí que faz mal!!!
Ou teria sido o próprio Deus quem disse?...
O fato é que, de lá pra cá, de tempos em tempos tiram um produto para Cristo, e metem ele na cruz.
O tomate começou como “veneno”, quando foi encontrado nos Andes, pelos espanhóis, e levado ao México e dali para a Europa.
Até que conquistou a culinária italiana e espalhou-se pelo mundo, tornando-se, então, beatificado gastronomicamente após ter sido condenado pela Inquisição (por ser considerado afrodisíaco, numa época em que sexo... arre!... era diabólico).
Além da comida tem a bebida, sempre perseguida (opa, até rimou).
O tabaco, inicialmente usado em rituais indígenas, chegou a ser condenado (também pela Igreja), e foi por excomungar o filho fumante de um donatário, que dom Pero Fernandes Sardinha foi expulso do Brasil. Seu barco naufragou na costa e ele foi comido pelos canibais. Literalmente...
A guerra contra o fumo começou mesmo quando os malefícios dele passaram a pesar no bolso dos governos, que tinham de pagar o preço das doenças que ele causava nos fumantes quando estes, podres de câncer, pressão e outras complicações, caíam meio-mortos na porta dos postos de saúde.
Quatro anos atrás, no programa do Flávio Alcaraz Gomes (Guerrilheiros da Notícia), disse que “logo mais iam começar a condenar os gordos”.
Caíram de paulada sobre mim, dizendo que estava “endoidecendo de vez”. Mas hoje, quatro anos depois, cada vez que um médico atende um paciente no posto (ou particular), logo mede a cintura dele. E se der mais de 90cm em homem ou 80cm na mulher, já leva um xingão.
E começou a perseguição aos gordos.
Hoje ser fumante ou gordo deve ser muito chato, porque todos ficam te pisando no calo.
Estava demorando para atacarem o açúcar.
Mas finalmente chegou a vez dele, e começou nos Estados Unidos a perseguição aos açúcares (que levam, também, ao gordo e aos problemas que dizem que a gordura causa).
Não sei se o mundo não vai ficar muito chato com tantas proibições. Sabe-se que tudo que é proibido é mais excitante, não é? Quer despertar a curiosidade de alguém? Diga que aquilo é proibido.
Tudo bem que temos de ficar saudáveis. Mas nossa civilização não sabe discutir franca e delicadamente os problemas que lhe afligem. Saímos logo no boxe, dispostos a jogar na lona nocauteado quem fuma, quem bebe, quem usa droga, quem come muito, quem ficou velho, quem é livre para amar, quem diz o que pensa, quem é amoroso, quem é violento, quem gosta de sexo, quem não gosta...
Até parece que somos uma síntese de rancor, e não um gesto de amor entre o pai e a mãe que num momento de maravilhoso entendimento sob os lençóis nos deram a chance de fruir a beleza e grandiosidade deste mundo.
Não há cena mais feliz que um gordinho saindo da confeitaria cheio de doce nas mãos.
Mas essa cena, assim como o florescer dos plátanos ali da BR 116, está prestes a acabar.
E o mundo continuará sendo o mesmo, porém, as razões para se continuar nele vão ficando cada vez menores, com tantas proibições e destruições do que nos parece bom e belo. Você não acha?