É pena que o debate de ontem, entre José Serra e Dilma Rousseff, visando o segundo turno da eleição Presidencial de 2010, não foi apresentado em horário de ser humano “normal”.
As tevês fazem meio jornalismo, não vão ao eleitor e não se prestam a realmente municiar o cérebro do eleitor médio.
O Brasil está à beira de um abismo. Não devido a Serra ou Dilma, mas a ausência de participação. O que caracteriza a nós, brasileiros, neste momento, é o “deixa assim”. E é por isso que cada eleição cresce mais a praga eleitoral chamada de “marqueteiro”.
Esta é a campanha da dissimulação. O candidato que não presta esconde que não presta e faz de conta que presta. E faz isso ensinado pelos “marqueteiros”.
Você não sabe quem são os “marqueteiros”.
Você ouviu falar deles, mas nunca os viu.
Marqueteiro é o sujeito que ensina o candidato a ser falso, fingido, desonesto e hipócrita. Isso é um “marqueteiro” político: um cara que faz o povo comer cocô pensando que é pudim.
Marqueteiro é o mais desprezível de nós, humanos. Ele é responsável pela técnica que os candidatos usam para esconder do eleitor quem a pessoa que está se candidatando realmente é.
Sabe gato por lebre? É isso!
Marqueteiros são especialistas em nos enganar. São capazes de transformar assassino em vítima e vítima em assassino.
Marqueteiros, entre nós comunicadores são os mais podres: usam a comunicação para enganar o eleitor. Ajudam o candidato a dissimular o que é (se ele não presta) e a simular o que ele não é (uma pessoa amorosa, familiar, que cuida de seus compromissos e que não tem ligação com o crime).
Infelizmente o eleitor mais humilde, que cuida de trabalhar para manter a família, é justo a maior vítima desses marqueteiros. Por ter de trabalhar para sustentar a si e aos seus, o eleitor só vê dos candidatos a mentira, a falsidade, o engano, a trapaça nos programas eleitorais na tevê. Programas, diga-se de passagem, feitos por marqueteiros para disfarçar a verdade, esconder a realidade e empurrar na mente do eleitor desinformado uma pessoa que só é aquilo que está na tela, porque na vida real é totalmente diferente.
Esse é o abismo onde nos atolamos. E cada dia mais aparece a falsidade do candidato que, ajudado pelos marqueteiros, ilude eleitor, mente, falseia, engana descaradamente e transforma a política na lata de lixo que ela vem se tornando.
O debate foi de bom nível, ontem.
Na marcação homem-a-homem não tem tantos marqueteiros.
Infelizmente, o eleitor normal, que não é o eleitor identificado com A ou com B, já tinha ido dormir quando o debate começou.