Alan Caldas
A “corrida espacial” começou em 4 de outubro de 1957, quando os soviéticos lançaram o Sputnik, o primeiro satélite artificial. A humanidade iniciou a ver a Terra “de longe” e a preparar a ida de um homem ao espaço.
Em 12 de abril de 1961, o igualmente russo Iuri Gagarin, pilotando a nave Vostok 1 tornou-se o primeiro homem a viajar no espaço.
Começava uma série de viagens tal qual escreviam em seus livros Bradbury, Isaac Asimov, Arthur Clarck e tantos outros escritores ligados à ficção científica.
Desde então, nunca mais paramos de ver disco voador.
Vira e mexe e lá vem um relato de algo se movendo em alta velocidade e que desaparece tão rápido quando aparece.
Nos anos 70, o suiço Erich von Däniken ficou famoso (até em Vacaria, que é o último lugar do mundo em que alguém fica famoso) ao escrever o livro Eram os Deuses Astronautas? Ele analisava “sinais” de que a Terra tinha sido “base” para naves e dizia que seres espaciais teriam “plantado” a raça humana aqui.
Nos anos 70, o Brasil vivia hipnotizado pela presença dos Discos Voadores.
São Paulo e Minas Gerais eram as preferidas dos discos voadores.
Nos anos 70, surgiram abduções, os seqüestros-relâmpagos de seres humanos por alienígenas, que levavam o pessoal, analisavam e devolviam sãos e salvos.
Surgiram especialistas em OVNIS afirmando que o governo tinha informações que “não revelava”. Uns diziam que o Brasil tinha “capturado” alienígenas. Outros que a NASA.
Em 1969, quando o homem pisou na Lua, afirmaram que “vários OVNIS” tinham sido visto pelos astronautas.
Raul Seixas, o ídolo-mor dos anos 70, entre um porre e outro, uma maconha e outra, um LSD e outro, vivia falando em disco voador. Mas ninguém o levava a sério... Vai entender o povo!
Ao redor do planeta surgia, sempre em áreas de miséria, seres agressivos. O chupa-cabra nos Andes. O abominável homem das neves no Himalaia. O Godzila na Ásia setentrional.
No Brasil se fazia concurso de fotos de disco voador, que eram analisadas nos programas de tevê-lixo da época.
O maior mistério era o Triangulo das Bermudas, uma área no caribe onde desapareciam barcos inteiros.
De tempos em tempos, a população é submetida a essas lavagens cerebrais, submetida a uma hipnose coletiva, que explora ao mesmo tempo o nosso medo do desconhecido e a nossa esperança de um mundo melhor (que obviamente não pode ser aqui).
E tudo, eu vejo agora, 52 anos depois, não passa de enganação, falácia, balela e malandragem de quem para controlar este planeta precisa, de tempo em tempo, colocar a população num estado de sonolência permanente. E nada melhor para dormir, que sonhar com disco voador. . .