quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Luna prova: em NH “Ser” já era

Novo Hamburgo não cuidou dela mesma e foi por isso que assistimos a decadência de um belo estilo de vida que a capital do calçado vivia ainda nos anos 70.
Novo Hamburgo acreditou no “ter” como fonte da felicidade. E assim foi que ergueram-se as fortunas daquela cidade, hoje todas dilapidadas e cada uma das empresas já falidas ou fechadas. Os carrões, as festas, a arrogância de quem ganha dinheiro mas não administra com o coração, tudo isso levou Novo Hamburgo a se tornar uma sociedade de exaltação.
Surgiu um racismo contra o “não ter”. E em Novo Hamburgo quem “não tem” simplesmente “não é”, não existe.
E o exemplo síntese desse declínio cultural é aquela pervertida, que ao ver-se financeiramente quebrada degolou marido, sobrinha-afilhada e irmã, para “livrá-los do sofrimento da falta de dinheiro”, como ela mesma disse.
Em Novo Hamburgo não se senta na mesa sem falar de futebol. Ou de “ganhar dinheiro”. É só o que dá.
E nas reuniões “de amigos” cada um tenta mostrar o quanto “está melhor” que os demais.
Se você puxar um assunto mais profundo, amoroso, feliz e intelectual, como arte, música, ciência, religião, cultura, assunto que não esteja na rés-do-chão, logo todos se encolhem e você se torna um ser assim, tipo meio “perigoso”, uma espécie de alienígena.
Foi nessa abominável instância do “não ser” devido ao excessivo desejo de “ter”, que Novo Hamburgo aceitou pacificamente o fechamento na semana passada do Luna Bar.
A mais tradicional casa de café para os poucos que não pautam sua veia na cultura rastejante do só “ser” se “ter”, foi fechada sem guerra.
Nem políticos. Nem empresários. Nem o vulgo. Ninguém se rebelou.
O Geraldo Fink abaixou a cabeça e acatou a lei que protegendo o direito de propriedade do bispo Edir Macedo (que fez fortuna logrando a ignorância alheia na Igreja Universal) despejou a pontapés o Luna Bar.
Fecha-se assim a última porta que tinha fisionomia diferente em Novo Hamburgo.
Aprendemos, finalmente, o caminho da submissão. Novo Hamburgo deve priorizar apenas o “ter”.
Afinal, para que “ser”?
“Ser” já era.
Como o Luna Bar: já era!