quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cidades sem salva-vidas

Quem olhou as fotos das praias lotadas neste final de semana, certamente reparou que não havia salva-vidas nas guaritas.
Milhares de pessoas. Zero salva-vidas.
E, curiosamente, só dois de afogamentos no Litoral Norte (Imbé e Xangri-lá).
Não ter salva-vida em Tramandaí e arredores, com dezenas de milhares de pessoas na praia e entrando no mar, parece loucura.
Afinal, água requer salva-vida.
E, nos meses do verão, não tem dia que os salva-vidas não estejam naquele corre-corre, atrás de banhistas que vão mar adentro e acabam socorridos. Muitos só levam susto. Mas muitos morrem afogados.
Os jornais estão cheios dessas notícias.
Mas neste final de semana, quente e com praia lotada, nenhum salva-vida estava lá.
Mas também não houve, pelo que se leu em jornais, um afogamento que seja.
Que fenômeno é esse?
Se tem salva-vida, morre gente ou pelo menos levam e dão susto nos salva-vidas e nas pessoas da praia.
Se não tem salva-vida, não ocorrem sequer ameaças de afogamento.
Quando sabemos que a coisa não está fácil, tomamos cuidado, não deixamos filhos se aventurar mar adentro e ficamos com um pé na areia, quando colocamos o outro no mar.
No fundo, isso demonstra nossa infantilidade. E demonstra essa coisa da “representação”, quando deixo que alguém “me represente” (como na política, por exemplo, como na segurança, por exemplo, onde abrimos mão de “ser” para que políticos e policiais sejam por nós).
Diante do risco certo, não deliberamos para ninguém a nossa segurança e bem-estar.
Foi o que se viu neste final de semana na praia: zero afogamento.
A ausência de salva-vida na praia lotada e o zero-acidente mostra isso: se tem segurança relaxamos na vigilância e acabamos quase afogados ou (desgraçadamente) mortos.
Se não tem salva-vida, nos cuidamos, cuidamos dos nossos, ficamos na vigilância e mantemos nossa liberdade de viver. E o preço da liberdade, como se sabe, é a eterna vigilância.
Isso, porém, não abre mão de se dizer aqui que Tramandaí e arredores têm obrigação de manter salva-vidas na praia.
Se não por zelo às nossas vidas, pelo menos por respeito ao IPTU que se paga lá e ao dinheiro que pagamos em seus hotéis, bares e restaurantes e que volta para os políticos na prefeitura daquelas cidades sem salva-vidas.