sábado, 17 de outubro de 2009

A fila desandou...

Foi o Eduardo Galeano, se não me engano, que disse num dos prefácios do seu livro As veias abertas da América Latina, que escrever é como colocar um bilhete numa garrafa e jogar em alto mar, esperando que encontrem e leiam.
E é isso que senti, ouvindo da colega Fernanda um relato de como foi interpretado o artigo que chamei de “A fila andou”.
Pensei estar elogiando às mulheres, engrandecendo o direito de se tornarem profissionais em qualquer área.
No artigo, alertei, apenas, que a mulher deve manter a feminilidade, exercendo na profissão a força do feminino.
Profissional sim, e onde queira, mas cheia de graça e feminilidade.
Não dá para se tornar “homem” só por que exerce profissão que até poucos era apenas exercida por homens. A mulher advogada, médica, pastora, bombeira, policial, administradora, jornalista, promotora. . . só dará uma contribuição à civilização se vier a ser profissional com “energia feminina”.
Um exemplo trágico: a Marília Gabriela. Com todo respeito que a colega Marília merece, sou obrigado a dizer que quando ela está entrevistando, parece um homem inquirindo pessoas.
Já a Fátima Bernardes tem igual força que a Marília, ou até mais, mas preserva todos os traços femininos. E a diferença entre uma e outra é que a Marília Gabriela parece um sargentão de cigarro na boca e coturno, e a Fátima Bernardes uma mulher profissional.
Assim em todas as outras profissões.
A mulher precisa se manter mulher, e não tem nada mais horrível que uma mulher que, no exercício da sua profissão, parece estar sempre cuspindo nos cantos e dando coice na canela dos desafetos.
A mulher deve ser tudo que deseja ser na vida pessoal e profissional. Pode casar ou não. Ter filhos ou não. Trabalhar fora ou não. Estudar ou não. Mas há algo que ela tem de continuar sendo, seja ela o que for: feminina.
A força da mulher está no “ser feminina”.
E ser feminina não é resolver o assunto com lágrimas. Essa fase até pode ter passado. Ser feminina é ser delicada, é assumir que fisicamente somos diferentes, não apenas pelo côncavo e convexo (que no fundo é o que nos une), mas pelas diferenças de músculos e hormônios.
Por isso estranhei quando disseram que o artigo estava “machista”.
Pensei que tinha sido o artigo mais feminista que havia escrito. E o acharam machista.
Então, volto ao Eduardo Galeano, que citei no início, e digo: As vezes a garrafa é encontrada e a mensagem é lida, mas você escreveu tão mal que quem encontrou e leu não entendeu o que você estava querendo dizer.
E aí?
Ralou-se, pois a fila não andou, desandou.