Praia lotada, sem salva-vida mas raros afogamentos. É de se pensar a real razão de tantos afogamentos quando estão lá os salva-vidas.
É que tem muita gente querendo aparecer.
Tem pessoas que levam vida tão inútil, mesquinha e insignificante, sem ação nem emoção, que tentam desesperadamente se mostrar ganhar atenção. E a praia lotada é o local perfeito. Cheio de pessoas sorrindo, meio peladas, bebendo, tomando sorvete, felizes da vida. E o neura lá, entrevado, escondido em si mesmo, e logo vê naquele ambiente feliz um motivo para chamar a atenção que ele não recebe do mundo.
Tem pessoas tão carentes de afeto e necessitadas de atenção, que se expõem ao risco só para que alguém lhes coloque os olhos. Ou as toque. Nunca são olhadas, jamais são vistas, e ninguém as quer tocar.
Então ela vai ao mar. Põe o pé no mar e o frio dá agua lhe dá calafrios. Não o “bom” calafrio, aquele que sentimos quando a mulher te passa a mão de leve, roçando teus pelos. Não esse. O que ela sente é aquele de frio mesmo, o ruim, o chato.
Mas ela entra. Entra cuidando o salva-vida lá na guarita. E vai entrando. Ela vê todo mundo brincando na água aqui no raso e seguro, mas ela vai “para lá”. Vai onde outros não vão. Vai afundando. E pisando em buracos no mar, vai tropeçando.
Nada mal, é claro. Ou nem nada. Mas entra. Ela sabe que estão olhando. Espera que estejam. Sabe que estão vendo que ela vai onde não dá pé. Mas segue.
Vai querendo aparecer.
Vai por que bebeu demais. Vai por que brigou com anamora da. Vai sem saber por que, mas vai. No fundo, vai por que quer morrer mesmo, porque sua vida é um poço de insatisfações, e ela está nisso até á cabeça.
Vai mar adentro, e faz como as moças de antigamente, que fingiam tentar se matar tomando meia dúzia de aspirinas e depois metiam duas ou três doses de whisky no bico, na esperança de que aquilo não as matasse, é claro, mas fizesse os pais ou aquele desgraçado do namorado ver que ela era mais interessante que “aquela vagabunda” pela qual ele a trocou. Assim também é que a criatura vai ao mar, arriscando o pêlo para ser notada, se fazendo de vítima. Vai devagar.
Pode ver: quase todo socorrido no mar, chegou lá no fundo “bem devagarzinho”. Não chegou lá onde não dá pé assim, de peito aberto, num sopetão, na “braçada”. Chegou no levinho, foi no macio, foi indo, foi indo, foi indo, e sempre com um olho na missa e outro no padre, no caso no salva-vida. E então, já lá no fundo, a criatura percebe que REALMENTE a coisa é “osca da cola baia”, como diz o serrano ao se referir a um “baita tempo feio”. Só quando definitivamente não dá pé e ele, o arriscador, vai se tornar uma foto na parede, é que ele entra em pânico, esperneia, grita, e chama os que estão perto, levando pânico aos que brincam em águas que eram para ser tranquilas e o são até que um tipo desses, neurótico e que anda à cata de atenção, venha se expor e estragar o dia dos demais com sua frescura neurótica.
Neuróticos somos. Todos numa ou noutra situação agimos às cegas, fazendo uma coisa e, sem saber, querendo fazer outra. Todos somos assim, vez por outra, neuróticos.
Mas se você olhar a expressão de “bem-estar” que quase sempre aparece num “salvado” no mar, verá que ele está quase “iluminado” por ter sido salvo, e tem, por instantes, um ar angelical e infantil, como de uma criança que tendo se machucado você põe no colo e acaricia, para que se sinta reconfortada e forte novamente.
Embora a maioria dos que quase se afogam sejam uns malucos, deles o que se deve ter é pena. Pena de sua cegueira que os leva a atos insanos.
E esse exemplo serve para mim, também, não é? E para você, será que não serve? He, he, he...
É que tem muita gente querendo aparecer.
Tem pessoas que levam vida tão inútil, mesquinha e insignificante, sem ação nem emoção, que tentam desesperadamente se mostrar ganhar atenção. E a praia lotada é o local perfeito. Cheio de pessoas sorrindo, meio peladas, bebendo, tomando sorvete, felizes da vida. E o neura lá, entrevado, escondido em si mesmo, e logo vê naquele ambiente feliz um motivo para chamar a atenção que ele não recebe do mundo.
Tem pessoas tão carentes de afeto e necessitadas de atenção, que se expõem ao risco só para que alguém lhes coloque os olhos. Ou as toque. Nunca são olhadas, jamais são vistas, e ninguém as quer tocar.
Então ela vai ao mar. Põe o pé no mar e o frio dá agua lhe dá calafrios. Não o “bom” calafrio, aquele que sentimos quando a mulher te passa a mão de leve, roçando teus pelos. Não esse. O que ela sente é aquele de frio mesmo, o ruim, o chato.
Mas ela entra. Entra cuidando o salva-vida lá na guarita. E vai entrando. Ela vê todo mundo brincando na água aqui no raso e seguro, mas ela vai “para lá”. Vai onde outros não vão. Vai afundando. E pisando em buracos no mar, vai tropeçando.
Nada mal, é claro. Ou nem nada. Mas entra. Ela sabe que estão olhando. Espera que estejam. Sabe que estão vendo que ela vai onde não dá pé. Mas segue.
Vai querendo aparecer.
Vai por que bebeu demais. Vai por que brigou com anamora da. Vai sem saber por que, mas vai. No fundo, vai por que quer morrer mesmo, porque sua vida é um poço de insatisfações, e ela está nisso até á cabeça.
Vai mar adentro, e faz como as moças de antigamente, que fingiam tentar se matar tomando meia dúzia de aspirinas e depois metiam duas ou três doses de whisky no bico, na esperança de que aquilo não as matasse, é claro, mas fizesse os pais ou aquele desgraçado do namorado ver que ela era mais interessante que “aquela vagabunda” pela qual ele a trocou. Assim também é que a criatura vai ao mar, arriscando o pêlo para ser notada, se fazendo de vítima. Vai devagar.
Pode ver: quase todo socorrido no mar, chegou lá no fundo “bem devagarzinho”. Não chegou lá onde não dá pé assim, de peito aberto, num sopetão, na “braçada”. Chegou no levinho, foi no macio, foi indo, foi indo, foi indo, e sempre com um olho na missa e outro no padre, no caso no salva-vida. E então, já lá no fundo, a criatura percebe que REALMENTE a coisa é “osca da cola baia”, como diz o serrano ao se referir a um “baita tempo feio”. Só quando definitivamente não dá pé e ele, o arriscador, vai se tornar uma foto na parede, é que ele entra em pânico, esperneia, grita, e chama os que estão perto, levando pânico aos que brincam em águas que eram para ser tranquilas e o são até que um tipo desses, neurótico e que anda à cata de atenção, venha se expor e estragar o dia dos demais com sua frescura neurótica.
Neuróticos somos. Todos numa ou noutra situação agimos às cegas, fazendo uma coisa e, sem saber, querendo fazer outra. Todos somos assim, vez por outra, neuróticos.
Mas se você olhar a expressão de “bem-estar” que quase sempre aparece num “salvado” no mar, verá que ele está quase “iluminado” por ter sido salvo, e tem, por instantes, um ar angelical e infantil, como de uma criança que tendo se machucado você põe no colo e acaricia, para que se sinta reconfortada e forte novamente.
Embora a maioria dos que quase se afogam sejam uns malucos, deles o que se deve ter é pena. Pena de sua cegueira que os leva a atos insanos.
E esse exemplo serve para mim, também, não é? E para você, será que não serve? He, he, he...