segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Se ocorrer, culpe os porcos!

A saúde virou uma indústria onde laboratórios farmacêuticos investem trilhões procurando cura para doenças.
Procurando “a cura”? Tem certeza?
A “cura” não parece ser bom negócio para quem fabrica remédio. Fabricar medicamento é um negócio como qualquer outro. E num negócio é preciso manter o cliente.
Por exemplo: no jornal se conquista o assinante e se dá a ele informações que façam ele querer renovar sua assinatura todo mês. Na padaria o pão é quentinho e saboroso, e você volta nela atrás disso. Jornal e padaria se esforçam para ter o cliente “sempre”.
Com remédio não é diferente. Por qual razão o fabricante iria querer o cliente (o doente) “só uma vez”?
Não há lógica empresarial nisso.
Um negócio tem de durar e dar lucro. E o fabricante de medicamento que encontrar a cura, terá cliente uma única vez.
Se fosse dono de laboratório, você descobriria “a cura”? Ou descobriria como amenizar a doença e manter o cliente indo na farmácia comprar uma “quase cura”?
Essa é a indústria da doença. A alma dela.
Laboratórios investem trilhões não para achar “a cura”, mas a “quase cura”.
O que se busca é o meio termo que faz você ficar vivo, porém “meio doente”, e assim os laboratórios continuam faturando na sua doença. É podre, mas é a lógica do sistema: lucro máximo e consciência zero.
Além de manter fiéis consumidores, os laboratórios precisam como toda empresa “renovar” seu cadastro de clientes. E, dentro do foco empresarial deles, os laboratórios podem, não quer dizer que façam, mas podem pesquisar novas doenças. Eles podem encontrar novas doenças e espalhar elas numa região ou no planeta e assim criar sua nova clientela. E então, diante dessa nova doença, fornecer o medicamento.
Acorde. Fabricar medicamento é negócio.
Tem muito negócio antiético por aí. A fabricação de armas, por exemplo. A fabricação de drogas, por exemplo. A proteção a criminosos (a máfia). Esses são três “bons negócios” que estão na nossa fuça todos os dias e praticamente ninguém reclama.
Num mundo onde se aceita pacificamente negócios como arma, droga e crime, um laboratório pode investir na criação de doença. Isso pode ocorrer. Não quer dizer que ocorra. Mas pode ocorrer. E, se ocorrer, você simplesmente culpa “os porcos”, e fica tudo bem. Entendeu?