segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E se estivermos todos loucos?

Não é fácil ter de conviver com os “grandes problemas” que afetam a humanidade.
Todo dia é geleira derretendo, é violência mundialmente aumentando, é um doido na Coréia testando arma nuclear. Tem gripe mundial. Tem AIDS. Tem câncer sendo transmitido pelo sexo. Tem o avanço do mar sobre a praia. E vento de todo tipo, tufão, furacão, tornado. Tem queimadas devastando as florestas. E madeireiros cortando na Amazônia áreas maiores que o Rio Grande do Sul, deixando a floresta careca. Tem droga, crack na ralé e ecstasy na burguesia. Tem político acusado em todos os níveis. Tem o avanço da pobreza vertiginosamente no planeta. Tem veículos de comunicação incentivando a prostituição como regra de vida, a desagregação familiar como regra de vida, a traição como regra de vida.
Todo dia temos de pensar em se o correto é crer em Deus e na transubstanciação da carne e na existência da alma, ou se a verdade está no evolucionismo de Darwin. Tem a fé explorando miseráveis nas igrejas de pilantras auto-intitulados pastores, mas que são apenas vigaristas. Tem a divisão do mundo entre os radicais da fé, causando morticínios impressionantes. E dentro da cidade e do país, temos de conviver com a multidão de miseráveis, que tudo pedem e querem, e tentar não estar entre eles e correr, então, o perigo de se tornar arrogante e prepotente. Há todos os dias pressão para que você seja você, afaste-se do mundo e torne-se frio e calculista. É pressão demais na cabeça das pessoas. Elas são obrigadas a ter isso, a comprar aquilo, a ser magro e não gordo, a ser não-fumante, a não ser alcoólatra. E tudo é campanha mundial. Temos de conviver com a crônica econômica mostrando todos os dias que estamos “ali” para a quebradeira generalizada no planeta. Nossa cabeça é um sumidouro de propagandas que lançam um mundo de riquezas imensas na cabeça (aqui do Brasil, por exemplo) de 50 milhões de miseráveis que comem mal todos os dias.
Não sei como conseguimos ficar sadios mentalmente.
Talvez seja a ação divina que assim determine, ou talvez nossa estrutura psíquica e física suporte muito mais do que imaginamos.
É difícil conviver todos os dias com tantos problemas “mundiais”, que são problemas alheios e não nossos, mas que por estarem todos os dias nas tevês, rádios e jornais acabam como que se tornando nossos.
Sei lá como é que não ficamos todos loucos. Sei lá.
Pensando bem, talvez já estejamos todos loucos, e por estarmos todos loucos não tenhamos percebido nossa própria insanidade.
O que você acha?