segunda-feira, 9 de novembro de 2009

É a única opção de lazer da maioria

Lendo sobre as pracinhas abandonadas, se vê que a população precisa lazer para os filhos. E criança adora pracinha, gangorra, balanços, ferrinhos de se pendurar.
Neste calor a pracinha é a salvação dos pais.
A maioria não tem ar condicionado, sabia?
E com o efeito estufa esquentando o planeta, onde o sujeito que tem filho escapa? Na pracinha. É lá que ele vê os amigos, toma chimarrão e troca graças e desgraças de sua vida nem sempre grandiosa.
Nem todo pai leva os filhos no zoológico ou na Redenção ou no aeroporto.
Para mais de 90% dos pais, o que resta é a pracinha do bairro. É ali que ocorre a festa.
Sair de Dois Irmãos é caro. Muitos não têm carro nem dinheiro. Fica a pracinha como opção de lazer e convívio dos filhos e deles.
Dois Irmãos tem pracinhas boas, com bons brinquedos. Mas brinquedo estraga e tem de ser reposto. E quando a criança começa a reclamar para os pais, eles começam a reclamar para outros pais, que igualmente têm filhos que reclamam do estado dos brinquedos.
A criança não vê o matagal, só o brinquedo estragado. Mas o pai, que também usa a praça como lazer, vê o brinquedo estragado “e” o matagal.
Pracinha não basta roçar. Tem de ter brinquedos bons. Brincar faz parte do desenvolvimento da criança. E muitos têm na pracinha a única opção de lazer gratuito para os filhos.
Tá, tudo bem: ninguém mandou fazer filho.
Mas essa é outra questão.
O debate aqui é sobre ter ou não praça em boa condição. E tem de ter. E ponto.
Lendo a reclamação dos pais, até me deu pena do Marcão, nosso Secretário de Serviços Urbanos. Gosto dele. É um homem bom e esforçado. Tem um abacaxizão na mão, mas é o Secretário e tem de cobrar verba para renovar brinquedos e gente para fazer limpeza, se preciso (e sempre é preciso).
Isso é parte do bem-viver. E pequenos atos, como levar filho à pracinha, é que faz o nosso viver humilde mais significativo.
Quem tem dinheiro para levar as crianças a cinema ou parques da capital ou praia, não vê que a maioria não tem dinheiro para isso.
Então começa o tiroteio verbal.
E quando os que só têm a praça começam a reclamar, preste atenção. Nada é mais terrível que a vingança dos justos...
Mas veja: umas praças estragadas não é o fim da administração. Dá para consertar.
Mas tem de consertar.
Não dá para ficar em blá, blá, blá...
Afinal, “quem pariu Mateus embala”, não é?