terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bléim! bléim! Soou o gongo de 2010

O prefeito Miguel reclama do engessamento ao qual foi submetido, quando a Câmara de Vereadores vinculou as transferências de dinheiro de uma rubrica à outra, só podendo agora isso ser feito com o aval dos vereadores.
Sabendo ou não, os vereadores fizeram em Dois Irmãos com o Poder Executivo daqui o que o Poder Executivo faz, em Brasília, com os deputados e senadores.
Em Brasília, todas as contas do governo onde os deputados podem “mexer”, estão sempre “contigenciadas”.
Por exemplo: o Governo diz que vai ter tanto de verba para os municípios na área de educação, e os deputados logo tentam “beliscar” essas contas, para mandar verba para os municípios onde eles fazem votos.
No entanto, assim que sai o anúncio de que tem essa verba, vem, também, do Palácio do Planalto (leia-se: “do presidente Lula”) a ordem de “contigenciar” a conta onde está o dinheiro. Isso evita que sejam feitas transferências (a pedido dos deputados) para um município ou outro.
A razão desse “contigenciamento” tem uma única razão: negociação! Em Brasília, fora a verba que o governo libera para os deputados têm de ser “negociadas”.
Para o deputado ter acesso as verbas que ajudam seus municípios-base a fazer obras (postos, estradas, creches, etc...) ele tem de “negociar” com o governo. Por isso uns deputados recebem mais verbas que outros, pois uns “dão mais” que outros e em Brasília é dando que se recebe. Lá em Brasília a versão sadia da negociação são as boas obras. E a versão podre é o “mensalão”.
Agora a prática chega a Dois Irmãos. E o prefeito, para movimentar o dinheiro, terá de “conversar” com a Câmara de Vereadores.
Não parece tão ruim assim. Sempre é bom conversar. Mas o prefeito já ameaçou“contratar”.
Miguel diz que vai “colocar mais gente”.
Só não falou em colocar uma sinaleira de pedestre na prefeitura... he he he...
A ameaça do prefeito significa que ele apontou o golpe, como se diz no linguajar do boxe.
A população está longe do embate e vai continuar, pois é difícil compreender como funciona o uso do dinheiro público. É que ao redor dos Poderes, nem tudo é o que parece e quase sempre o que parece que é, não é.
De qualquer forma, a Câmara de Vereadores reforçou sua músculatura eo prefeito está aquecendo a dele. E ficou claro que a Câmara será um ringue onde de um lado estará o Legislativo e do outro o Executivo. Até agora, ainda não se viu (metaforicamente, é claro) olhos roxos, supercílios sangrando, jabs, uppers e clinches, como se diz numa luta de boxe. Mas é certo que ambos tentarão levar o oponente a nocaute.
Então: Bléim! Bléim! Soou o gongo de 2010.