quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Natural é continuar vivo

É assustador o número de pessoas que você soma na coluna dos “mortos”.
É vó e vô, pai e tios, tias, amigos, amigas, primos, primas, vizinhos... Bah, uma infinidade já foi morar no cemitério.
E, por incrível que pareça, achamos normal morrer.
Acreditamos que a morte é natural.
Mas isso é uma bobagem.
A morte é totalmente sobrenatural.
A morte é a pior inimiga do ser humano.
Por razões diversas, passamos a acreditar na “naturalidade” da morte.
Não há nada natural em morrer. Natural é estar vivo. Morrer é caótico.
A morte mata a consciência, liquida a existência, e isso de forma alguma pode ser “natural”.
Precisamos parar com esse comodismo de acreditar que a morte é “natural”.
Você fala com médicos, químicos, físicos, biólogos, bioquímicos, farmacêuticos, psicólogo e todo esse povo ligado a explicação físico-química e espiritual da vida, e eles dão como assunto batido que morrer é natural.
Aceitam? Se entregam?
Que coisa estranha, se dar por vencido diante do mais feroz inimigo da vida.
Isso de dizer que morrer é natural fez o mundo acreditar na vida “depois da morte”. Eu também acredito, mas ninguém provou e por medo ou sei lá o que, sigo grudado na fé que me fará ressuscitar dos mortos. Ou reencarnar noutro corpo. Ou saltar para o “grande vazio”. Mas, de qualquer forma, acreditando que minha consciência não morrerá com a morte.
Temos de começar a enfrentar isso.
Há muitas situações políticas, econômicas, sociais e mesmo religiosas que têm todo interesse em nos fazer crer nesse absurdo de que a morte “é natural”.
Pense nisso. Por que você tem de perder pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filhos, amigos? Ou eles perderem você? Por quê?
Isso de desaparecer a consciência é algo sobrenatural. Vai contra a vida. E a vida é o bem maior que temos e tem de ser protegido.
Travamos tantas lutas neste mundo, mas a melhor (e, talvez, pior) delas, abrimos mão de lutar. É o nosso Armagedon pessoal. A nossa guerra do “fim dos tempos”. No caso, o nosso tempo, que advém com nossa morte. E não é inteligente abrir mão de enfrentar a morte, deixando de acreditar na “naturalidade” dela.