Houve tempo em que as pessoas gostavam de poesia, do deleite que as ideias contidas nas palavras podem nos trazer, essa espécie de gozo intelectual, que é um prazer indescritível. E como as palavras, assim o disse Sir William Shakespeare, “podem esconder outras palavras”, hoje publico aqui um poema desregrado do imbatível Walt Whittmann, que em sua doçura-violenta quase nos violenta com tantos significados em tão poucas palavras, deste que é um de seus mais significativos poemas e que se chama “A ti, causa antiga”. Publico-o, assim, cheio de receios dos ódios e amores que toda poesia expressa. E por ter aprendido com Luiz de Camões que “felicidade não existe, pois o que existem são momentos felizes”, mando ver, e aguardo, em Machado de Assis, “que a terra me seja leve”.
E você, bom, você me faça o favor: Leia saboreando como quem bebe um vinho antigo e de fina safra, cujo tempo foi passando e equilibrando-o dentro da garrafa, tal qual nós, dentro desta garrafa chamada corpo, fomos igualmente nos equilibrando. Boa leitura!
A ti, causa antiga!
Tu, incomparável, apaixonante causa boa,
Tu, implacável, impiedosa, doce ideia,
Imorredoura através dos tempos, raças, terras,
Após uma triste e estranha guerra, grande guerra por ti,
Esses cantos por ti, a marcha eterna por ti.
Tu, globo de muitos globos!
Tu, ardente princípio! Tu, bem guardado gérmen latente!
Tu, centro de tudo!
Em torno de tua ideia a guerra gira,
Com toda a tua irada e veemente dança das causas,
Estes versos recitados por ti - meu livro e a guerra são um,
Fundidos em tal espírito e no meu, com a disputa articulada em ti,
Como uma roda sobre seu eixo, gira este livro, inconsciente de si mesmo,
Em torno de tua ideia.
E você, bom, você me faça o favor: Leia saboreando como quem bebe um vinho antigo e de fina safra, cujo tempo foi passando e equilibrando-o dentro da garrafa, tal qual nós, dentro desta garrafa chamada corpo, fomos igualmente nos equilibrando. Boa leitura!
A ti, causa antiga!
Tu, incomparável, apaixonante causa boa,
Tu, implacável, impiedosa, doce ideia,
Imorredoura através dos tempos, raças, terras,
Após uma triste e estranha guerra, grande guerra por ti,
Esses cantos por ti, a marcha eterna por ti.
Tu, globo de muitos globos!
Tu, ardente princípio! Tu, bem guardado gérmen latente!
Tu, centro de tudo!
Em torno de tua ideia a guerra gira,
Com toda a tua irada e veemente dança das causas,
Estes versos recitados por ti - meu livro e a guerra são um,
Fundidos em tal espírito e no meu, com a disputa articulada em ti,
Como uma roda sobre seu eixo, gira este livro, inconsciente de si mesmo,
Em torno de tua ideia.