quarta-feira, 8 de julho de 2009

Urubu come bolacha

Numa época como esta, em que cada vez mais as pessoas estão desistindo de ler e reduzindo seu conhecimento intelectual a frases, tem algumas que mostram bem a nossa cultura nacional. A melhor frase brasileira é aquela que diz “urubu não come urubu”.
Há poucas verdades tão certas quanto essa: Urubu não come urubu.
Há outra frase também genial, que é esta: “No repartir das bolachas, leva mais quem está mais perto”.
Essas duas frases são épicos da cultura brasileira. E ouvindo o presidente Lula dizer que Sarney é superior a nós, já se entende a primeira frase na cultura brasileira: urubu não come urubu.
Como Lula iria devorar Sarney? Urubu não come urubu.
Então, diante dessa falcatruagem no Senado, entrou o PT reclamando de Sarney e exigindo sua renúncia ao cargo de Presidente do Senado. O Senado, aliás, que em toda história dele nunca foi tão autofágico, tão autocanibal quanto agora. Porém bastou Lula chamar Mercadante e Suplicy, os ícones do PT no Senado, e explicar que "sem Sarney não dá para governar" (afinal o homem é superior a nós) que o PT imediatamente parou de gritar “sai” e passou a gritar “fica”.
Se “sem Sarney não há como governar”, é porque no repartir das bolachas sem Sarney vai perder quem estiver mais perto. No caso: Lula.
E mesmo que a saída de Sarney desse (numa linguagem figurada) mais bolachas a essa abstração quase lunática chamada povo, o fato é que isso daria “menos bolachas” aos que estão mais perto: Lula & Cia.
É assim a síntese do pensar nacional e do “ser” político brasileiro: urubu não come urubu, pois se come quebra a regra do “no repartir das bolachas leva mais quem está mais perto”.
E nesse furdunço, com a bateria de apoio que tem na imprensa comprada, segue o baile.
Afinal, é sabido que urubu não come urubu. Come bolacha. Hê, hê hê...