terça-feira, 4 de agosto de 2009

O que são “alguns”...

No início eram os porcos. E eles caminhavam sobre algo fétido e pegajoso. Eles espirravam, e deu-se a eles a culpa.
Então, aquele prédio de Nova Iorque, com bandeira de tudo que é país e que tem moscas ao redor, foi tomado de súbita compulsão. E sua direção se reuniu, decidiu, e a ONU disse:
- É pandemia!
A gripe suína trocou de nome e passou a se chamar A (e mais umas letras que não se sabe o que significa).
A tropa de elite, que é a imprensa, logo trombeteou. E os políticos viram bom motivo para derrotar quem hoje está no poder. E começou a confusão.
Morre um aqui. Outro ali. E as mortes se sucedem. Em série medonha, como toda morte anunciada.
A população, assustada e desinformada, começa a entrar em pânico.
Médicos dão declarações vagas.
Jornalistas supõem isso e aquilo.
Direto da Casa Branca, e como chefe do mundo, o presidente Obama manda:
- Vamos lavar as mãos.
E ninguém mais se cumprimenta.
O prefeito de Nova Iorque manda que as pessoas fiquem a 8 metros umas das outras. E vai ter nova-iorquino em Dois Irmãos.
No início diziam: só vai morrer os “descuidados”: fumantes, alcoólatras, viciados, esse povo.
Mas que! Começa a morrer criança sadia, gestantes, adultos bons de braço e de sangue.
A vacina chega.
O inverno cede.
A nova gripe se “acultura” na cultura de muitas doenças “novas” que temos assistido e que ninguém sabe como chegam até nós.
Na bolsa de Nova Iorque, porém, algumas empresas fabricantes de medicamentos crescem o valor de suas ações.
Se morreram alguns?
Ah, tá. Mas o que são “alguns”, nestes 6 bilhões e meio de “gentes” que somos?
“Alguns” sempre morrem, não é?
Faz parte...
E assim a crueldade fica comum, fica banal, normal, e a inocência que caracteriza o ser humano tal qual o criador o pensou, vai desaparecendo em nossos gens, vai ficando insignificante ao ponto de um dia olharmos para as crianças e não vermos mais aquela doçura de anjo com a qual todos nascemos.
E então você dirá: “E daí?”
E completará, dizendo:
- Já quase ninguém tinha inocência mesmo...