A morte, cada pessoa a interpreta de acordo com sua vivência.
O filho de um ano vê a mãe morta e não compreende, pois para ele tudo é presente. O passado e o futuro não existem.
Um médico, acostumado desde a faculdade a retaliar cadáveres para estudar a anatomia, vê a morte de modo diferente.
O soldado, que na guerra mata para não ser morto, tem visão singular de vida e morte. Ele vê nisso o que nós, que nunca estivemos no front, não vemos.
Agentes de funerária, acostumados a manusear corpos, têm na morte emoções que nós outros não temos.
Assim diferente enxergam a morte os que trabalham nos Centros de Tratamento Intensivo, nos hospitais, nos pronto-socorros.
Também os policiais e bombeiros que resgatam afogados, atropelados e suicidas.
Quem assessora legista no Instituto Médico Legal, acostumado a ver gente “por dentro e por fora”, deve ver a morte “com outros olhos”.
Os religiosos, que cuidam da nossa alma e tentam (no meu caso quase em vão. . . hi hi hi) nos salvar das chamas do inferno e levar-nos para o domínio de Deus, também têm visão diferente da morte.
Recorde-se do Papa João Paulo, mais vivo que morto, e alguns boca-grande dizendo que ele tinha de “largar o trono”. O Papa, com seu típico bom humor, disse que era preciso “deixar Deus fazer o trabalho Dele...”.
Perguntaram uma vez para Chico Xavier, o famoso (e bondoso) médium espírita, se ele “tinha medo da morte”. A pergunta parecia até estúpida, pois esse senhor, segundo dizia, “convivia” diariamente com o espírito dos mortos.
Mas a resposta do seu Francisco Xavier foi:
- É claro que tenho medo da morte. Como todo mundo...
Foi assim que fiquei pensando no que disse Dom Paulo Evaristo Arns, que é irmão da dona Zilda Arns Neumann, que morreu no terremoto no Haiti. Quando perguntaram ao Dom Paulo Evaristo Arns o que ele tinha a dizer sobre a morte dela, ele disse:
- Foi uma morte muito linda. Ela morreu fazendo aquilo que sempre desejou fazer...
Tá, tá... tudo bem! Pode até ser.
Mas se fosse a nossa mãe, nós não acharíamos uma “morte linda”. Se fosse um filho nosso, nós não acharíamos “uma morte linda”. E, se fossemos nós, certamente também não acharíamos “uma morte linda”.
A senhora essa deixou quatro filhos, que certamente não acharam a morte dela “linda”.
Então, como bons cristãos, não vamos dizer que foi uma opinião “gagá” do Dom Paulo.
Vamos dizer que foi uma opiniãozinha sem sal e sem graça.
“Morte linda”... só na cabeça do cardeal!
O filho de um ano vê a mãe morta e não compreende, pois para ele tudo é presente. O passado e o futuro não existem.
Um médico, acostumado desde a faculdade a retaliar cadáveres para estudar a anatomia, vê a morte de modo diferente.
O soldado, que na guerra mata para não ser morto, tem visão singular de vida e morte. Ele vê nisso o que nós, que nunca estivemos no front, não vemos.
Agentes de funerária, acostumados a manusear corpos, têm na morte emoções que nós outros não temos.
Assim diferente enxergam a morte os que trabalham nos Centros de Tratamento Intensivo, nos hospitais, nos pronto-socorros.
Também os policiais e bombeiros que resgatam afogados, atropelados e suicidas.
Quem assessora legista no Instituto Médico Legal, acostumado a ver gente “por dentro e por fora”, deve ver a morte “com outros olhos”.
Os religiosos, que cuidam da nossa alma e tentam (no meu caso quase em vão. . . hi hi hi) nos salvar das chamas do inferno e levar-nos para o domínio de Deus, também têm visão diferente da morte.
Recorde-se do Papa João Paulo, mais vivo que morto, e alguns boca-grande dizendo que ele tinha de “largar o trono”. O Papa, com seu típico bom humor, disse que era preciso “deixar Deus fazer o trabalho Dele...”.
Perguntaram uma vez para Chico Xavier, o famoso (e bondoso) médium espírita, se ele “tinha medo da morte”. A pergunta parecia até estúpida, pois esse senhor, segundo dizia, “convivia” diariamente com o espírito dos mortos.
Mas a resposta do seu Francisco Xavier foi:
- É claro que tenho medo da morte. Como todo mundo...
Foi assim que fiquei pensando no que disse Dom Paulo Evaristo Arns, que é irmão da dona Zilda Arns Neumann, que morreu no terremoto no Haiti. Quando perguntaram ao Dom Paulo Evaristo Arns o que ele tinha a dizer sobre a morte dela, ele disse:
- Foi uma morte muito linda. Ela morreu fazendo aquilo que sempre desejou fazer...
Tá, tá... tudo bem! Pode até ser.
Mas se fosse a nossa mãe, nós não acharíamos uma “morte linda”. Se fosse um filho nosso, nós não acharíamos “uma morte linda”. E, se fossemos nós, certamente também não acharíamos “uma morte linda”.
A senhora essa deixou quatro filhos, que certamente não acharam a morte dela “linda”.
Então, como bons cristãos, não vamos dizer que foi uma opinião “gagá” do Dom Paulo.
Vamos dizer que foi uma opiniãozinha sem sal e sem graça.
“Morte linda”... só na cabeça do cardeal!