terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nada que exclua a felicidade me interessa

Alan Caldas

Preciso ter ligação sensualmente satisfatória com quem me relaciono. Se não for assim, não dá certo.

A pessoa com quem me relaciono não pode colocar em perigo meu senso de dignidade. Deve compreender que coopero com a humanidade e preciso estar livre de discórdias.

Tento superar dificuldades. E quem está próximo, logo descobre que pretendo ocupar posições de controle sobre os acontecimentos.

Sou rigoroso nas exigências emocionais. Escolho meticulosamente cada pessoa com a qual me relaciono de perto. Entretanto, quero independência emocional e raramente mergulho fundo no sentimento.

Desejo estar emocionalmente envolvido, mas sou cauteloso na escolha. Por isso, evito conflitos abertos.

Desejo ser aceito e ter estima e considera­ção dos outros. Porém sou escravo dos meus conceitos e não abro mão de me unir apenas aos que têm padrões tão elevados quanto (julgo sejam) os meus.

Não quero me sentir vulgar. Vai daí que me afasto de qualquer amizade que me leve à vulgaridade, em todos os seus aspectos.

Não abro mão de ser como sou.

Diante de um ponto final, fico reticente. Sei que deveria terminar algo logo, mas vou adiando. A razão de não fechar a porta de vez, é a minha fraqueza: não resisto aos apelos e solu­ços me pedindo para fazer de forma diferente.

Me sinto seguro se concordam com algumas das minhas opiniões. Sempre concordo com algumas opiniões dos outros. Aliás, concordo mesmo sabendo que são muitas vezes opiniões fracas, falhas ou mesmo ridiculamente ridículas.

Sou ineficiente em quase tudo. Mas olhe aqui: quando estou disposto a que algo realmente funcione, coloco em campo toda minha capacidade de convicção coletiva. Normalmente me saio bem, e normalmente surpreendendo para melhor quem entra em campo comigo.

Quero ser amado por mim mesmo, eu descobri. Talvez por isso insista nisso de ter a atenção e estima dos outros.

Me impressiona as pessoas originais, com singular em suas personalidades e que têm uma ou outra característica notável. Dessas pessoas, tento assimilar as qualidades que admiro, e sempre as incentivo a ser cada melhor, porque é dos notáveis que depende o mundo.

- Quem sou eu?

- Sei lá! Sou íntimo e pessoal.

Mas posso dizer sem medo de errar que me defino assim: Nada que exclua a felicida­de me interessa.