O mercado sexual sempre foi atração e mistério. E até duas gerações atrás, esse mercado era organizado. Para ter acesso sexual à mulher havia dois caminhos:
- Namorar, noivar, casar e ter sexo ou
- Comprar sexo na zona do meretrício.
Namorar e casar, você sabe: encontrava a moça, se agradava dos olhos dela, do corpo, etc, e então se aproximava jeitosamente, oferecia um elogio, uma flor, um bombom, algo que adoçasse a ilusão dela. Vinha o flerte (o “zoinho”), a mão pegada, o primeiro beijinho, depois você ia até a casa dela, falava com a mãe e o pai, passava a frequentar a casa, uma vez por semana, duas no máximo, e se o namoro avançava você noivava e depois de um tempinho casava. E aí experimentava o “bem bom”. Só aí você experimentava o “bem bom”. Jamais antes, ou a moça ficaria “mal falada”. Você teria filhos com ela, porque casamento é para “gerar família”, certo? E com os filhos lá se ia o horário para o “bem bom”, mas você insistia e vinha mais filho, e assim quando você via já estava com cabelo branco, família criada, meio barrigudo e com pouquíssima vontade do “bem bom”. Então você morria, virando um retrato que ficaria para sempre na memória dos filhos e netos, e sempre pendurado na sala da casa do filho mais velho, que era quem herdaria as fotos da família.
Fora isso, sexo só comprando. E se o sexo familiar era organizado e protegido, assim também o era o sexo pago. Havia zonas de meretrício em toda cidade “de bom porte”. A zona era um ponto turístico masculino. Algumas eram verdadeiros bairros onde as “casas de perdição” abrigavam “mulheres de vida fácil” que trocavam seu corpo por dinheiro. Nesses bairros havia restaurantes e boates, e casas com quartos, é claro, para “instantes” ou “pernoites”. E as prostitutas eram quanto mais novas, mais caras, e se fosse argentina nova então, báh, era uma fortuna! Era tão organizado o sexo pago, que os Postos de Saúde tinham o “dia das meretrizes”, normalmente terça-feira, e nesse dia moças e senhoras “de família” não iam lá. Nessa época, quem vivia da “profissão mais antiga do mundo” sabia exatamente quem era, e não se envolvia com outras pessoas que não fossem “da vida”. E era lá que rapazes imberbes e cheios de espinha iam mortos de vergonha iniciar-se no aprendizado dos lençóis.
E era assim: casamento ou pagamento!
Então veio a pílula anticoncepcional. E o resto você sabe: o mundo, para os homens, ficou melhor que harém, porque no harém o homem tinha de manter a mulher, dar casa, roupa, comida, pagar serviçais.