quarta-feira, 15 de julho de 2009

Perto desse o Influenza é pinto

Vírus. No século passado o da gripe espanhola. Depois AIDS. A seguir o do frango. E agora gripe suína. Entre esses, hepatite, etc., etc., etc. Todos viróticos. E muitos deles letais.
Mas há outro. É o da descrença. E é no Brasil que o vírus da descrença mais desenvolve, pois encontrou aqui o “hospedeiro ideal”. Esse vírus poderia chamar-se Brasil Beta, numa alusão à última letra do alfabeto grego. É que se ele se expandir no mundo tanto quanto no Brasil, vai decompor a curiosidade humana, nos transformando em seres que não se surpreendem com mais nada. E aí será o nosso final.
Esse vírus da descrença não se sabe quando começou. Talvez nas mentirinhas que pais aplicam aos filhos e que ao serem descobertas geram descrença na paternidade. Talvez nas chantagens que se faz para manter o amor. Ou nas crendices que quando comparadas à luz da ciência criam seres ateus.
O vírus da descrença pode ter surgido nas nossas relações com os poderes executivo, legislativo, judiciário, a lei e ordem que corrompida corrompeu a sociedade, gerando essa sensação de impunidade que nos caracteriza.
Foi (des)graças a esses vírus que deixamos de crer na lei e moral e passamos a acreditar na ausência delas. É a inversão dos valores. Nosso mundo de cabeça para baixo.
O vírus da descrença se propaga quando o criminoso detido é logo solto e passamos a descrer na punição para crer na impunidade.
Ele fica forte quando há denúncias de corrupção na prefeitura, Estado e União, e os ladrões se tornam impunes graças a lei que eles próprios criaram para não serem presos.
O vírus da descrença cresce quando aluno espanca professor e pais dão razão ao filho, nos fazendo descrer na autoridade do professor.
O vírus da descrença se expande quando Ministros do Tribunal dizem uns aos outros para não falar entre si “como falam com seus capangas”. Ou quando você joga lixo para fora do carro ou cospe na calçada. O vírus da descrença se fortalece na tevê pregando prostituição, violência, consumo de droga, impunidade, traição e exploração de criança, e diante disso as autoridades se calam.
O vírus da descrença cresce quando um “pastor” com a Bíblia na mão e o nome do Cristo na boca quase se esborracha para tirar dinheiro dos ingênuos, inoculando neles o temor do inferno que o enriquece. Cresce quando pai abusa de filho e fica ileso, quando o idoso é desrespeitado, quando o marido agride sem razão a mulher e diante de coisas como essas nada se faz. Cresce quando Lula diz que Sarney é “superior” a nós.
Se temos tido cuidado com o Influenza, deveríamos ter muito mais com o “Descrenza”.