quinta-feira, 23 de julho de 2009

E os segredos viraram bobos

Quando, dois dias atrás, completou quarenta anos da chegada do homem à Lua não dei conta. Relembrei, apenas.
Tudo normal, bela notícia, boa recordação.
Ontem caiu a ficha:
Fazem QUARENTA anos!!!
Então percebi porque não gosto de chegar com óculos perto de espelho!
Então entendi de onde vieram os cabelos brancos!
Então compreendi porque fiquei mais calmo com fatos que me irritavam tanto!
Então descobri porque cada dia me interesso menos por fatos que antes pareciam me dizer tanto respeito!
Então admiti que aqueles segredos que eram secretíssimos hoje são bobos e ninguém quer saber.
Então lembrei que a maioria dos que viram aquelas lindas imagens ao meu lado, naquela fria noite de Inverno, lá em Vacaria, hoje não estão mais aqui! Se foi pai, vô, vó, tios, tias, vizinhos e vizinhas.
Então vi bem claro meu tempo, amigos que sumiram, amores que partiram, desejos que já não tenho, vontades que me moviam e já não me dizem respeito! O que me irrita. O que excita. Quanta mudança em mim mesmo.
Quarenta anos! Meu Deus do céu!
Quarenta anos daquela noite fria em que a tevê (que “fechava” às 23 horas) ficou no ar até de madrugada, para vermos a Águia pousar na Lua e o astronauta dizer “um pequeno passo para um homem, um grande passo para a humanidade”.
Tudo que veio depois daquilo, cor na tevê, computador, chip, celular, leite pasteurizado, o barbeador elétrico e o micro-ondas (que foram criados para eles irem à Lua), industrialização de tudo, tratamento de água saúde pública, educação de massas, grandes aviões, o Hubble, o fim do muro de Berlim, a destruição do comunismo.
Nossa! Quarenta anos se passaram. Onde ficou mesmo esse tempo todo que perdemos vivendo?