sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A limonada está contida no limão

Estacionei no aeroporto, às 6 da manhã, e 10 minutos depois voltei e vi os guardinhas do trânsito querendo guinchar meu carro.
Achei estranho, sempre todo mundo estacionava ali. Mas... lei é lei.
Falei que o carro era meu. Despacharam o guincho e resolveram multar também porque os pneus de trás estavam “careca”.
Tá bom, multa que estou com pressa.
O guardinha ficou com cara azeda, me multando, e vendo que ele não tinha cortado a barba, perguntei:
- A guarda de Porto Alegre não tem “padrão militar”, ou seja: barba feita, roupa limpa (a dele estava toda amarrotada) e sem fumar (ele estava fumando).
Já quase se alterando, ele disse que eles “não eram militares”.
E eu, bem tranquilo:
- Mas o padrão deveria existir. Não impõe respeito alguém barbudo, com cara de sono, roupa amarrotada e fumando.
O guardinha branqueou, mas ficou na dele. Terminou o preenchimento da multa e perguntou se eu ia assinar.
- Por que não assinaria? - perguntei.
- O senhor pode querer recorrer da multa...
Olhei aquela criatura triste e disse:
- O senhor acredita que me multando está fazendo a humanidade ir em frente e progredir?
- Só estou trabalhando...
- Pois se está trabalhando e acredita que isso faz a humanidade ser feliz, é óbvio que vou pagar a multa. Se eu recorrer, estarei indo contra a felicidade humana que o senhor acredita estar buscando ao me multar, não é?
Peguei a multa sorrindo, assinei e devolvi.
E, ao sair, perguntei:
- Oh guarda, que carro você tem?
- Não tenho carro - disse ele, acabrunhado.
- Pois quando tiver, cuide dos pneus - eu disse, rindo. E saí de bem com a vida, enquanto ele ficou na infelicidade dele.
Passei o dia muito bem, e hoje, quando chegou a multa, me senti melhor ainda.
Moral da história: Há sempre razões para ser feliz. Basta saber que em cada limão está contida uma limonada. E não é porque o outro está infeliz e azedo que você tem de ficar infeliz e azedo também. Perdoe a infelicidade alheia e essa atitude acabará perdoando a você mesmo.
É como diz a música: “ando devagar por que já tive pressa, e levo este sorriso por que já chorei demais...”.
Não esqueça que compreender a vida “é simplesmente conhecer a marcha e ir tocando em frente...”.
Saiba que “cada ser (inclusive você) em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz...”. E é preciso “paz para poder sorrir”, assim como “é preciso chuva para florir”. E entendendo isso, vamos compondo a nossa história, nunca nos abraçando ao mau exemplo da infelicidade.