quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Conversando com Tom Wolf

Na segunda-feira estava em Porto Alegre o escritor Tom Wolf, participando do encontro Fronteiras do Pensamento. Tom Wolf é autor de vários livros importantes. Ele escreveu A Fogueira das Vaidades, que narra a vida cotidiana em Nova Iorque e é tão jornalístico que alguns críticos chegaram a dizer que “nem era literatura e sim reportagem”.
Durante o encontro, uma das questões era o por quê jovens não lêem jornal.
Alguns apressados chegaram a dizer que o fato de pessoas abaixo de 30 anos atualmente não lerem jornal significaria que em “alguns anos” o jornal deixaria de existir.
Tom Wolf disse que não é “atualmente” que pessoas abaixo de 30 ou 35 anos não lêem jornal. Segundo ele, “desde os anos 1800 que jovem não lê jornal nos Estados Unidos”.
Segundo ele, a leitura de jornal se dá como divisor de épocas na vida.
Tom Wolf explicou que “quando a pessoa fica adulta” é que ela começa realmente a ler jornal. “Até então ele é audiência de tevê ou rádio”, disse o escritor.
O futuro dos jornais, para ele, está ligado à questão do amadurecimento das pessoas. “O jornal sempre será um status de adulto”, disse Tom Wolf.
“A pessoa que está com um jornal na mão, sabe que já está noutra fase da vida, a fase em que se preocupa com os problemas concretos e encara o mundo como uma parte de si e na qual ela tem responsabilidade”.
O debate foi longo, passando por vários temas, e o jornal foi um desses temas porque cada vez mais a internet se impõe.
Mas a internet, segundo Tom Wolf, “não tem credibilidade para pessoas adultas, porque mais de 90% do que está nela é falso”.
Para ele, o ato de ler jornal tem a ver com o crescimento da pessoa.
“Se você pegar as pessoas mais importantes em qualquer lugar do planeta, verá que estão sempre por dentro das notícias dos jornais, especialmente no local onde elas vivem”, disse Tom Wolf. “E por mais que a tevê ou a internet sejam atraentes, ainda é no jornal impresso que as pessoas balizam a sua vida”.
Analisando os novos métodos de leitura de jornal por computador, Wolf disse que nada substituirá o toque da mão no papel.
“É que isso torna a leitura interativa e dá, ao leitor, uma sensação de posse daquilo que ele está lendo”.